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DROGA CONTRA A DOENÇA DE ALZHEIMER PODE SER UMA FONTE DA JUVENTUDE

DROGA CONTRA A DOENÇA DE ALZHEIMER PODE SER UMA FONTE DA JUVENTUDE

Edição Vol. 3, N. 4, 15 de Dezembro 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.12.16.002

A doença de Alzheimer é caracterizada pela perda progressiva de memória, não se recordando, até mesmo, que se tomou café pela manhã, e isso uma hora após de toma-lo. Imagine então um composto experimental para contornar essa situação de perda de memória e que funcione, o paciente poderia lembrar-se do que fez no dia e no dia anterior e assim vai. No entanto, quando se faz os primeiros testes clínicos observa-se que os pacientes além de melhorarem sua memória, nota-se que não envelhecem mais! Uma fonte da juventude tratando-se a doença de Alzheimer?…

Uma pesquisa realizada no Instituto Salk para pesquisas biológicas, na Califórnia, EUA, com foco no tratamento da doença de Alzheimer obteve uma droga com grande potencial para tratar e retardar os efeitos do Alzheimer. Até então não se sabia exatamente como a droga, chamada de J147, atuava no corpo, mas se esperava que atuasse no maior fator de risco em se ter o Alzheimer, a idade avançada. No novo trabalho, a equipe liderada pelos professores Dr. Antonio Currais e Dr. David Schubert, mostrou que o composto J147 funcionou bem em um camundongo modelo de envelhecimento, que não são normalmente utilizados em pesquisas de Alzheimer. Quando esses camundongos foram tratados com a droga J147, eles apresentaram (1):

  • melhor memória e cognição, isto é melhor capacidade intelectual – que, a princípio, poderia ser usada inclusive para estudantes para aumentar seu rendimento. Seria o certo?
  • ​​vasos sanguíneos no cérebro mais saudáveis, o que promove melhor fluxo de oxigênio e alimento para o cérebro e retirada do gás carbônico e produtos residuais da alimentação, melhorando ainda mais as atividades cerebrais.
  • Além de melhora em outras características fisiológicas proporcionando uma condição de estado de saúde geral semelhante a de uma pessoa mais nova.

Segundo os autores, o objetivo central inicialmente era o de testar a droga J147 em um novo modelo animal que fosse mais semelhante aos 99% dos casos de Alzheimer. Não era esperado obter-se esse tipo de efeito anti-envelhecimento, mas o composto J147 fez com que camundongos velhos assemelhassem-se a quando eram jovens, com base em uma série de parâmetros fisiológicos. É como se os camundongos velhos tratados com a droga J147 rejuvenescessem! Uma fonte da juventude! (Figura 1).

 Screen Shot 2015-12-16 at 12.52.16 PMFigura 1: Quando camundongos velhos tomam a droga J147 eles apresentavam seu estado de saúde física e mental semelhantes aos de camundongos novos. Figura da Internet.

ESTATÍSTICAS

A doença de Alzheimer é uma doença cerebral progressiva, recentemente classificada como a terceira causa de morte nos Estados Unidos e que afeta mais de cinco milhões de americanos. É também a causa mais comum de demência em adultos mais velhos, de acordo com o National Institutes of Health, O Instituto Nacional de Saúde dos EUA. Enquanto a maioria dos medicamentos desenvolvidos nos últimos 20 anos tem como alvo os depósitos de placas amiloides no cérebro (que são uma marca distintiva da doença).

Como verão, no Brasil, há escassíssimas informações sobre a epidemiologia, ou seja, os dados da doença em relação à população brasileira, sua incidência, qual idade, sexo, região, etc. Os dados mais novos que tivemos acessos datam de 2002 e 2004. Embora tenhamos excelentes cientistas que “tiram água da pedra” para produzir ciência, conhecimento e tecnologia no Brasil, temos governantes que são exemplos do que não seguir e muito menos fazer, que desprezam por completo a ciência e a educação no Brasil.

“Atualmente estima-se haver cerca de 35,5 milhões de pessoas com demência no mundo. Este número praticamente irá dobrar a cada 20 anos, chegando a 65,7 milhões em 2030 e a 115,4 milhões em 2050 segundo dados fornecidos pelo Relatório de 2012 da Organização Mundial da Saúde (OMS) realizado juntamente com a associação Internacional de Doença de Alzheimer (ADI) (2).

Segundo este relatório, estima-se que a cada 4 segundos, um novo caso de demência é detectado no mundo e a previsão é de que em 2050, haverá um novo caso a cada segundo.

A Doença de Alzheimer é a causa mais frequente de demência.

No Brasil, um estudo de 2002 (13 anos atrás, número apocalíptico!?), encontrou que 55,1% destas demências são decorrentes de DA e 14,1% são decorrentes de DA associada à doença cerebrovascular (DA + Demência Vascular) (3).

Neste estudo os pesquisadores encontraram que a prevalência foi maior entre as mulheres e em pessoas analfabetas (12,1%) do que em indivíduos com escolaridade, ou que estudaram, de 8 anos ou mais (2%).

Observa-se que as taxas de prevalência de demência também variam conforme a região em que se vive, a idade e a condição sócio-econômica. 

Um importante estudo realizado por dois brasileiros, Lopes e Bottino, também em 2002, entre 1994 e 2000, demonstrou grande variação de prevalência de demência em diversas regiões do mundo: na África, uma prevalência de 2,2%; América do Norte, 6,4%; América do Sul, 7,1%;  Ásia, 5,5%  e na Europa, 9% (4). Já quanto à prevalência de demência relacionada à idade, os pesquisadores encontraram que, indivíduos entre 65 e 69 anos tinham uma prevalência média de 1,17% e indivíduos acima de 95 anos, de 54,83%. Num outro estudo brasileiro, Nitrini e colaboradores em 2004 (5), observaram que após os 65 anos, a taxa de demência dobrou a cada 5 anos, confirmando que a idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento de Doença de Alzheimer e que o grupo de idosos com 80 anos ou mais é o que mais cresce.

O estudo de Nitrini de 1993, encontrou uma prevalência de Doença de Alzheimer de 54% dos casos após 85 anos. Em alguns outros estudos há uma variação de até 70% do total de casos. Já para a Demência Vascular, a segunda causa mais frequente de demência, a taxa foi de 20%.

No Brasil, o conhecido Estudo de Catanduva demonstrou que a mulher (59%) desenvolve mais demência do que o homem (41%) (6). Ninguém sabe ao certo a razão, mas uma forte possibilidade é o fato de que a mulher vive mais que o homem, em média 7 anos e a idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento de DA.

Vale ressaltar que a Doença de Alzheimer é democrática, “muito mais que nosso governo…” Ela surge em qualquer pessoa, de qualquer nível sócio-econômico-cultural.

Quanto à incidência de Doença de Alzheimer relacionada à idade, um estudo americano realizado por Snowdon (1997) (7) também encontrou dados de que a taxa dobrou a cada 5 anos até os 90 anos, porém, este estudo percebeu que após os 93 anos, parecia haver uma relativa proteção, o que significa que após esta idade, os riscos parecem não crescer tanto.

Não há dados sobre a incidência da doença de Alzheimer aqui no Brasil (ao menos dos que pesquisamos), entretanto, utilizando como base, pesquisas em outros países e dados do IBGE, podemos estimar que 1,2 milhão de pessoas sofram com a doença, cerca de 100 mil novos casos por ano (8). Estes dados poderiam ser muito maiores, se houvesse um criterioso estudo sobre isto, pois acredita-se que a Doença de Alzheimer é sub diagnosticada aqui, no Brasil” (9), como todas as outras doenças, inclusive com o Zyka vírus, mas isso será tema de outro artigo no Nanocell News. 

A PROMESSA DA FONTE DA JUNVETUDE? J147

Enquanto a maioria dos medicamentos desenvolvidos nos últimos 20 anos tem como alvo os depósitos de placas amiloides no cérebro, que são uma característica da doença e que se acredita ser a responsável direta pelos efeitos da Doença de Alzheimer (veja mais em http://www.nanocell.org.br/diagnostico-do-mal-de-alzheimer-atraves-de-amostra-de-sangue/) (10, 11), nenhuma destas drogas têm se mostrado eficazes na clínica.

Vários anos atrás, Schubert e seus colegas começaram a abordar o tratamento da doença a partir de um novo ângulo. Ao invés de direcionar o ataque às placas amiloides, o laboratório decidiu enfocar no principal fator de risco para a doença, que é a idade. Usando um sistema com vários milhares de compostos diferentes, todos foram testados, um por um, em cultura de células cerebrais contra drogas ou agentes tóxicos associados à idade, eles acabaram por sintetizar o composto J147 (1).

Anteriormente, a equipe do Dr Schubert descobriu que o composto J147 pode prevenir e até reverter a perda de memória e a patologia de Alzheimer em camundongos que têm uma versão da forma hereditária da doença de Alzheimer, isto é, camundongos geneticamente modificados que têm a doença de Alzheimer que é transmitida dos pais/mães para os filhos(as), o modelo mais comumente utilizado. No entanto, esta forma da doença compreende apenas cerca de 1% dos casos da doença de Alzheimer. Para todos os outros casos, a idade avançada é o fator de risco primário. A equipe queria estudar os efeitos da droga candidata em uma raça de camundongos que envelhecem rapidamente e experimentam uma versão de demência que mais se assemelha à doença de Alzheimer em humanos, que é a relacionada com a idade.

Neste último trabalho, os pesquisadores usaram um conjunto abrangente de testes para medir a expressão de todos os genes no cérebro, bem como mais de 500 pequenas moléculas envolvidas com o metabolismo no cérebro e no sangue de três grupos de camundongos que envelhecem rapidamente. Os três grupos de camundongos que envelhecem rapidamente incluíam: um grupo que era de camundongos jovens, um grupo que era de camundongos velhos e um grupo de camundongos velhos, mas alimentados com a droga J147, à medida que envelheciam (1).

Os camundongos velhos que receberam a droga J147 apresentaram melhor desempenho em testes de memória e outros testes para a cognição e também exibiram movimentos motores mais robustos. Os camundongos tratados com J147 também tiveram menos sinais patológicos da doença de Alzheimer em seus cérebros. É importante ressaltar que, por causa da grande quantidade de dados obtidos nos três grupos de camundongos, foi possível demonstrar que muitos aspectos do metabolismo e expressão gênica, que são a condição de saúde física e metabólica, em camundongos velhos alimentados com a J147 foram muito semelhantes aos de animais jovens. Também incluíram marcadores que detectavam o aumento do metabolismo energético, redução da inflamação cerebral e redução dos níveis de ácidos graxos oxidados no cérebro (1).

Outro efeito notável foi que a droga J147 impediu o derrame de sangue a partir dos microvasos no cérebro de camundongos velhos, impediam a demência e microAVCs. Vasos sanguíneos danificados são uma característica comum de envelhecimento em geral, e na doença de Alzheimer é frequentemente muito pior.

Currais e Schubert notaram que, embora estes estudos representam uma nova abordagem e excitante descoberta para a descoberta de novas drogas para o tratamento da doença de Alzheimer no contexto do envelhecimento da população, a única maneira de demonstrar a relevância clínica do trabalho é incluir a droga J147 em ensaios clínicos humanos para a doença de Alzheimer.

Se comprovada segura e eficaz para o tratamento da doença de Alzheimer, o aparente efeito anti-envelhecimento da J147 seria um benefício bem-vindo. A equipe pretende começar os testes em humanos no próximo ano, em 2016.

O Instituto Salk tem uma patente emitida da droga J147 licenciada para a Abrexa Pharmaceuticals. O Brasil deveria aprender o que já é rotina nas universidades do mundo. Temos várias patentes e as universidades não se movimentam em procurar indústrias interessadas.

Fonte: Instituto Salk

Referências

1.Currais A, Goldberg J, Farrokhi C, Chang M, Prior M, Dargusch R, et al. A comprehensive multiomics approach toward understanding the relationship between aging and dementia. Aging. 2015.

2.http://www.alz.co.uk/WHO-dementia-report RD-updsp.

3.Herrera E, Jr., Caramelli P, Silveira AS, Nitrini R. Epidemiologic survey of dementia in a community-dwelling Brazilian population. Alzheimer disease and associated disorders. 2002;16(2):103-8.

4.Lopes MB, C. Prevalência de demência em diversas regiões do mundo: Análise dos estudos epidemiológicos de 1994 a 2000. Arq.  Neuro-Psiquiatr, v.60, n.1, p.61-9, 2002.

5.Nitrini R, Caramelli P, Herrera E, Jr., Bahia VS, Caixeta LF, Radanovic M, et al. Incidence of dementia in a community-dwelling Brazilian population. Alzheimer disease and associated disorders. 2004;18(4):241-6.

6.Herrera EC, P; Nitrini, R. Estudo epidemiológico populacional de demência na cidade de Catanduva, Estado de São Paulo, Brasil. Ver. Psiquiatr.clín; 25(2):70-3,1998.

7.Snowdon DA, Greiner LH, Mortimer JA, Riley KP, Greiner PA, Markesbery WR. Brain infarction and the clinical expression of Alzheimer disease. The Nun Study. Jama. 1997;277(10):813-7.

8.IBGE IBdGeESdISUAdCdVdPBRdJ.

9.Brasil IA. Entendendo a Doença de Alzheimer (DA) através de estudos realizados com populações (Epidemiologia) 2015 [12/07/2015]. Available from: http://www.institutoalzheimerbrasil.org.br/demencias-detalhes-Instituto_Alzheimer_Brasil/33/entendendo_a_doenca_de_alzheimer__da__atraves_de_estudos_realizados_com_populacoes__epidemiologia_.

10.Tonelli FCP, Resende RR. DIAGNÓSTICO DO MAL DE ALZHEIMER ATRAVÉS DE AMOSTRA DE SANGUE. Nanocell News. 2014;1(9).

11.Resende RR. NOVOS MEDICAMENTOS REVERTEM OS EFEITOS DA DOENÇA DE ALZHEIMER EM CAMUNDONGOS. Nanocell News. 2014;1(16).

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