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DE MÉDICO E LOUCO TODO MUNDO TEM UM POUCO É DEMONSTRADO EXPERIMENTALMENTE: Transtornos cerebrais mostram que doenças mentais têm semelhanças biológicas

DE MÉDICO E LOUCO TODO MUNDO TEM UM POUCO É DEMONSTRADO EXPERIMENTALMENTE: Transtornos cerebrais mostram que doenças mentais têm semelhanças biológicas

Vol. 1, N. 6, 28 de janeiro de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.01.28.001

Lembram-se do filme “Uma Mente Brilhante”? Em que um professor de economia via pessoas que não existiam, pensando que estava sendo perseguido pelo FBI e ganhou o prêmio Nobel de Economia de 1994. O filme Uma mente brilhante apresenta a história de vida do matemático John Nash, cujas ideias influenciaram as teorias econômicas, a biologia da evolução e a teoria dos jogos. John Nash se destacou como um brilhante matemático, inteligentíssimo, mas sofre de esquizofrenia. Ele não era uma pessoa sociável, tinha um comportamento arrogante, sempre criticava os trabalhos desenvolvidos pelos outros estudantes colegas de curso. Os estudantes sabiam que ele era muitíssimo inteligente, mas devido ao seu jeito estranho no trato com as pessoas, John era sempre alvo de gozações.

A Esquizofrenia é considerada pela psicopatologia como um tipo de sofrimento psíquico grave, caracterizado principalmente pela alteração no contato com a realidade (o que também é chamado de psicose). Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), é um transtorno psíquico severo caracterizado por dois ou mais dentre o seguinte conjunto de sintomas por pelo menos um mês: alucinações visuais, sinestésicas ou auditivas, delírios, fala desorganizada (incompreensível), catatonia ou/e sintomas depressivos. Juntamente com a paranoia (transtorno delirante persistente), o transtorno esquizofreniforme e o transtorno esquizoafetivo, as esquizofrenias compõem o grupo das psicoses. É hoje encarada não como doença, no sentido clássico do termo, mas sim como um transtorno mental, podendo atingir pessoas de qualquer idade, gênero, raça (lembro que raça, na espécie humana, geneticamente não existe. Este é um conceito puramente social! Somos todos uma única espécie, sem motivos para preconceitos quaisquer que sejam.), classe social e país. Segundo estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS), atinge cerca de 1% da população mundial.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da esquizofrenia, como sucede com a grande maioria dos transtornos mentais e demais psicopatologias, não se pode efetuar através da análise de parâmetros fisiológicos ou bioquímicos atualmente e resulta apenas da observação clínica cuidadosa das manifestações do transtorno ao longo do tempo. O estudo do Dr. Glahn, vem justamente solucionar este problema. Quando do diagnóstico, é importante que o médico exclua outras doenças ou condições que possam produzir sintomas psicóticos semelhantes (uso de drogas, epilepsia, tumor cerebral, alterações metabólicas). O diagnóstico da esquizofrenia é por vezes difícil. Muitos de nós mesmos temos altos e baixos que podem parecer que somos esquizofrênicos. Às vezes somos mais egoístas do que mentalmente transtornados com as injustiças deste mundo…

Para além do diagnóstico, é importante que o profissional identifique qual é o subtipo de esquizofrenia em que o doente se encontra. Atualmente, segundo o DSM IV, existem cinco tipos:

     
  • Paranoide — é a forma que mais facilmente é identificada com a doença e na qual predominam os sintomas positivos. O quadro clínico é dominado por um delírio paranoide relativamente bem organizado. Os doentes de esquizofrenia paranoide são desconfiados, reservados, podendo ter comportamentos agressivos. Conhece alguém assim?

     
  • Desorganizado — em que os sintomas afetivos e as alterações do pensamento são predominantes. As ideias delirantes, embora presentes, não são organizadas. Em alguns doentes pode ocorrer uma irritabilidade associada a comportamentos agressivos. Existe um contato muito pobre com a realidade.

     
  • Catatônico — caracterizado pelo predomínio de sintomas motores e por alterações da atividade, que podem variar desde um estado de cansaço e acinesia (falta de movimentos) até à excitação.

     
  • Indiferenciado — que apresenta habitualmente um desenvolvimento insidioso com um isolamento social marcado e uma diminuição no desempenho laboral (trabalho) e intelectual. Observa-se nestes doentes uma certa apatia e indiferença relativamente ao mundo exterior.

     
  • Residual — em que existe um predomínio de sintomas negativos: os doentes apresentam um isolamento social marcado por um embotamento afetivo e uma pobreza ao nível do conteúdo do pensamento.

Existe também a denominada esquizofrenia hebefrênica, que incide desde a adolescência, com o pior dos prognósticos em relação às demais variações da doença e com grandes probabilidades de prejuízos cognitivos e socio-comportamentais.

Estes subtipos não são estanques, em determinada altura da evolução do quadro, a pessoa pode apresentar aspectos clínicos que se identificam com um tipo de esquizofrenia e, ao fim de algum tempo, pode reunir critérios de outro subtipo. Outro critério de classificação muito usado é a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde). A CID é usada no Brasil e foi adotada como referência para profissionais de saúde do SUS. Sua maior vantagem está na possibilidade de traçar perfis epidemiológicos que facilitam a tomada de decisões pelas esferas do governo no que se refere à formulação de políticas e a realização de investimentos na área de saúde mental.

A esquizofrenia, talvez o transtorno mental de maior comprometimento ao longo da vida, caracteriza-se essencialmente por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas. Embora primariamente uma doença orgânica neuropsiquiátrica que afeta os processos cognitivos, seus efeitos repercutem também no comportamento e nas emoções.

Os sintomas da esquizofrenia podem variar de pessoa para pessoa, podendo aparecer de forma insidiosa e gradual ou, pelo contrário, manifestar-se de forma explosiva e instantânea. Podem ser divididos em duas grandes categorias: sintomas positivos e negativos.

Sintomas positivos

Os sintomas positivos estão presentes com maior visibilidade na fase aguda da doença e são as perturbações mentais “muito fora” do normal, como que “acrescentadas” às funções psíquico-orgânicas da pessoa. Entende-se como sintomas positivos

     
  • delírios (ideias delirantes, pensamentos irreais, “ideias individuais do doente que não são partilhadas por um grande grupo“, como, por exemplo, um indivíduo que acha que está a ser perseguido pela polícia secreta e acha que é o responsável pelas guerras do mundo);

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  • alucinações, percepções irreais de audição, visão, paladar, olfato ou tato, sendo mais frequentes as alucinações auditivas e visuais;

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  • pensamento e discurso desorganizado (confusão mental), elaboração de frases sem qualquer sentido ou invenção de palavras;

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  • alterações visíveis do comportamento, ansiedade excessiva, impulsos ou agressividade constante na fase de crise.

Sintomas negativos

Os sintomas negativos são o resultado da perda ou diminuição das capacidades mentais, “acompanham a evolução da doença e refletem um estado deficitário ao nível da motivação, das emoções, do discurso, do pensamento e das relações interpessoais (não confundir com esquizoidia) como a falta de vontade ou de iniciativa; isolamento social (não confundir com a esquizoidia); apatia; indiferença emocional total e não transitória; pobreza do pensamento”.

Um transtorno específico do cérebro está presente tanto em indivíduos com diagnóstico de esquizofrenia quanto em pessoas com transtorno bipolar, somando-se evidências de que muitas doenças mentais têm semelhanças biológicas.

Os padrões de atividade cerebral identificadas por pesquisadores da Universidade de Yale e publicados na revista Cerebral Cortex podem servir como biomarcadores importantes para a classificação diagnóstica de doenças psiquiátricas complexas (1).

Usando neuroimagem funcional mais moderna que há no momento, os pesquisadores examinaram as interações entre o tálamo, o ponto central através do qual a maioria das comunicações neurais flui no cérebro, e o resto do mesmo (Figura 1). Os pesquisadores descobriram comunicação foi alterada de forma significativa entre o tálamo e em outras regiões do cérebro em indivíduos com esquizofrenia e aqueles com transtorno bipolar.

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Figura 1: Na figura da esquerda está representado a anatomia do cérebro humano. E na figura da direita a via tálamo-cortical ascendente (em azul) e descendente (em vermelho). O tálamo recebe fibras de todo o cérebro e do corpo e o distribui um para o outro, respectivamente, fazendo todas as interconexões importantes entre cérebro-corpo e corpo-cérebro.

Estes dados fornecem a primeira evidência de todo o cérebro que as vias tálamo-corticais estão profundamente alteradas na esquizofrenia, e fortemente apoia a hipótese de que as condições neuropsiquiátricas com sintomas compartilhados realmente existem em um continuum da atividade cerebral.

A pesquisa avança em esforços para encontrar novas maneiras de classificar as doenças mentais com base em medidas neurobiológicas, bem como o comportamento observável, um dos principais objetivos do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, o National Institute of Mental Health.

Os resultados encontrados pelo grupo do Prof. David Glahn, professor associado de psiquiatria da Universidade de Yale, nos EUA,  fornecem evidências de um biomarcador de todo o cérebro robusto para a esquizofrenia que poderiam ser usados para melhor entender o risco genético para a doença psiquiátrica.

Referência

1. Anticevic A, Cole MW, Repovs G, Murray JD, Brumbaugh MS, Winkler AM, et al. Characterizing Thalamo-Cortical Disturbances in Schizophrenia and Bipolar Illness. Cereb Cortex. 2013 Jul 3. PubMed PMID: 23825317. Epub 2013/07/05. Eng.

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