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DROGAS: o que são e o que fazem com nosso cérebro? USO REGULAR DA MACONHA CAUSA DANOS IRREPARÁVEIS AO SEU CÉREBRO

DROGAS: o que são e o que fazem com nosso cérebro?

USO REGULAR DA MACONHA CAUSA DANOS IRREPARÁVEIS AO SEU CÉREBRO

Vol. 1, N. 16, 26 de Agosto de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.08.26.008

“Dá só um “tapinha”!”, “Maconha não vicia!”, “Maconha não faz mal!”, “Faz abrir a mente”, com certeza você já ouviu isso alguma vez na vida! Será mesmo que a maconha que se fuma por aí e que muitos intensificam uma propaganda para que seu comércio seja liberado não faz mal algum?

Muito além de dizer que uma droga, como o próprio nome indica, não faz mal está além do fato de resultados científicos que são buscados e estudados por anos a fio com informações e fatos que revelam o verdadeiro aspecto de uma droga ser uma droga para a saúde e seus derivados poderem ser usados com fins terapêuticos. Muito estranho o que escrevei? Pois bem, se você faz uso da maconha, então é hora de parar. Se não o faz, então é hora de turbinar seu cérebro com mais leitura.

Bem, deixando a brincadeira de lado, é do saber científico e cultural que plantas possuem princípios ativos, moléculas, que agem sobre o corpo podendo trazer benefícios terapêuticos, assim como, malefícios. Por exemplo, o ácido salicílico (Figura 1) foi originalmente descoberto devido às suas ações antipiréticas (antifebre) e analgésica. Desde 400 a.C., que se sabe que a casca do salgueiro (Salix alba, é o nome científico da planta, (Figura 1)) possuía estas propriedades. Em 1827, o seu princípio ativo, a salicilina, foi isolado. Dele se extrai o álcool salicílico, que pode ser oxidado para o ácido salicílico.

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Figura 1: A molécula da aspirina é derivada das folhas do salgueiro branco.

Porém, descobriu-se depois que este ácido pode ter uma ação corrosiva nas paredes do estômago. Para contornar isto foi adicionado um radical acetil à hidroxila ligada diretamente ao anel aromático, dando origem a um éster de acetato, chamado de ácido acetil-salicílico (AAS), menos corrosivo mas também menos potente. Isto fez com que se modificasse a estrutura do princípio ativo do salgueiro. Este sim poderia ser tomado sem grandes malefícios, desde que não tomado em excesso!

A mesma situação temos com a maconha (Figura 2).

Tetra-hidrocanabinol, também conhecido como THC (do inglês, Tetrahydrocannabinol), Δ9-THC, Δ9-tetra-hidrocanabinol (delta-9-tetra-hidrocanabinol), ou dronabinol (sintético), é a principal substância psicoativa encontrada nas plantas do gênero Cannabis (1) e pode ser obtido por extração a partir dessa planta ou por síntese em laboratório.

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Figura 2: As folhas da maconha e como são vendidas na rua. A fórmula do princípio ativo da maconha abaixo.

O Δ9-THC (conhecido segundo uma anterior convenção de nomenclatura como Δ1-THC) foi isolado na forma pura pela primeira vez em 1964 por Raphael Mechoulam, Yechiel Gaoni e Habib Edery no Instituto Weizmann em Rehovot, Israel, através da extração a partir do haxixe com éter de petróleo, seguido de repetidas cromatografias (2).

Muitos estudos demonstram claramente que os efeitos do princípio ativo modificado da maconha têm uso na terapêutica, e realmente podem, como o canabidiol, por exemplo, que pode ser usado para reduzir o número e a intensidade de crises epilépticas, geralmente de pacientes com a Síndrome de Rett e a Síndrome de Dravet, que causam convulsões graves (3, 4). Outros estudos relacionam o uso da maconha, o próprio princípio ativo na forma em que é encontrado na planta, causa psicose e transtornos mentais irreversíveis (5). Vejam, é como a aspirina, ela é modificada a partir do princípio ativo da planta do salgueiro, não é usada como tal. Outros apregoam erroneamente que a maconha emagrece, ou diminui o diabetes e dezenas de tolices que só trazem informações erradas para tornar um texto mais chamativo! Distorcer o conteúdo dos artigos científicos para tornar uma reportagem mais atraente não é o que se espera de revistas ou jornais sérios. Isso está mais para desinformação e desconstrução do conhecimento a favor do próprio bolso. Muito mais do que liberar a maconha é saber o que se tem por detrás de interesses escusos. Imagine em um país, como o nosso, que pessoas bebem e saem dirigindo, atropelando e matando outros que não tem nada a ver com a falta de responsabilidade dele, e ainda dizem que não foi por querer. Se bebeu e dirigiu é porque assumiu os riscos de sua irresponsabilidade. Agora, imagine uma droga mais potente, depressora e com efeitos alucinógenos como é a maconha o que poderia causar em uma sociedade que está à beira da falência! Menos riscos é piada de mal gosto para boi rir.

Outros estudos, realizados por especialistas em psicologia e saúde pública afirmam que o uso regular de cannabis, o que eles consideram como sendo uma vez por semana (e olhem que já morei com colegas que fumavam umas duas, três vezes ao dia. Imaginem como eram!), não é seguro e pode resultar em dependência e danos neurocognitivos significativos para os cérebros dos adolescentes e jovens adultos.

O uso frequente de maconha pode ter um efeito negativo significativo sobre os cérebros de adolescentes e adultos jovens, incluindo o declínio cognitivo, falta de atenção e memória, e diminuição do QI, de acordo com psicólogos que discutem implicações na saúde pública da legalização da maconha na 122º Convenção Anual da Associação Psicológica Americana (American Psychological Association’s 122nd Annual Convention). O mesmo que ocorria com meus colegas que moravam comigo.

“É preciso enfatizar que o uso regular de cannabis, que consideramos uma vez por semana, não é seguro e pode resultar em dependência e danos neurocognitivo, especialmente na juventude” (6), disse Krista Lisdahl, PhD, diretora do laboratório de imagens cerebrais e neuropsicologia na University of Wisconsin-Milwaukee .

O uso da maconha está aumentando, de acordo com Lisdahl, que apontou para um estudo de 2013 (7) mostrando que 6,5 por cento dos alunos do ensino médio dos EUA relataram fumar maconha diariamente, acima dos 2,4 por cento em 1993. Além disso, 31 por cento dos adultos jovens (idades entre 18-25 anos) relataram o uso de maconha no último mês (7). As pessoas que se tornam dependentes de maconha podem perder uma média de seis pontos de QI na idade adulta, um estudo publicado pela revista científica da Academia Americana de Ciências, PNAS, pelo grupo do professor Dr Terrie E. Moffitt, referindo-se a um estudo longitudinal de 2012 com 1.037 participantes que foram acompanhados desde o nascimento até aos 38 anos (8).

Estudos de imagem cerebral de usuários regulares de maconha têm mostrado mudanças significativas em sua estrutura cerebral, especialmente entre adolescentes (7, 8). Anormalidades na substância cinzenta do cérebro, que está associada com a inteligência, foram encontradas em jovens de 16 a 19 anos que aumentaram seu consumo de maconha no último ano (7). Esses resultados permanecem mesmo depois de os pesquisadores controlaram os principais problemas de saúde, exposição às drogas no período pré-natal, atraso no desenvolvimento e dificuldades de aprendizagem.

Ao considerar a legalização, os formuladores de políticas precisam abordar maneiras de evitar o fácil acesso à maconha e financiarem tratamento adicional para os usuários adolescentes e adultos jovens. Ela também recomendou que os legisladores considerassem em regular os níveis de tetrahidrocanabinol, ou THC, o principal componente químico psicoativo da maconha, a fim de reduzir os potenciais efeitos neurocognitivos. Em se considerando o Brasil e os países subdesenvolvidos são impossíveis não mencionar que isso é uma falácia, já que produtos comercializáveis e controlados pela ANVISA e de uso diário pela maior parte da população, como é o caso do leite, são rotineiramente adulterados e, somente o são revelados como inviáveis ao consumo quando interesses pessoais dos envolvidos estão sendo “violados”, para não dizer que estão sendo passados para trás por seus comparsas.

Algumas formas legalizadas da maconha têm níveis mais altos de THC do que outras linhagens, disse Alan Budney, PhD, do Dartmouth College. THC é o responsável pela maioria dos efeitos psicológicos da maconha. Algumas pesquisas têm mostrado que o uso frequente de alta potência de THC pode aumentar o risco de problemas agudos e futuros com depressão, ansiedade e psicose. Estudos recentes sugerem que esta relação entre a maconha e a doença mental pode ser moderada pela frequência com que a maconha é usada e potência da substância (9). Infelizmente, muito do que sabemos a partir de uma pesquisa mais adiantada é baseado em fumar maconha com doses muito mais baixas de THC do que são comumente usados ​​hoje. Os tratamentos atuais para a dependência de maconha entre os adolescentes, como as intervenções breves escolares e aconselhamento ambulatório, podem ser úteis, mas é necessária mais estudos para desenvolver estratégias e intervenções mais eficazes (9).

Além disso, a aceitação das pessoas do uso legalizado de maconha medicinal parece ter um efeito sobre a percepção dos riscos da droga pelos adolescentes, de acordo com Bettina Friese, PhD, do Instituto do Pacífico para Pesquisa e Avaliação (Pacific Institute for Research and Evaluation), na Califórnia (10). Ela apresentou os resultados de um estudo com 17.482 adolescentes em Montana, nos EUA, que constatou que o uso de maconha entre os adolescentes no ano de 2013 foi maior nos municípios onde houve o maior número de pessoas que votaram a favor de legalizar a maconha medicinal em 2004 (10). Uma armadilha que deixaria o Brasil ainda mais atrasado na qualidade de formação de seus jovens e na estrutura social que, a cada dia, fica mais depressiva e desestruturada. Além disso, adolescentes em municípios com mais votos para a legalização do uso médico da maconha percebem o uso da maconha como sendo menos arriscado (10). Imagine em um país cujo consumo de álcool irresponsável por jovens é um dos mais altos do mundo, imagine agora se legalizado o consumo de drogas! Devem estar procurando uma foça para se jogar o país para encontrarem um jeito de faturar mais com a morte de pessoas inocentes. Os resultados da pesquisa sugerem que uma atitude mais tolerante em relação à maconha medicinal pode ter um efeito maior sobre o consumo de maconha entre os adolescentes do que o número real de licenças de maconha medicinal (10).

Referências 1. Takahashi RN, Zuardi AW, Karniol IG. Chemical Composition of Brazilian Marihuana Samples and Importance of Several Constituents to Pharmacological Activity of Plant. Rev Bras Pesqui Med. 1977;10(6):379-85. PubMed PMID: ISI:A1977EF11700004. Portuguese. 2. Gaoni Y. Isolation and Structure of Delta-1-Tetrahydrocannabinol and Other Neutral Cannabinoids from Hashish. J Am Chem Soc. 1971;93(1):217-&. PubMed PMID: ISI:A1971I248100036. English. 3. Crippa JAD, Zuardi AW, Garrido GEJ, Wichert-Ana L, Guarnieri R, Ferrari L, et al. Effects of cannabidiol (CBD) on regional cerebral blood flow. Neuropsychopharmacol. 2004 Feb;29(2):417-26. PubMed PMID: ISI:000188769600021. English. 4. Porter BE, Jacobson C. Report of a parent survey of cannabidiol-enriched cannabis use in pediatric treatment-resistant epilepsy. Epilepsy Behav. 2013 Dec;29(3):574-7. PubMed PMID: ISI:000327188200026. English. 5. D’Souza DC, Perry E, MacDougall L, Ammerman Y, Cooper T, Wu YT, et al. The psychotomimetic effects of intravenous delta-9-tetrahydrocannabinol in healthy individuals: implications for psychosis. Neuropsychopharmacol. 2004 Aug;29(8):1558-72. PubMed PMID: 15173844. Epub 2004/06/03. eng. 6. Lisdahl KM, Wright NE, Medina-Kirchner C, Maple KE, Shollenbarger S. Considering Cannabis: The Effects of Regular Cannabis Use on Neurocognition in Adolescents and Young Adults. Curr Addict Rep. 2014;1:144–56. 7. Johnston LD, O’Malley PM, Bachman JG, Schulenberg JE. MONITORING THE FUTURE: NATIONAL SURVEY RESULTS ON DRUG USE1975–2012: The University of Michigan – Institute for Social Research 2013. 434 p. 8. Meier MH, Caspi A, Ambler A, Harrington H, Houts R, Keefe RSE, et al. Persistent cannabis users show neuropsychological decline from childhood to midlife. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. 2012 Oct 2;109(40):E2657-E64. PubMed PMID: ISI:000309611400006. English. 9. Di Forti M, Sallis H, Allegri F, Trotta A, Ferraro L, Stilo SA, et al. Daily Use, Especially of High-Potency Cannabis, Drives the Earlier Onset of Psychosis in Cannabis Users. Schizophrenia bulletin. 2014 Mar 19. PubMed PMID: 24345517. Epub 2013/12/19. Eng. 10. Friese B, Grube JW. Legalization of medical marijuana and marijuana use among youths. Drug-Educ Prev Polic. 2013;20(1):33-9. PubMed PMID: ISI:000313680100005. English.

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  • 4
  1. Rosane Dias disse:

    Olá! Gostaria de saber se tem como conseguir os artigos científicos para eu ler! Quando faço uma procura pelas referências na internet aparece apenas o seu trabalho!

    21/outubro/2014 ás 12:06
  2. Rodrigo Resende disse:

    Sim Rosane. Estou todos disponíveis pelo site http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/
    coloque o título de um primeiro e depois os outros que você encontrará eles.

    abç
    Prof. Rodrigo Resende

    24/outubro/2014 ás 13:11
  3. EDUARDO VICENTE disse:

    deveria ter em cada matéria um lugar para compartilhar no facebook

    06/junho/2015 ás 23:38
  4. Jose Martins disse:

    A matéria destaca-se pelas omissões, falta desenvolvimento às assertivas.
    Fica claro que os benefícios são comprovados e conhecidos, e os malefícios, excepcionais, sugeridos e indicativos.
    O que fica mais claro nos textos dos oponentes ao uso da Erva, é o medo da alteração de níveis de consciência, praticado desde a infância nos rodopios, e o medo de si mesmos. É notório a ponto de embaralhar alhos com bugalhos!
    O problema é que este preconceito gera divisão e sofrimento no hoje para muitos, em nome de cuidados do futuro com possíveis ameaças apresentadas como sugestão e indicativos.
    Não temam, não pode haver ameaça ao homem que não tenha sido lhes anunciado através dos Livros Sagrados e das tradições orais. Só depois da revolução industrial quando precisam de uma mente escrava, focada na repetição e concentração de atitudes que desprezam todo o saber e capacidade do homem se voltam contra a erva, por trazer relaxamento e análise.
    A coesão da argumentação sustentada acima parece uma taba de pirulito. Como dizia um grande Mestre Brasileiro, “calça de homem não veste menino”. Nada pode limitar nosso cuidado e amor aos nossos jovens, que devem ser educado sobre os tempos das coisas. Como a mídia quer ser senhora dos tempos de cada um, colocam tudo junto em suas novelas e romances, e fazem a população jovem e deseducada desejarem e anteciparem direitos futuros, e culpam os resistentes.
    Sugiro também uma experiência: Podem utilizar até prisioneiros por segurança contra o tal vício, maduros, que nunca utilizaram a Erva, para lhes aplicarem o princípio ativo de forma camuflada e analisarem os resultados práticos se são positivos ou não ao bem estar do homem.
    Os medrosos de sí mesmos e avarentos são os maiores opositores ao uso da Erva odorífera.

    14/janeiro/2017 ás 11:24

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