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É OBSERVANDO QUE ELAS APRENDEM

Patrícia de Carvalho Ribeiro, Daniel Mendes Filho, Rodrigo R Resende, Ricardo Cambraia Parreira

Edição Vol. 5, N. 11, 13 de Agosto de 2018

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2018.08.13.003

As crianças aprendem com o comportamento dos adultos. 

Todos nós provavelmente já presenciamos ou ouvimos histórias de algum episódio que comprova a frase acima. As crianças estão em constante aprendizado, e o ambiente que as rodeia pode influenciar o modo como se comportam e o indivíduo que irão se tornar. 

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Figura 1: retirada do site ttps://commons.wikimedia.org/wiki/File:Dandelion_Sisters.jpg

Esforço e perseverança são duas características comportamentais bastante valorizadas em diversas culturas. Existem, inclusive, trabalhos científicos que relacionam a perseverança com resultados acadêmicos, de forma independente do QI. Considerando algumas evidências de que as crianças podem ser influenciadas pelo comportamento dos adultos, um grupo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, investigou como observar os comportamentos de adultos atuaria na capacidade de crianças em persistir frente a uma tarefa.

A hipótese testada pelo grupo foi a de que crianças notando adultos trabalhando com persistência poderiam ser influenciadas a se esforçar mais frente a alguma tarefa solicitada do que aquelas crianças que viam adultos terem sucesso sem esforço. Para tanto, em relação aos adultos, foi solicitada uma tarefa que as crianças pudessem entender: abrir um recipiente e remover um chaveiro de um mosquetão. As várias tentativas de sucesso incluíram ações repetidas, tentar novas abordagens, refletir sobre ações apropriadas, etc. Já a tarefa das crianças envolvia ativar um brinquedo e a persistência foi analisada pelo número de vezes que elas pressionavam o botão para ativá-lo.

No estudo, foram incluídas crianças de 13 a 18 meses de idade, distribuídas aleatoriamente entre os grupos de esforço, sem esforço, e condição basal. No grupo de esforço, o adulto entrava na sala em que a criança se encontrava, pegava um recipiente com um brinquedo no interior e tentava abri-lo, sempre anunciando sua intenção, como “quero tirar esse brinquedo daqui de dentro…como posso fazer isso?”. Somente após um intervalo de 30 segundos ele abria com sucesso o recipiente e após outros novos 30 segundos removia o chaveiro de brinquedo do mosquetão. No grupo sem esforço, o adulto completava essas mesmas tarefas, porém com sucesso dentro de 10 segundos e repetia o mesmo comportamento duas vezes mais, com intervalo de 30 segundos entre cada tentativa. Já no grupo de condição basal, as crianças não eram expostas a quaisquer comportamentos dos adultos e já eram solicitadas a realizar sua tarefa.

A tarefa das crianças envolvia apertar o botão de uma caixa musical, que era de fácil acesso, porém inerte. O experimentador mostrava o brinquedo à criança e depois fora da vista dela, pressionava um botão funcional de mais difícil acesso na caixa musical, escondido para dificultar a ativação da música pelas crianças, e mostrava à elas o brinquedo. Em seguida o experimentador deixava o brinquedo com a criança e deixava a sala. O experimento foi encerrado após 2 minutos ou quando a caixa musical era entregue aos pais ou quando a criança jogava o brinquedo ao chão no mínimo três vezes.

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Figura 2: Representação do experimental realizado. (Fonte: adaptado de Leonard JA, Lee Y, Schulz LE, 2017)

Como resultado, foi encontrado que as crianças que observaram os adultos persistir em sua tarefa, também se esforçaram mais para ter sucesso no seu teste, enquanto as crianças que observaram os adultos completar a tarefa sem esforço ou não observaram comportamento algum por parte dos adultos, pressionaram o botão número de vezes menor.

Este trabalho conseguiu demonstrar, portanto, que as crianças ao observar como um adulto se comporta, podem ser influenciadas, absorver o que vivenciarem a aprender a partir disso. Por isso, se desejamos bons comportamentos das crianças ao nosso redor, sejamos primeiro bons exemplos.

REFERÊNCIAS

Leonard JA, Lee Y, Schulz LE. Infants make more attempts to achieve a goal when they see adults persist. Science. 2017 Sep 22;357(6357):1290-1294.

Eskreis-Winkler L, Shulman EP, Beal SA, Duckworth AL The grit effect: predicting retention in the military, the workplace, school and marriage. Front Psychol. 2014 Feb 3;5:36.

Gunderson EA, Gripshover SJ, Romero C, Dweck CS, Goldin-Meadow S, Levine SC. Parent praise to 1- to 3-year-olds predicts children’s motivational frameworks 5 years later. Child Dev. 2013 Sep-Oct;84(5):1526-41.

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