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Gestão Estratégica em Ciência, Tecnologia e Inovação (Capítulo 2)

Gestão Estratégica em Ciência, Tecnologia e Inovação (Capítulo 2)

INFRAESTRUTURA TECNOLÓGICA

Vol. 1, N. 12, 3 de Junho de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.06.03.007

Neste segundo capítulo da série “Gestão Estratégica em Ciência, Tecnologia e Inovação” (http://nanocell.org.br/gestao-estrategica-em-ciencia-tecnologia-e-inovacao/) abordo um ponto crucial para o crescimento de qualquer país que deseje alcançar o patamar de uma nação desenvolvida, com qualidade de vida e atendimento para sua população. Que sua população tenha o sentimento de dignidade que merece, como é a nossa, já que trabalhamos quase 5 meses do ano para pagar impostos caros e que são usados de maneiras, digamos, minimamente suspeitas ou irresponsáveis. Os pontos apresentados são considerados centrais por vários especialistas dos quais compilei as informações e, agora, transcrevo aqui. Uma versão final desta série será apresentada em forma de capítulo de livro a ser publicado no final deste ano, intitulado “Biotecnologia Aplicada à Agro&Indústria: Fundamentos e Aplicações”.

São ideias simples que, desde que traçadas metas e seguido os planos para se atingir os objetivos, um país cujo espírito empreendedor e de levantar e seguir em frente, como é o nosso, mesmo com tantos solavancos, trancos e barrancos quanto os que passamos diariamente e vivenciando notícias de desfalque do dinheiro público _ que já se tornaram rotina e preferimos não ver o noticiário para não sentirmos demasiado desgosto e indignação _, é possível alcançarmos a nação número 1 no ranking mundial. Vamos conversar sobre a INFRAESTRUTURA TECNOLÓGICA.

INFRAESTRUTURA TECNOLÓGICA

Problema apresentado pelo Brasil

Os serviços de telecomunicações do Brasil são de péssima qualidade e com valores abusivos, o que afeta o fluxo da transmissão de dados entre pessoas e empresas.

Exemplos a serem seguidos

Coreia do Sul

Solução para o desenvolvimento do Brasil

Toda nação que almeja o desenvolvimento tem como base planos de metas a serem atingidos em um determinado prazo. A não ser aqueles que almejem atingir números negativos, traçamos sempre planos que consigam nos elevar a patamares mais altos do que aqueles no qual nos posicionávamos anteriormente. O governo da Coreia do Sul, no início dos anos 90, elegeu o setor de tecnologia da informação como prioridade e implementou a criação de uma rede de banda larga como sua principal meta. Deste ponto, definir como padrão de qualidade de suas conexões acima do padrão internacional, foi crucial para se chegar a um patamar mais alto do que qualquer outro ponto do planeta. Outras metas traçadas pelo governo foi o de eliminar as barreiras de entrada para novas operadoras de telecomunicação estimulando a competição por preços mais baixos, a chamada livre concorrência, ponto apresentado anteriormente neste capítulo.

Atualmente, a Coreia do Sul é o país com a maior rede de fibra óptica por habitante. Também é colocada como referência nos estudos sobre o impacto da infraestrutura de tecnologia da informação no crescimento econômico. O que pode ser demonstrado pelo seu PIB, que teve uma expansão de cerca de 20 % nos últimos cinco e que está diretamente relacionado ao avanço do setor de TI.

Acesso às informações de maneira rápida e confiável permite um aumento de produtividade tanto pessoal quanto empresarial. O fluxo de informações na era da internet é o que conecta agilidade no processamento de informações e produção de conhecimento.

Segundo o relatório de 2009 do Banco Mundial, cada aumento de dez pontos percentuais nas conexões de Internet banda larga de um país corresponde a um crescimento adicional de 1,3 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB).

Hoje, no Brasil, temos mais de 100 milhões de usuários de banda larga, mesmo considerando que as conexões sejam, em geral, de péssimas qualidades e com preços exorbitantes. Estudos recentes de uma empresa americana de internet, a Akamai, e da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), sumarizados pela Teleco (http://www.teleco.com.br/blarga1.asp de 25/04/2014), a velocidade média da banda larga aqui é de 2,7 megabits por segundo (Mbps), o que nos coloca na 80ª posição em um ranking de 243 países — abaixo da média mundial, que é de 3,3 Mbps (Tabelas 1 a 3) (1).

Tabela 1: Velocidade Média da Banda Larga no Brasil

Kbps

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

Velocidade Média

863

1.025

1.388

1.704

1.803

2.331

2.400

Fonte: Akamai

 

Tabela 2: Acessos Banda Larga e Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) no Brasil (anual)

 

Milhares

2009

2010

2011

2012

2013

Total Brasil

11.411

13.799

16.332

18.975

21.269

Acessos/100 hab. *

5,9

7,0

8,2

9,5

10,5

Acessos SCM

12.798

15.316

18.148

19.836

22.299

 

 Fonte: Operadoras, ABTA

Nota: estimativa Teleco. Não inclui satélite.

*A densidade está sendo calculada com a revisão 2013 da projeção mensal da população realizada pelo IBGE divulgada em Abr/14.

 Tabela 3: Acessos Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) por Velocidade

Milhares

2011

2012

2013

0Kbps a 512Kbps

3.194

1.491

1.432

512Kbps a 2Mbps

9.557

9.237

9.111

2Mbps a 12Mbps

4.316

7.569

8.873

12Mbps a 34Mbps

808

1.397

2.179

> 34Mbps

273

141

704

Acessos SCM

18.148

19.836

22.299

Outros Serviços de Dados

333

383

377

Total Dados

18.481

20.219

22.676

Em relação ao custo da internet, o Brasil possui a segunda internet mais cara do mundo, de acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

O cálculo, que relaciona o preço médio da banda larga com a renda per capita da população em 15 países, constatou que o brasileiro precisa trabalhar 5,01 horas por mês para pagar por uma conexão à rede de 1 Mbps. A Argentina está em 1° no ranking, onde os internautas trabalham 5,15 horas mensais.

Segundo a FGV, o preço médio da conexão de 1 Mbps em terras brasileiras é de US$ 25,06 (aproximadamente R$ 50), e mais de 40% desse valor corresponde a impostos cobrados pelo serviço, enquanto o Japão, que exige apenas 0,015 hora de trabalho por mês, cobra apenas 5% (2). Enquanto em outros países considerados no mesmo patamar do Brasil, como Chile e Portugal, o serviço é pago com 2,50 horas e 1 hora, respectivamente de trabalho (maiores detalhes podem ser obtidos pelo site http://www.cps.fgv.br/cps/telefonica/ (2)).

Além de ter uma carga tributária que beira uma das mais altas do mundo, 40 %, o número de operadoras de internet em funcionamento em um país com dimensões continentais como o Brasil é mínimo, o que diminui a concorrência e permite a cobrança de preços abusivos. Só para termos uma noção da carga tributária mencionada acima, listo alguns exemplos. Em dez estados e no Distrito Federal, só o ICMS é de 25 %, enquanto em outros chega a 35 %, como em Rondônia. A maioria dos impostos é calculada sobre a receita bruta; a conta telefônica, por exemplo, inclui todos os impostos. Para os estados com ICMS de 25 %, os principais impostos e taxas (Cofins, PIS/Pasep, ICMS, Fust e Funtel) equivalem a 30 % do valor da conta, mas se calculados sobre o valor líquido chegam a 43 %. Nos estados com ICMS mais alto, a carga tributária total é mais elevada, chegando a 49 % em Rondônia.

É a lei da oferta e procura. Se tivermos um setor com pouca competição e cuja regulação seja ineficiente isso leva o consumidor ao estado de refém dos preços cobrados, o que prejudica e bloqueia o desenvolvimento do país.

Em maio de 2010, foi lançado pelo Ministério das Comunicações um Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), pelo decreto presidencial n. 7.175, porém, seus resultados ainda são ineficientes. O objetivo do PNBL é acelerar o acesso da população à sociedade da informação. Um dos principais instrumentos para executar o PNBL é a Telebras, a companhia federal de telecomunicações inativa desde a privatização das telefônicas estaduais em 1998 e que, sob a supervisão do Ministério das Telecomunicações, foi ressuscitada com esse propósito. Outro problema que é fácil de se delinear é que a Lei Geral das Telecomunicações mantem o anacronismo de priorizar a telefonia fixa (3). Um dos problemas que o Brasil encontra na ineficiência da banda larga é a questão da qualidade. Como os governos sucessivos passam a imagem de que estatísticas são mais importantes do que qualidade, o plano mencionado acima exigia que as operadoras oferecessem seus serviços com preços baixos, porém sem considerar a qualidade como um fator primordial. Em 2013, o governo anunciou que aumentaria a infraestrutura pesada, levando fibra óptica para as 5.570 cidades do Brasil _ atualmente, em torno de 3.643 cidades são conectadas pela tecnologia, porém a qualidade todos sabemos como deixa a se desejar, sendo administradas pelas 4 maiores companhias do setor Vivo, Claro, TIM e Oi (3).

Em 2012, as vendas do setor de Tecnologia da Informação, corresponderam a 5,2 % do PIB brasileiro. Esse percentual em nações ricas fica entre 7 % e 8 %. De acordo com o 12º Relatório Global de Tecnologia da Informação, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil está em 60º lugar no ranking de competitividade no setor de TI, que avalia a influência e impactos da TIC para o desenvolvimento de 144 países. Mas, nem tudo está perdido. Esse patamar pode ser atingido pelo Brasil nos próximos 10 anos, é o que afirma o estudo da McKinsey&Company (4), Com dados de 2012, ele sugere que o país trabalhe com a meta de quase dobrar o mercado local de TI até 2022 _ saindo do faturamento atual que equivale a 123 bilhões de dólares e chegando a 230 bilhões de dólares (4).

Um dos requisitos básicos para qualquer nação que queira crescer e que possa fornecer melhor qualidade de vida para sua população, assim como qualquer pessoa que queira crescer em uma empresa e, assim, oferecer maior conforto para sua família, é necessário que a nação também seja competitiva internacionalmente, por isso, o estudo da McKinsey&Company apresenta a relevância de se aumentar as exportações de 2 % das receitas do setor de Tecnologia da Informação para 8 %. Atingindo esses objetivos, 1,5 milhão de empregos diretos poderão ser criados, além de disseminar o uso da TI e da internet rápida entre hospitais, escolas, órgãos públicos e pequenas e médias empresas de todo o país.

Para se alcançar esses objetivos, um obstáculo precisa ser superado, exatamente o da melhora na qualidade da rede de banda larga do país, finaliza o estudo da McKinsey (4). É a efetivação de ações que devem ser imediatas, algo que os coreanos já fazem há mais de 20 anos.

 

Referências

1. Technologies A. The State of the Internet. 2ND QUARTER, 2013 REPORT2013. 40 p.

2. Neri M. Mapa da Inclusão Digital. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas; 2012.

3. Knight PT. A INTERNET NO BRASIL. Insuficiência estratégica restringe o progresso. Mundial IFBdE, editor: BRAUDEL PAPERS; 2013.

4. Company M. O Ambiente Empresarial no Brasil. Reflexões sobre a transformação nos últimos 25 anos e questões para a próxima década.2013.

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  • 1
  1. Lídia disse:

    Ótima matéria. Na minha opinião o start up para o desenvolvimento começa com a erradiacação do analfabetismo. Não exite pais realmente desenvolvido com povo ignorante. Quando digo analfabetismo é no sentido amplo e irrestrito.

    06/junho/2014 ás 16:08

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