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EPIDEMIOLOGIA, DIAGNÓSTICO LABORATORIAL E TRATAMENTO DAS DERMATOFITOSES HUMANAS

EPIDEMIOLOGIA, DIAGNÓSTICO LABORATORIAL E TRATAMENTO DAS DERMATOFITOSES HUMANAS

Mônica Thatyellen Nascimento, Wanderson Cosme da Silva

Edição Vol. 4, N. 6, 23 de Fevereiro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.02.23.005

As infecções de pele, unhas e pelos são extremamente comuns e atingem de 20% a 25% da população mundial. A dermatofitose é o termo que se refere às doenças causadas por fungos filamentosos que colonizam a camada queratinizada dessas estruturas. Aqui, apresentaremos uma revisão da literatura sobre dematofitoses dando atenção especial à epidemiologia, diagnóstico laboratorial e tratamento. Os dermatofitos podem ser classificados e distribuídos em categorias de seu habitat. O método de diagnóstico considerado mais rápido e de baixo custo é o micológico direto, no qual se observa estruturas fúngicas. O tratamento das dermatofitoses geralmente é realizado por meio de antimicóticos por via tópica ou oral.

INTRODUÇÃO

As infecções de pele, pêlos e unhas são comuns na comunidade e os agentes causadores dessas micoses cutâneas são os fungos filamentosos dermatófitos, que invadem a camada queratinizada dessas estruturas (1).

           Cada gênero de fungo filamentoso dermatófito é caracterizado por um modelo específico de crescimento em uma cultura e pela produção de macro e micro conídios. Os conídios representam a forma mais comum de reprodução assexuada dos fungos, e são muito importantes para a dispersão destes organismos na natureza. A identificação dos fungos é baseada quase que exclusivamente em sua morfologia tanto macro como microscópica (2,3,4).

          As infecções dermatofíticas, em geral, são tratadas com antimicóticos que podem ser administrados por via tópica ou oral.


EPIDEMIOLOGIA E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

Estima-se que 30 a 70% dos adultos sejam portadores assintomáticos desses micro-organismos (5). Os dermatófitos podem ser classificados e distribuídos em categorias de seu habitat, como por exemplo, antropofílicos, zoofílicos e geofílicos.Os gêneros de dermatófitos são: Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton.Fatores climáticos, assim como práticas sociais, migração populacional e características individuais podem afetar a epidemiologia das dermatofitoses (5). 

A distribuição geográfica pode ser considerada, a limitação de certas formas clínicas que, de um modo geral, é encontrado entre as classes mais pobres, nos climas frios ou em regiões de clima tropical (1,6).

DERMATOFITOSE

São micoses causadas por um grupo de fungos conhecidos como dermatófitos, A denominação de cada tipo de dermatofitose é feita adicionando-se um nome latino que designa o local do corpo afetado à palavra tinea, por exemplo, na região inquino-crural: tinea cruris; no corpo: tinea corporis; na barba: tinea barbae; nas mãos: tinea manum; nos pés: tinea pedis, na unha: tinea unguium; no couro cabeludo: tinea capitis (7,8,9,10) (Figuras 1 a 7).

DERMATOFITOSES 

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

A detecção da identidade de um agente etiológico especifico da doença fúngica tem influência direta no prognóstico e nas condições terapêuticas. Os exames laboratoriais mais usados para o diagnóstico são o micológico direto e a cultura para fungos (1).

- Micológico direto

O exame micológico direto é considerado um dos métodos mais rápidos e de baixo custo para diagnóstico de infecções fúngicas e requer treinamento de pessoal especializado. As amostras são montadas sobre uma lâmina de vidro com uma gota de KOH 10% ou 20% (clarificador) e examinadas microscopicamente. Esse exame não identifica gênero e espécie (1,2).

- Cultura de fungos

Para diagnosticar infecções fúngicas, realiza-se normalmente o microcultivo do micro-organismo causador da infecção, nesta técnica se obtém maior sensibilidade, ela é realizada após a cultura primária em ágar Saboureau ou Mycobiotic e a temperatura ótima de crescimento situa-se na faixa de 25 a 30°C. Nestas condições, os dermatófitos crescem num período de uma a três semanas (1,2,8). A cultura é necessária, para que ocorra a identificação dos agentes etiológicos (gênero e espécie). Devem ser avaliadas as características macro (análise a olho nu) e micro (análise de estruturas microscópicas), para que ocorra uma correta e segura identificação (1,8).

Método de biologia molecular e imunologia

Uma das áreas que tem sido objeto de interesse por parte dos pesquisadores é o da composição genética dos dermatófitos Atualmente, sabe-se que há métodos de diagnósticos mais rápidos, sensíveis e específicos em comparação com ás técnicas de rotinas, podendo então, citar as seguintes técnicas: detecção de anticorpos e antígenos, metabólitos, ácido nucleico específico para fungo dermatófito, sequenciamento genético e PCR (1,8).

TRATAMENTO ANTIMICÓTICO

As infecções dermatofíticas localizadas e que não afetam pêlos ou unhas em geral podem ser tratadas efetivamente com agente antimicótico, que se aplica para aliviar o prurido enquanto se usa outro para tratar a doença em si, que são os antifúngicos utilizados para tratar e prevenir micoses. Já a pomada de whitfield é uma pomada opcional para as dermatofitoses, possuem respostas mais lentas e é composta por ácido benzoico e ácido salicílico (9,14). Existem diversas terapias de tratamento que são elas: Terapia tópica que está indicada nos casos em que a matriz ungueal não está envolvida ou quando existir contraindicação no tratamento sistêmico. A terapia sistêmica é indicada nos casos em que a matriz ungueal está envolvida. Os principais antimicóticos utilizados são em forma de cremes, loções, pomadas ou aerossol e os princípios ativos mais usados são miconazol, fluconazol, terbinafina, clotrimazol, itraconazol, entre outros.

Referências


1. Murray PB, Rosenthal KS, Pfller MA. Microbiologia medica. 6ed. Rio de janeiro: Elsevier; 2009; 1072p.
2. Oliveira JC. Tópico em micologia medica [internet]. 4 ed. Rio de janeiro; il. Col.;2014. [acesso em 2016 jun. 28]. Disponível em: http://www.controllab.com.br/pdf/topicos_micologia_4ed.pdf.
3. Pinheiro AQ, Moreira JLB, Sidrim JLC. Dermatofitoses no meio urbano e a coexistência de homens com cães e gatos.1997; 30(4):287-294.
4. Conceição, DM.  et al. Fungos filamentosos isolados do rio Atibaia, SP, e refinarias de petróleo biodegradadores de compostos fenólicos.2004; 72(1):99-106.
5. Peres NTA,  Maranhão FCA, Rossi A, Rossi NMM. Dermatófitos: interação patógeno-hospedeiro e resistência a antifúngicos.2010; 85(5): 657-67.
6. Martins JPS, Barreto LFG, Nápoli L. manual de zoonoses. Rio grande do sul:2011. 136 p.
7. Jairo IS, Moema PP, Berenice PN. Diagnóstico laboratorial das dermatofitoses. 2002; 34(1): 3-6.
8. Tomaz D. Será fungo?. Revista portuguesa de clinica geral.2011; (27):96-108.
9. Correia B, Taborda CP, Barros MH. Roteiro de aula pratica micologia. São Paulo:2009; icb-usp. 23p.
10. Ruiz LRB, Chiacchio ND. Manual de conduta nas onicómicoses Diagnóstico e tratamento. Sociedade Brasileira de Dermatologia: Departamento de Cabelos e Unhas. P 201.

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