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DIETA RICA EM FRUTOSE RETARDA O CÉREBRO, PREJUDICANDO A MEMÓRIA E APRENDIZAGEM.

DIETA RICA EM FRUTOSE RETARDA O CÉREBRO, PREJUDICANDO A MEMÓRIA E APRENDIZAGEM.

Vol. 1, N. 8, 11 de Março de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.03.10.004

Atenção, estudantes universitários que se entopem entre exames semestrais e finais: Farreando entre refrigerantes e doces por pelo menos seis semanas, pode vir a se tornar estúpido.

Muitas pessoas sabem que refrigerantes e doces não são uma escolha saudável de alimentos, mas você sabia que uma dieta constantemente rica em frutose retarda o cérebro, prejudicando a memória e a aprendizagem? Esta notícia vem de um estudo da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), nos EUA, onde uma equipe se concentrou em xarope de milho rico em frutose, algo que a média dos americanos consome mais de 40 quilos por ano.

Uma dieta constantemente rica em frutose retarda o desenvolvimento cerebral, prejudicando a capacidade cognitiva e o armazenamento de memórias, e em contrário, podemos até reverter esse processo, através de ácidos graxos de ômega-3, o óleo encontrado em diversos peixes. Os alimentos ricos em ômega 3 possuem um tipo de gordura essencial para o bom funcionamento do cérebro, utilizado para tratar a depressão e até no tratamento de inflamações crônicas, como tendinites. A maior concentração de ômega 3 está na pele dos peixes e, por isso, esta não deve ser descartada. Para garantir os benefícios do ômega 3 de qualquer alimento é importante que ele não seja preparado em altas temperaturas, nem frito.

Os resultados do grupo do Dr. Fernando Gomez-Pinilla, professor de neurocirurgia na Escola de Medicina David Geffen na UCLA e professor de biologia integrativa e fisiologia na Faculdade de Ciências e Letras da UCLA, mostram que o que você come afeta como você pensa (1). Comer uma dieta rica em frutose em longo prazo altera a capacidade do seu cérebro em aprender e lembrar informações. Mas a adição de ômega- 3, os ácidos graxos em suas refeições podem ajudar a minimizar os danos (1).

Enquanto pesquisas anteriores revelaram como a frutose prejudica o corpo através de seu papel na diabetes, obesidade e acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática), este estudo é o primeiro a descobrir como o adoçante influencia o cérebro.

A equipe da UCLA tomou como base o xarope de milho rico em frutose, um líquido seis vezes mais doce que o açúcar da cana, que é comumente adicionado aos alimentos processados, incluindo refrigerantes, condimentos, molho de maçã e alimentos para bebês de baixo custo. A média dos americanos consome mais de 40 quilos de xarope de milho rico em frutose por ano, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA. No Brasil, com a americanização da cultura brasileira e o acesso mais amplo à guloseimas em detrimento de alimentos saudáveis, não estamos tão distante dos americanos em relação à alimentação.

Este artigo não se refere à frutose presente em frutas, que também contêm antioxidantes importantes que ocorrem naturalmente e ajuda na prevenção do Diabetes e controle dos níveis de glicose no sangue (glisosemia) (veja também http://nanocell.org.br/o-que-o-quiabo-e-todas-as-frutas-e-verduras-podem-fazer-para-reduzir-o-diabetes-mas-nao-cura-lo/). A preocupação do artigo é em relação aos altos níveis de frutose nos xaropes de milho que são adicionados aos alimentos industrializados como adoçante e conservante.

Os autores estudaram dois grupos de ratos que consumiram cada um, uma solução de frutose como água potável por seis semanas. O segundo grupo também recebeu ácidos graxos ômega-3 na forma de semente de linhaça e ácido docosahexaenoico (DHA), outro tipo de ácido graxo com 22 átomos de carbono e 6 insaturações (veja http://nanocell.org.br/engordando-o-cerebro-uma-breve-pesquisa/), que protegem contra danos nas sinapses – as conexões químicas entre as células do cérebro que permitem a formação da memória e o aprendizado. Nossos corpos não conseguem produzir o DHA em quantidade suficiente DHA, por isso deve ser complementado através da nossa dieta.

Os animais foram alimentados com dieta padrão e treinados em um labirinto duas vezes por dia durante cinco dias antes de iniciar a dieta experimental. A equipe da UCLA testou como os ratos foram capazes de navegar pelo labirinto, que continha inúmeros buracos, mas apenas uma saída. Os cientistas colocaram marcos visuais no labirinto para ajudar aos ratos aprenderem e lembrarem-se do caminho.

Seis semanas mais tarde, os pesquisadores testaram a capacidade dos ratos de recordarem a rota e escaparem do labirinto. O que eles viram os surpreenderam. O segundo grupo de ratos, que se alimentou de ômega-3 e DHA, navegou o labirinto muito mais rápido do que os ratos que não receberam os ácidos graxos ômega-3. Os animais privados de DHA foram mais lentos e seus cérebros demonstraram um declínio na atividade sináptica. Suas células cerebrais tiveram problemas de sinalização ou comunicação entre uma e outra célula neuronal, interrompendo a capacidade dos ratos de pensar com clareza e lembrar o caminho que tinham aprendido seis semanas antes.

Os ratos privados de DHA também desenvolveram sinais de resistência à insulina, um hormônio que controla os níveis de açúcar no sangue e regula a função sináptica no cérebro. Um olhar mais atento no tecido cerebral dos ratos sugere que a insulina perdeu muito de sua capacidade de influenciar as células cerebrais.

Como a insulina pode penetrar a barreira hematoencefálica, o hormônio pode sinalizar para os neurônios provocando reações que perturbam o aprendizado e causam a perda de memória (1). A barreira hematoencefálica (BHE) é uma estrutura membrânica que atua principalmente para proteger o Sistema Nervoso Central (SNC) de substâncias químicas presentes no sangue, permitindo ao mesmo tempo a função metabólica normal do cérebro. É composto de células endoteliais, que são agrupadas muito unidas nos capilares cerebrais. Esta densidade aumentada restringe muito a passagem de substâncias a partir da corrente sanguínea, muito mais do que as células endoteliais presentes em qualquer lugar do corpo.

O prof. Gomez-Pinilla suspeita que a frutose seja a culpada por trás da disfunção cerebral dos ratos com deficiência de DHA. Comer muita frutose pode bloquear a capacidade da insulina em regular como as células usam e armazenam açúcar para a energia necessária para o processamento dos pensamentos e das emoções.

A insulina é importante no corpo para controlar os níveis de açúcar no sangue, mas pode desempenhar um papel diferente no cérebro, onde a insulina parece perturbar a memória e o aprendizado (Figura 1).

frutose_retarda_cerebro

Figura 1: Efeitos no corpo inteiro pelo consumo crônico de frutose. Distúrbios ocorrem em vários tecidos, incluindo o fígado, tecido adiposo, o sistema gastrointestinal, e sistema nervoso central, após o consumo crônico de frutose. Esta constelação de anormalidades influencia vários aspectos da síndrome metabólica, incluindo dislipidemia, resistência à insulina e adiposidade central. Surgem complicações adicionais, como a saciedade prejudicada, aumento da deposição de lipídeos hepáticos, inflamação e integridade gastrointestinal alterada pode ser mecanicamente responsável pelas alterações clínicas observadas com o consumo de frutose [imagens retiradas de ADAM Educação (http://adameducation.com)].

Eu, um chocólatra fascinado por frutas e um entusiasta do exercício e que pratico o que prego, aconselha as pessoas a manterem a ingestão de frutose a um mínimo possível e trocar sobremesas açucaradas por frutas frescas e iogurte grego. Uma barra ocasional de chocolate escuro que não tenha sido processado com um monte de adoçante extra é bem vindo também, devido aos seus altos níveis de flavonoides.

Se ainda estiver planejando em jogar a precaução ao vento e entrar em um sundae ou fudge quente? Então, em seguida, também coma alimentos ricos em ácidos graxos ômega-3, como salmão, nozes e sementes de linhaça, ou tome uma cápsula de DHA por dia. A dose diária recomendada de ômega 3 é de 250mg para adultos; 100mg para crianças e de 450mg na gravidez. Consumir peixe de 3 a 4 vezes por semana já é o suficiente para suprir as necessidades semanais de ômega 3.

Os resultados deles sugerem que o consumo de DHA protege regularmente o cérebro contra os efeitos nocivos da frutose. É como poupar dinheiro no banco. Você quer construir uma reserva para que seu cérebro possa tocar quando necessitar de combustível extra para combater doenças futuras.

1. Agrawal R, Gomez-Pinilla F. ‘Metabolic syndrome’ in the brain: deficiency in omega-3 fatty acid exacerbates dysfunctions in insulin receptor signalling and cognition. J Physiol. 2012 May 1;590(Pt 10):2485-99. PubMed PMID: 22473784. Pubmed Central PMCID: 3424766. Epub 2012/04/05. eng.

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  • 1
  1. Dyenifer disse:

    Olá,

    Gostaria de ter acesso a esse artigo, teria como me passar o link por gentileza?

    Obrigada

    25/maio/2016 ás 22:18

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