EPIDEMIA DE OBESIDADE, SÍNDROME METABÓLICA E ESTEATOSE HEPÁTICA

EPIDEMIA DE OBESIDADE, SÍNDROME METABÓLICA E ESTEATOSE HEPÁTICA

Nathalia Martines Tunissiolli, Letícia Antunes Muniz Ferreira 

Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto-FAMERP

Edição Vol. 4, N. 17, 30 de Outubro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.10.30.004

O segundo maior órgão do corpo humano, correspondendo cerca de 2% do peso corporal total, o fígado desempenha múltiplas funções: metabólicas, coagulativas, endócrinas, secreção de bile e até imunológicas (1). 

Entre suas diferentes funções, uma das mais importantes é de receber nutrientes provenientes do intestino e retornar ao sangue o que é produzido pelas células, como por exemplo, os “combustíveis” do nosso corpo, glicose e glicogênio (2). 

O fígado pode ser acometido por diferentes doenças, agudas ou crônicas, das mais diversas etiologias. O álcool é o principal agente mais conhecido, causando lesões hepáticas, que evoluem para cirroses e na maioria dos casos, o único tratamento de escolha é o transplante. Mas, se engana quem acredita que o álcool (? 80g/dia= 4,7 latinhas de cerveja ou três doses de destilado/ao dia) é o único vilão do fígado, vai o alerta: é preciso estar atento com as hepatites virais e com doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA).

Devido à epidemia de obesidade no mundo globalizado e, consequente, aumento de doenças como: diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia, resistência insulínica e esteatose, a DHGNA têm sido a 3ª causa de transplante de fígado nos EUA, afetando 1/3 da população adulta americana. A grande problemática é que a DHGNA é uma doença silenciosa, assintomática, implicada como causa de cirrose, caracteriza-se pelo acúmulo de gordura no interior das células do fígado e tem caráter progressivo podendo avançar para a esteatohepatite não alcoólica (EHNA), cirrose e, posteriormente Carcinoma Hepatocelular (CHC) (3) (Figura 1).  

gordura-orgao 

Figura 1: O que é gordura no órgão? Fonte: http://https://imgsapp2.uai.com.br/app/noticia_133890394703/2015/09/23/187023/20150923103015870820a.jpg

A obesidade tornou-se frequente mundialmente e em todas as faixas etárias. A síndrome metabólica e resistência insulínica costumam estar associadas à esteatose hepática. Obesidade e diabetes são os principais fatores associados e a DHGNA acomete, respectivamente,90% e 70% das pessoas com estas patologias (3). 

O estilo de vida sedentário e alimentação baseada em fast foods somado às altas tecnologias, oferta de alimentos e bebidas açucaradas em máquinas com moedas aumentaram exponencialmente. Aqui está a combinação da fórmula perfeita para engordar: má alimentação e ausência de exercício físico. 

É possível deduzir que uma alimentação pobre em fibras, rica em carboidratos simples e refinados e gordura saturada aliada a um estilo de vida sedentário pode estar relacionada ao aumento do número de casos de síndrome metabólica e, consequentemente, de DHGNA.

Por isso mesmo que Ciência é INVESTIMENTO! Apoiem esse fato que o Brasil tornar-se-á uma Nação rica e forte!

Referências

1. Martelli A. Metabolismo Hepatocelular dos Lipídeos: uma Abordagem Clinica e Histopatológica do Acúmulo Intracelular de Lípides (Esteatose) do Parênquima Hepático Induzida pelo Álcool. UNOPAR Cient., Ciênc. Biol. Saúde. 2010; 12(1): 55-9.

2. Guyton AC & Hall JE. Tratado de Fisiologia Médica. 13ª Ed. Rio de Janeiro, Elsevier Ed., 2017. 

3. Tunissiolli NM, Castanhole-Nunes MMU, Biselli-Chicote PM, Pavarino EC, Silva RF, Silva RCMA, Goloni-Bertollo EM. Hepatocellular Carcinoma: a Comprehensive Review of Biomarkers, Clinical Aspects, and Therapy. Asian Pacific Journal of Cancer Prevention. 2017 April; 18:863-872. 

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