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ELIMINANDO A METÁSTASE: A Propagação Do Câncer Em Camundongos

ELIMINANDO A METÁSTASE: A Propagação Do Câncer Em Camundongos

Edição Vol. 2, N. 09, 17 de Março de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.03.16.001

Um novo estudo de professores da Universidade de Brown mostra que o bloqueio de uma proteína específica chamada “chitinase 3-like-1” parece ser a chave para reduzir a propagação de melanoma ou câncer de mama em camundongos.

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Figura 1: O aumento da expressão (ou produção) da proteína CHI3L1 permite ao melanoma (pintas negras) se espalhar nos pulmões de camundongos. Quanto mais expressa (produzida) for a proteína CHI3L1 mais facilmente ocorre a metástase, que é o deslocamento de células cancerígenas para outras partes do corpo. Na figura, a proteína CHI3L1 estava relativamente ausente no pulmão do lado esquerdo, por isso a menor quantidade de pintas negras, que representam o câncer, em relação ao pulmão da direita, que apresenta mais pintas negras e muito mais disseminação do câncer.

Os cientistas descobriram que a diminuição dos níveis ou o bloqueio de uma proteína específica, comumente encontrada em seres humanos e em muitos outros animais, permitiu-lhes diminuir a propagação de dois tipos diferentes de câncer para os pulmões de camundongos. A pesquisa indica que quando a proteína se torna desregulada ajuda a pavimentar o caminho ao câncer a se espalhar e sugere que abordar tal desregulação é um caminho que vale a pena perseguir no combate à metástase.

É possível que todos nós tenhamos essa proteína Chitinase 3-like-1 (CHI3L1), porque ela desempenha um papel importante na nossa capacidade de combater infecções. O trabalho liderado pelo professor Dr. Jack A. Elias da Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island, nos EUA, mostra que induzir ou aumentar o número desta proteína parece ser muito importante no aumento da capacidade dos tumores de se espalharem, ou causarem a metástase (1) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/cancer-uma-via-sem-saida/).

Outros estudos mostraram que pacientes com câncer com altos níveis de uma proteína, também chamada YKL-40, têm um prognóstico notavelmente pior em comparação aos pacientes com câncer que têm níveis mais baixos dessa proteína.

No novo estudo, os pesquisadores da Universidade Brown e de Yale procuraram determinar se a proteína é apenas um indicador de que o câncer está se espalhando ou se ela tem um papel significativo no processo. O Laboratório do professor Jack Elias estuda a proteína intensamente em outras doenças, incluindo a fibrose pulmonar idiopática e asma, e mostrou que ela tem um papel central em cada uma dessas doenças.

Para descobrir, eles injetaram células malignas de melanoma e câncer de mama em camundongos e avaliaram o grau de disseminação do câncer após a diminuição do acúmulo ou bloqueando a proteína CHI3L1 (por isso é importante a pesquisa com animais. Do contrário seriam usadas pessoas, nossos parentes, amigos, para se verem os mesmos efeitos.). Eles avaliaram os efeitos no pulmão principalmente mas, quando eles também verificaram a pele, eles descobriram que os efeitos observados eram semelhantes aos encontrados no pulmão.

As proteínas e suas vias de sinalização

Em anos de estudo da proteína CHI3L1, o grupo de pesquisa do professor Elias tem desenvolvido várias maneiras de modificar a proteína. O Dr. Chun Geun Lee, co-autor e professor de microbiologia molecular e imunologia na Universidade Brown, desenvolveu camundongos transgênicos que não tinham o gene para fazer a proteína (2) (para saber mais veja http://www.nanocell.org.br/terapia-genica-editando-genomas-para-curar-doencas/). Os genes são as unidades dentro do genoma que codificam para as proteínas. As proteínas são as máquinas que fazem acontecer em nossos organismos. É como se as letras nos livros fossem os genes, e o ato de ler, sentir, pensar fossem o resultado do produto da leitura, ou a ação das proteínas. O grupo de pesquisa também desenvolveu anticorpos, que são moléculas de defesa, contra a proteína CHI3L1 e encontrou uma pequena molécula que inibe a produção da proteína. O grupo aprendeu a manipular proteínas que tanto podem aumentar a quantidade quanto reduzi-la da proteína CHI3LI. É o investimento na ciência que possibilita o avanço no conhecimento e na melhora da qualidade de vida das pessoas. Quando se existe corrupção, todo o dinheiro desviado, como no caso do Ptrolão que foram bilhões de reais, daria para se chegar à cura do câncer ou do Alzheimer ou, ao menos reduzir seus efeitos, por exemplo. Outro motivo para não se sustentar partidos que governam somente para si, enchendo seus bolsos com bilhões de seu povo.

Numa série de experiências, os professores Elias, Lee, e o seu grupo de pesquisa empregaram sistematicamente todos esses meios para ver o que aconteceria em camundongos e para identificar a via de sinalização, ou a cadeia molecular de eventos que regula a proteína (3) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/dois-lados-da-mesma-moeda-papel-das-celulas-tronco-no-cancer-e-na-medicina-regenerativa/).

Primeiro, eles confirmaram se os níveis da CHI3L1 estão realmente aumentados em camundongos, como em pessoas, com a progressão do câncer. No pulmão o número dessas proteínas foi especialmente prevalente em células adjacentes a metástases, ou nódulos de câncer que se espalharam.

Em seguida, compararam o câncer de mama e o melanoma maligno, distribuídos nos pulmões de camundongos com e sem a capacidade genética de produzir a proteína CHI3L1. Aqueles camundongos que não tinham a proteína apresentavam muito menos propagação após o mesmo período de tempo do que os camundongos que produziam a proteína normalmente. Da mesma forma, diminuir a expressão ou produção da proteína CHI3L1 com anticorpos reduziu a disseminação de melanoma para o pulmão (4).

Eles também fizeram os mesmos experimentos em camundongos que não tinham a capacidade de produzir uma proteína chamada semaforina 7a, que pode ativar a proteína CHI3L1. Camundongos sem semaforina 7a expressam muito menos a CHI3L1 e têm menos metástases de melanoma nos pulmões. Quando os investigadores bloquearam semaforina 7a com anticorpos, eles encontraram os mesmos efeitos de supressão de metástases, pois a produção de CHI3L1 também foi inibida (4).

Semaforina 7a parece regular a expressão de CHI3L1 através da interação com duas proteínas intermediárias: Beta-1 integrina e plexina C1. As duas primeiras, Semaforina 7a e beta-1 integrina atuam como um acelerador para CHI3L1 enquanto a plexina C1 é mais como um freio, que diminui a produção de CHI3L1. Então, quando eles neutralizaram a beta-1 integrina viram menos CHI3L1 e menos metástase. Quando eles neutralizaram ou diminuíram a plexina C1 eles viram mais CHI3L1 e mais metástase (4).

Considerações clínicas

A descoberta de que a ativação da via CHI3L1 pareceu permitir a propagação de dois cânceres diferentes, em dois tecidos diferentes, sugere que possa ter um papel mais amplo.

Isso nos leva a acreditar que este pode ser um caminho fundamental para a geração de metástases.

Muito mais pesquisas são necessárias para se ter certeza, por exemplo, para se determinar como CHI3L1 permite a propagação do câncer.

Sabemos que moléculas estão envolvidas no desencadeamento da metástase, porém não sabemos onde estão e quais delas estão presentes no tumor e quais estão no tecido normal ao redor do tumor. Uma molécula que possa estar presente no tumor e no tecido normal é bem comum, mas sua regulação é totalmente diferente. Enquanto no tumor leva à sua progressão, nas células saudáveis mantêm a sua saúde. Essa é a diferença que se quer encontrar.

Como o foco do laboratório do professor Elias está em pneumologia, os pesquisadores estão esperando especialistas em outros órgãos a estudarem CHI3L1 em outras áreas do corpo para determinar se ela tem o mesmo papel nesses locais.

Se mais pesquisas reforçarem a evidência de que a desregulação da CHI3L1 é um elemento fundamental na propagação do câncer, em seguida, valeria a pena tentar o desenvolvimento de um tratamento medicamentoso ou biológico para restaurar a regulação adequada. Na esperança de desenvolver um tratamento para a asma, o grupo já está trabalhando na conversão do anticorpo de supressão da CHI3L1 que usou em camundongos em um que seja compatível com os seres humanos.

Uma visão de longo prazo, este mesmo anticorpo poderia ser usado para impedir a propagação do câncer após cirurgia de remoção do tumor principal de um paciente.

Se se tratou os pacientes desta forma o medicamento poderia impedir ou mesmo atrasar a disseminação do tumor e dar à pessoa uma vida mais longa e melhor. Essa é a razão para se aniquilar a corrupção.

Referências

1. Resende RR. CÂNCER: uma via sem saída? Nanocell News. 2014 04/22/2014;1(10):23. Epub 04/22/2014.

2. Tonelli FCP, Resende RR. TERAPIA GÊNICA: editando genomas para curar doenças! Nanocell News. 2014 08/05/2014;1(15). Epub 08/04/2014.

3. Barbosa RC, Resende RR. DOIS LADOS DA MESMA MOEDA: papel das células-tronco no câncer e na medicina regenerativa. Nanocell News. 2014 08/18/2014;1(1). Epub 08/18/2014.

4. Ma B, Herzog EL, Lee CG, Peng X, Lee CM, Chen X, et al. Role of Chitinase 3-like-1 and Semaphorin 7A in Pulmonary Melanoma Metastasis. Cancer Res. 2014 Dec 15. PubMed PMID: 25511377. Epub 2014/12/17. Eng.

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  1. Ronaldo Ferreira disse:

    “É o investimento na ciência que possibilita o avanço no conhecimento e na melhora da qualidade de vida das pessoas. Quando se existe corrupção, todo o dinheiro desviado, como no caso do Ptrolão que foram bilhões de reais, daria para se chegar à cura do câncer ou do Alzheimer ou, ao menos reduzir seus efeitos, por exemplo. Outro motivo para não se sustentar partidos que governam somente para si, enchendo seus bolsos com bilhões de seu povo.” Volto a dizer q parece que eh mais prazeroso matar que curar, eh o exemplo que cito, uma guerra financiada que no final ninguém vence ,corrupções da parte do governantes, ambições da parte da industria farmacêutica no final qualidade de vida para um doente de câncer mesmo tendo dinheiro eh muito difícil.”

    10/abril/2017 ás 20:47

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