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MicroRNA age como supressor em tumores cerebrais

MicroRNA age como supressor em tumores cerebrais

Rebecca Vasconcellos Botelho de Medeiros, Ana Rita Araújo, Rodrigo R Resende

v.1, n.1, 2013
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2013.10.07.004

Gliomas são tumores cerebrais resultantes do mau funcionamento das células de suporte do sistema nervoso central (SNC). Há vários tipos de gliomas, como os astrocitomas, oligodendrogliomas e oligoastrocitomas, cada um derivado de uma célula de suporte do SNC. Os astrocitomas são classificados de acordo com a sua gravidade em baixa (grau I-II) a alta (grau III-IV), sendo o grau IV conhecido como o glioblastoma multiforme (GBM), tipo mais comum e letal de gliomas em adultos e associado a um prognóstico com poucas informações.

O tratamento atual para pacientes com GBM envolve a retirada cirúrgica, seguida de radioterapia e quimioterapia, sendo muito baixa a sobrevida média para pacientes com gliomas. As causas e os progressos dos gliomas têm sido extensivamente investigados, no entanto, os fatores genéticos envolvidos no desenvolvimento desta doença permanecem mal compreendidos.

Uma linha de pesquisa que parece promissora para a supressão de tumores cerebrais aposta na inibição da expressão proteica, já que as proteínas desempenham papéis importantes no desenvolvimento, na diferenciação, na proliferação celular e na apoptose (um tipo de morte celular).

Estudos sugerem que os microRNAs (miRNAs) – pequenos RNAs, com cerca de 20 a 24 nucleotídeos (uma subunidade que compõe o RNA), resultantes da clivagem de um RNA maior que não codifica para uma proteína – poderiam ser utilizados como supressores ou aniquiladores de tumor ou dos genes relacionados com o surgimento de tumores.

Sabe-se que os microRNAs atuam na inibição da expressão proteica, ou seja, eles regulam inibindo a tradução da proteína, impedindo que estas sejam produzidas. Um microRNA denominado miR-326 foi identificado pela primeira vez em um estudo de miRNAs que eram expressos ou estavam presentes em neurônios. Esse miRNA demonstrou ser expresso em baixos níveis no glioma. No entanto, quando este miR-326 está presente em grande quantidade, ou seja, é aumentada a sua expressão, ele se torna citotóxico para células de glioma, matando as células tumorais.

Jingxu Zhou e seus colaboradores, da Second Military Medical University em Xangai, na China, mostraram pela primeira vez que o miR-326 regula a tradução da NOB1, proteína que está envolvida no amadurecimento ou processamento do RNA ribossomal, e inibe a ativação da via de MAPK (proteínas quinases ativadas por mitógeno), que é uma das vias principais de desenvolvimento de gliomas em humanos.

As (MAPK’s) são proteínas que compõem uma família de serino/treonino quinases ativadas por fosforilação, em resposta a uma variedade de estímulos extracelulares, o que dispara a fosforilação e a ativação de numerosas proteínas intracelulares. A via de sinalização de MAPK’s é o principal mecanismo de regulação da atividade transcricional (de produção de RNAs) gerada por estímulo extracelular, atuando na proliferação, na diferenciação, no metabolismo e na resposta ao estresse. A ativação da via de MAPK tem sido associada com a proliferação de glioblastoma. Sendo assim, esse microRNA inibe o crescimento de tumores em meduloblastomas e gliomas malignos.

Os pesquisadores mostraram que a NOB1 é altamente expressa (está presente em grandes quantidades) em células de glioma e de tecidos tumorais do cérebro, enquanto a sua expressão é reduzida (presente em pequenas quantidades) no tecido normal do cérebro. Portanto, a expressão de NOB1 pode ser associada com o grau do tumor, bem como o prognóstico dos doentes com glioma, sugerindo um novo potencial terapêutico, através da inibição de NOB1 em gliomas humanos. 

microRNA_supressor

Fonte: http://www.plosone.org/article/info:doi/10.1371/journal.pone.0068469

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