web analytics
C:\Users\usuario\Desktop\NANOCELL\unnamed.png

Isadora Constancio Dias¹, Beatriz Moraes Pedrosa¹, Wanderson Cosme da Silva¹

1USJT – Universidade São Judas Tadeu

Edição Vol. 8, N. 1, 11 de Janeiro de 2021

Introdução

O ozônio é um gás altamente reativo, com grande capacidade de inativação de micro-organismos. Devido à sua atividade oxidativa, possui um amplo espectro de atuação, sendo eficaz para o combate de bactérias, bolores, leveduras, vírus, cistos de protozoários e esporos. O ozônio é considerado um produto GRAS (generally recognized as safe), sigla em inglês que significa “geralmente reconhecido como seguro”, sendo mais eficaz que o cloro contra muitos tipos de micróbios, pois não deixa resíduos tóxicos sobre as frutas e legumes (1,2).

C:\Users\usuario\Desktop\NANOCELL\unnamed.png

Fonte: https://myozone.com.br/ozonio/

Desenvolvimento

O gás ozônio, também conhecido oxigênio triatômico, é um agente oxidante que pode ser gerado no próprio local de aplicação, dissolvido em água ou em forma gasosa, produzindo o gás oxigênio (O2) como produto final de sua degradação (3,4,5).

O ozônio age por dois mecanismos de destruição de biomoléculas: no primeiro mecanismo, oxida grupos sulfidrila e aminoácidos de enzimas, proteínas e peptídeos. Já no segundo mecanismo, acontece a ação do gás como agente oxidante de ácidos graxos poli-insaturados a peroxiácidos. Trata-se de um oxidante 3.125 vezes mais rápido do que o cloro na inativação de bactérias, 100 vezes mais solúvel em água e 1,5 vezes mais forte do que o cloro, pois não desencadeia no depósito de contaminantes na água, podendo ser gerado no local de utilização e quando não utilizado, decompõe-se naturalmente em oxigênio (6).

A molécula de ozônio é composta por três átomos de oxigênio e é formada por meio uma reação endotérmica. Algumas das reações através das quais o ozônio pode ser gerado são: a  reação fotoquímica pela exposição do oxigênio à luz UV (reação ultravioleta); reação de eletrólise de ácido sulfúrico; a reação radioquímica e a reação por descarga corona (9). Em soluções aquosas, o ozônio pode reagir de forma lenta, fazendo a oxidação direta pelo ozônio molecular, ou de forma mais rápida por meio da oxidação dos radicais livres de hidroxila, ambas com efeito imediato eliminando a carga microbiana da água (10).

Os antimicrobianos tem como objetivo reduzir a presença de patógenos, porém a eficácia de cada produto depende do tipo e da fisiologia do micro-organismo, tempo de exposição, pH, temperatura e concentração do ozônio. O ozônio apresenta um baixo custo e um amplo espectro de ação microbicida, com  fácil aplicação e monitoramento (11). Com a elevação da temperatura, a taxa de destruição microbiana e a reação com substratos orgânicos microbianos aumentam, diminuindo a estabilidade e solubilidade do ozônio em meio aquoso (2, 12, 13).

Ação do ozônio sobre as bactérias, vírus e protozoários.

O primeiro alvo da oxidação realizada pelo ozônio é a atividade enzimática das membranas celulares das bactérias. A oxidação deste local pode ser feita de forma rápida, o que faz com que, logo em seguida, o ozônio possa atuar no material genético, onde ele tem como alvo as bases purinas e pirimidínicas dos ácidos nucléicos (2). Em comparação com as bactérias Gram-positivas, as bactérias Gram-negativas são mais sensíveis ao ozônio, por possuírem menos peptidoglicanos em suas paredes celulares (14).

Se comparados com as bactérias, os vírus são menos resistentes ao ozônio. No no entanto, quando em formas fagos, se tornam muito sensíveis ao ozônio (12, 13). O ozônio atua sobre as proteínas que compõem o capsídeo do vírus, destruindo com sucesso a capacidade de infecção do mesmo, pois essas proteínas são responsáveis ​​por fixarem o vírus na célula hospedeira (2, 13).

Os cistos de protozoários são mais resistentes que as bactérias vegetativas e os vírus. A membrana celular do cisto é destruída pelo ozônio, que afeta a parede celular, tornando-a mais permeável e possibilitando que o ozônio penetre no interior e prejudique as membranas do plasma, chegando a afetar os componentes estruturais (15).

Os efeitos primários do ozônio em humanos estão relacionados com o trato respiratório, podendo evoluir para uma dor de cabeça, tontura, ardor nos olhos e garganta, sensação de odor pungente e tosse. A aspiração do ozônio é extremamente perigosa, porém, a ingestão pela água não apresenta riscos à saúde, visto  meia vida do ozônio na água é curta.  A gravidade da inalação do ozônio depende do volume inalado e do tempo de exposição ao gás (2,14,13). 

 

 Referências

1. Souza JB . Avaliação de métodos para desinfecção de água, empregando cloro, ácido peracético, ozônio e o processo de desinfecção combinado ozônio/cloro. São Carlos, 2006. 36 p. Tese (Doutorado em Hidráulica e Saneamento).

2. Lapolli FR, Santos LF dos, Hassemer MEN. Aisse MM, Piveli RP. Desinfecção de efluentes sanitários por meio da ozonização. Rio de Janeiro, ABES, p. 201, 2003.

3. Mendez F, Maier DE, Mason LJ, Woloshuk CPl. Penetration of ozone into columns of stored grains and effects on chemical composition and performance. Journal of Stored Products Research, p. 34, 2003.

4. Guzel-Seydim ZB.; Greene AK. ; Seydim AC. Use of ozone in the food industry. Lebensmittel-Wissenschaft + Technologie. Turquia, 453 p, 2004.

5. Alves  H. Alencar ER, Ferreira WFS, Silva CR, Ribeiro JL.  Aspectos microbiológicos e físico-químicos de morango exposto ao gás ozônio em diferentes concentrações durante o armazenamento. Instituto de Tecnologia de Alimentos – ITAL, Campinas, v. 22, 2 p, 2019.

6. Ornelas PTSF, Sousa CM, Silva ICR, Fratelli CF. As evidências científicas da eficácia do uso da ozonioterapia frente à legislação sanitária brasileira. REVISA, p. 320-6, 2020,

9. Iglesias SC. Degradation and biodebradability enhancement of nitrobenzene and 2,4 – dichlorophenol by means of advanced oxidation processes based on ozone. Tese (Doutorado em Engenharia Química) – Universidade de Barcelona, Barcelona, p. 322, 2002. 

10. Silva SB, Luvielmo MM, Geyer MC, Prá I. Potencialidades do uso do ozônio no processamento de alimentos : Potential use of ozone in the food processing. Ciências Agrárias. Londrina, 658 p, 2011.

11. Chiattone PV, Torres, LM, Zambiaz RC. Aplication of ozone in industry of food. Alimentos e Nutrição. Revista Brasileira de Alimentação e Nutrição, Araraquara, v. 19, p. 341, 2008.

12. Vidal FJR. Processo de potabilización del agua e influencia del tratamiento de ozonización. Madrid: Ediciones Díaz de Santos, 253 p, 2003.

13. Langlais B, Brink DR, Reckhow D. Ozone in Water Treatment: Application and Engineering. Chelsea. AWWARF and Lewis Publishers, p. 568, 1991. 

14. Russell, Hugo, Ayliffe’s  Principles and practice of disinfection, preservation and sterilization. Canadá: Wiley-Blackwell, p. 826, 2013.

15. Di Bernardo L,  Dantas ADB. Métodos e técnicas de tratamento de água. São Carlos, 784 p, 2005.

 

admin_cms

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*

Anuncie
Seja um parceiro do Nanocell News. Saiba como aqui.

Inscrição Newsletter

Deseja receber notícias de divulgação científica em seu e-mail?

Aqui você irá encontrar as últimas novidades da ciência com linguagem para o público leigo. É a divulgação científica para os brasileiros! O cadastro é gratuito!

Alô, Escolas!

Alô, Escolas! é um espaço destinado ao diálogo com as escolas, públicas e privadas, seus professores e alunos de todas as áreas (humanas, exatas ou ciências) do ensino médio e superior. A seção Desperte o cientista em você traz notícias, dicas de atividades e experimentos para uso em sala. Aqui você encontra também informações sobre a coleção de livros publicados pelo NANOCELL NEWS sobre ciências e saúde, e sobre o Programa Instituto Nanocell de Apoio à Educação.

Edições Anteriores

Curta a nossa página

css.php