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Marcos Junio G. de Souza1*, Lucas D. Dias2*e Vanderlei S. Bagnato2

1 Instituto Federal do Tocantins, Campus Av. Formoso do Araguaia, 77470-000, Formoso do Araguaia-TO, Brasil

2 Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo, 13566-590, São Carlos-SP, Brasil

Edição Vol. 8, N. 5, 09 de Abril de 2021

Imagem retirada do site: https://www.goconqr.com/c/18372/course_modules/18147–qu–es-la-biolog-a-#

Entender a natureza e os fatos ao nosso redor é hoje considerado uma forma de não se estar na ignorância e nem ser manipulado por crenças e fatos anticientíficos que de uma forma geral correspondem a retrocessos na evolução de uma sociedade. Aprender, distinguir, examinar e concluir é um fato de cidadania, e não necessariamente do cientista. Conhecimento é um bem de todos e isto é hoje consenso em todo mundo.

O conhecimento, quase sempre tem sua origem no saber advindo da Ciência. Este é incremental e precisa de gerações para ser conquistado ao longo de anos. Até certo tempo, o saber era transmitido apenas com o intuito de formar futuros pesquisadores. Uma situação onde a Ciência alimenta a própria Ciência. Contudo, esta ideia tem sido amplamente alterada, principalmente com base no saber como um bem de direito de todos. Em vista disto, o saber científico tem sido procurado de ser transmitido desde o início da formação das pessoas, aplicando seus conceitos, mesmo no ciclo básico da educação. Sabemos que, o ensino de Ciências no ensino básico, mais do que contribui para despertar e formar novos cientistas, contribui para a formação de profissionais e cidadãos, que com senso crítico, saibam aplicar os avanços tecnológicos em situações-problema (1) e mais do que isso, dá a todos a chance de entenderem o mundo ao seu redor. A maioria dos cidadãos, olham o céu todos os dias e não entendem o que observa. A cor azul do céu, as nuvens flutuando, a chuva que cai, etc. Estes são fatos rotineiros que são facilmente entendidos por uma pessoa que tem bases científicas mínimas.

Ensinar conceitos científicos corretos desde o início da formação e educação dos indivíduos parece ser fundamental. Neste universo, problemas relacionados à escolha de metodologias no ensino de Ciências na educação básica, é ainda um grande desafio. Binsfeld e Auth (2) entendem que o ensino de Ciências nas instituições de ensino básico no Brasil, se limita as atividades pautadas na transmissão e memorização de conhecimento, o que se torna abstrato para maioria dos alunos, causando uma descontextualização desta área no currículo escolar. Além disso, nota-se situações ainda piores, quando a realidade é posta em pequenas cidades, como no caso da cidade de Formoso do Araguaia, no estado do Tocantins. Neste exemplo, além dos problemas citados, esbarra no confronto com o “saber popular”, fortemente marcado pelas etnias indígenas, pelos assentamentos e moradores da zona rural, que compõem grande parte da população deste município. Não queremos confundir o cultural, o folclore com o científico.

Diante desse pressuposto, é notável a dificuldade dos professores demonstrarem o papel da Ciência na sociedade e transmitir os conhecimentos científicos. Além disso, práticas pedagógicas quase que exclusivamente expositivas são utilizadas, distantes ou ausentes de experimentação, fazendo do livro didático o único aliado (3). Neste contexto, o presente artigo salienta o uso de experimentação científica e sua contextualização como uma ferramenta eficiente no ensino de Ciências.

A experimentação científica surge como uma possibilidade de desconstruir as barreiras criadas no ensino de Ciências, pois, ela é a ligação entre o corpo de conhecimento científico e a realidade prática, que confere significado a todo o conhecimento da área ensinada nas escolas. Privar as crianças e jovens da experimentação científica, é privá-los do próprio saber científico. Mais do que isso, aprender Ciências apenas com exposição sem experimentação não é completo. Uma criança que descobre um conceito através da experimentação, nunca mais é o mesmo. Ele passa a acreditar na Ciência e no seu poder de usá-la para entender e prever coisas. Sua intuição é desenvolvida com a experimentação.

Entendendo os benefícios das atividades experimentais para o ensino de Ciências, vale ressaltar que mais do que apresentar como os experimentos acontecem, é de suma importância problematizar e contextualizar os entendimentos dos sujeitos, bem como enriquecer as compreensões sobre a construção do conhecimento científico (4). Sendo assim, o ensino por meio da experimentação, mais que valorizar os resultados ou respostas, deve reconhecer os caminhos que os alunos percorrem para encontrá-las (5).

Fazer com que o conhecimento científico esteja permeável em toda a sociedade, é uma das missões das universidades (instituições científicas) e das instituições de ensino básico/médio. Neste sentido, instituições como o Centro de Pesquisas em Óptica e Fotônica (CEPOF) do Instituto Física de São Carlos – Universidade de São Paulo (IFSC-USP) (http://cepof.ifsc.usp.br/), pioneira na produção e divulgação científica em várias âmbitos, realiza diversas ações buscando incentivar o conhecimento de Ciência, por meio da experimentação e difusão científica.

Ainda neste âmbito, um grupo de professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFTO) – Formoso do Araguaia (TO), em parceria com o CEPOF-IFSC, perceberam a possibilidade de reverter este quadro histórico da educação no município de Formoso do Araguaia (TO), organizando um projeto de extensão para o ensino de Ciências por meio da experimentação científica.

Este projeto, ainda em fase inicial, almeja difundir e aplicar a experimentação científica por meio de kits experimentais de Ciências comerciais, como uma ferramenta metodológica para os professores da rede pública de ensino básico/médio da cidade de Formoso do Araguaia-TO. Estes kits experimentais de Ciências podem ser aplicados através de demonstração de experimentos simples e seguros, no ensino de conceitos básicos e aplicados de Ciências Naturais e Exatas.

De fato a Ciência é um dos pilares no desenvolvimento econômico e humano de uma nação. Uma das características fundantes do conhecimento científico é a forma como esse conhecimento é construído. A metodologia experimental científica, longe de ser uma mera “tecnicalidade de especialistas”, é o que diferencia esse conhecimento de outras modalidades de conhecimento humano e que o torna aplicável, progressivo e universal. Entendendo que essa possibilidade metodológica estabelece relações com as explicações teóricas e observações realizadas em sala de aula, salientamos o uso da experimentação científica como uma ferramenta didática na divulgação e ensino de Ciências.

Não podemos achar que simulações, animações feitas na internet, substitui por completo a real prática científica. Não vamos nos iludir: internautas recebem muita informação, uma experimentação real transfere muita formação. São coisas diferentes.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pelos projetos (CEPOF 2013/07276-1, INCT (FAPESP 2014/50857-8), CNPq pelo projeto 465360/2014-9 e ao Instituto Federal do Tocantins (IFTO) pelo apoio ao projeto “Aplicação de Kits Experimentais de Ciências no Instituto Federal de Tocantins e Escolas Públicas de Ensino Básico/Médio: Divulgação, Formação e Ensino de Ciências.” L. D. Dias agradece a FAPESP pela bolsa de Pós-doutorado (2019/13569-8).

REFERÊNCIAS

  1. Gilz, C, Scortegagna A. A percepção do aluno do ensino médio em relação às dificuldades de aprendizagem. Congresso Nacional da Educação. 2013;(11): Curitiba, Brasil.
  1. Binsfeld, SC, Auth, MA. A experimentação no ensino de ciências da educação básica: constatações e desafios. Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. 2011;(8): Campinas, Brasil.
  1. Longhini, MD. O conhecimento do conteúdo científico e a formação do professor das séries iniciais do ensino fundamental. Investigações em Ensino de Ciências. 2008;13(2): 241-253.
  1. Leach, J. Teaching about the world of science in the laboratory. Pratical Work in school science: which way now? 1998; London: Routledge:52- 68.
  1. Lorenzato, S. Para aprender matemática. 2010; ed: Campinas/SP, Brasil.

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