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HIPOCAMPO, HIPOCAMPO! TU JÁ NÃO ÉS MAIS A CENTRAL DAS ASSOCIAÇÕES SENSORIAIS

HIPOCAMPO, HIPOCAMPO! TU JÁ NÃO ÉS MAIS A CENTRAL DAS ASSOCIAÇÕES SENSORIAIS

Edição Vol. 4, N. 12, 17 de Julho de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.07.17.004

Desde a década de 50 que ouvimos falar que o hipocampo é a central das memórias. Que memórias? Você se lembra de um dia ir à escola pela primeira vez? Lembra-se do Brasil sendo roubado por aquele em que você acreditou, votou? Lembra-se do cheiro do café com leite e pão com manteiga que sua mamãe preparou-lhe? Todas essas memórias que, antes se acreditava residirem no hipocampo, não têm mais essa casa como lar. Cientistas do Instituto Max Planck descobriram que o cérebro usa o córtex para fazer associações sensoriais, e não o hipocampo. Nestes últimos 5 anos estamos passando por uma revolução na Neurociência e o Brasil fica para trás com tantos picaretas nos governos.

“Onde” e “como” as memórias são codificadas em um sistema nervoso é uma das questões mais desafiadoras na pesquisa biológica. A formação e a chamada ou recapitulação de memórias associativas são essenciais para uma vida independente. O hipocampo tem sido considerado um centro no cérebro para o armazenamento a longo prazo de associações espaciais. Agora, Mazahir T. Hasan no Instituto Max Planck de Pesquisa Médica e José Maria Delgado-Garcìa na Universidade Pablo de Olavide de Sevilha, Espanha, foram capazes de fornecer a primeira evidência experimental de que uma forma específica de associações de memória está codificada no cerebral cortical e não está localizado no hipocampo como descrito na maioria dos livros didáticos de Neurociências. O novo estudo é um trocador de jogos, pois sugere fortemente que os próprios circuitos corticais motores (regiões do córtex cerebral responsável pelos movimentos), e não o hipocampo, são usados como armazenamento de memória (1).

Henry Molaison, conhecido amplamente como H.M., é um nome famoso na pesquisa de memória. Grandes partes do hipocampo americano – a região do cérebro que é um elemento importante nos processos de aprendizagem e memória – foram removidas na década de 1950 na tentativa de curar suas crises epilépticas. Ele subsequentemente sofreu graves lapsos de memória e já não conseguia lembrar praticamente nada de novo que ele havia aprendido. A maioria dos cientistas concluiu assim que o hipocampo é o local da memória a longo prazo.

No entanto, a extensão do dano cerebral de H.M. foi obviamente subestimada, porque outras regiões além do hipocampo também foram removidas ou danificadas no procedimento cirúrgico. Os pesquisadores de Heidelberg e Sevilha, portanto, investigaram o comportamento de aprendizagem de camundongos geneticamente modificados em que os receptores NMDA são desligados apenas no córtex cerebral motor. Os receptores NMDA ligam o neurotransmissor glutamato às sinapses e tornam-se ativos quando vários sinais alimentam uma sinapse ao mesmo tempo. Eles são os elementos moleculares centrais dos processos de aprendizagem, envolvidos no aumento ou diminuição da transmissão dos sinais para as sinapses (Figura 1) (1).

hipocampo 

Figura 1: O cérebro usa o cortex para fazer associações sensoriais, não o hipocampo. Memórias (em vermelhas) para associar duas sensações diferentes são formadas no córtex (tom em azul e toque em amarelo). Thomas Splettstoesser (1)

Como o novo estudo mostra, no córtex motor isto é assim chamado de plasticidade sináptica, que não funciona sem os receptores NMDA. Os cientistas foram assim capazes de excluir o hipocampo ou outras regiões como a causa de suas observações. Com base nas novas descobertas, é o córtex cerebral, e não o hipocampo que é o local de armazenamento de algumas formas de memória (1).

Em testes de comportamento, o chamado condicionamento dos olhos, animais com e sem receptores NMDA no córtex motor primário tiveram que aprender a vincular ou associar um tom com um estímulo elétrico subsequente da pálpebra. Essa associação de duas entradas sensoriais envolve o cerebelo que coordena os movimentos necessários, bem como o hipocampo e o córtex cerebral, importantes centros de aprendizagem e memória. Depois de uma fase de aprendizagem, o reflexo dos animais é fechar os olhos quando ouvem apenas o tom. Sem os receptores NMDA no córtex cerebral motor primário, os camundongos geneticamente modificados, por outro lado, não conseguem lembrar a conexão entre o tom e o estímulo elétrico e, portanto mantêm os olhos abertos apesar do tom (1).

Os pesquisadores complementaram assim os achados de seus colegas de Heidelberg que o hipocampo não é o lugar da memória. Em julho de 2012, Rolf Sprengel e Peter Seeburg do Instituto Max Planck para Pesquisa Médica descobriram que camundongos sem receptores NMDA no hipocampo ainda são capazes de aprender. Agora acredita-se que o hipocampo fornece as pistas ambientais necessárias, que são transmitidas ao córtex, onde ocorrem associações dependentes da aprendizagem. As memórias são assim armazenadas em vários locais no córtex cerebral a longo prazo (1).

As descobertas de Hasan e Delgado-Garcìa representam, portanto, uma mudança de paradigma na pesquisa da memória, pois deixam claro que o córtex cerebral é a região cerebral onde as associações de memória estão ligadas e armazenadas – e não o hipocampo. Um conhecimento avançado e detalhado dos mecanismos de aquisição, consolidação e recuperação de associações no cérebro é o pré-requisito para um tratamento terapêutico dos efeitos devastadores da perda de memória em várias doenças neurológicas, como amnésia, doença de Alzheimer e demência.

Novamente, é ciência básica quebrando paradigmas e construindo novas tecnologias aplicadas ao nosso cotidiano. Enquanto tivermos governantes corruptos e gestores indicados políticos e, sabidamente inaptos para ocuparem tais cargos, como nos órgãos de fomento à ciência, exemplo são as muitas Fundações de Apoio à Pesquisa de Estados (FAPs). Como dizem por aí, pimenta nos olhos dos outros é refresco…

  

Fonte: Instituto Max Planck Imagem: Thomas Splettstoesser

Referência

1.Hasan MT, Hernandez-Gonzalez S, Dogbevia G, Trevino M, Bertocchi I, Gruart A, et al. Role of motor cortex NMDA receptors in learning-dependent synaptic plasticity of behaving mice. Nat Commun. 2013;4:2258.

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