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Descoberto Gene Central na Regeneração Hepática

Descoberto Gene Central na Regeneração Hepática

Ricardo Cambraia Parreira, Rodrigo R Resende

Vol. 1, N. 2, 30 de outubro de 2013
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2013.10.30.004

O fígado apresenta uma particularidade dentre todos os outros órgãos que os mamíferos possuem – a capacidade regenerativa. Sabe-se que cerca de 10-15% deste órgão é capaz de manter as funções do organismo e de recuperar a porção danificada. Essa característica deve-se ao fato de os hepatócitos diferenciados, células que compõem o fígado, estarem em uma fase do ciclo celular (ponto onde a célula decide se irá proliferar ou não) que possibilita a reentrada destas células no ciclo e originar novos hepatócitos.

Entretanto, doenças envolvendo a insuficiência hepática crônica associada com fibrose (processo no qual as células do fígado são substituídas por fibras), levando à cirrose (doença crônica do fígado que se caracteriza por fibrose e formação de nódulos que bloqueiam a circulação sanguínea) provocam no fígado incapacidade de compensar a perda dos hepatócitos, o que o impede de regenerar mais células hepáticas e, por conseguinte, de restaurar a função hepática.

Tais doenças são causadas principalmente por infecções virais envolvendo os vírus da hepatite B e C, embora o número de casos envolvendo doenças crônicas provocadas por abuso de álcool, fígado gorduroso devido à má nutrição e doenças metabólicas, como diabetes, tenha aumentado. Consequentemente, o percentual de mortes por ano segue essa relação de aumento, já que a opção de tratamento para tais casos é o transplante do órgão, o que depende de doadores, cuja quantidade é limitada.

A pesquisa liderada pelo professor Lars Zender, da Escola Médica de Hannover, na Alemanha, propõe a identificação de genes em hepatócitos para funcionarem como alvo de moléculas de RNA de. Assim, essas pequenas moléculas de RNA atuam, inibindo a produção de interferência proteínas pela quebra dos RNAs mensageiros que são os moldes dessas proteínas – em tal processo, diz-se que os genes foram silenciados. O objetivo seria que tal abordagem identificasse genes importantes na regulação da capacidade regenerativa do fígado, permitindo assim que ocorresse o aumento da regeneração hepática, acelerando a recuperação de pacientes.

Os pesquisadores inseriram, em fígados de camundongos vivos, várias moléculas de RNA de interferência que tinham como alvo diversos genes diferentes (silenciando todos eles ou inibindo a produção de proteínas através deles), e observaram uma alteração na capacidade regenerativa. A escolha dos RNAs interferentes foi feita pela análise de genes que se encontravam ausentes ou modificados em casos de câncer de fígado, isso porque há uma sobreposição das vias de regeneração e câncer hepático.

A transfecção ou inserção dos RNAs interferentes nas células alvo, hepatócitos do camundongo, foi realizada por meio de uma molécula transportadora de RNA, denominada vetor. Os camundongos que foram testados apresentavam deficiência de uma enzima envolvida no catabolismo (quebra) de tirosina. Com isso ocorria acúmulo dos intermediários da tirosina que são tóxicos ao fígado, promovendo a lesão do órgão.

Os pesquisadores descobriram então que o gene responsável pela produção da quinase dual-específica MKK4 (uma enzima que fosforila outras enzimas) era o principal regulador da regeneração hepática. Com o silenciamento deste gene ou inibição da sua proteína correspondente, os hepatócitos tiveram sua capacidade proliferativa e regenerativa aumentada, o que poderia ser devido ao fato de que a inibição de MKK4 mobilizaria as reservas regenerativas das células do fígado.

Os autores do artigo testaram também a abordagem em outro modelo clínico de doença crônica e fibrose provocada pela utilização de tetracloreto de carbono (derivado do clorofórmio que também é um solvente consumido ilegalmente como droga de abuso para provocar “onda” ou alucinações) e verificaram que houve redução do desenvolvimento de fibrose. Isso sugere que o silenciamento do gene MKK4 dos hepatócitos pode estar relacionado à redução da fibrose, descentralizando a ideia atual de que a fibrose é determinada pelas células estreladas hepáticas que se tornam a principal fonte de matriz extracelular em fígados feridos.

O estudo demonstra a utilização de uma metodologia capaz de identificar genes que aumentariam a capacidade regenerativa do fígado e abre portas para que tal abordagem seja utilizada em diferentes sistemas biológicos com objetivos específicos, além de seu uso para a recuperação de fígados de pacientes humanos.

Nosso Laboratório está atualmente utilizando células-tronco mesenquimais derivadas do tecido adiposo de lipoaspirado humano para estudos na regeneração hepática.

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 Fonte: http://www.cell.com/abstract/S0092-8674(13)00348-6

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  • 1
  1. sarah disse:

    Parabéns pela pesquisa e texto maravilhosos! =]

    24/março/2017 ás 09:54

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