Ciência é INVESTIMENTO! Vamos transformar o Brasil em uma Nação rica e forte!

EFEITO ESTUFA E SEU IMPACTO ECOLÓGICO SOBRE AS ESTAÇÕES

EFEITO ESTUFA E SEU IMPACTO ECOLÓGICO SOBRE AS ESTAÇÕES

Edição Avulsa Vol. 2, N. 02, 03 de Novembro de 2014

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.11.03.001

Que calor dos infernos é este?! Exclama e se admira seu colega ao seu lado. Precisa chover logo, não consigo nem respirar! Responde você fazendo gesto de quase morto com dificuldade de respirar um ar seco e quente…

Isso não é uma estória de contos de fada, mas uma triste realidade que estamos passando em todo o sudeste e nordeste. Quem imaginou que o sudeste também ficaria em um estado de tremenda seca, cuja umidade do ar, atinge índices abaixo de 20%. O limite aceitável pelo ser humano!

Um novo estudo do Instituto Max Planck de Biologia do Desenvolvimento e da Universidade de Wyoming detalha como as mudanças na variabilidade da temperatura em todo o mundo estão alterando o meio ambiente.

Se mais regiões do globo tiverem seu clima mudado para se parecerem com o clima de zonas tropicais, como o clima do Brasil, por exemplo, ele poderia potencialmente afetar colheitas, insetos, a transmissão da malária, e até mesmo confundir os padrões de migração de aves e mamíferos em todo o mundo. O professor George Wang, pós-doutorando no Instituto Max Planck de Biologia do Desenvolvimento, em Tübingen, na Alemanha, faz parte de um conjunto de pesquisa que descobriu que as diferenças diurnas e noturnas de temperaturas em todo o mundo estão se aproximando rapidamente das diferenças entre as temperaturas anuais de verão e inverno.

Só recentemente, a Cúpula do Clima da ONU reuniu-se em Nova York para aprofundar as medidas necessárias para proteger a Terra de uma mudança climática drástica. Tem sido reconhecido que o aumento da temperatura média causará elevação dos oceanos e terras continentais que serão, assim, alagadas. Particularmente, as regiões próximas das costas do mar estão em perigo. Embora seja bem conhecido que a mudança climática tenha aumentado as temperaturas médias, é menos entendido como a variabilidade da temperatura tem sido alterada com a mudança climática.

O Dr. George Wang percebeu que as medidas climáticas existentes não fornecem informações suficientes para prever as respostas da história de vida, como o nascimento, a hibernação, ou o florescimento de organismos. Junto com seu parceiro Michael Dillon, professor assistente no Departamento de Zoologia e Fisiologia da Universidade de Wyoming, EUA, começaram a analisar as condições climáticas desde que os registros começaram a ser anotados.

Eles descreveram, pela primeira vez, as mudanças na variabilidade da temperatura em todo o globo. Apresentaram uma longa discussão sobre as mudanças na temperatura média, que está em curso há mais de 30 anos. É certo que as temperaturas médias mudaram em todo o globo. Porém, é menos evidente que a variação de temperatura tenha mudado (1).

Por exemplo, a variabilidade da temperatura poderia, potencialmente, significar erros de sobrevivência por um período mais longo em regiões não-tropicais. O resultado poderia ter aumentado danos às culturas atacadas por pragas, como insetos, ou aumentado a disseminação de doenças, como a malária transmitida por mosquitos (2).

Além disso, as plantas em regiões temperadas estão adaptadas para usarem a temperatura para relatar a temporada. Isto é, como elas sabem quando produzir flores e frutos. Quanto mais os ciclos de temperatura diária tornam-se mais extremos, torna-se mais difícil para as plantas se comportarem de forma adequada para aquela temporada pela qual estão passando. Portanto, as plantas podem produzir flores muito cedo ou tarde demais e por isso, pode haver alguns anos, onde certas frutas nunca aparecem (2). É o mesmo que dizer que determinada fruta entrou em extinção, mesmo que por um período. Se isso se repetisse, certamente não haveria mais tal fruta, e a sua extinção seria declarada. Assim como, insetos, pássaros e animais que formam a cadeia alimentar tendo a fruta como base. Um dano irreparável em todo o ecossistema!

Wang e Dillon estimaram, pela primeira vez, a variação espacial global na temperatura média e em ciclos de temperatura através da análise de mais de 1 bilhão de medições de temperatura de 7.906 estações meteorológicas que foram coletadas entre o período de 1 de janeiro de 1926 até 31 de dezembro de 2009 (Figura 1). As análises das médias mensais e anuais dos extremos de temperatura diária revelaram que as temperaturas diárias e anuais mínimas e máximas têm aumentado em todo o mundo desde 1950. Os cientistas então estimaram as mudanças globais nas magnitudes de ciclos de temperatura diurna e anual entre os anos de 1975 a 2013 (2).

 Slide1

Figura 1: Variação global dos ciclos de temperatura. Cada ponto representa uma estação meteorológica (7.906 total) para o qual foi determinado (para todo o registro da temperatura entre os anos de 1926 a 2010): a temperatura média (a, e), a faixa de ciclos de temperatura diurna (DTC, b, f), o intervalo de temperatura de ciclos anuais (ATC, c, g), e o logaritmo natural da razão entre DTC e ATC (Ln(D/A), d, h). Figuras à direita apresentam a variação latitudinal (do norte ao sul) dessas variáveis​​, com a latitude no eixo y, o valor no eixo x, e o cubo das interpolações fixadas (λ = 0,6) indicados por linhas pretas. Para cada par de figura, a cor do ponto indica o seu valor, com a escala apresentada no gráfico do lado direito. As linhas cinzas tracejadas indicam os limites tropicais.

A pesquisa foi feita com transformações em computacionais. Os pesquisadores tiveram que usar clusters ou grupos de computadores em dois continentes, com a maioria dos trabalhos sendo realizados no cluster do MPI de Biologia do Desenvolvimento. Eles também usaram uma nova técnica matemática para descrever como as temperaturas mudam do dia para a noite, e do inverno para o verão, caracterizando, assim, a variabilidade da temperatura ao longo de todo o globo.

De acordo com isso, as mudanças foram mais dramáticas para os locais mais próximos aos pólos e longe dos oceanos. Nesses lugares, invernos mais quentes _ diminuindo a diferença de temperatura entre verão e inverno _ e os dias mais quentes _ aumentando a diferença de temperatura entre o dia e a noite _ significa que a faixa de temperaturas, que os organismos experimentam ao longo de alguns dias, está mais próxima da faixa de temperaturas que eles experimentam durante um ano inteiro. Esses padrões são mais fortes no Canadá e na Rússia, mas ocorrem também na Alemanha (Figura 1). Por exemplo, em Wiesbaden, em 1992, a diferença média entre a temperatura do dia e da noite foi de 1,2 graus, enquanto que a diferença média entre as temperaturas do verão e do inverno foi de 24,8 graus. Em 2012, o ciclo dia/noite, no mesmo local, foi de 5,2 graus, enquanto o ciclo de verão/inverno foi de 18,9, de modo que a variabilidade diária da temperatura é agora muito mais parecida com a variabilidade anual (Figura 1). Compare isso com o que ocorre em Las Palmas, nas Ilhas Canárias, onde a diferença de temperatura entre dia/noite é de cerca de 4,3 graus e a diferença entre as temperaturas do verão e do inverno é de cerca de 6,7 _ nota-se que não houve uma mudança muito grande (2) (Figura 1).

A faixa de ciclos de temperatura diurna (do inglês, diurnal temperature cycling, DTC), ou seja, a mudança de temperatura do dia, alta, para a noite, baixa, foi menor nos pólos norte e sul, intermediária nos trópicos e foi relativamente pequena próxima de grandes massas de água e em altitudes mais baixas, de acordo com o estudo (2). A faixa de ciclos anuais de temperatura (do inglês, annual temperature cycling, ATC), ou seja, temperaturas médias de qualquer região do globo passaram por um ciclo regular numa base anual, foram menores nos trópicos e aumentaram nos pólos (2) (Figura 1).

Para essas zonas de temperatura que historicamente se pensa como se tendo menores variações diárias em relação às variações anuais das temperaturas, o que se encontrou nestas zonas é que a faixa de ciclos de temperatura diurna (ATC) ​​não mudou muito nos últimos 30 a 40 anos. Mas, a faixa de ciclos anuais de temperatura (DTC) tem subido consideravelmente. Se a temperatura anual é constante e as temperaturas diárias aumentam, as áreas fora dos trópicos se tornarão mais tropicais (2). Essa ideia de convergência pode ser uma coisa realmente importante. É como se todo o planeta, independente da latitude, ou seja, se está próximo ou não dos pólos, tivessem temperaturas tropicais. É uma mudança muito drástica de temperatura promovida em uma estufa gigantesca, onde a temperatura é a mesma em toda parte.

Os resultados mostram que nenhum lugar está a salvo das mudanças climáticas. A maioria das pessoas está preocupada sobre o aumento do nível do mar, mas sente que isso não irá afetá-las se elas não vivem próximas do mar. É provável que lugares distantes dos oceanos tenham maiores mudanças na variabilidade diária e sazonal da temperatura, porque estes lugares estão longe dos efeitos de tamponamento dos oceanos, que mantêm as temperaturas mais próximas. Portanto, não haveria lugares imunes dos efeitos da mudança do clima, e isso teria consequências sobre as culturas, os parasitas e doenças em todo o mundo. Se antes a malária não atingia a Groelândia por causa de sua temperatura muito baixa, com essas reduções de diferenças de temperaturas diárias e anuais torna-se favorável ao mosquito transmissor viver nessas regiões.

Resumindo, não adianta fugir da responsabilidade do efeito estufa ou das mudanças de temperaturas. Não adianta achar que isso não tem nada a ver conosco. Qualquer queimada, seja aquela da queima de folhas no fundo de quintal, seja a queima do mato das plantações, seja ela a queima nas estradas ou em lotes, tudo influencia a temperatura global que nos atinge igualmente.

Climas tornam-se mais secos com as queimadas, até com a queima de lotes baldios. Quanto mais fumaça no céu de sua cidade, menos chance de chover terá. Quanto menos chuvas, menos humidade no ar e mais seco este se tornará. Mais quente o clima ficará, menor a diferença entre os ciclos de temperaturas diárias (manhã e noite terão temperaturas parecidas). Mais quente e mais seco o clima ficará, e com mais queimadas volta-se ao ciclo novamente…

Vai conseguir viver com isso? Imagine seus filhos e netos…

Referências

 1. Dillon ME, Wang G, Huey RB. Global metabolic impacts of recent climate warming. Nature. 2010 Oct 7;467(7316):704-U88. PubMed PMID: ISI:000282572500037. English.

 2.  Wang G, Dillon ME. Recent geographic convergence in diurnal and annual temperature cycling flattens global thermal profiles. Nature Climate Change. 2014;IN PRESS.

 

 

Print Friendly

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>