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FRUTOSE EM CALDA ALTERA GENES CEREBRAIS PODENDO CAUSAR DIVERSAS DOENÇAS

FRUTOSE EM CALDA ALTERA GENES CEREBRAIS PODENDO CAUSAR DIVERSAS DOENÇAS

Edição Vol. 3, N. 11, 06 de Junho de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.06.06.002

Um novo estudo realizado por pesquisadores da UCLA revela que genes no cérebro podem ser danificados pela frutose, levando a doenças como a diabetes, doença cardiovascular, doença de Alzheimer e déficit de atenção e hiperatividade.

A gama de doenças – de diabetes a doenças cardiovasculares e da doença de Alzheimer para transtorno da hiperatividade e déficit de atenção – estão ligados a mudanças em genes do cérebro. Uma nova pesquisa feita por pesquisadores da UCLA, liderada pelo Dr. Xia Yang, professor assistente de biologia integrativa e fisiologia, revelou que centenas daqueles genes podem ser danificados pela frutose, um açúcar que é muito comum na dieta ocidental, de uma forma que poderia conduzir a essas doenças. Calma. Temos que esclarecer para vocês que não se trata da frutose das frutas. Essas são saudáveis e devem ser consumidas sempre. De preferência, de 5 a 7 porções de frutas por dia! A frutose que faz mal e que causa danos aos genes humanos e leva àquela variedade de doenças é a frutose presente em caldas de sorvetes, caldas de panquecas, do milk-shake, entre outras guloseimas. Apesar de saborosas, devem ser consumidas muito, mas muito moderadamente! Como já havíamos relatado anteriormente, aqui no Nanocell News – DIETA RICA EM FRUTOSE RETARDA O CÉREBRO, PREJUDICANDO A MEMÓRIA E APRENDIZAGEM (1)!

No entanto, os pesquisadores também descobriram uma boa notícia: um ácido graxo ômega-3 conhecido como ácido docosahexaenóico, ou DHA, parece reverter as alterações nocivas produzidas pela frutose. Hum… talvez um peixinho assado seria bom!

O DHA muda não apenas um ou dois genes; parece empurrar todo o padrão genético de volta ao normal, o que é notável.  E podemos ver por que ele tem um efeito tão poderoso.

O DHA ocorre naturalmente nas membranas de nossas células cerebrais (neuronais e gliais), mas não numa quantidade suficientemente grande para ajudar a combater as doenças.

O cérebro e o corpo são deficientes na maquinaria para fazer DHA; ele tem que vir através da nossa dieta. 

O DHA fortalece as sinapses no cérebro e melhora a aprendizagem e memória. É abundante em salmão selvagem (mas não em salmão de viveiro) e, em menor grau, em outros peixes e óleo de peixe, bem como nozes, semente de linhaça e frutas e legumes. Por isso, se alimentar de frutas e legumes, além de gostoso, apesar da cultura que hiberna em nossas mentes dizer que isso não é delicioso, é saudável e prolonga os anos de nossas vidas!

Os norte-americanos e nós também, no milk-shake, pão, balas, guloseimas outras, obtemos a maior parte da frutose em alimentos que são adoçados com xarope de milho, um adoçante líquido barato feito do amido de milho, e de bebidas adoçadas (refrigentes – veja mais em Nanocell News (2)), xaropes, mel e sobremesas (Figura 1). O Departamento de Agricultura dos EUA estima que os americanos consumiram uma média de cerca de 27 libras de xarope de milho com alto teor de frutose em 2014. A frutose também é encontrada em muito alimentos para bebés e em frutas, embora a fibra também presente em frutas diminua substancialmente a absorção do açúcar pelo corpo – mas as frutas contêm outros componentes saudáveis que protegem o cérebro e corpo. Então, sem desculpas esfarrapadas para não comer uma salada de frutas!

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Figura 1: Consumo excessivo de frutose causa danos em genes cerebrais, podendo causar diabetes, doenças cardiovasculares, doença de Alzheimer, déficit de atenção e hiperatividade, depressão.

Para testar os efeitos da frutose e do DHA, os pesquisadores treinaram ratos para escapar de um labirinto, e, em seguida, dividiram aleatoriamente os animais em três grupos. Para as seis semanas seguintes, um grupo de ratos beberam água com uma quantidade de frutose que seria aproximadamente equivalente a uma pessoa que bebe um litro de soda por dia. O segundo grupo recebeu água com frutose e uma dieta rica em DHA. O terceiro recebeu água sem frutose e sem DHA (3).

Após seis semanas, os ratos foram colocados de novo no labirinto. Os animais que tinham sido dados somente a frutose atravessaram o labirinto cerca de metade mais rápido do que os ratos que beberam apenas água – o que indica que a dieta de frutose tinha prejudicado a memória deles. Os ratos que tinham sido alimentados com frutose e DHA, no entanto, mostraram resultados muito semelhantes aos que só beberam água – o que fortemente sugere que o DHA eliminou os efeitos nocivos da frutose (3).

Outros testes nos ratos revelaram mais diferenças principais: Os ratos que receberam uma dieta rica em frutose tinham muito mais elevada sua glicemia, isto é, os níveis de glicose no sangue, triglicérides e níveis de insulina do que os outros dois grupos. Estes resultados são significativos porque em seres humanos, glicose elevada, triglicérides e insulina estão relacionados com a obesidade, a diabetes e muitas outras doenças.

A equipe de pesquisadores também sequenciou mais de 20.000 genes nos cérebros dos ratos, e identificaram mais de 700 genes no hipotálamo (importante centro de controle metabólico do cérebro) e mais de 200 genes no hipocampo (que ajuda a regular a aprendizagem e memória) que foram alterados pela frutose. Os genes alterados foram identificados, a grande maioria dos quais são comparáveis aos genes em seres humanos, e estão entre os que interagem para regular o metabolismo, a comunicação celular e a inflamação (4). Entre as condições que podem ser causadas pelas alterações nesses genes estão a doença de Parkinson, depressão, transtorno bipolar e outras doenças cerebrais (3).

Dos 900 genes que eles identificaram, os pesquisadores descobriram que dois, em particular, chamados de BGN e FMod, parecem estar entre os primeiros genes no cérebro que são afetados pela frutose. Uma vez que esses genes são alterados, eles podem desencadear um efeito cascata que, eventualmente, acaba alterando centenas de outros (3).

Isso poderia significar que BGN e FMod seriam potenciais alvos para novas drogas para o tratamento de doenças que são causadas pelos genes alterados no cérebro, um exemplo de pesquisa básica que nossos laboratórios podem facilmente executar, se nossos governos entenderem que é a ciência que move o desenvolvimento e a tecnologia de uma nação, tirando ela do fundo do poço.

A pesquisa também revelou novos detalhes sobre o mecanismo que a frutose utiliza para interromper os genes. Os cientistas descobriram que a frutose remove ou adiciona um grupo bioquímico de citosina, uma das quatro bases nucleotídicas (a menor unidade) que compõem o DNA (uma cadeia de bases nucleotídicas – As outras bases são a adenina, timina e guanina.). Este tipo de modificação desempenha um papel crítico em tornar genes “on” ou “off”, isto é, em ligar ou desligar os genes (5, 6).

Este foi o primeiro estudo genômico que incluiu todos os genes, as vias e redes de genes afetados pelo consumo de frutose nas regiões do cérebro que controlam a função e o metabolismo cerebral (3).

Estudos anteriores, liderados pelo prof. Dr Gomez-Pinilla, descobriram que a frutose causava danos na comunicação entre as células cerebrais e aumentava o número de moléculas tóxicas no cérebro; e que uma dieta rica em frutose a longo prazo diminui a capacidade do cérebro em aprender e lembrar informações (1).

“A comida é como um composto farmacêutico que afeta o cérebro”, disse Gomez-Pinilla. Ele recomenda evitar refrigerantes açucarados, a redução de sobremesas e geralmente consumir menos açúcar e gordura saturada.

Embora DHA parece ser bastante benéfico, Yang disse que não é uma bala mágica para curar doenças. Pesquisas adicionais serão necessárias para se se determinar a extensão da sua capacidade de reverter os danos aos genes humanos.

Fonte: Stuart Wolpert, UCLA Newsroom

Referência

1.Resende RR. DIETA RICA EM FRUTOSE RETARDA O CÉREBRO, PREJUDICANDO A MEMÓRIA E APRENDIZAGEM. Nanocell News. 2014;1(8):6.

2.Resende RR. 180.000 MORTES ANUAIS NO MUNDO PODEM ESTAR ASSOCIADAS A REFRIGERANTES AÇUCARADOS. Nanocell News. 2014;2(2).

3.Qingying Meng ea, “Systems Nutrigenomics Reveals Brain Gene Networks Linking Metabolic and Brain Disorders,” EBioMedicine, 2016;, doi:10.1016/j.ebiom.2016.04.008.

4.Parreira RC, Resende RR. NOSSO CORPO NOS PROTEGE, MAS PODE TAMBÉM NOS MATAR! Nanocell News. 2014;1(8).

5.Resende RR. CURANDO A DISTROFIA MUSCULAR COM EDIÇÃO DO GENOMA. Nanocell News. 2016;3(5).

6.Tonelli FCP, Resende RR. TERAPIA GÊNICA: editando genomas para curar doenças! Nanocell News. 2014;1(15).

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