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EXPLOSÃO DE Aedes aegypti, EXPLOSÃO DA DENGUE, CHIKUNGUNYA E ZIKA: Novas Tecnologias Para Acabar Com Eles E Detecta-los

EXPLOSÃO DE Aedes aegypti, EXPLOSÃO DA DENGUE, CHIKUNGUNYA E ZIKA: Novas Tecnologias Para Acabar Com Eles E Detecta-los

Fernanda Maria Policarpo Tonelli, Rodrigo R Resende

Edição Vol. 2, N. 13, 09 de Junho de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.06.08.002

E a dengue no Brasil mais uma vez bate o recorde de pessoas infectadas e doentes! Anos a fio passamos pelos mesmos problemas e, nestes últimos 13 anos, demos o boom de infestação em todos os estados do país. E o pior, agora temos outros dois vírus vindos da África, Chikungunya e Zika, sendo transmitidos pelo mesmo mosquito transmissor da dengue. Como este anda à solto e o governo nada faz para conter sua expansão, os cientistas dão seu jeito para acabar com esse mal. Só falta o governo tomar a responsabilidade para si e colocar essa estratégia em ação…

É rotina em nosso país enfrentarmos anualmente a epidemia de dengue: doença transmitida, no Brasil, pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Por ano, no mundo, são infectadas de 50 a 100 milhões de pessoas, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (1).

Apenas neste ano no Brasil, até o mês de Abril, foram registrados 745.957 casos notificados de dengue no país (2).

Como já abordado previamente no Nanocell News (veja mais em http://www.nanocell.org.br/transgenia-a-servico-da-qualidade-de-vida-combate-a-dengue/), o vetor passa a transmitir o vírus da dengue (DEN1, DEN2, DEN3 ou DEN4) após picar indivíduo infectado por qualquer deles. Dentre os sintomas mais comuns (que no geral duram de 2 a 7 dias, e aparecem cerca de 4 a 10 dias após a infecção) encontram-se febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor nas juntas e músculos, náusea, vômito, e até mesmo quadro hemorrágico(3).

INOVAÇÃO EM ESTRATÉGIAS DE COMBATE VIA VETOR

A primeira estratégia inovadora de combate à dengue via alterações em seu vetor, ou seja, no mosquito (veja mais em http://www.nanocell.org.br/transgenia-a-servico-da-qualidade-de-vida-combate-a-dengue/), foi a proposta elaborada pela empresa Oxitec (3): o OX513A – macho transgênico do A. aegypti cuja prole não consegue se desenvolver até a fase adulta do mosquito. Isto ocorre graças à inserção de um gene cuja função é impedir o desenvolvimento do mosquito, gerando uma prole (ninhada) transgênica. Os testes com os OX513A, que já haviam se mostrados promissores no estado da Bahia, se estenderam para o estado de São Paulo este ano.

Uma segunda importante estratégia de combate à dengue via seu vetor foi proposta por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ela consiste em gerar mosquitos Aedes aegypti que contenham as bactérias Wolbachia. Estas bactérias vivem dentro das células dos mosquitos e são inócuas a seres humanos e animais domésticos. Quando presentes no Aedes, estas bactérias tem a capacidade de reduzir a transmissão do vírus da dengue pelo mosquito. As Wolbachia são transmitidas da mãe para sua prole durante a geração de filhotes do mosquito (Figura 1). Os testes em campo são conduzidos atualmente no estado do Rio de Janeiro.

dengue

Figura 1: Estratégia da Fiocruz para o combate à dengue (Extraída de (4)).

Em Maio de 2015, pesquisadores norte-americanos publicaram na revista científica Science, um estudo que revelou qual o fator genético que determina que o mosquito da dengue seja macho: chamado Fator M ou Nix (5). Este estudo oferece embasamento para futuros estudos visando indução da expressão e/ou superexpressão deste gene em ovos de Aedes em desenvolvimento. Se isso for possível, a obtenção de prole 100% de machos seria desejável no combate à dengue, visto que são as fêmeas que transmitem a doença.

INOVAÇÃO EM DIAGNÓSTICO

Pesquisadores da USP e da empresa DNApta Biotecnologia desenvolveram um biossensor (Figura 2) capaz de detectar a dengue antes do surgimento dos primeiros sintomas da doença: e isto de forma mais rápida, barata e fácil que as atualmente disponíveis (6).

O sensor foi desenvolvido peloo Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia do IFSC-USP, coordenado pelo professor Valtencir Zucolotto, O sensor possui dois eletrodos: um de nanopartículas de ouro ligado às proteínas imunoglubulina Y (eletrodo teste) e outro referência (com potencial elétrico constante). Esta proteína, imunoglobulina Y, se liga à outra proteína, a proteína não-estrutural 1, NS1, sempre que esta segunda está presente.

A NS1 é liberada em infecções pelos vírus da dengue DEN1, DEN2, DEN3 ou DEN4 no sangue dos pacientes (sendo os pacientes infectados pela primeira vez ou por outras vezes) antes mesmo de se manifestarem os sintomas.

Quando a NS1 está presente no sangue do paciente, e se associa à imunoglobulina Y no eletrodo teste, um sinal elétrico é produzido. Em no máximo 30 minutos o resultado da análise é concluído.

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Figura 2: Sensor de detecção de dengue desenvolvido com financiamento da Agência FAPESP (Extraída de (6)).

Logo, avanços têm sido realizados tanto no que diz respeito a maneiras de se verificar se um paciente está infectado com o vírus da dengue, quanto visando diminuição da transmissão de doença pelo vetor. E a perspectiva é de que cresça o número destas novas estratégias sendo propostas à medida que padeçamos com a dengue por mais anos e anos que virão.

Porém, lembrem-se: existe sempre uma maneira de se evitar a dengue que está ao alcance imediato de todos nós: evite o acúmulo de água parada, pois o mosquito necessita desta para sua procriação.

Referências

1. WHO (World Health Organization). Dengue and severe dengue Dadlhwwimffec. 2014.

2. pdf/2015/maio/04/2015-016—Boletim-Dengue-SE15-2015.pdf>. MdS-BE-SdVeSDadlhpsgbi.

3. Tonelli FCP, Rsende RR. TRANSGENIA A SERVIÇO DA QUALIDADE DE VIDA: combate à dengue. Nanocell News. 2014;1(10).

4. http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/fiocruz-inicia-estudo-com-mosquitos-para-reduzir-transmissao-da-dengue>. FFiedccmpratddDadl.

5. Hall AB, Basu S, Jiang X, Qi Y, Timoshevskiy VA, Biedler JK, et al. A male-determining factor in the mosquito Aedes aegypti. Science. 2015.

6. Figueiredo A, Vieira NC, dos Santos JF, Janegitz BC, Aoki SM, Junior PP, et al. Electrical detection of dengue biomarker using egg yolk immunoglobulin as the biological recognition element. Scientific reports. 2015;5:7865.

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