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DDT: INFLUÊNCIA AMBIENTAL NO AUMENTO DO RISCO DE DESENVOLVIMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER

DDT: INFLUÊNCIA AMBIENTAL NO AUMENTO DO RISCO DE DESENVOLVIMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER

Fernanda Maria Policarpo Tonelli, Flávia Cristina Policarpo Tonelli, Rodrigo R Resende

Vol. 1, N. 8, 11 de Março de 2014 DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.03.10.002

O Alzheimer, ou doença de Alzheimer (DA), é uma doença degenerativa incurável que acarreta no paciente perda de memória e progressivo desligamento da realidade (1). Acredita-se que influenciem o risco de desenvolvimento desta doença tanto fatores genéticos, como fatores ambientais, e estilo de vida do indivíduo (2).

O desenvolver da DA se dá através de acúmulo de peptídeos β-amiloides se arranjando em placas amiloides: responsáveis por sua vez pela morte de neurônios e, consequentemente pelo quadro de demência (3).

Mas de onde surgem os peptídeos β-amiloides? Estes são originados a partir de uma proteína que naturalmente se encontra presente na membrana de neurônios: a proteína precursora amiloide (APP, amiloid precursor protein). No entanto, esta proteína pode ser clivada por três diferentes enzimas em locais diferentes: a α-secretase, a β-secretase, e a γ-secretase. Para que seja gerado o peptídeo β-amiloide nocivo é necessário que a APP seja clivada pela β-secretase e depois, pela γ-secretase (ambas as clivagens acontecendo no retículo endoplasmático) (3).

No mês de janeiro de 2014, um grupo de pesquisadores de departamentos de neurologia, medicina, ciências da saúde, patologia e psiquiatria de universidades norte americanas, publicaram um estudo apresentando o pesticida diclorodifeniltricloroetano (DDT) (Figura 1) como uma substância capaz de aumentar o risco de desenvolvimentoda DA (4).

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Figura 1: Fórmula estrutural do pesticida DDT.

O DDT rendeu ao elucidador de sua ação inseticida, Paul Hermann Müller, o Prêmio Nobel de Medicina de 1948, e durante a 2ª Guerra Mundial, foi largamente utilizado no combate ao tifo e à malária (5).

No entanto, atualmente este pesticida tem sua comercialização controlada e até mesmo proibida em alguns países. Isto se deve ao fato de ser um poluente ambiental e uma substância nociva ao ser humano, ainda que não haja contato direto dos indivíduos com o mesmo. O DDT já foi previamente relacionado ao desenvolvimento do câncer de mama (6) e à redução de densidade mineral óssea (7), por exemplo. E devido ao fato de possuir tempo de meia-vida longo, isto é, o tempo que leva para se degradar 50% de sua concentração do meio ambiente, o legado de contaminação de locais por este pesticida é duradouro, e assim, por consequência, a contaminação de alimentos como carnes e peixes torna-se altamente favorável e perigosa. Desta forma, mesmo quem nunca teve contato com o DDT diretamente, pode possuir derivados desta molécula circulantes no organismo (2), através do consumo de alimentos que o contenham.

No organismo humano o DDT é rapidamente convertido em diclorodifenildicloroetileno (DDE) (Figura 2). Em seu trabalho, Richardson e colaboradores perceberam que os níveis de DDE no soro e no cérebro de pacientes acometidos por Alzheimer, eram cerca de 3,8 vezes maior que em indivíduos saudáveis (4).

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Figura 2: Conversão de DDT em DDE pela perda de uma molécula de ácido clorídrico (HCl).

Além disto, após tratarem in vitro células de linhagem neural (as SY5Y derivadas de neuroblastoma) com DDT e DDE, observaram o acúmulo de proteína precursora amiloide no interior destas (Figura 3). Ambas as substâncias aumentaram os níveis de APP (que quando clivada por β e γ-secretases no retículo endoplasmático, origina a versão nociva do peptídeo β-amiloide), fornecendo um possível mecanismo pelo qual estas possam contribuir para aumento do risco de DA.

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Figura 3: Proteína precursora amiloide acumulada no interior das células vista em verde – a. grupo não tratado; b. células tratadas com DDT; c. células tratadas com DDE.

 

Logo o nível de DDE no sangue é uma evidência clínica que pode auxiliar na determinação de risco de desenvolvimento de DA e/ou em seu diagnóstico precoce. Além disso, o trabalho de Richardson e colaboradores alerta para mais um efeito nocivo de exposição ao DDT; exposição esta que continua a ser relatada principalmente no Brasil (8, 9) e em países da África (10).

 

Referências Bibliográficas:

1. Tonelli FMP, Resende RR. Possível cura para o Mal de Alzheimer a caminho: Nanotubos β-amilóide e seu receptor da proteína priônica. Nanocell News. http://sbscorgbr/nanocell/possivel-cura-para-o-mal-de-alzheimer-a-caminho-nanotubos-%CE %B2-amiloide-e-seu-receptor-da-proteina-prionica/. 2013.

2. Mitka M. Author Insights: DDT Byproduct Is Associated With Increased Alzheimer Risk http://newsatjama.jama.com/2014/01/27/author-insights-ddt-byproduct-is-associated-with-increased-alzheimer-risk/: JAMA; 2014.

3. Best B. Alzheimer’s Disease: Molecular Mechanisms http://www.benbest.com/ lifeext/Alzheimer.html2013.

4. Richardson JR, Roy A, Shalat SL, Von Stein RT, Hossain MM, Buckley B, et al. Elevated Serum Pesticide Levels and Risk for Alzheimer Disease. JAMA Neurol. 2014; http://eohsi.rutgers.edu/files/JAMANeurPesta.pdf:E1-E7.

5. D’Amato C, Torres JPM, Malm O. DDT (DICLORO DIFENIL TRICLOROETANO): TOXICIDADE E CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL: UMA REVISÃO. Quím Nova. 2002;25(6):32-43.

6. Cohn BA, Wolff MS, Cirillo PM, Sholtz RI. DDT and Breast Cancer in Young Women: New Data on the Significance of Age at Exposure. Environ Health Perspect. 2007;115(10):1406–14.

7. Beard J, Marshall S, Jong K, Newton R, Triplett-Mcbride T, Humphries B, et al. 1,1,1-Trichloro-2,2-bis (p-Chlorophenyl)-Ethane (DDT) and Reduced Bone Mineral Density. Arch Environ Health. 2000;55:177-87.

8. Filho ES, Silva RS, Barretto HHC, Inomata ONK, Lemes VRR, Kussumi TA, et al. Grau de exposição a praguicidas organoclorados em moradores de aterro a céu aberto. Rev Saúde Pública. 2003;37(4):17-27.

9. Diário do Pará. Trabalhador do PA morre devido à exposição ao inseticida DDT. http://www.protecao.com.br/noticias/doencas_ocupacionais/trabalhador_do_pa_morre_devido_a_exposicao_ao_inseticida_ddt_/J9jgAcja2012.

10. Whitworth KW, Bornman RM, Archer JI, Kudumu MO, Travlos GS, Wilson RE, et al. Predictors of Plasma DDT and DDE Concentrations among Women Exposed to Indoor Residual Spraying for Malaria Control in the South African Study of Women and Babies (SOWB). Environ Health Perspect. In press. 2014.

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