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DEMOCRACIA E O “eu sou tão bom quanto você”

DEMOCRACIA E O “eu sou tão bom quanto você”

Caio S. Lois

é professor, cientista social e jornalista

Vol. 1, N. 10, 22 de Abril de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.04.22.002

Escrevo aqui um complemento do outro texto intitulado QUEM TEM MEDO DA MERITOCRACIA. Neste texto, tomei a liberdade de pegar trechos de um autor, uma sumidade, um professor de Literatura Medieval e Renascentista na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, para que a opinião aqui apresentada não seja declarada como sendo de um mero e reles mortal, embora mortal todos somos, mas o respeito galgado pelos anos de carreira do professor de Cambridge e reconhecimento mundial, muito acima está do meu. E assim o reconheço, já que qualquer tipo de comparação igualitária seria levianamente imposta por mim, e longe disso está minha pretensão. Obviamente, não poderia exarcebar meu desejo de que todos tenham a paciência ou o ímpeto de fazer toda a leitura e, somente depois, saber de quem tomei parte deste texto que foi escrito em meados dos anos 1950! Vejam só, escrito a mais de 60 anos e tão atual para esse imenso Brasil que se quer fazer justo! Piada à parte, mas verão que o texto é atualíssimo para nossas vidas.

Quando me inclino a falar a respeito de democracia ou do serviço público brasileiro temos que levar em conta que, o que se é dito, pode ter várias interpretações diferentes, dependendo de quem lê, quando o lê e o que lhe interessa ao ler. Por exemplo, e não me limito somente ao serviço público (ou tão somente aos centros de excelência em pesquisa nacional, como as universidades públicas mais antigas ou mais destacadas pelo ínfimo contingente de alguns poucos professores e técnicos que fazem realmente a diferença para o desenvolvimento social, cultural e intelectual brasileiro), a própria linguagem se torna completamente turva e confusa: aquilo que é um suborno na profissão de um deles nada mais é que uma gorjeta ou um presentinho na de outro. Trocando em miúdos a constância em querer trocar o significado da própria linguagem para que esta lhe seja útil é algo tão comum que se torna pitoresco em nossas instituições e sociedade, que acaba transformando-as em hábito através da repetição constante.

O problema, não é apenas ter o hábito de se trocar os sentidos da linguagem, o problema está na repetição, que transforma esses hábitos num princípio (e isso é algo muito importante), um princípio em que a pessoa viciada acaba se tornando preparada para defendê-lo. A farsa ou mentira é tão grande que seu idealizador acredita fielmente ser verdade. Depois disso, tudo fica fácil.

Quando um hábito torna-se um princípio, outro problema é gerado. Como o produtor dessa farsa não consegue faze-lo sozinho, ou se o faz, precisa do consentimento de outros, então, forma-se assim um Grupo, uma Classe, um agrupamento de pessoas que pensam _ ou ao menos assim acreditam _ de maneira semelhante. É o que chamamos de conformidade ao ambiente social, se eles fazem isso e se dão bem, porque eu não posso também fazer? A conformidade ao ambiente social que inicialmente é apenas instintiva ou até mesmo mecânica _ afinal, como uma geleia poderia não se adaptar ao meio? _ torna-se agora um credo inconsciente, ou um ideal de Pertencer a um Grupo, ou de Ser como os Outros. E assim se alastra o que há de podre na sociedade. A simples ignorância da lei, que seja a lei Divina ou a lei constituída pelo congresso nacional, que estão desobedecendo transforma-se numa vaga teoria a respeito da própria lei, teoria que fica bem clara quando dão a essa lei o nome de convencional, ou puritana, ou de “moralidade” burguesa, ou até mesmo conservadora, alguns irão dizer retro, para ficar na “moda”. Assim, gradualmente, passa a existir no nosso âmago a rígida e arraigada resolução de continuar a ser o que é, e até mesmo de resistir aos humores que possam modificar essa situação. Passamos a ser aquilo que não queremos ser, mas o que a maioria quer que sejamos.

Neste ponto, tudo vira números, esquecemos os valores e deixamo-nos ser surpreendidos ou satisfeitos pelas estatísticas. Vocês já se deram conta do quanto conseguimos reduzir muito da raça humana a meras cifras numéricas? Isso não aconteceu por acidente. Foi a nossa própria resposta ·_ e uma resposta magnífica, para ser um pouquinho sarcástico _ a um dos maiores desafios que já tivemos de enfrentar.

Neste ponto, devo relembrá-los da situação em que o mundo se encontrava na última metade do século XIX (1850). O grande movimento em direção à liberdade e igualdade entre os homens já tinha dado frutos e amadurecido naquela época. A escravidão foi abolida _ o Brasil, coitado, ainda tinha a escravidão para atender os desejos de uma aristocracia perdida em seus próprios desejos _, refiro-me aqui à Inglaterra, veja o tamanho e importância atual da nação referida, como o tempo em que isso ocorreu, (Inglaterra de 1850 para a atual) _ houve a vitória dos americanos em sua guerra da Independência e a vitória da Revolução Francesa. A tolerância religiosa cresceu em quase todos os lugares. Nesse movimento havia muito ateísmo, muito anticlericalismo, muita inveja e sede de vingança, e até mesmo algumas tentativas, bastante absurdas, de reviver o paganismo. Havia nesse movimento também tanto materialismo, tanto secularismo e tanto ódio que quem ficasse de fora não tinha direito nenhum, nem de falar. Nada diferente do que vivemos hoje no contexto da Pátria Amada.

Mas, ao fim da segunda metade do século (por volta de 1900), a situação já era bem mais simples e também mais ameaçadora a essa Classe ou Grupo. O perigoso fenômeno chamado Socialismo Cristão proliferou. A velha e conhecida figura do dono de fábrica, homens que ficaram ricos com o suor do trabalho, em vez de serem assassinados pelos seus trabalhadores, recebiam a desaprovação da sua própria classe. Os ricos cada vez mais desistiam de seus poderes, mas não por conta de uma revolução, ou à força, mas como obediência à própria consciência deles. E os pobres que se beneficiavam disso comportavam-se de maneira mais decente. Em vez de usar suas novas liberdades _ que era o que a pretensão do individualismo e igualitarismo esperava que se fizesse _ para o massacre, o estupro e a pilhagem, ou até mesmo para a embriaguez perpétua, estavam cada vez mais engajados a ficar mais limpos, mais organizados, mais econômicos, mais educados e até mesmo mais virtuosos. Acreditem o mundo até parecia ter um futuro saudável se fosse assim que a história continuasse. Pensei no Brasil de hoje, é o retrato da sociedade chamada de primeiro mundo no início de 1900, só que, quando usamos o igualitarismo, o tomamos como sinônimo de que tudo posso, tudo me é permitido, tudo me é lícito, mesmo que não me convenha fazê-lo, assim o faço porque assim o desejo.

Infelizmente a inacreditável vitória de uma nação baseada no todo, não no individualismo egocêntrico foi eliminada. O contra-ataque deu-se em dois níveis. Num nível mais profundo, a corrupção conseguiu dar vida a um elemento que estava implícito no movimento desde o início. Oculto no âmago dessa busca pela Liberdade havia também o profundo ódio pela liberdade pessoal. Foi aquele homem de grande valor, Rousseau, o primeiro a revelar essa verdade. Em sua democracia perfeita, lembrem-se, somente a religião estatal é permitida; volta-se à escravidão, e diz-se ao indivíduo que aquilo que ele sempre desejou (embora ele não soubesse disso) é aquilo que o Governo lhe ordena. Desse ponto inicial, via Hegel, facilmente o ego conseguiu conceber tanto o estado Comunista como o Nazista.

E foi esse um dos contra-ataques num dos níveis. Claro, nesse nível de atuação somente os políticos ou alto escalões no serviço público, ou mesmo nas instituições públicas (Reitor, Diretor, Pró-reitores, Chefes de Departamento) é que se dá permissão para que ocorra. Porém, aos mais baixos escalões, ou aqueles que não querem ficar de fora da “festa”, o dever é aumentar o número, aumentar a massa, elevar os números da estatística.

Daí vem a associação com a Democracia. Se o povo tem, e quanto maior o número do povo melhor, mais acesso a massa teremos. E é essa palavra, Democracia, que é atualmente usada para se ter total controle sobre a massa. Parece ser até consenso de que não se deve dar a essa palavra um significado claro e definido. Segundo o que querem nos vender, Democracia é o nome de um sistema político, dão até mesmo um significado de sistema de votação, o povo escolhe o que lhe tem por direito. Mas, aqui, aqui não. Vamos levantar a questão aristotélica: onde o “comportamento democrático” significa o comportamento que as democracias apreciam ou o comportamento que irá preservar a democracia. Assim, conseguem dissociar o comportamento, a atitude democrática da própria concepção democrática. Fica-se somente a palavra bonita Democracia.

Usualmente, para a massa, essa palavra somente é usada como um encantamento; como alguns preferem, somente pelo seu poder propagandístico. É um nome que a massa venera, e quem não venera a liberdade de opinião, de expressão? É um nome que está ligado, é claro, com aquele ideal político, o de que todos os homens devem receber o mesmo tratamento. E o que fazem com maestria para enganar a massa? Fazem uma furtiva transição em suas mentes desse ideal político para a crença factual de que todos os homens são iguais, principalmente os homens que não aceitam a meritocracia. Consequentemente, eles usam a palavra Democracia para encorajar na mente da massa o mais degradante (e também menos agradável) de todos os sentimentos humanos. Eles conseguem fazer com que a massa tenha, não apenas de modo descarado, mas também com um verdadeiro brilho de auto-aprovação, uma conduta que, se não possa ser defendida por essa palavra mágica, seja ridicularizada por todos. Sinceramente, acho fantástico como conseguem uma manobra dessas. É realmente incrível a maneira tão eloquente e depreciativa como conseguem destoar o significado de Liberdade.

O sentimento de que falam é, obviamente, aquele que predispõe um homem a dizer “eu sou tão bom quanto você”. A primeira e mais óbvia vantagem é que assim nos induzem a fazer de uma mentira deslavada o centro de nossas vidas. Vou me incluir aqui também, às vezes me perco no que não quero fazer, deixando o que é certo. Com isso não querem apenas dizer que o que nos dizem em si é falso, que nós não nos equiparamos em termos de bondade, honestidade e bom senso em relação às outras pessoas mais do que nos equipararíamos em termos de altura ou circunferência da barriga. Nem nós mesmos acreditamos que somos diferentes!

Nenhum homem que diz “eu sou tão bom quanto você” acredita nisso. Ele não diria se acreditasse. Um cão da raça São Bernardo nunca diz isso para um cachorro de brinquedo, e nem o erudito para um ignorante, nem o homem que tem emprego para um mendigo, tampouco a mulher bonita para aquela sem atrativos. Há uma diferença que tenho que deixar clara. Não é o valor do ser humano que é diferente, mas sim seus atributos, dons, esforços, força de vontade. Tenho tanto direito a vida quanto você. Mas, não tenho tanto direito ao que você possui por não ter-me esforçado, trabalhado, ralado tanto quanto você.

A reivindicação da igualdade, fora do campo estritamente político, é feita apenas por aqueles que acham que eles mesmos são inferiores de alguma maneira. O que ela na verdade expressa é a ardorosa, excruciante e agonizante consciência de uma inferioridade que a pessoa se recusa a aceitar, ou ao menos tentar contorna-la, nem isso ele faz. E que, portanto, acaba por ofendê-lo. Sim; desse modo, ele se ressente também de toda forma de superioridade nos outros, passa a caluniá-la, quer aniquilá-la. Logo depois passa a suspeitar de que cada simples diferença é uma afirmação de superioridade. Ninguém deverá ser diferente dele no modo como fala, nas roupas, nos gestos, nos passatempos, na comida que ingere. “Ali está alguém que fala o português de um jeito mais claro e de modo mais eufônico que eu _ certamente não passa de uma afetação vil e esnobe. Ali está um homem que diz não gostar de cachorro-quente _ certamente se acha bom demais para comer cachorro-quente. Lá está outro que não pôs uma moeda na caixa de música _ deve ser um daqueles intelectuais esnobes, e só fez isso para se mostrar. Se fossem boas pessoas, seriam como eu. Elas não têm o direito de ser diferentes. É antidemocrático.” No entanto, esse útil fenômeno não é em si nenhuma novidade. Nós o conhecemos há milhares de anos, sob o nome de Inveja. Até o momento sempre o consideramos como o mais horrível e também o mais cômico dos defeitos. Aqueles que tinham consciência de que tinham inveja sentiam vergonha; aqueles que não tinham a derramavam sem remorso sobre os outros. A deliciosa novidade da situação atual deve-se ao fato de que os donos do poder conseguem encorajar esse sentimento _ fazer dele algo respeitável, até mesmo louvável _ pelo uso da palavra mágica democrático.

Sob a influência desse encantamento, tendem a fazer com que todos nós desçamos ao mesmo nível. E não apenas isso. Sob a mesma influência, fazem com que temamos ser antidemocráticos, se não formos ou parecermos ser iguais a todos. Vejam só os jovens que volta e meia suprimem o seu gosto incipiente pela música clássica ou pela boa literatura porque isso talvez os impeça de ser Gente Como a Gente; que as pessoas que realmente desejam serem honestas, castas ou sensatas acabam não cedendo ao impulso, pois aceitá-lo faria com que fossem Diferentes. Poderia ser mais uma ofensa contra a Ordem das Coisas, poderia deixá-los fora do círculo da Irmandade, impossibilitaria sua Integração com o Grupo. Eles poderiam tornar-se indivíduos, pessoas únicas e não pessoas egocêntricas ou individualistas. São duas situações bem distintas.

Até parece o fim dos tempos, mas é o que acontece, para ser parte do Grupo alguns fazem esforço para se tornar “uma pessoa frívola, uma paçoca, uma parasita.” Enquanto isso, como um maravilhoso produto derivado dessa química, os poucos (a cada dia o número diminui) que não aceitam ser Normais e Comuns e Gente como a Gente e Integrados tendem cada vez mais a tornar-se, na verdade, os seres arrogantes e excêntricos que a massa de qualquer modo já acreditava que eles eram.

Pois a desconfiança costuma gerar exatamente aquilo de que se desconfia. (“Já que, independentemente do que eu faça, os meus semelhantes pensarão que eu sou uma pessoa má, ou um agente comunista, já que a desgraça é a mesma, não fará diferença se eu me transformar no que eles acreditam.”). Mas tudo isso não passa de um subproduto de todo esse processo. Na verdade, quero chamar a atenção de vocês para o vasto e generalizado movimento para desacreditar e, finalmente, eliminar toda e qualquer qualidade humana _ seja ela moral, cultural, social ou intelectual.

E não é triste perceber o quanto a Democracia (no seu sentido mágico) está fazendo pelos donos do poder agora o trabalho que já foi feito pelas Ditaduras mais remotas, e pelos mesmos métodos? Lembram-se da ocasião em que um dos Ditadores Gregos (então chamados de “tiranos”) enviou um emissário a outro Ditador para pedir seu conselho a respeito de princípios para melhor governar? O outro Ditador levou o emissário a um milharal e lá cortou com seu bastão todas as hastes que ficassem um centímetro que fosse acima do nível das outras.

A moral é simples. Não permita que nenhum de seus elementos seja diferente dos outros. Não permita a existência de nenhum homem que seja mais sábio, ou melhor, ou mais famoso, ou até mesmo mais bonito que a massa. Faça com que todos sejam cortados até o nível comum; todos serão escravos, meros números, todos insignificantes. Assim, os Tiranos praticavam de certa forma a “democracia”. Mas hoje a “democracia” pode ter o mesmo resultado sem nenhum tirano que não ela mesma.

Ninguém mais precisa ir a um milharal com um bastão. As próprias hastes menores irão eliminar a parte superior das maiores. E as maiores começam a se nivelar às outras na sua vontade de Ser Como as Outras.

Nessa terra promissora, o espírito do eu sou tão bom quanto você já passou a ser algo mais do que uma influência puramente social. Ele começa a se infiltrar no sistema educacional. Não posso dizer com certeza até onde ele foi no presente momento. E isso tampouco importa. Uma vez que vocês captarem a tendência, poderão facilmente prever seus desdobramentos futuros; especialmente se nós mesmos desempenharmos um papel nesses desdobramentos. O princípio básico da nova educação é que os alunos lentos e sem interesse não devem sentir-se inferiores aos alunos inteligentes e esforçados.

Isso seria “antidemocrático”. Essas diferenças entre os alunos _ porque elas são, muito obviamente, diferenças individuais _ precisam ser disfarçadas. Isso pode ser feito em vários níveis. Nas universidades, as provas devem ser elaboradas de tal forma que quase todos os alunos consigam boas notas. _ Já me cobraram isso, então é fato verídico. Basta perguntar a algum professor amigo seu que ele lhe dirá que foi obrigado a aprovar alunos sem o mínimo de conhecimento necessário, caso contrário seria demitido. _ Os vestibulares devem ser feitos para que todos ou quase todos os cidadãos possam entrar nas universidades, quer tenham a capacidade (ou o desejo) de se beneficiarem com uma educação superior, quer não. Nas escolas, as crianças que forem lentas ou preguiçosas demais para aprender línguas, matemática e ciências podem ser levadas a fazer aquilo que as crianças costumavam fazer em seu tempo livre. É possível deixá-las, por exemplo, fazer bonequinhos de argila e dar a isso o nome de Educação Artística. Mas durante todo esse tempo jamais deve haver nenhuma menção ao fato de que elas são menos esforçadas, menos dedicadas, ou menos inteligentes às crianças que estão efetivamente estudando. Qualquer bobagem em que estiverem envolvidas deve ter “igualdade de valor”. É daí que surgem “pensadores modernos” dizendo que reprovação por desconhecimento é ruim. Piada né, mas é o que acontece. Por acaso seu filho já entrou na universidade sem saber fazer conta de regra de três? Pergunte para ele se ele sabe. E é possível conceber um esquema ainda mais drástico. As crianças que estiverem aptas a ser transferidas para uma classe mais adiantada podem ser mantidas na classe anterior usando métodos artificiais, com a justificativa de que as outras poderiam ter algum tipo de trauma _ que palavra mais útil para fazer com que a massa não pense, ou que se aceite os atrasados como excepcionais! _ caso ficassem para trás. Assim, o aluno mais inteligente permanece democraticamente acorrentado a seus colegas da mesma idade em toda a sua carreira escolar, e um menino capaz de compreender Ésquilo ou Dante é obrigado a ficar sentado ouvindo seus coevos tentando soletrar “A BOLA ROLOU PARA O LAGO. JUJUBA CORREU ATRÁS DA BOLA”.

Resumindo, não é absurdo esperar pela abolição praticamente total da educação quando finalmente o eu sou tão bom quanto você sair vitorioso. Todos os incentivos para aprender e todas as penalidades para a ausência do desejo de aprender desaparecerão. Os poucos que quiserem aprender não poderão fazê-lo; afinal, quem são eles para se destacarem entre seus colegas? Seu instituto de pesquisa é assim? Com certeza uma empresa privada não crescerá se pensar assim. E, de qualquer modo, os professores _ ou devo dizer “babás”? _ estarão excessivamente ocupados tranquilizando os ignorantes e dando-lhes tapinhas nas costas para perderem tempo ensinando de verdade. Isso não ocorre apenas no ensino médio ou fundamental, isso ocorre nas universidades também! Desse jeito, nem será preciso que os donos do poder, os donos da cadeira, planejem e trabalhem arduamente para espalhar a arrogância serena ou a ignorância incurável entre os homens. Nós mesmos faremos isso por eles.

É claro que isso só aconteceria se toda a educação se tornasse produto eleitoreiro da máquina política. Mas é isso que está acontecendo, pois faz parte do mesmo movimento. Já ouviram falar sobre o programa Ciência sem Fronteira do governo federal? Pergunte a algum cientista sério se isso realmente é útil para o país? E a história de Educação para Todos? _ Só falta a qualidade nessa história, que foi eliminada, pois é antidemocrática. _ Os impostos, inventados para esse propósito, estão acabando com a classe média, a classe que estava disposta a economizar e fazer sacrifícios para que seus filhos recebessem uma educação de qualidade. A remoção dessa classe, além de estar ligada à abolição da educação, felizmente é mais uma consequência inevitável daquele espírito que diz eu sou tão bom quanto você. Foi este, afinal de contas, o grupo social que deu aos humanos a esmagadora maioria de seus cientistas, físicos, filósofos, teólogos, poetas, artistas, compositores, arquitetos, juristas e administradores. Se alguma vez já houve um bando de galhos que precisavam ter suas pontas cortadas para ficarem no mesmo nível das outras, certamente esse grupo era composto pela classe média. Como disse um político inglês há um tempo atrás, e que os atuais governistas ecoam com glória para se dizerem que são iguais a massa “a democracia não deseja grandes homens”. O que não se faz por alguns votos, hein!? Quem já passou por eleições neste ano? Seria inútil perguntar a essa criatura se por desejar ele quer dizer “precisar” ou “gostar de”. Mas seria melhor para os donos da cadeira o desaparecimento da Democracia no sentido estrito da palavra: a tal organização política. É o que ocorreu na Venezuela com o Chavismo, o que está acontecendo na Bolívia e o que um ex-presidente citou “Vamos ficar no governo pelos próximos vinte anos, custe o que custar.”

E devemos nos dar conta de que “democracia”, no seu sentido diabólico (sou tão bom quanto você, Gente Como a Gente, Sensação de Pertencer a um Grupo), é o instrumento mais valioso que poderiam desejar para extirpar as Democracias políticas da face da terra. Pois a “democracia”, ou o “espírito democrático” (no sentido diabólico), produz uma nação sem grandes homens, uma nação feita basicamente de analfabetos, moralmente fracos, devido à falta de disciplina na juventude, e frágeis devido a toda uma vida de intemperança. Porque quando uma nação dessas acaba entrando em conflito com outra nação onde as crianças foram diligentes na escola, onde o talento é valorizado e onde a massa ignorante não opina em assuntos de ordem pública, só um resultado é possível.

Recentemente uma Democracia ficou bastante surpresa quando descobriu que a China tomou-lhe a dianteira em matéria de ciência. Ah, um adorável exemplo da cegueira humana! Se toda a sociedade tende a opor-se a qualquer tipo de excelência, por que esperavam que seus próprios cientistas se sobressaíssem?

É este comportamento que é encorajado pelos corruptos, pelos moralmente adeptos ao egocentrismo, pelo controle do poder, enfim, porque são exatamente essas coisas que, se forem deixadas à vontade, acabarão por destruir uma nação. Vocês podem até mesmo perguntar-se por que o próprio indivíduo não enxerga isso. Mesmo que eles não leiam Aristóteles (pois isso seria antidemocrático), era de esperar que a Revolução Francesa lhes tivesse ensinado que o comportamento que os aristocratas apreciam não é o mesmo comportamento que preserva a aristocracia. Pois então teriam aplicado o mesmo princípio a todas as formas de governo.

Mas o que quero incentivar é que o destino de uma nação, em si mesmo, está atrelado ao desenvolvimento dos indivíduos, do ser humano único, de pessoas com identidades próprias e não meras cópias refletidas de subprodutos forjados pelos manipuladores. A derrocada dos povos livres e a multiplicação dos Estados escravos são apenas um meio; mas o verdadeiro objetivo dos donos do poder é a destruição dos indivíduos. A ideia do eu sou tão bom quanto você é um útil recurso para a destruição das sociedades democráticas.

Vamos dizer não a esse que foi eleito pelo encantamento do eu sou tão bom quanto você. Se assim o fosse, eu não seria diferente de você, sua presença ou ausência não faria a menor diferença, você seria facilmente substituível, seja como pai, irmão, irmã, filho, filha, neto, avó, mãe. Ninguém choraria sua perda.

Só para lembrar esse texto foi modificado de um ensaio do grande cientista Sir Clive Staples Lewis, mais conhecido como C.S. Lewis. É mais conhecido por ser o autor da famosa série de livros infanto-juvenis As Crônicas de Nárnia.

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  • DEMOCRACIA E O “eu sou tão bom quanto você”
  • 2
  1. luciane nogueira disse:

    uma ……..

    31/julho/2014 ás 14:52
  2. MAriana disse:

    Texto baseado em meritocracia… Se contradiz por si mesmo. Óbvio que as pessoas são diferentes e que as diferenças devem ser estimuladas. Enquanto um tem aptidão para números, outro tornar-se-á um estupendo artista plástico. No entanto, nosso sistema cobra de todos a excelência em números em troca de um analfabetismo funcional em artes. E claro que o ensino deve ser, de certa forma, estimulador do melhoramento das habilidades dos alunos e que deve haver cobrança da eficiência dos mesmos nas áreas em que se saem bem, mas estamos em um país onde muitos mal tem professores em sala de aula, onde crianças trabalham para complementar a renda familiar, e onde o estudo trás poucos benefícios(se compararmos o salário de um vereador, ou até mesmo de um gari ao de um professor da rede pública municipal isto torna-se evidente). Citar falta de esforço torna-se banal e inconsequente, se considerarmos as diversas situações em que os mais diversos seres humanos estão imersos, e principalmente, a desigualdade da sociedade em que vivemos.

    28/setembro/2016 ás 22:20

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