Ciência é INVESTIMENTO! Vamos transformar o Brasil em uma Nação rica e forte!

INFECÇÕES POR CANDIDA ALBICANS: O Que É? Como Identificar E Como Tratar?

INFECÇÕES POR CANDIDA ALBICANS: O Que É? Como Identificar E Como Tratar?

Ádilla Latielle Abelha de Santana, Eliane Maria de Sousa, Wanderson Cosme da Silva

Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas

Edição Vol. 2, N. 17, 8 de Setembro de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.09.08.006

O QUE É CANDIDA ALBICANS?

Candida albicans são leveduras, ou seja, fungos unicelulares, com uma única célula. Pertencem ao gênero Candida, são fungos oportunistas (que habitam a flora normal do corpo humano sem causar doença em indivíduos saudáveis). Porém, quando acontece uma ruptura do equilíbrio biológico, geralmente resultante de fatores patológicos e imunológicos, que podem ser por meio de estresse e/ou por meio de outras doenças, pode ocorrer a invasão e multiplicação destes fungos nos tecidos, gerando infecções denominadas candidíases (1;2).A Candida albicans faz parte da microbiota normal das mucosas, do trato respiratório, gastrointestinal e do trato genital feminino (3).

INFECÇÕES POR CANDIDA ALBICANS

A candidíase, também denominada candidose, é uma infecção causada por fungos do gênero Candida. A Candida albicans é a principal espécie causadora dessas infecções, porém há outras espécies identificadas que também causam infecções, como por exemplo: Candida tropicalis, Candida glabrata, Candida krusei, Candida parapsilosis, Candida kefyr, Candida guilliermondii e Candida lusitanae(4).

A incidência de infecções oportunistas por esta levedura tem se tornado crescente, devido a fatores como, síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA ou AIDS, em inglês), transplante de órgãos, efeitos colaterais de tratamentos de neoplasias, entre outros distúrbios imunológicos (5).

CANDIDÍASE EM PACIENTES IMUNOCOMPROMETIDOS

Alguns estudos mostram que a candidíase pode estar relacionada a diversos fatores, sendo alguns mais graves como: fatores carenciais através de uma deficiência alimentar, ou por doenças crônicas, como cânceres, tuberculoses, hepatites, diabetes Mellitus e síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) (6). Além disso, esses estudos demonstram um grande aumento das infecções causadas por leveduras, principalmente pela Candida albicans em pacientes infectados pelo vírus da AIDS, o HIV (7). Isto ocorre porque o vírus HIV destrói o principal linfócito T, o CD4+, que participa do sistema imune na defesa do organismo contra agentes invasores, além de outros distúrbios causados no organismo (8).

Uma das candidíases mais comuns é a candidíase oral em pacientes portadores do vírus HIV, sendo o principal patógeno Candida albicans, mas existem outras espécies do gênero Candida causadoras da doença, sendo essas outras de menor frequência (9).

Outra infecção presente nos indivíduos portadores da imunodeficiência humana (AIDS) é a onicomicose, que consiste na proliferação da levedura Candida albicans e outras espécies do gênero nas unhas (10).

As mulheres portadoras da AIDS podem estar diante de outra infecção causada pela levedura Candida albicans, que é a candidíase vulvovaginal, caracterizada por inflamações na vagina com secreção densa e leitosa, irritação e prurido intenso, causados pela diminuição do pH vaginal que predispõe a doença (3).

Paciente com candidíase vaginal

candida

http://saudeetudomais.blogspot.com.br/2010/06/candidiase-fungos.html

Sistema imunológico debilitado é uma das causas

candida1

 http://bragganeto.blogspot.com.br/2011/12/perigo-para-as-mulheres-candidiase-uma.html

COMO IDENTIFICAR?

As colônias desenvolvidas não podem estar contaminadas por outros micro-organismos, como por exemplo, por bactérias, por isso é necessário confirmar a pureza da amostra. Uma das formas de verificar a pureza é através de análise microscópica. Segure-se que seja realizado um repique em Agar Sabouraud (ASD) para identificação correta do micro-organismo, ou seja, isenta de contaminações por bactérias.

No cultivo em lâmina são encontradas hifas hialinas, ramificadas, sem fragmentação, também são encontrados midósporos, que são células de reserva. O teste do tubo germinativo é positivo (11).

candida2

http://www.judytsafrirmd.com/gut-dysbiosis/candidaphoto

candida3

 http://pt.slideshare.net/marcosnala/identificacaolevedurasinteressemedicoppt

O meio mais utilizado no isolamento primário de Candida é o ágar Sabouraud dextrose (ADS), pois ele permite o crescimento da levedura e inibe o crescimento de outras bactérias, devido ao pH ácido. Sugere-se a adição de cloranfenicol, um antibiótico, ao meio de cultura, com a finalidade de inibir melhor as contaminações bacterinas. Normalmente, as culturas em ADS são incubadas em aerobiose à 37ºC por 24-48 horas. Nessas condições, geralmente as colônias se apresentam lisas ou rugosas, cremosas e de tonalidade branco-amarelada (12).

Outro meio de cultura utilizado é o CHROMagar Candida (CHROMagar, Microbiology, Paris, França). Este ágar contém substâncias cromogênicas (que conferem coloração a uma reação), e é útil para verificação de diferentes cepas da levedura Candida em uma mesma amostra, dessa forma é permitida uma identificação rápida. Por ser um meio cromogênico, ele modifica a cor da colônia, as colônias de Candida albicans se apresentam em tons de verde claro (13). A utilização deste meio é importantíssima, pois garante um diagnóstico precoce de infecções causadas pelo gênero Candida, melhorando a terapia antifúngica para que os pacientes tenham um tratamento adequado (14).

TRATAMENTO

Os fármacos mais utilizados no tratamento de infecções por Candida são: Nistatina, Fluconazol, intraconazol, anfotericina B e Voriconazol (15;16).

O tempo de uso varia com o fármaco utilizado e gravidade da infecção, por exemplo, para os que são administrados por via oral: Fluconazol (150mg) em dose única, Itraconazol (200mg) uma vez ao mês. Voriconazol (200mg) a cada doze horas (17;18). A Nistatina é um fármaco de uso tópico, é utilizado via intravaginal. O tempo de utilização varia conforme o quadro clínico do paciente. A Anfotericina B é administrada por via intravenosa. Esse fármaco tópico também é utilizado na candidíase cutânea, pode-se administrar através de loções, pomada e creme, sendo que todas contêm 3% de anfotericina B e são usadas diretamente na lesão (19).

Havendo suspeitas de infecção, um médico deverá ser procurado.

Referências

1.Suzuki, L.C. Desenvolvimento de biofilme formado por Candida albicans in vitro para estudo da terapia de fotodinâmica.48f. [dissertação]. São Paulo. Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares, Universidade de São Paulo, 2009.

2. Matos BM, Komiyama EY, Balducci YK, Koga-Ito CY. Atividade antifúngica do extrato alcóolico de Menthapiperita sobre Candidaalbicans e Candidatropicalis. RevOdontol 2009; 38(4): 244-48.

3. Jawetz E, Melnick JL, Aldeberg EA.Microbiologia Médica,20 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1998.

4. Trabulsi LR., Alterthum F. Microbiologia, 5 ed. São Paulo: Atheneu, 2008.

5. Macêdo DPC, Farias AMA, Neto RGL, Silva VKA, Leal AFG, Neves RP. Infecções oportunistas por leveduras e perfil enzimático dos agentes etiológicos. Rev. Soc. Bras. Med. Trop 2009: 42(2):188-91.

6. Oliveira JC. Tópicos em Micologia Médica. 3 ed. Rio de Janeiro, Control-Lab, 2012.

7. Santos ALS, Soares RMA. Candida guilliermondii isolated from HIV-infected human secretes a 50kDa serine proteinase that cleaves a broad spectrum of proteinaceous substrates. Fems 2005: 43(1):13–20.

8. Machado PRL, Araújo MIAS, Carvalho L, Carvalho EM. Mecanismos de resposta imune às infecções. Na bras Dermatol 2005:79(6):647-64.

9. Kolnick JR. Oral candidosis. Report of case implicating Candida parapsilosis as a pathogen. Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology, Oral Radiology and Endodontics, 1980:50(5): 411-15.

10. Gregory, N. Special patient populations: Onychomycosis in the HIV-positive patient. J Am Acad Dermatol 1996:35(3):13-16.

11. ANVISA. Detecção e identificação dos fungos de importância médica. 7ed. São Paulo, SP, 2004.12-13.

12. Costa KRC, Candido RC. Diagnóstico laboratorial da candidíase oral. NewsLab 2007:83:138-45.

13- Ribeiro PM; Ito CYK; Junqueira JC; Jorge AOC. Isolamento de Candida spp. com utilização de meio de cultura cromogênico CHROMagar Candida. Braz Dent Sci, 2009:12(4):40-45.

14. Araujo CR, Miranda KC, Passos XS, Souza LKH, Lemos JAL, Khrais CHA et al.Identificação das leveduras do gênero Candida por métodos manuais convencionais e pelo método cromógeno Chromagar Candida. Rev. de pat. trop 2005 34(1): 37-42.

15. Costa M, Passos XS, Miranda ATB, de Araújo RSC, Paula CR, Silva MRR. Correlation of in vitro itraconazole and fluconazole susceptibility with clinical outcome for patients with vulvovaginal candidiasis. Mycophatol 2004: 157: 43-47.

16. Gualco L, Debbia EA, Bandettini R, Pescetto L, Cavallero A, Ossi MC, et al. Antifungal resistance in Candida spp isolated in Italy between 2002 and 2005 from children and adults. International Journal of Antimicrobial Agents 2007:29: 179-84.

17. Sobel JD, Wiesenfeld HC, Martens M, Danna P, Hooton TM, Rompalo A, et al. Maintenance fluconazole therapy for recurrent vulvovaginal candidiasis. N Engl J Med 2004; 351(9): 876-83.

18. Mazneikova V. Vaginal candidiasis – treatment protocols using miconazole and fluconazole. [Review] Akush Ginekol (Sofiia) 2003; 42 (Suppl 2):30-4.

19. Brunton, LL.; Lazo, JS.; Parker, KL. Goodman & Gilman. As bases farmacológicas da terapêutica. 11. ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill Interamericana do Brasil, 2007.

Print Friendly
  • INFECÇÕES POR CANDIDA ALBICANS: O Que É? Como Identificar E Como Tratar?
  • 2
  1. Glaucia disse:

    CULTURA E ANTIBIOGRAMA – ESCARRO
    Micro-organismo [1]: Candida albicans (Moderado)
    Material:
    Antibiotico: Sens: Mic: Valores de referência:
    Anfotericina B SENSIVEL 1
    Caspofungina SENSIVEL <=0,25
    Fluconazol SENSIVEL 4
    Micafungina SENSIVEL <=0,06
    Voriconazol SENSIVEL <=0,12 Bom dia. Gostaria de saber o que significa esses resultados. Obrigada

    17/março/2017 ás 11:10
  2. Agnaldo disse:

    Tem tambem o teste do cuspe, achei bem interessante o metodo para descobrir se voce tem candidíase, está nesse site

    17/março/2017 ás 12:18

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>