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ESPERMATOZÓIDES COMO ARMAS NO TRATAMENTO DO CÂNCER GINECOLÓGICO

ESPERMATOZÓIDES COMO ARMAS NO TRATAMENTO DO CÂNCER GINECOLÓGICO

Fernanda Maria Policarpo Tonelli

Edição Vol. 4, N. 8, 17 de Abril de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.04.17.004

O título deste texto pode causar estranheza no leitor. Mas não se assuste; é isso mesmo! Cientistas de instituições de pesquisa e ensino alemãs propuseram a utilização do gameta masculino, o espermatozóide, como veículo carreador de drogas no tratamento de câncer ginecológico.

O câncer ginecológico é o nome que se dá ao conjunto de doenças envolvendo, por exemplo, câncer de colo de útero, ovário, vagina, vulva e endométrio. Este faz um número significativo de vítimas no Brasil e no mundo e, em 2013, por exemplo, apenas o câncer de colo de útero foi responsável pela morte de mais de 5.400 mulheres no país. A estimativa do INCA para o ano de 2016 foi de mais 16.340 novos casos deste câncer (1).

Logo, faz-se necessária intervenção a fim de se desenvolverem novas estratégias de diagnóstico precoce e tratamento para estas doenças.

ESPERMATOZÓIDES COMO VEÍCULOS DE ENTREGA DE FÁRMACOS

Os espermatozóides possuem importantes características que inspiraram sua utilização como carreadores. Podemos destacar: o flagelo, que lhes permitem movimento em direção a um alvo; o fato de não sofrerem divisão celular, evitando a formação de colônias indesejadas; a capacidade de efetuarem processo de fusão na célula alvo com eficiência (como a fusão que realiza no ovócito durante a fertilização no processo de reprodução sexuada) entregando o conteúdo de seu interior (que no caso pode ser o medicamento, protegido de possíveis ataques que possa sofrer antes de chegar ao destino final).

Assim sendo, para a função de veículos ser realizada os gametas são primeiramente carregados com o fármaco de interesse (neste trabalho de Xu e colaboradores foi a Doxiciclina) por simples incubação na presença deste.

Na sequência os gametas são inseridos dentro de pequenas armaduras com revestimento de ferro, chamadas de tetrapod (Figura 1). Estas servem para que com um campo magnético se possa guiar os espermatozóides ao local dos tumores (2).

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Figura 1: Espermatozóide dentro de um tetrapod; ao encontrar a superfície celular do alvo os 4 braços do tetrapod são empurrados, aumentando o espaço interno e permitindo que o espermatozóide deixe a “armadura” de ferro e entregue o medicamento por fusão na célula alvo. Extraída de trabalho de Xu e colaboradores (2).

Ao atingir o alvo a armadura é flexionada no contato com a célula tumoral, liberando o gameta, que pode se fundir com o tumor, liberando o medicamento (Figura 2).

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Figura 2: Esquema de utilização de espermatozóides para a entrega de medicamentos para tratar câncer ginecológico. Traduzida do trabalho de Xu e colaboradores (2).

Os experimentos realizados em placas de Petri foram bem sucedidos, causando a morte de células tumorais às quais os espermatozóides foram guiados para a fusão (Figura 3). Logo, os pesquisadores revelam na conclusão de seu trabalho o desejo de continuarem as pesquisas a fim de poderem oferecer no futuro uma opção de tratamento com menos efeitos colaterais e maior precisão e eficiência a mulheres que padecem com câncer ginecológico. 

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Figura 3: Entrega de Doxiciclina a células tumorais in vitro por espermatozóides, resultando em morte do alvo. Os pontos vermelhos, cuja quantidade aumentou com o passar do tempo, são células-alvo mortas. Extraída de trabalho de Xu e colaboradores (2).

Referências

  1. INCA – Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Disponível através do link <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/colo_utero/definicao>. Acesso 17/04/2017.
  2. Xu, H. et al. Sperm-hybrid micromotor for drug delivery in the female reproductive tract. arXiv:1703.08510. Disponível através do link < https://arxiv.org/abs/1703.08510>. Acesso em 15/04/2017.
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