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MEMÓRIA, MEDO E ALZHEIMER

MEMÓRIA, MEDO E ALZHEIMER

Vol. 1, N. 17, 07 de Setembro de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocell.2014.09.08.005

Você já teve aquelas lembranças que gostaria de esquecê-las de vez? E nunca mais se lembrar delas? Seja um trauma de infância, ou a morte de uma pessoa querida? E aquelas memórias das quais você não se lembra? Seja por ter tomado um porre e todo mundo comenta e você, fica só olhando e rindo sem saber o que aconteceu. Gostaria de se lembrar delas? Mais do que querer esquecer péssimas lembranças e mais do que relembrar boas ou engraçadas passagens de sua vida, uma nova abordagem científica abre possibilidades para se tratar o mal de Alzheimer (1).

Alzheimerdoença de Alzheimer (DA) ou simplesmente Alzheimer, é uma doença degenerativa atualmente incurável, mas que possui tratamento (2) (para saber mais sobre a doença de Alzheimer veja http://nanocell.org.br/possivel-cura-para-o-mal-de-alzheimer-a-caminho-nanotubos-%CE%B2-amiloide-e-seu-receptor-da-proteina-prionica/). O tratamento permite melhorar a saúde, retardar o declínio cognitivo, tratar os sintomas, controlar as alterações de comportamento e proporcionar conforto e qualidade de vida ao idoso e sua família. Foi descrita, pela primeira vez, em 1906, pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, de quem herdou o nome. É a principal causa de demência em pessoas com mais de 60 anos no Brasil e em Portugal, sendo cerca de duas vezes mais comum que a demência vascular, sendo que em 15% dos casos ocorrem simultaneamente. Atinge 1% dos idosos entre 65 e 70 anos, mas sua prevalência aumenta exponencialmente com os anos sendo de 6% aos 70, 30% aos 80 anos e mais de 60% depois dos 90 anos (3).

Em um estudo de junho de 2014, os cientistas da Universidade da Califórnia, San Diego School of Medicine, nos EUA, liderados pelo professor Dr. Roberto Malinow, produziram ratos geneticamente modificados, cujas células neuronais respondem à luz. Usando estes ratos eles mostraram a capacidade de remover seletivamente uma memória e reativá-la de forma previsível, estimulando os nervos no cérebro com frequências que são conhecidas por enfraquecer e fortalecer as conexões entre as células nervosas, ou seja, diminuindo ou aumentando as sinapses (4-6) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/formacao-da-memoria-esta-associada-com-mecanismos-epigeneticos-que-sao-passados-de-geracao-para-geracao-cerebro-lamarkiano/ ou http://www.nanocell.org.br/terapia-genica-recupera-memoria-de-ratos-com-alzheimer-um-novo-passo-em-direcao-a-cura/). Isso seria o mesmo que apagar e reativar as memórias dos ratos, alterando profundamente a reação dos animais em relação aos eventos passados​​.

Assim, seria possível formar uma memória, apagar essa memória e reativá-la, à vontade, através da aplicação de um estímulo que fortalece seletivamente ou enfraquece as conexões sinápticas.

Os cientistas estimularam opticamente um grupo de nervos no cérebro de um rato que tinha sido geneticamente modificado para torná-lo sensível à luz, e, simultaneamente, aplicou-se um choque elétrico no pé do animal. Os ratos logo aprenderam a associar a estimulação do nervo óptico com a dor, isto é, a estimulação da visão com a luz com a dor, e exibiram comportamentos de medo quando percebiam a luz (Figura 1) (4).

memoria-medo-alzheimer

Figura 1: O medo pode ser condicionado a um evento qualquer. Por exemplo, quando se coloca uma luz para o rato e se dá um choque nele, este aprenderá por associação que, toda vez que ver a luz irá levar um choque. No experimento quando o rato é exposto a baixas frequências ele perde a memória de associação entre a luz e o medo. Se exposto a altas frequências ele recupera a memória de associação da luz com o medo e, toda vez que ver a luz, ficará com medo de tomar um choque.

As análises mostraram alterações químicas no interior das sinapses nervosas, opticamente estimuladas, um indicativo de fortalecimento sináptico (4).

Na próxima fase do experimento, a equipe de pesquisadores demonstrou a capacidade de enfraquecer este circuito, estimulando os mesmos nervos de forma a apagar a memória de associação entre a percepção da luz com o medo do choque, utilizando uma sequência de pulsos ópticos de baixa frequência. Estes ratos posteriormente não responderam à estimulação original do nervo com o medo, sugerindo que a memória de associação com a dor já tinha sido apagada (4).

Até aqui, nada de novo, apagar a memória é fácil de ser feito. Seja por algum trauma forte na cabeça, ou seja, por um pileque danado, como dito no início! Mas, a descoberta que pode ser a mais surpreendente no estudo, é que os cientistas descobriram que poderiam reativar a memória perdida pela re-estimulação dos mesmos nervos com uma sequência de pulsos ópticos de alta frequência, refazendo a memória perdida. Estes ratos recondicionados, mais uma vez responderam ao estímulo original, o da luz, com medo, mesmo eles não tendo levado choque (4).

É possível fazer com que um animal passe a ter medo e depois não tenha mais medo e, em seguida, voltar a ter medo, estimulando os nervos em frequências que fortaleçam ou enfraqueçam as sinapses.

Essa descoberta é incrível e tem grandes potenciais de aplicação clínica, incluindo a doença de Alzheimer. O peptídeo beta-amiloide, que se acumula nos cérebros de pessoas com doença de Alzheimer, enfraquece as conexões sinápticas em grande parte da mesma maneira que a estimulação de baixa frequência nas memórias apagadas nos ratos. Como foram demonstrados que se pode reverter os processos que enfraquecem as sinapses, é potencialmente possível neutralizar alguns dos efeitos da beta-amiloide em pacientes de Alzheimer.

Referências

1. Resende RR. NOVOS MEDICAMENTOS REVERTEM OS EFEITOS DA DOENÇA DE ALZHEIMER EM CAMUNDONGOS. Nanocell News. 2014 08/26/2014;1(16). Epub 08/26/2014.

2. Tonelli FM, Resende RR. POSSÍVEL CURA PARA O MAL DE ALZHEIMER A CAMINHO: Nanotubos β-amilóide e seu receptor da proteína priônica. Nanocell News. 2014 12/14/2013;1(4). Epub 12/16/2013.

3. Bermejo-Pareja F, Benito-Leon J, Vega S, Medrano MJ, Roman GC. Incidence and subtypes of dementia in three elderly populations of central Spain. Journal of the neurological sciences. 2008 Jan 15;264(1-2):63-72. PubMed PMID: 17727890. Epub 2007/08/31. eng.

4. Nabavi S, Fox R, Proulx CD, Lin JY, Tsien RY, Malinow R. Engineering a memory with LTD and LTP. Nature. 2014 Jul 17;511(7509):348-52. PubMed PMID: 24896183. Epub 2014/06/05. eng.

5. Furtado CM, Santos DF, Kihara AH, Paschon V. TERAPIA GÊNICA RECUPERA MEMÓRIA DE RATOS COM ALZHEIMER: um novo passo em direção à cura. Nanocell News. 2014 05/13/2014;1(11). Epub 05/12/2014.

6. Paschon V, Alcaraz AC, Kihara AH. FORMAÇÃO DA MEMÓRIA ESTÁ ASSOCIADA COM MECANISMOS EPIGENÉTICOS QUE SÃO PASSADOS DE GERAÇÃO PARA GERAÇÃO (CÉREBRO LAMARKIANO). Nanocell News. 2014 05/13/2014;1(11). Epub 05/12/2014.

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