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Gestão Estratégica em Ciência, Tecnologia e Inovação (4º Capítulo)

Gestão Estratégica em Ciência, Tecnologia e Inovação (4º Capítulo)

ENSINO SUPERIOR

Vol. 1, N. 14, 14 de Julho de 2014

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.07.17.002

No quarto capítulo da série “Gestão Estratégica em Ciência, Tecnologia e Inovação” (http://nanocell.org.br/gestao-estrategica-em-ciencia-tecnologia-e-inovacao/) vamos conversar um pouco sobre porque o Brasil, embora tenha aumentado o número de vagas no ensino público e privado, tanto para o ensino médio quanto o superior, nossa população tende a piorar nos ranking internacionais de conhecimento e, muito mais importante, entendimento do que se lê.

Discutiremos o por quê de nossa população, embora muitos agora diplomados, permaneçam analfabetos funcionais, não sabendo aplicar o conhecimento que era, por ora, ter aprendido. Talvez, seja algo semelhante ao que ocorreu com o dia D, da Derrota inesquecível que a Seleção Brasileira sofreu contra o jogo entre Brasil x Alemanha na copa do mundo de 2014… O fato de não amadurecer uma seleção com seu técnico. Embora o Felipão tenha mérito em toda sua carreira não podemos culpa-lo por aquela derrota vergonhosa, mas podemos sim dizer que a CBF é que não manteve o comando do técnico pelo tempo necessário. Como se troca 3 técnicos em um período em pouco mais de 3 anos? Pois é, a culpa não é do Felipão, não é da Seleção, está mais para a CBF… Uma carreira é feita com investimento em longo prazo, uma seleção de jogadores comprometidos com todos e um para com cada outro é feito com longos tempos de treinos e convivência, assim como a Alemanha fez com sua seleção e treinador, uma nação é feita com investimentos massivos e duradouros por longos períodos de tempo.

Uma versão final desta série será apresentada em forma de capítulo de livro a ser publicado no final deste ano, intitulado “Biotecnologia Aplicada à Agro&Indústria: Fundamentos e Aplicações”.

Mais do que criticar e reclamar temos o grande prazer e o favor de apresentar sugestões e ideias simples que, desde que traçadas metas e seguido os planos para se atingir os objetivos, um país cujo espírito criativo e rico, como é o nosso, é possível fazermos com que nossos filhos, nós mesmos e nossos leitores tornem-se uma sociedade consciente e compelida ao progresso da Ciência e Educação. Vamos conversar sobre o ENSINO SUPERIOR.

ENSINO SUPERIOR

Problema apresentado pelo Brasil

O Brasil forma profissionais de áreas de infra-estrutura, como engenheiros, profissionais das áreas humanas, como administradores e economistas, e profissionais da área de saúde com muito pouca qualidade, tanto para sustentar o avanço da economia quanto de promover o bem necessário à população.

Exemplos a serem seguidos

Japão

Solução para o desenvolvimento do Brasil

Pelo que as nações que se tornaram ricas nas últimas décadas ensinam, com a história, uma condição fundamental para se sair do nível de renda média da população é a necessidade de se ter mão de obra qualificada, com formação sólida em universidades de qualidade, não apresentando somente números, mas com conhecimento para aplicação prática. Um exemplo clássico é o Japão.

Essa nação saiu da Segunda Guerra Mundial como uma nação pobre, quebrada e destruída, tanto em infra-estrutura, exemplo clássico das duas bombas atômicas lançadas sobre importantes centros comerciais, quanto em termos populacionais. Seu PIB por habitante não passava de 3.000 dólares. Contudo, o sentimento de nação de seu povo, mais do que políticos, a própria sociedade construída em uma cultura de respeito, disciplina e meritocrática soube aplicar os investimentos estrangeiros para ajudar em sua reconstrução.

Divisão de trabalho e foco em duas metas essenciais para a reconstrução da nação foram seguidas: inovação industrial e formação de engenheiros _ sendo que a primeira dependeria do sucesso da segunda. O resultado foi a posição de vanguarda tecnológica do Japão em pouco mais de uma década.

Reflexos dessa política persistem até hoje: quase 20 % dos jovens japoneses que se formam nas universidades escolheram a engenharia como carreira. Já no Brasil, a participação chega a 11,4 %.

Os programas REUNI e PROUNI vieram com o objetivo de reduzir a demanda represada pelo ensino médio, a intenção era aumentar o número de graduados no Brasil. Embora tenha havido um acréscimo impressionante no número de graduandos no país (veja discussão abaixo) a qualidade foi deixada de lado. Os alunos que concluem o ensino médio não podem ser reprovados, consequentemente passam ser ter o mínimo de conhecimento necessário para seguir com o ensino superior. Com a implementação do ENEM, as universidades públicas federais foram praticamente obrigadas a aceitarem o modo de funcionamento e realização do mesmo, caso contrário a verba para a instituição para ampliação e melhoria de suas instalações seria retida pelo governo federal, consequentemente a aprovação no vestibular não está mais atrelada ao conhecimento e mérito de cada candidato, mas na distribuição de vagas por cotas _ uma parcela mínima ainda conquista pela pontuação na prova _, consequentemente chegam na universidade alunos em sua maioria sem formação básica. E, como não se pode reter ou represar ainda mais, são aprovados sem conhecimento adquirido e aplicado.

Matrículas na Educação

De acordo com dados do último Censo da Educação Básica do Inep/MEC de 2012, existem no Brasil 8.376.852 matriculados no ensino médio.  Já no médio técnico temos pouco mais de 1,3 milhão de alunos em todo o país.

Já no nível superior, segundo o Censo Inep/MEC 2012, temos 7.037.688 alunos. Desses, 5.923.838 são de cursos presenciais (um crescimento de 3,1% em relação ao ano de 2011) e 1.113.850 de educação à distância (aumento de 12,2% no mesmo período).

Em 2012, 11.957.756 candidatos foram inscritos para vestibulares, mas apenas 4.653.756 vagas foram oferecidas. Desses quase 12 milhões, 6.738.819 queriam universidades públicas, enquanto 5.218.937 focavam nas particulares. Infelizmente, somente 23% dos quase 12 milhões (2.747.089) concluem o sonho de entrar em uma faculdade. Ou seja, 9.210.667 não tiveram acesso à educação superior naquele ano.

Dos quase 7 milhões almejando uma oportunidade em escolas federais, estudais e municipais, apenas 8% passam (547.897). Nas privadas, a porcentagem sobe para 42% (2.199.192) dos pouco mais de 5 milhões. Dos ingressantes, 20% (547.897) vão para uma instituição de ensino pública, enquanto 80% (2.199.192) se dirigem a uma particular. 

Com relação à pós-graduação, temos no Brasil 203.717 mil alunos. Ou seja, apenas 2,9% em relação ao índice de estudantes da graduação. No entanto, houve um aumento de 8,5% em relação ao último censo de 2011. Um alerta aqui deve ser dado, os únicos programas de pós-graduação com controle de números são os de mestrado e doutorado, e em 2014, os de pós-doutorandos, enquanto os de especialização o Ministério da Educação não tem qualquer controle.

Ensino Superior

De 2002 a 2012, o número de alunos na educação superior dobrou, passando de 3,5 para 7 milhões. Já o total de concluintes deu um salto de 119 %, passando de 479.275 para 1.050.413. É importante ressaltar o número de licenciados com o diploma na mão: 130.790 (12,5 % do número total de formados), podendo exercer o cargo de professor no ensino médio.

Os ingressantes também evoluíram 87,4 % em 2012: atualmente, 2.747.089 entram no ensino superior, contra 1.465.605, há dez anos. São 31.866 cursos de graduação, distribuídos em 2.416 instituições (304 públicas e 2.112 particulares).

Apesar do avanço no número de formandos, apenas 38 % dos calouros concluem o curso superior, sendo 237.546 no setor público e 812.867 no privado. Grande parte desses estudantes não conclui ou abandona o curso, provavelmente por falta de condições financeiras. Esses números provam a importância do estágio, pois ele contribui para auxiliar o futuro profissional a custear seu curso. Afinal, para estagiar, o jovem obrigatoriamente precisa estar regularmente matriculado.

Dos mais de 7 milhões de jovens universitários, 67,1% optaram pelo bacharelado, enquanto 19,5% fazem licenciatura e 13,5% são tecnólogos. Cerca de 5.140.312 (73%) estão na universidade particular e 1.897.413 (27%) na pública. No total, 31.866 cursos diferentes são oferecidos no Brasil.

Qualidade

A questão da falta de qualidade é demonstrada que, na lista das 200 melhores universidades do mundo, não há nenhuma brasileira. A deficiência se reflete no desempenho dos formados no país.

Uma pesquisa recente da consultoria McKinsey&Company, em que avaliou o desempenho dos engenheiros em 83 multinacionais que atuam em países emergentes mostra que apenas 13 em cada 100 engenheiros brasileiros têm formação considerada adequada para a área em que atuam (8). Na Hungria, o melhor entre os emergentes, o aproveitamento é de 50 %. A defasagem não se limita à engenharia. Também se dá, na mesma proporção, no caso dos profissionais de finanças e contabilidade.

Para os economistas, a situação do Brasil em relação à formação de engenheiros _ elemento básico no motor de desenvolvimento dos países _ tem um impacto considerável na produtividade média do trabalhador brasileiro. A produtividade no Brasil está estagnada há três décadas _ nosso produto per capita de 20.000 dólares por ano é um quarto do índice do Japão.

Nos últimos anos, o Brasil evoluiu consideravelmente na oferta de cursos de ensino superior — em 2013, cerca de 20 % dos brasileiros entre 18 e 24 anos de idade tinham acesso à universidade, 120 % mais do que em 2000. Os números mostram que o avanço da qualidade desses cursos, no entanto, não ocorreu na mesma velocidade. Eis o desafio do Brasil para os próximos anos _ e décadas.

Em um relatório produzido pela empresa de sistemas de aprendizado Pearson (ligado ao jornal britânico Financial Times) e pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), um ranking que compara resultados de provas de matemática, ciência e leitura, e também índices como taxas de alfabetização e aprovação escolar, em 2012, o Brasil ficou em penúltimo lugar. Em 2014, o Brasil se distanciou da média dos 40 países estudados. No entanto, apesar de ter o seu índice piorado, subiu uma posição no ranking _ de penúltimo para antepenúltimo _ mas isso se deve a uma queda mais acentuada do México do que a um aumento do índice do Brasil.

O Brasil aparece na 38ª posição do ranking, na frente de México e Indonésia, no estudo de 2014.

O indicador do ranking é composto a partir duas variáveis: capacidade cognitiva (medida por resultados de alunos nos testes internacionais PISA, TIMSS e PIRLS) e sucesso escolar (índices de alfabetização e aprovação escolar). Note-se aqui que, aprovação escolar, como atualmente no Brasil não é possível reprovar os alunos por várias questões que não serão abordadas aqui, não resolve o problema de posicionamento no ranking, embora para as estatísticas sejam eficiente, mas leva a um péssimo rendimento e aprendizagem escolar. Está aí uma boa oportunidade para mudar o atual sistema de aprovação no ensino!

O número usado para comparar os países (“score z”) indica o quão longe cada nação está da média dos 40 países (que é zero, nesta escala). Foram analisadas nações da Ásia, da Europa e das Américas _ nenhum país africano participa do ranking.

No estudo de 2012, o score obtido pelo Brasil foi de -1,65; em 2014, o indicador piorou, foi de -1,73, demonstrando que a atual política do “aprova sem saber” distancia ainda mais o Brasil das nações desenvolvidas, que torna ainda mais o povo brasileiro em uma população alienada e sem conhecimento, tornando ainda mais o futuro do país em um caos. Fato é que o país está mais distante da média dos 40 países. Já o México viu seu score cair de -1,6 para -1,76. O sinal negativo indica que ambos os países estão abaixo da média dos 40 países.

O Brasil piorou nas duas variáveis, tanto na capacidade cognitiva, leia-se de raciocínio (de -2,01 para -2,06) quanto no sucesso escolar (de -0,94 para -1,08).

Uma notificação deve ser colocada. Os valores dos scores apresentados são sempre comparados com a média das 40 nações. Sendo assim, não é possível determinar ao certo se a piora do indicador do Brasil se deve a uma queda no desempenho dos alunos brasileiros, ou se houve uma melhora na média mundial. Independente disso, o fato é que o país está entre os últimos avaliados em quesito de capacidade de raciocínio e entendimento. Uma questão série, já que se a população lê um texto, mas não o compreende então ela é considerada como analfabeta funcional.

Mais professores de ciência e matemática

Outra informação que se pode retirar do estudo é que os países em desenvolvimento estão posicionados na metade inferior do ranking. Em 2014, a Indonésia aparece novamente em último lugar das 40 nações analisadas, precedida por México e Brasil.

O relatório também apresenta um capítulo com os modelos a serem seguidos pelos países em desenvolvimento. Um dos pontos é que o Brasil precisa de um aumento de 30 % no número de professores de ciência e matemática para aliviar as pressões sob o contingente atual _ que está sobrecarregado e carece de treinamento, e de conhecimento.

Ásia em alta

Na edição de 2014, houve uma reviravolta entre os primeiros colocados. No topo do ranking, a novidade desta edição é a queda dos países escandinavos e a ascensão de asiáticos.

No relatório de 2012, a Finlândia, que apresentara seu score de 1,26 (valores positivos) caiu para 0,92 no relatório de 2014 _ caindo para a quinta posição, atrás de Coreia do Sul, Japão, Cingapura e Hong Kong. O relatório afirma que países escandinavos, como Suécia e Finlândia, têm visto nos últimos anos as notas de seus alunos piorarem nos testes internacionais. Exemplos de que a educação deve ser vista como um investimento de longo prazo e que o mesmo deve ser aumentado periodicamente leva países em desenvolvimento para posições de nações ricas.

Referências

Website do MEC

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