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MESMO EM DEZEMBRO, A PREVENÇÃO CONTINUA! Novembro Azul E a Conscientização Sobre O Câncer De Próstata

MESMO EM DEZEMBRO, A PREVENÇÃO CONTINUA! Novembro Azul E a Conscientização Sobre O Câncer De Próstata

Rebecca Vasconcellos Botelho de Medeiros, Rodrigo R. Resende

Edição Vol. 2, N. 04, 02 de Dezembro de 2014

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.12.02.004

Todos nós conhecemos o famoso Outubro Rosa, um dia que se dedica a chamar a atenção de toda a sociedade para a luta contra o câncer de mama (1) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/o-outubro-rosa-e-o-sequenciamento-completo-de-exoma/). Mas todos também sabemos que quando se trata de cuidar da saúde, os homens apresentam mais resistência a procurar cuidados médicos e a realizar exames preventivos e, definitivamente, possuem certa dificuldade em aceitar que estão suscetíveis a ficar doentes.

Mesmo em Dezembro, ou em qualquer mês do ano, todos os exames de prevenção contra o câncer de mama ou de próstata devem ser regularmente realizados, independente do mês do ano.

Em 2003 surgiu na Austrália um movimento denominado Movember, movimento cujo nome tem origem na junção das palavras inglesa, moustache (bigode, em português) e november (novembro, em português) e cujo objetivo é sensibilizar e conscientizar o público masculino em relação aos cuidados preventivos e à importância da realização dos exames periódicos relacionados ao câncer de próstata. Vários países adotaram a campanha e em 2002 a campanha ganhou destaque no Brasil, se tornando referência na missão de orientar os homens a cuidarem melhor da saúde (Figura 1).

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Figura 1: Novembro azul, campanha de conscientização dos homens em relação aos cuidados preventivos e à importância da realização dos exames periódicos relacionados ao câncer de próstata. O bigode se tornou o símbolo da campanha.

O câncer de próstata

O câncer de próstata, também denominado de carcinoma da próstata, é uma neoplasia que tem seu desenvolvimento na próstata, uma glândula do sistema reprodutor masculino. A maioria dos cânceres de próstata é de crescimento lento, no entanto, alguns crescem relativamente rápido. As células cancerosas podem espalhar-se a partir da próstata para outras partes do corpo, particularmente os ossos e os linfonodos. Inicialmente pode ser assintomática, mas em estágios avançados pode causar dificuldade para urinar, presença de sangue na urina ou dor na pelve, costas ou ao urinar. Os sinais clínicos são muito semelhantes aos da hiperplasia benigna da próstata. Outros sintomas tardios podem incluir sensação de cansaço devido aos baixos níveis de células vermelhas no sangue e disfunção erétil (Figura 2).

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Figura 2: O câncer de próstata. Caso não tratado, o câncer de próstata invade órgãos próximos como bexiga, vesículas seminais, reto e se espalha pelo organismo danificando outros órgãos.

As taxas de incidência deste tipo de carcinoma variam amplamente no mundo: o câncer é menos comum no sul e leste da Ásia e mais comum na Europa e Estados Unidos. O câncer é menos comum entre homens asiáticos e mais comum entre homens negros.

Este tipo de câncer se desenvolve mais frequentemente em homens acima dos 50 anos de idade. Ocorre somente em homens, já que a próstata é uma glândula exclusiva deste sexo. É o tipo de câncer mais comum em homens nos Estados Unidos, país em que é a segunda maior causa de mortes masculinas por câncer, atrás somente do câncer de pulmão. Entretanto, muitos homens que desenvolvem câncer de próstata não apresentam sintomas e acabam morrendo por outras causas. Muitos fatores, incluindo genética e dieta, têm sido relacionados ao desenvolvimento do câncer de próstata.

O câncer de próstata é mais frequentemente descoberto através de exame físico ou por monitoração dos exames de sangue, como o teste do “PSA” (sigla em inglês para antígeno prostático específico). Atualmente existe alguma preocupação sobre a acurácia do teste de PSA e sua real utilidade. Uma suspeita de câncer de próstata é tipicamente confirmada ao se remover uma amostra da próstata (biópsia) e examinando-a sob microscópio. Outros exames, como raio-X e exames de imagem para os ossos, podem ser realizados para determinar se o câncer de próstata se espalhou.

O câncer de próstata pode ser tratado com cirurgia, radioterapia, terapia hormonal, quimioterapia, proteinoterapia ou alguma combinação destes. A idade e saúde do homem, assim como a extensão da dispersão das células, aparência sob análise microscópica e resposta do câncer ao tratamento inicial são importantes em determinar o desfecho da doença. Já que o câncer de próstata é uma doença de homens idosos, muitos irão morrer de outras causas antes que uma lenta evolução do câncer de próstata possa se espalhar ou causar sintomas. Isso faz com que a escolha do tratamento a ser utilizado seja difícil.

A decisão de tratar ou não um câncer de próstata localizado (um tumor que está contido no interior da próstata) com intenção de cura é um dilema entre os benefícios esperados e os possíveis efeitos danosos em relação à sobrevivência e qualidade de vida do paciente.

Sinais e sintomas

O câncer de próstata precoce não causa sintomas. Geralmente é diagnosticado após um teste de PSA elevado. Às vezes, entretanto, o câncer de próstata causa sintomas semelhantes aos da hiperplasia prostática benigna. Estes sintomas incluem polaciúria, urinar mais à noite, dificuldade em iniciar e manter um jato contínuo de urina, sangue na urina e ato de urinar doloroso. O câncer de próstata pode também causar problemas com a função sexual, como dificuldade em atingir uma ereção ou ejaculação dolorosa (2).

O câncer de próstata avançado pode causar sintomas adicionais à medida que a doença se espalha para outras partes do corpo. O sintoma mais comum é dor óssea, geralmente nas vértebras (ossos da coluna), pelve ou costelas, do câncer que se espalhou para estes ossos. O câncer de próstata na coluna pode também comprimir a medula espinhal, causando fraqueza nas pernas e incontinência urinária e fecal (3).

 

A nova tecnologia

Xiangqun Jin e colaboradores, da Jilin University, em Changchun, na China, publicaram na revista científica Plos one, em novembro de 2014, um estudo com um novo sistema de administração de drogas automontáveis com tamanhos em escala de nanômetros. Neste trabalho, o sistema de entrega é composto de pequenas micelas de poli (caprolactona)–beta–poli(etilenoglicol) (do inglês, poly (caprolactone) (PCL)-beta-poly(ethylene glycol) (PEG), PEG-β-PCL) que serão conjugadas com um ácido pentanodioico (S)-2-(3-((S)-5-amino-1-carboxipentil)) ureído – o SMLP. O SMLP liga-se especificamente a um antígeno específico da membrana da próstata (do inglês, prostate membrane specific antigen, PMSA, que é o mesmo que o PSA, anteriormente falado), mostrando seu potencial no tratamento do câncer.

As micelas poliméricas têm recebido atenção especial já que são uma opção promissora no carreamento de drogas anticâncer. As micelas possuem um núcleo hidrofóbico, para a incorporação da droga e tamanho na escala de nanômetros que permite um período maior de disponibilização na circulação sanguínea (Figura 3). Os nanomateriais (4, 5) são produtos muito pequenos. O prefixo nano deriva da palavra grega para “anão”, e refere-se a um bilionésimo de parte. Assim, um nanômetro é um bilionésimo de um metro. Vamos tomar como exemplo o cabelo humano, que geralmente tem, em média, 100 micrômetros de diâmetro, ou a décima parte de 1 mm (0,1 mm), ou a centésima parte de um centímetro (0,01 cm). Digamos que você encontrou um cabelo com espessura mediana, com diâmetro de 100 micrômetros. Um micrômetro equivale a 1.000 nanômetros; portanto, você precisaria cortar este fio pelo menos 100 mil vezes no sentido do comprimento para fazer um fio que tivesse um nanômetro de espessura (para mais informações veja http://nanocell.org.br/proteina-corona-um-desafio-para-o-uso-de-nanoparticulas/). E as micelas, são capazes de incorporar drogas insolúveis em água e transportá-las, protegendo-as da degradação pelos meios fisiológicos. Porém, uma entrega da droga direcionada especificamente ao alvo (células cancerosas) ainda é um desafio.

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Figura 3: Micela carreando droga anticâncer. Tamanho na escala de nanômetro, ou seja, um bilionésimo do metro.

Antígenos específicos de membrana da próstata (prostate specific membrane antigen, PSMA) como as enzimas folato hidrolase I e a glutamato carboxipeptidase II, são proteínas transmembranares, que atravessam as membranas celulares, e são conhecidas em estarem presentes, ou serem expressas em células epiteliais cancerosas da próstata e, sendo assim podem ser usadas como um potente biomarcador para detecção, diagnóstico e tratamento do câncer de próstata (células epiteliais da próstata normais e células de hiperplasia prostática benigna apresentam baixa expressão de PSMA).

Para realizar seus estudos, Jin e seus colaborados sintetizaram um copolímero anfifílico, ou seja, uma parte hidrofílica (afinidade pela água) de PCL e uma parte hidrofóbica (fobia à água, ou que repele a água) de PEG. Os pesquisadores avaliaram a liberação in vitro dessas micelas através de um método de difusão por diálise, em dois pH diferentes: 7,4 (ambiente simulado de tecidos normais) e 5,5 (ambiente simulado de tecidos tumorais), demonstrando que todas as micelas exibiram uma liberação rápida da droga antitumoral na fase inicial (primeiras 24 h) e uma libertação sustentada ao longo das 72 h seguintes.

Para comprovar a biocompatibilidade destes polímeros, as micelas livres de drogas foram incubadas com células de adenocarcinoma de próstata (LNCap), e a viabilidade celular não foi afetada ao longo de um período de incubação de 72 h. Os pesquisadores também avaliaram a incorporação celular das micelas através de microscopia de fluorescência. Eles observaram que a intensidade de fluorescência em células LNCaP incubadas com micelas conjugadas com SMLP foi 5 vezes maior do que as células com micelas não específicas (sem o SMLP conjugado) (6).

Para verificar o papel do SMLP na endocitose foi realizado um experimento para avaliar a competição entre ligantes livres e os ligantes da membrana (PSMA) nas micelas. Os pesquisadores verificaram que a conjugação de micelas com SMLP é um fator-chave na promoção da captação celular dessas micelas por células que expressam o PSMA, ou seja, por células de câncer de próstata (Figura 4). Atacando e eliminando o câncer por meio deste sistema.

Muitos estudos ainda devem ser feitos para avaliar a interação dessas micelas com outros tecidos do corpo. Assim sendo, o melhor remédio no momento é a conscientização e a prevenção precoce. Procure seu médico com regularidade e não omita nenhum sintoma para um bom diagnostíco!

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Figura 4: Esquema de entrega de micelas em células de adenocarcinoma da próstata.

Referência

1. Tonelli FCP, Resende RR. O OUTUBRO ROSA E O SEQUENCIAMENTO COMPLETO DE EXOMA. Nanocell News. 2014 10/20/2014;2(2). Epub 10/19/2014.

2. Miller DC, Hafez KS, Stewart A, Montie JE, Wei JT. Prostate carcinoma presentation, diagnosis, and staging: an update form the National Cancer Data Base. Cancer. 2003 Sep 15;98(6):1169-78. PubMed PMID: 12973840. Epub 2003/09/16. eng.

3. van der Cruijsen-Koeter IW, Vis AN, Roobol MJ, Wildhagen MF, de Koning HJ, van der Kwast TH, et al. Comparison of screen detected and clinically diagnosed prostate cancer in the European randomized study of screening for prostate cancer, section rotterdam. J Urol. 2005 Jul;174(1):121-5. PubMed PMID: 15947595. Epub 2005/06/11. eng.

4. Goulart VAM, Resende RR. PROTEÍNA CORONA: um desafio para o uso de nanopartículas. Nanocell News. 2013 11/21/2013;1(3). Epub 11/21/2013.

5. Resende RR. PRODUÇÃO DE NANOMATERIAIS AUTO-ORGANIZÁVEIS: Novo método permite a produção de nanomateriais com forma de bolachas finas. Nanocell News. 2014 08/05/2014;1(15):7. Epub 08/04/2014.

6. Jin J, Sui B, Gou J, Liu J, Tang X, Xu H, et al. PSMA Ligand Conjugated PCL-PEG Polymeric Micelles Targeted to Prostate Cancer Cells. PloS one. 2014;9(11):e112200. PubMed PMID: 25386942.

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  • 2
  1. Boa noite!
    Gostaria de saber há possibilidade de divulgar este e outros artigos em meu site – http://www.cadadia.net.
    Respeitando a fonte, autores e link para a página.
    Obrigado
    Péricles

    08/dezembro/2014 ás 00:02
  2. Rodrigo Resende disse:

    Caro Péricles,
    claro que sim. À vontade. Basta indicar o site.

    abçs
    Prof. Rodrigo Resende

    02/fevereiro/2015 ás 12:47

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