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ENSINO SUPERIOR: Uma Saída Para Se Fazer Qualidade

ENSINO SUPERIOR: Uma Saída Para Se Fazer Qualidade

Rodrigo R. Resende

Edição Vol. 3, N. 17, 13 de Outubro de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.10.13.004

PROBLEMA APRESENTADO PELO BRASIL

O Brasil forma profissionais de áreas ligadas à infraestrutura, como engenheiros; profissionais das áreas humanas, como administradores e economistas; e profissionais da área de saúde com muita pouca qualidade, tanto para sustentar o avanço da economia quanto para promover o bem necessário à população.

SOLUÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL

Como ensina a história das nações que se tornaram ricas nas últimas décadas, uma condição fundamental para o aumento do nível de renda da população acima de um patamar médio é a necessidade de se ter mão de obra qualificada, com formação sólida em universidades de qualidade, que não se resuma ao número de graduados e de fato possua conhecimento para aplicação prática. Um exemplo clássico é o Japão.

Essa nação saiu da Segunda Guerra Mundial empobrecida, quebrada e destruída, tanto em infraestrutura (lembremos das duas bombas atômicas lançadas sobre importantes centros comerciais) quanto em termos populacionais. Seu PIB por habitante não passava de 3 mil dólares, valores atualizados. Contudo, o sentimento de nação de seu povo ultrapassava o âmbito político: a própria sociedade, construída com base em uma cultura de respeito, disciplina e meritocracia, soube aplicar os investimentos estrangeiros para ajudar na sua reconstrução do país.

Divisão de trabalho e foco em duas metas essenciais para a reconstrução da nação foram seguidas: inovação industrial e formação de engenheiros – sendo que a primeira dependeria do sucesso da segunda. O resultado foi a posição de vanguarda tecnológica do Japão em pouco mais de uma década.

Reflexos dessa política persistem até hoje: quase 20% dos jovens japoneses que se formam nas universidades escolheram a engenharia como carreira. Já no Brasil, essa participação é de 11,4%.

Os programas REUNI e PROUNI vieram com o objetivo de reduzir a demanda represada no Ensino Médio, e a intenção era aumentar o número de graduados no Brasil. Embora tenha havido um acréscimo impressionante no número de graduandos no país (ver discussão adiante), a qualidade foi deixada de lado. Os alunos que concluem o Ensino Médio não podem ser reprovados; consequentemente, são aprovados sem ter o mínimo conhecimento necessário para prosseguir seus estudos no Ensino Superior. A implementação do ENEM praticamente obrigou as universidades públicas federais a aceitarem seu modo de funcionamento e realização, caso contrário a verba destinada à instituição para ampliação e melhoria de suas instalações seria retida pelo governo federal. Daí conclui-se que a aprovação no vestibular não está mais atrelada ao conhecimento e ao mérito de cada candidato, e sim à distribuição de vagas por cotas. Essas cotas correspondem a 50% de todas as vagas oferecidas pela universidade federal e estão diretamente relacionadas à cor do indivíduo (sua cor auto-declarada), se cursou todo o ensino médio em escola pública (independentemente de suas notas, mesmo porque todos são obrigatoriamente aprovados), e, em sua minoria, a renda familiar, justamente o que seria o diferencial para incluir socialmente os desprovidos de recursos. Uma parcela mínima ainda conquista sua vaga pela pontuação na prova, mas a maioria dos alunos chega à universidade sem formação básica. E como não se pode reter ou represar ainda mais, são aprovados sem conhecimento adquirido e aplicado.

O Brasil está entre os países que mais reduziram o número de estudantes na faixa de 15 anos com baixo rendimento em matemática no período de 2003 a 2012(1). Conforme dados divulgados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Alemanha, a Itália, o México e Portugal também estão nesta lista.

Relatório publicado pela OCDE recomenda que, para ampliar os ganhos de rendimento dos estudantes, os países aumentem o acesso à educação na infância, a oferta de atividades diferenciadas para alunos com dificuldades e o incentivo à participação dos pais e da comunidade na vida escolar (1).

O relatório traz uma nova análise do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), divulgado em 2013, mas com dados referentes a 2012. O estudo “Alunos de baixo desempenho: Por que ficam para trás e como ajudá-los?” examina o baixo desempenho na escola olhando para a família, práticas escolares e políticas educacionais, entre outros fatores(1).

Apesar da melhora em relação aos conhecimentos básicos, os alunos brasileiros ficaram apenas no 58° lugar em matemática entre os 65 países e territórios analisados no último estudo PISA. Com essa classificação, o Brasil se situa abaixo da Albânia e da Costa Rica.

O Brasil totalizou 391 pontos em matemática, de acordo com o PISA. A média dos países da OCDE é de 494 pontos (1).

A organização considera que os alunos que ficam abaixo do nível 2 (entre os seis existentes, que evoluem de acordo com o grau de dificuldade das perguntas) nas disciplinas analisadas (matemática, leitura e ciências) terão dificuldades na escola e, mais tarde, no mercado de trabalho, e poderão não ascender socialmente.

Segundo o PISA, 67,1% dos alunos brasileiros com 15 e 16 anos (faixa etária analisada no estudo) estão abaixo do nível 2 em matemática, com baixa performance na disciplina.

Apenas 0,8% dos alunos brasileiros atingiram os níveis 5 e 6 na disciplina, que exigem análises complexas. Em Xangai, na China, primeiro do ranking em matemática, mais da metade dos estudantes (55,4%) integram os níveis 5 e 6, de alta performance.

A OCDE destaca, no entanto, que o Brasil registrou uma das maiores taxas de crescimento no total de pontos em matemática entre 2003 a 2012, passando de 356 a 391 pontos no período.

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MATRÍCULAS NA EDUCAÇÃO

De acordo com dados do último censo da Educação Básica do Inep/MEC de 2012, existem no Brasil 8.376.852 alunos matriculados no Ensino Médio. Já o Ensino Médio técnico conta com pouco mais de 1,3 milhão de alunos em todo o país. 

No Ensino Superior, segundo o mesmo censo, temos 7.037.688 alunos. Destes, 5.923.838 são alunos de cursos presenciais (um crescimento de 3,1% em relação ao ano de 2011) e 1.113.850 de educação à distância (aumento de 12,2% no mesmo período).

Em 2012, 11.957.756 candidatos inscreveram-se para vestibulares, mas apenas 4.653.756 vagas foram oferecidas. Desses quase 12 milhões de pessoas, 6.738.819 candidataram-se para universidades públicas, enquanto 5.218.937 escolheram as particulares. Infelizmente, somente 23% desses quase 12 milhões (2.747.089) conquistaram o sonho de entrar em uma faculdade. Ou seja, 9.210.667 não tiveram acesso à educação superior naquele ano.

Dos quase 7 milhões em busca de uma oportunidade em escolas federais, estaduais e municipais, apenas 8% são aprovados (547.897). Nas privadas, a porcentagem sobe para 42% (2.199.192) dos pouco mais de 5 milhões inscritos. Do total de ingressantes, 20% (547.897) vão para uma instituição de ensino pública, enquanto 80% (2.199.192) a uma particular. 

Com relação à pós-graduação, temos no Brasil 203.717 mil alunos. Ou seja, apenas 2,9% em relação ao índice de estudantes da graduação. No entanto, houve um aumento de 8,5% em relação ao último censo de 2011. Um alerta aqui deve ser dado: os únicos programas de pós-graduação com controle de números são os de mestrado e doutorado e, em 2014, os de pós-doutorados, o que significa que sobre os de especialização o Ministério da Educação não tem qualquer controle.

ENSINO SUPERIOR

De 2002 a 2012, o número de alunos na educação superior dobrou, passando de 3,5 milhões para 7 milhões. Já o total de concluintes deu um salto de 119%, passando de 479.275 para 1.050.413. É importante ressaltar o número de licenciados com o diploma na mão: 130.790 (12,5% do número total de formados), podendo exercer o cargo de professor no Ensino Médio.

Os ingressantes também evoluíram 87,4% em 2012: atualmente, 2.747.089 entram no Ensino Superior, contra 1.465.605, há dez anos. São 31.866 cursos de graduação, distribuídos em 2.416 instituições (304 públicas e 2.112 particulares).

Apesar do avanço no número de formandos, apenas 38% dos calouros concluem o curso superior, sendo 237.546 no setor público e 812.867 no privado. Grande parte desses estudantes não conclui ou abandona o curso, provavelmente por falta de condições financeiras. Esses números provam a importância do estágio, pois ele ajuda o futuro profissional a custear seu curso. Afinal, para estagiar, o jovem obrigatoriamente precisa estar regularmente matriculado.

Dos mais de 7 milhões de jovens universitários, 67,1% optaram pelo bacharelado, enquanto 19,5% fazem licenciatura e 13,5% são tecnólogos. Cerca de 5.140.312 (73%) estão na universidade particular e 1.897.413 (27%) na pública. No total, 31.866 cursos diferentes são oferecidos no Brasil.

QUALIDADE

A questão da falta de qualidade é demonstrada pelo fato de que na lista das 200 melhores universidades do mundo não há nenhuma brasileira. A deficiência se reflete no desempenho dos formados no país.

Uma pesquisa recente da consultoria McKinsey & Company avaliou o desempenho dos engenheiros em 83 multinacionais que atuam em países emergentes, e mostra que apenas 13 em cada 100 engenheiros brasileiros têm formação considerada adequada para a área em que atuam (2). Na Hungria, o melhor entre os emergentes, esse número é de 50%. A defasagem não se limita à engenharia. O mesmo se dá, na mesma proporção, com profissionais de finanças e contabilidade.

Para os economistas, a situação do Brasil em relação à formação de engenheiros – elemento básico no motor de desenvolvimento de um país – tem um impacto considerável na produtividade média do trabalhador brasileiro. A produtividade no Brasil está estagnada há três décadas: nosso produto per capita de 20 mil dólares por ano é um quarto do produto per capita japonês.

Nos últimos anos, o Brasil evoluiu consideravelmente na oferta de cursos de ensino superior – em 2013, cerca de 20% dos brasileiros entre 18 e 24 anos de idade tinham acesso à universidade, 120% mais do que em 2000. Os números mostram que o avanço da qualidade desses cursos, no entanto, não ocorreu na mesma velocidade. Eis o desafio do Brasil para os próximos anos – e décadas.

Um relatório produzido pela empresa de sistemas de aprendizado Pearson (ligada ao jornal britânico Financial Times) e pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) exibe um ranking que compara resultados de provas de matemática, ciência e leitura e índices como taxa de alfabetização e aprovação escolar, no qual, em 2012, o Brasil ficou em penúltimo lugar. Em 2014, o Brasil distanciou-se ainda mais das médias dos 40 países estudados, mas, apesar de seu índice ter piorado, subiu uma posição no ranking – de penúltimo para antepenúltimo –, mas isso se deveu a uma queda acentuada do México, e não a uma melhora na situação do Brasil. Assim, em 2014, o Brasil aparece na 38ª posição do ranking, apenas à frente de México e Indonésia.

O indicador do ranking é composto a partir duas variáveis: capacidade cognitiva (medida por resultados de alunos nos testes internacionais PISA, TIMSS e PIRLS) e sucesso escolar (índices de alfabetização e aprovação escolar). Note-se aqui que nem mesmo a aprovação escolar obrigatória (já que atualmente no Brasil não há reprovação, por vários motivos que não abordaremos) resolve o problema de posicionamento no ranking. Embora eficiente para as estatísticas, a política de não reprovação leva a um péssimo rendimento e aprendizagem escolar. Está aí uma boa oportunidade para mudar o atual sistema de aprovação no ensino!

O número usado para comparar os países (“score z”) indica quão longe cada nação está da média dos 40 países (que é zero, nessa escala). Foram analisadas nações da Ásia, da Europa e das Américas – nenhum país africano participa do ranking.

No estudo de 2012, o score obtido pelo Brasil foi de –1,65; em 2014, o indicador piorou para –1,73, sendo que o sinal negativo indica que ambos os países estão abaixo da média dos 40 países. Isso demonstra que a atual política do “aprovar sem saber” distancia ainda mais o Brasil das nações desenvolvidas, fazendo com que o povo brasileiro se torne alienado e sem conhecimento e transformando o futuro do país num caos. Fato é que o país está mais distante da média dos 40 países. Já o México viu seu score cair de –1,6 para –1,76. 

O Brasil piorou nas duas variáveis, tanto na capacidade cognitiva, leia-se de raciocínio (de –2,01 para –2,06), quanto no sucesso escolar (de –0,94 para –1,08).

É preciso fazer uma observação: como já dito, os valores dos scores apresentados são sempre comparados com a média das 40 nações. Sendo assim, não é possível determinar ao certo se a piora do indicador do Brasil se deve a uma queda no desempenho dos alunos brasileiros ou se houve uma melhora na média mundial. Independentemente disso, fato é que o país está entre os últimos colocados no quesito capacidade de raciocínio e entendimento. Uma questão séria, já que se a população lê um texto mas não o compreende, então ela pode ser considerada analfabeta funcional.

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A capacidade de inovação é fator determinante para a evolução e desenvolvimento d e uma nação. Parcerias entre a iniciativa privada e instituições de ensino geram resultados promissores e apontam para mudanças positivas no cenário da qualidade de ensino e desenvolvimento industrial. A parceria entre professores universitários e profissionais do meio empresarial, geram novas tecnologias e se conquista mão de obra qualificada. A troca de experiências proporciona abertura de possibilidades de pesquisa e de campos de trabalho para os alunos, que se tornam mais qualificados.

MAIS PROFESSORES DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA

Outra informação que se pode retirar do estudo é que os países em desenvolvimento estão posicionados na metade inferior do ranking. Como já dissemos, em 2014 a Indonésia aparece novamente em último lugar das 40 nações analisadas, precedida por México e Brasil.

O relatório também apresenta um capítulo com os modelos a serem seguidos pelos países em desenvolvimento. Um dos pontos é que o Brasil precisa de um aumento de 30% no número de professores de ciências e matemática para aliviar as pressões sob seu contingente, que está sobrecarregado e carece de treinamento e de conhecimento.

ÁSIA EM ALTA

Na edição de 2014, houve uma reviravolta entre os primeiros colocados. No topo do ranking, a novidade dessa edição é a queda dos países escandinavos e a ascensão dos asiáticos.

No relatório de 2012 estava a Finlândia liderando o ranking, com score de 1,26 (valores positivos), descendo para 0,92 no relatório de 2014 – uma queda para a quinta posição, atrás de Coreia do Sul, Japão, Cingapura e Hong Kong. O relatório afirma que países escandinavos, como Suécia e Finlândia, têm visto nos últimos anos as notas de seus alunos piorarem nos testes internacionais. No caso da Finlândia, a explicação dada pelos próprios professores daquele país foi em relação ao ensino de matemática que tem sido deixado de lado, justamente onde houve a maior queda no índice da Finlândia. Os países asiáticos são exemplos de que a educação deve ser vista como um investimento de longo prazo, que, se aumentado os investimentos periodicamente, é capaz de elevar países em desenvolvimento à posição de nação rica.

Referências

1. Education at a Glance 2015: OECD Indicators – Brazil: OECD; 2015 [cited 2016 30/02/2016]. Available from: http://www.keepeek.com/Digital-Asset-Management/oecd/education/education-at-a-glance-2015/brazil_eag-2015-46-en#page1

2.Company M. O Ambiente Empresarial no Brasil. Reflexões sobre a transformação nos últimos 25 anos e questões para a próxima década.2013.

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