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INOVAÇÃO EM DIAGNÓSTICO: Detecção De Câncer De Cabeça E Pescoço Utilizando Saliva E Plasma

INOVAÇÃO EM DIAGNÓSTICO: Detecção De Câncer De Cabeça E Pescoço Utilizando Saliva E Plasma

Flávia Cristina Policarpo Tonellia, Fernanda Maria Policarpo Tonellib, Rodrigo R Resendeb

a Laboratório de Química de Proteínas/ Departamento de Farmácia/CCO/UFSJ
b Instituto Nanocell

 Edição Vol. 2, N. 15, 27 de Julho de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.07.27.005

Pesquisadores norte-americanos da Escola Universitária de Medicina Johns Hopkins (Baltimore – EUA) desenvolveram um novo método para diagnóstico de câncer de cabeça e pescoço de células escamosas. Este método é menos invasivo que as biópsias, quando se retira um pedaço do tecido humano onde o câncer está instalado. O novo método utiliza sangue e, em alguns casos, até mesmo saliva, sendo até mesmo mais confiável (1).

O CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS DE CABEÇA E PESCOÇO

O carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço (do inglês, Head and Neck Squamous Cell Carcinoma, HNSCC) é o sétimo tipo de câncer mais comum no mundo, e a cada ano surgem quinhentos mil novos casos (2). O papiloma vírus humano (HPV, do inglês, Human papillomavirus) é um conhecido agente etiológico deste tipo de carcinoma, especialmente orofaríngeo (nossas vias aéreas). A incidência de HNSCC é crescente e apresenta acentuado aumento principalmente em pacientes jovens HPV positivos (3).

Assim sendo, o aumento de número de casos de pacientes com HNSCC, associado ou não à presença do vírus HPV, instigou a busca por melhoria no diagnóstico desta doença.

DETECÇÃO DE HNSCC – UMA NOVO MÉTODO DE DIAGNÓSTICO

Para que este novo método de diagnóstico fosse desenvolvido realizou-se estudo com células de 93 pacientes (com idade igual ou maior que 60 anos), que sabidamente possuíam carcinoma de células escamosas do pescoço e da cabeça.

Investigou-se nestas células se havia a presença de DNA do HPV, isto é, procurou-se pelo DNA do vírus nas células cancerosas, e/ou alterações no material genético, as chamadas mutações nessas células, que já se sabiam serem associadas ao câncer de cabeça e pescoço.

Primeiramente, utilizando-se de uma técnica muito conhecida nos laboratórios, da reação em cadeia da polimerase (PCR), que amplifica o número de cópias de uma dada sequência de DNA ou RNA, foram estabelecidas mutações genéticas características de cada tumor dos pacientes. Assim foram identificadas mutações características em 58 amostras de pacientes. Foram também identificados genes do HPV no material analisado de 30 pacientes. Já nas cinco amostras restantes, as mutações foram avaliadas através de uma outra técnica: o sequenciamento genético. Esta técnica determina a sequência de bases, as unidades ou tijolos que compõem o DNA (4) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/cegueira-e-o-agucar-da-audicao-o-senso-comum-e-a-observacao-cientifica/). Quando há mutações genéticas, essas bases são trocadas. A troca dessas bases pode levar à produção de proteínas totalmente diferentes ou não funcionais, o que pode levar ao câncer.

Em seguida, após padronização das análises pela PCR, em um subgrupo de 47 pacientes, as anomalias ou alterações no DNA foram detectadas em 96% dos pacientes tanto via saliva quanto via sangue: 10 indivíduos se encontravam em estágio inicial da doença e 37 no estágio mais tardio. Nos outros 4% dos pacientes analisados a presença de alterações no DNA pode ser detectada apenas em uma das amostras (saliva ou sangue).

Assim sendo, os resultados das análises da PCR foram extremamente satisfatórios: em 100% dos casos o DNA tumoral foi detectado. E ainda, neste teste (Figura 1), pesquisando-se diferentes genes (sequências de DNA), foi possível a discriminação entre células tumorais de diferentes localizações: cavidade oral, orofaringe, laringe e hipofaringe. Para cânceres não relacionados com o HPV, que representam a maioria de tumores de cabeça e pescoço, os pesquisadores procuraram para mutações em genes relacionados ao câncer, que incluíram os genes TP53, PIK3CA, CDKN2A, FBXW7, HRAS e NRAS.

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Figura 1: Metodologia baseada em PCR para diagnosticar HNSCC a partir de saliva e sangue (plasma).

Foram então realizados novos testes utilizando-se apenas a saliva dos pacientes. O DNA modificado tumoral foi detectado em 100% dos pacientes com carcinoma na cavidade oral, e em 47-70% dos pacientes com carcinoma em outras regiões. Os resultados obtidos utilizando-se apenas plasma foram também satisfatórios: 80% dos pacientes com carcinoma na cavidade oral foram detectados e 86 a 100% dos pacientes com a doença em outras regiões.

Desta forma, constatou-se a capacidade do teste em diagnosticar HNSCC via PCR. Utilizando-se saliva detecta-se com maior eficiência o DNA mutado tumoral em células da cavidade oral; utilizando-se plasma, detecta-se com maior eficácia o mesmo em outras regiões corpóreas.

Outra importante aplicação deste novo método também foi revelada e se relaciona a casos de recorrência do câncer. De maneira precoce, após remoção cirúrgica de tumor, o teste que resultou positivo quando realizado na saliva de três pacientes, realmente exibiu capacidade preditiva de retorno do tumor: estes pacientes recorreram na doença.

Logo, a possibilidade de um diagnóstico menos invasivo, reduzindo-se então a necessidade de aplicação de biópsia para detectar-se HNSCC e a acurácia de resultados exibida nos ensaios com pacientes indicam ser este método de diagnóstico útil e aplicável.

Referências

  1. Wang, Y. et al. 2015. Detection of somatic mutations and HPV in the saliva and plasma of patients with head and neck squamous cell carcinomas. Science Translational Medicine. 7 (293): 1-8.

  2. Siegel, R. L. et al. 2015. Cancer statistics, 2015. CA Cancer J. Clin. 65 (1), 5–29.

  3. Chaturvedi, A. K. 2011. Human papilloma virus and rising oropharyngeal cancer incidence in the United States. J. Clin. Oncol. 29, 4294–4301.

1. Wang Y, Springer S, Mulvey CL, Silliman N, Schaefer J, Sausen M, et al. Detection of somatic mutations and HPV in the saliva and plasma of patients with head and neck squamous cell carcinomas. Science translational medicine. 2015;7(293):293ra104.

2. Siegel RL, Miller KD, Jemal A. Cancer statistics, 2015. CA: a cancer journal for clinicians. 2015;65(1):5-29.

3. Ernster JA, Sciotto CG, O’Brien MM, Finch JL, Robinson LJ, Willson T, et al. Rising incidence of oropharyngeal cancer and the role of oncogenic human papilloma virus. The Laryngoscope. 2007;117(12):2115-28.

4. Resende RR. POR QUE A INCIDÊNCIA DO CÂNCER PODE AUMENTAR COM A IDADE? Nanocell News. 2014;1(7).

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