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DIAGNÓSTICO DO MAL DE ALZHEIMER ATRAVÉS DE AMOSTRA DE SANGUE

DIAGNÓSTICO DO MAL DE ALZHEIMER ATRAVÉS DE AMOSTRA DE SANGUE

Fernanda Maria Policarpo Tonelli, Rodrigo R Resende

 

Vol. 1, N. 9, 01 de Abril de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.04.01.004

Pesquisadores descobriram e validaram um teste de sangue que pode prever com mais de 90 por cento de precisão se uma pessoa saudável irá desenvolver comprometimento cognitivo leve ou o Mal de Alzheimer em até três anos.

A Doença de Alzheimer (DA), ainda incurável, porém tratável, ocasiona no paciente a perda de funções cognitivas (memória, atenção, orientação, e linguagem) devido à morte de células cerebrais (1-3) (veja mais em http://nanocell.org.br/possivel-cura-para-o-mal-de-alzheimer-a-caminho-nanotubos-%CE%B2-amiloide-e-seu-receptor-da-proteina-prionica/, http://nanocell.org.br/ddt-influencia-ambiental-no-aumento-do-risco-de-desenvolvimento-da-doenca-de-alzheimer/ ou http://nanocell.org.br/infeccao-pelo-virus-herpes-simples-pode-levar-ao-mal-de-alzheimer/). Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença de Alzheimer (DA), que já acomete cerca de 35,6 milhões de pessoas em todo o mundo, vai dobrar a cada 20 anos para 115,4 milhões pessoas com Alzheimer em 2050 (4), devido ao aumento em nossa expectativa de vida.

Já pensando em nosso futuro e que possamos passa-lo como um período agradável ao invés de trancos e barrancos e por males inesperados, o melhor é desenvolvermos kits de diagnóstico para diversos males, que esses kits não sejam invasivos e o sejam mais preciso possível em relacionar seus resultados com as prováveis doenças que, um dia, poderemos vir a ter. É uma relação causal entre nossos genes, aqueles que codificam para todas as funções de nossas células, e a probabilidade de que, em um futuro, possamos vir a ter alguma doença. Isso é bom porque, se soubermos antecipadamente que, possivelmente, não absolutamente, que poderemos vir a ter certa doença, então, o melhor é prevenir, tomar os cuidados necessários para que não desenvolvamos a tal doença, ou, pelo menos, a retardemos ao máximo. E o melhor é iniciarmos o tratamento ou a prevenção o quanto antes.

Para que se inicie o tratamento, faz-se primeiramente necessário o diagnóstico da DA no paciente; no entanto as opções disponíveis de diagnóstico ou são de alto custo, ou de resultado demorado, ou envolvem procedimentos invasivos, isto é, faz-se necessário o rompimento ou retirada de algum tecido, ou que se use agulhas e seringas gigantescas, daquelas que assusta até cadáver, como é o caso, por exemplo, para se obter o líquido cefalorraquidiano. Este é um líquido que envolve todo o sistema nervoso central, que envolve o encéfalo e a medula espinhal, e auxilia na sua proteção e nutrição, e se situa entre as meninges aracnoide e pia-máter. Sua punção ou retirada se faz através da injeção de uma seringa na medula do paciente, até uns 15 centímetros de profundidade, atravessando a pele, tecido gorduroso, ligamentos, músculos e a meninge aracnoide.

Descrito na revista Nature Medicine e publicado on-line em 9 de março, o estudo anuncia o potencial para o desenvolvimento de estratégias de tratamento para a doença de Alzheimer em sua fase inicial, quando o tratamento seria mais eficaz em retardar ou prevenir o início dos sintomas. É o primeiro estudo publicado em identificar biomarcadores do sangue para a doença de Alzheimer.

O teste identifica 10 lipídios, ou gorduras, no sangue que preveem o início da doença. Este teste poderá estar disponível para estudos clínicos em apenas dois anos, e, dizem os pesquisadores, outros usos diagnósticos também são possíveis.

Este novo teste sanguíneo oferece o potencial para identificar pessoas em risco de declínio cognitivo progressivo e pode mudar a forma como os pacientes, suas famílias e seus médicos planejam e controlam o transtorno. O estudo, liderado pelo Dr. Howard J. Federoff, professor de neurologia e vice-presidente executivo para as ciências da saúde da Georgetown University Medical Center.

Há muitos esforços para desenvolver medicamentos para retardar ou reverter a progressão da doença de Alzheimer, mas ainda, nenhum foi realmente efetivo. Isto, possivelmente, pode ter sido porque, essas novas drogas ou medicamentos desenvolvidos, foram avaliados muito tarde no processo da doença.

O estado pré-clínico da doença oferece uma janela de oportunidade para a intervenção modificadora da doença. Os biomarcadores, que são moléculas que são encontradas em nosso corpo e que estão relacionados ao desenvolvimento de certas doenças, neste caso a doença de Alzheimer, podem definir o período assintomático da doença, ou seja, aquele período que a doença ainda não está instalada ou ainda está bem no seu estágio inicial e que não é perceptível pelo própria pessoal ou pelas outras que convivem com ela. Esses períodos assintomáticos são fundamentais para o bom desenvolvimento e aplicação das terapias, que poderiam trazer melhora progressiva ou, até mesmo, a cura.

O estudo incluiu 525 participantes saudáveis ​​com idades superiores a 70 anos, que deram amostras de sangue mediante inscrição e em vários pontos do estudo. Ao longo dos cinco anos de estudo, isto mesmo, longos 5 anos se passaram para se ter certeza de que o teste é válido, 74 participantes preencheram os critérios para doença leve ou de Alzheimer (DA) ou de uma condição conhecida como transtorno cognitivo leve amnésico (aMCI, amnestic mild cognitive impairment), no qual a perda de memória é proeminente. Destes, 46 foram diagnosticados no momento da inscrição e 28 desenvolveram a amnésia progressiva (aMCI) ou Doença de Alzheimer leve durante o estudo (este último grupo foi chamado de conversores) (5).

No terceiro ano do estudo, os pesquisadores selecionaram 53 participantes que desenvolveram aMCI/DA (incluindo 18 conversores) e 53 controles cognitivamente normais pareados para a fase de descoberta de biomarcadores de lipídios do estudo. Os lipídeos não eram alvos ​​antes do início do estudo, mas em vez disso, eram um resultado promissor do estudo.

Um painel de 10 lipídeos foi descoberto, o que os pesquisadores dizem que parece revelar a composição das membranas das células neurais em participantes que desenvolveram sintomas de comprometimento cognitivo ou DA (Figura 1). O painel foi posteriormente validado usando os restantes 21 participantes com aMCI/DA (incluindo 10 conversores) e 20 controles. Estudos duplos cegos, quando os pesquisadores e médicos não sabem quem são os doentes e quais seus resultados do teste clínico, foram analisados ​​para determinar se os indivíduos poderiam ser caracterizados nas categorias de diagnósticos corretos com base, exclusivamente, nos 10 lipídios identificados na fase de instrução.

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Figura 1: A partir de amostra de sangue, a desogem/detecção de 10 lipídeos pode indicar neurodegeneração inicial da DA antes do aparecimento de sintomas.

O painel de lipídeos foi capaz de distinguir com precisão de 90 por cento esses dois grupos distintos: os participantes cognitivamente normais que iriam evoluir para transtorno cognitivo leve (aMCI) ou doença de Alzheimer (DA) dentro de dois a três anos, e aqueles que permaneceram normais em um futuro próximo.

Os pesquisadores examinaram se a presença do gene APOE4, um conhecido fator de risco para o desenvolvimento da DA, contribuiria para a classificação precisa dos grupos, mas descobriu que não era um fator preditivo significativo neste estudo.

Esses resultados podem ser considerados que sejam um passo importante para a comercialização de um teste biomarcador da doença pré-clínica que poderia ser útil para a triagem em larga escala e identificar indivíduos em risco. Os próximos passos, antes que o teste esteja disponível para comercialização, deve envolver um ensaio clínico onde serão usados esse painel para identificar pessoas com alto risco para a doença de Alzheimer e, em seguida, testar um agente terapêutico que possa atrasar ou impedir o surgimento da doença.

Glossário:

Líquido cefalorraquidiano: Líquido que auxilia na proteção e nutrição do tecido nervoso no cérebro e medula espinhal, e se situa entre as meninges aracnóide e pia-máter.

Lipídeo: moléculas insolúveis em água e solúveis em solventes orgânicos, constituídas de carbono, hidrogênio e oxigênio. Os fosfolipídeos, um dos tipos de lipídeos existentes, são constituintes da membrana plasmática das células.

Referências Bibliográficas:

1. Tonelli FMP, Resende RR. Possível cura para o Mal de Alzheimer a caminho: Nanotubos β-amilóide e seu receptor da proteína priônica. Nanocell Newshttp://sbscorgbr/nanocell/possivel-cura-para-o-mal-de-alzheimer-a-caminho-nanotubos-%CE%B2-amiloide-e-seu-receptor-da-proteina-prionica/. 2013.

2. Tonelli FMP, Tonelli FCP, Resende RR. DDT: Influência ambiental no aumento do risco de desenvolvimento da Doença de Alzheimer. Nanocell News. 2014.

3. Barbosa RC, Resende RR. Infecção pelo vírus Herpes Simples pode levar ao Mal de Alzheimer? Nanocell News. 2014.

4. WHO. Dementia: a public health priority http://www.who.int/mental_health/publications/dementia_report_2012/en/2012.

5. Mapstone M, Cheema AK, Fiandaca MS, Zhong X, Mhyre TR, MacArthur LH, et al. Plasma phospholipids identify antecedent memory impairment in older adults. Nature Medicine. 2014;in press 

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