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MARXISMO E MACUMBA

MARXISMO E MACUMBA

Jorge Antônio Monteiro de Lima

Analista pesquisador em saúde mental, psicólogo clínico

Mestre em Antropologia social   pela – UFG

Coordenador do curso de formação de analistas da Unipaz Goiás.

Edição Vol. 3, N. 2, 03 de Novembro de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.11.03.005

Dias atrás encontrei um amigo professor da Universidade Federal, outrora Marxista ligado ao materialismo dialético. Uma figura divertida, outrora caricato que andava de boina, sandália franciscana, barba comprida, capanga, e afins, um pouco diferente por causa dos banhos diários e do perfume francês. Este amigo veio me comunicar que estava frequentando um terreiro de Umbanda, que havia, enfim aceito que existe uma espiritualidade. Questionei o fato, e ele disse-me que foi por causa da esposa que havia adoecido. E cansado de ir aos médicos resolveu dar uma chance para o lado de lá…

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Imagens modificadas de https://editoramulticultural.com.br/capa/blogger/listagens/92-marcelo.html e http://www.blogdopessoa.com.br/2012/06/marxismo-verdade-por-tras-deste.html

Um marxista macumbeiro?!!! Bem, só na universidade que frequentei conheci uns 30. De dia sociologia, filiação partidária intensa, discussões sobre o poder do capital, mas a noite… na sexta feira, o sincretismo come solto e a busca pelo sagrado, ou a captação do espiritual tomam conta. A natureza do instinto religioso assume o poder e se faz presente em quem, em discurso, dizia não acreditar em nada.

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A figura original foi modificada pela Nanocell News pela sua política não permitir nomes ou legendas de partidos em seu material.

Seja por uma patologia, pelo sofrimento, superstição, pela descrença no mundo, chifre, ou necessidade de acreditar em algo, o outrora materialista, ateísta ou ateu acaba, nas horas de folga, na surdina, entregando-se ao imaginário e ajoelhando. Inicialmente procurando as formas concretas da religiosidade, seja pelo dízimo, ou pelos rituais corporais, pelas crenças de sacrifício. Um caminho inicial para quem não acredita em nada, que pode, no futuro servir a processos da religião mais subjetivos e menos concretos.

Trabalhei vários anos em hospitais e há duas décadas na clínica. E nesta prática profissional como analista e psicólogo clínico aprendi que o sofrimento é o melhor amigo de Deus. Pelo amor ou pela dor um dia você acaba buscando algo a mais. Na hora do sofrimento todo mundo aprende a rezar. E isto independe do dogma, da igreja constituída, ou do partido.

A divisão entre o materialismo e a militância é engraçada, patética e estruturalmente apenas ilusória. Na teia da vida jamais a espiritualidade deixou de existir, independe de crença, raça, idade, partido político, militância. A fé hoje faz parte dos estudos científicos da medicina, física, psicologia e de boa parte das ciências que buscam a compreensão deste fenômeno humano que Jung postulou em sua teoria sobre o Instinto religioso.

Meu amigo professor universitário é apenas mais um dos milhares em sua busca de crescimento e evolução. Pediu pra não contar pra ninguém que tem feito isto e em sua homenagem escrevi este artigo que mandei para ele antes de o publicar. Não há pelo que ter vergonha ou medo, pois a busca é de todos direta ou indiretamente.

Este é o inconsciente se manifestando, seu imaginário gritando, a força da existência fazendo-se presente.

P.S.- Meu amigo riu muito do artigo!

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