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Gestão Estratégica em Ciência, Tecnologia e Inovação

Gestão Estratégica em Ciência, Tecnologia e Inovação

Vol. 1, N. 11, 13 de Maio de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.05.13.005

Neste fascículo de número 11, daremos início a outra série de 7 textos, agora relacionados à Gestão Estratégica em Ciência, Tecnologia e Inovação. Não quero ter a soberba de dizer que os 7 pontos apresentados aqui são os únicos aos quais o Brasil deve seguir para sair de um patamar de um país, embora rico em recursos naturais e ser a sétima economia mundial, ter uma população miserável _ De acordo com o último Relatório do Desenvolvimento Humano, divulgado em março de 2013, o IDH do Brasil ficou em 0,730 (escala de 0 a 1). Vale lembrar que quanto mais perto de 1 melhor é o desenvolvimento de um país. Na comparação com os 187 países medidos, o Brasil ficou na 85º posição.  O IBGE declarou que, considerando o grupo de brasileiros que vivem em condições de extrema pobreza, 4,8 milhões têm renda nominal mensal domiciliar igual a zero, e 11,43 milhões possuem renda de R$ 1 a R$ 70 _. Mas, os pontos apresentados são considerados centrais por vários especialistas dos quais compilei as informações e, agora, transcrevo aqui. Uma versão final desta série será apresentada em forma de capítulo de livro a ser publicado no final deste ano, intitulado “Biotecnologia Aplicada à Agro&Indústria: Fundamentos e Aplicações”.

No contexto mundial atual, o Brasil, que antes era considerado um dos cinco países (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – BRICS) com potencial de crescimento em patamares de dois dígitos anuais, ou, na pior das hipóteses, acima de 5% anuais, deixa o exemplo a ser seguido e passa pelos piores desempenhos esperados para uma nação emergente.

Para que um país alcance índices de uma nação desenvolvida não existem grandes fórmulas, mas o caminho percorrido por essas nações são lições preciosas a oferecer ao Brasil.

Nesta série em 7 edições revisaremos um breve histórico de algumas nações que alcançaram o topo do desenvolvimento de produtos tecnológicos e inovação e os caminhos tomados pelas mesmas, que deveriam ser seguidos pelo Brasil, tendo como foco a alavanca natural para seu crescimento, a ciência.

Investindo para crescer

Para uma definição mais abrangente sobre “países emergentes”, pode-se dizer que são aqueles países cujas economias partiram de um estágio de estagnação ou subdesenvolvimento e se encontram em pleno desenvolvimento econômico. São também chamados de “países em desenvolvimento”. Abaixo apresento as principais características que os países emergentes englobam:

- Padrão de vida de grande parte da população entre os níveis baixo e médio;- IDH (Índice de Desenvolvimento Humano): entre os níveis médio e alto;- Renda per capita (PIB per capita) entre 5 e 8 mil dólares.- Setor industrial em desenvolvimento;- Crescimento da infraestrutura (portos, rodovias, aeroportos, ferrovias, etc.);- Atração de capital externo para investimentos nos setor produtivo;- Aumento da instalação de filiais de grandes empresas multinacionais;- Crescimento positivo na geração de empregos;- Taxas elevadas de formação de capital;- Mudanças significativas e positivas na estrutura social e econômica da população: diminuição da pobreza e aumento da classe média baixa;- Existência de processo de êxodo rural (migração do campo para os centros urbanos).Observação: vale dizer que um país não precisa apresentar todas as características acima para ser considerado emergente, mas sim boa parte delas.

As diferenças entre países ricos e emergentes são inúmeros e o mais diversificada imaginada — desde a qualidade e o padrão de hospitais e escolas públicas à infraestrutura logística dos meios de transporte, tão diversa quanto a cultura do cumprir horário e visão do enriquecimento como nação quanto o papel de bala que é jogado nas calçadas. É diante deste contraste entre o mundo civilizado e que seus membros atuam como cidadãos e compartilham do interesse do desenvolvimento enquanto nação, do mundo em que a cultura do adquirir uma vantagem em cima de outrem se utilizando de artimanhas ou privilégio de informações é vista como qualidade de inteligência, o chamado “esperto”, que torna um ajuntamento de pessoas definindo aquela região como sendo um país. É justamente uma diferença entre nação e país que se pode transformar uma sociedade marginalizada e, marginal aqui, quero dizer que é aquilo que está fora do topo da pirâmide da renda per capita, em uma sociedade cuja renda é suficiente para lhe fornecer todas as condições para se ter uma mínima qualidade de vida, com educação básica até atendimento na primeira hora em um hospital público.

As informações aqui apresentadas são uma revisão não muito apurada, justamente para demonstrar que, com pouco esforço e vontade, um Brasil melhor pode ser construído. Sete pontos foram selecionados para se endereçar o caminho para uma nação desenvolvida.

Entre todos os estudos avaliados, porém, um se destacou pelo poder de síntese. A maior fonte de crescimento econômico é um nível elevado e sustentado de investimento. No que se refere a “investimento”, deve se levar em conta que não é no sentido estrito da palavra, mas sim considerando seu sentido mais amplo, incluindo os recursos humanos (educação de qualidade e aprovada, e treinamento e sua capacitação na realização de tarefas exigidas), em inovação tecnológica e organizacional (tecnologia de base e avançada até estrutura menos burocratizada e mais eficiente), assim como em áreas como as de máquinas e infraestrutura (automatização e transportes mais rápidos e baratos).

Os dados apresentados pelas nações desenvolvidas também sugerem que a abertura comercial e a competição formam o melhor ambiente (1).

Apresentarei os pontos selecionados, colocando o problema no qual o Brasil se encontra para cada ponto e a solução, tendo como critério os exemplos de nações desenvolvidas e como chegaram até lá.

       
  1. ABERTURA COMERCIAL

Problema apresentado pelo Brasil

O potencial de crescimento do Brasil é reduzido pelo fato de ser um dos países mais fechados para o comércio.

Exemplos a serem seguidos

Tigres Asiáticos, como Taiwan

Solução para o desenvolvimento do Brasil

O processo de globalização, que se intensificou a partir dos anos 80, beneficiou algumas das principais economias do Sudeste Asiático. Com a redução nas tarifas de importação e o aumento no uso de contêineres, que muito reduziram o custo do transporte marítimo, foi possível às multinacionais distribuir em diferentes regiões do globo o processo de fabricação, usando mão-de-obra qualificada, mais barata e disponibilidade de recursos naturais disponíveis diretamente no país de fabricação.

A criação de cadeias produtivas globais foi resultado direto dessas mudanças. Atualmente, do total das exportações mundiais, 28 % são resultados direto de produtos e serviços importados, que, após processamento e incorporação a novas linhas de produção, retornam novamente ao mercado exterior.

Cada cadeia produtiva local especializou-se em nichos específicos de atuação. Taiwan é um exemplo nas áreas de computação e telecomunicações e apresentou um resultado em suas vendas externas com uma soma em torno de 300 bilhões de dólares, 25 % a mais do que as brasileiras. Seu exemplo mostra que para aumentar as exportações foi preciso elevar as importações.

Tomando as exportações da Coreia do Sul como exemplo, temos uma impressionante porcentagem de mais de 60 % daquelas ligadas a cadeias internacionais, quase o dobro do percentual do Brasil. No último censo do capital estrangeiro, as empresas brasileiras conectadas às cadeias produtivas globais apresentaram resultados de exportação maior, foram mais produtivas e suas participações no aumento do PIB nacional foram mais proeminentes do que as demais. De acordo com o estudo Cadeias Globais e Desenvolvimento, publicado pela United Nations Conference on Trade and Development (Unctad, acrônimo de Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento), existe uma clara correlação entre o crescimento econômico de nações e suas participações nesses sistemas de produção internacionais (2).

Nos últimos 20 anos, as nações que integraram cadeias produtivas globais tiveram uma taxa de elevação do PIB per capita, cerca de 2 pontos percentuais acima da média. O crescimento do PIB de uma país emergente tem que, necessariamente, ser muito mais atrativo do que os meros 1-2% dos atuais que crescemos. As nações mais ricas do mundo, considerando somente as desenvolvidas, têm o crescimento de seu PIB nesta faixa, mas não tem o mesmo significado de um país dito emergente. Levemos em conta que uma empresa com um faturamento de 100 mil reais, quando passa a faturar 110 mil reais, tem um acréscimo de 10% em seu crescimento. Uma empresa com um faturamento anual de 1 milhão e outra de 10 milhões, terão um desempenho percentual menor, mas um valor bruto bem superior aos 10 mil reais apresentados pela microempresa. O mesmo temos que considerar na economia do Brasil, que tem um PIB em torno de 2 trilhões de dólares. Um acréscimo de 20 bilhões de dólares em sua economia representa um crescimento de apenas 1 %. Se colocarmos os Estados Unidos como comparação, os mesmos 1 % de crescimento representam um acréscimo de cerca de 170 bilhões de dólares. Para sair de um PIB medíocre é preciso que o Brasil se abra para o comércio (3).

Além da produção em si, o como se dá o processo de produção também é importante. Para comparação tomemos como exemplo México e Taiwan. Ambos produzem PCs (microcomputadores), porém os asiáticos fabricam chips e inovam, enquanto o México se restringe à montagem (4), mero coadjuvante.

Esse exemplo demonstra claramente que a posição de um país dentro da cadeia produtiva pode o colocar em destaque em seu grau de desenvolvimento. Basta comparar o PIB per capita de ambos os países. O do México está em torno de 10.630 dólares por habitante, enquanto Taiwan tem em torno de 2 vezes esse valor (dados de 2013, http://pt.knoema.com/atlas/M%C3%A9xico/?compareTo=TW, acessado em 30 de abril de 2014).

 Referências 1. Solow RM. A Contribution to the Theory of Economic Growth. The Quarterly Journal of Economics. 1956;70(1):65-94. 2. Development UNCoTa. Global Value Chains: Investment and Trade for Development2013. 236 p. 3. Bacha E. Os Mitos De Uma Década: Ensaios de Economia Brasileira: Paz e Terra; 1978. 4. Lederman D, Maloney WF. Does What You Export Matter? In Search of Empirical Guidance for Industrial Policies. Washington, D. C.: International Bank for Reconstruction and Development / The World Bank; 2012.  

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  1. Estou com 32 semanas do tratamento com telaprevir , teria com fazer um reforço com outro medicamento ?.Não estou sentinho nemhum efeito colaterais agora, no inicio foi muito forte. Muito obrg.

    25/setembro/2014 ás 17:14

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