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CONTRA CÁRIE: Vinho Tinto

CONTRA CÁRIE: Vinho Tinto

Fernanda Maria Policarpo Tonelli, Rodrigo R Resende

Edição Vol. 2, N. 05, 23 de Dezembro de 2014

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.12.22.003

Ai, que dor de dente! Uma mordida em um pedaço de carne ou um doce um pouquinho mais duro já dá uma sensação infindável de dor. Semelhante àquela agulhazinha que é enfiada vagarosamente e interminavelmente por dentro do dente, passando pela gengiva e sentindo até o osso perfurado… Estes tipos de problemas como cáries e gengivite podem estar com os dias contados!

Um estudo publicado recentemente por pesquisadores do Instituto de Investigação em Ciências da Alimentação, em Madri, na Espanha, relata o potencial antimicrobiano do vinho tinto (1). Este trabalho foi o primeiro a utilizar modelos de biofilme para avaliar a capacidade de substâncias em induzir morte celular e inibição de crescimento em micro-organismos.

A placa bacteriana

No interior de nossas bocas existem diversos micro-organismos. Dentre estes, alguns possuem a capacidade de se multiplicar se agrupando em padrão de biofilmes. Quando presentes nestes arranjos encontram-se fixados na superfície dos dentes envoltos em uma matriz por eles produzida, originando o que se conhece como placa bacteriana. É como se o dente ficasse mais amarelado em uma parte da superfície dele (Figura 1).

Estas, se não removidas, podem levar à formação de tártaro (que é a placa bacteriana endurecida). O tártaro dá à placa bacteriana um espaço maior e propício para o seu crescimento, o que pode levar a problemas mais sérios como a cárie e gengivite e a problemas bucais devidos, principalmente, à produção de substâncias ácidas pelas bactérias constituintes das placas. Estes ácidos contribuem para a desmineralização dos dentes, formando buracos dentro deles, e consequente surgimento de problemas como cáries, gengivite e periodontite (Figura 1). Todo meio ácido seja no dente ou nos ossos leva a sua quebra ou formação de buracos que os tornam mais quebradiços. E um refrigerante de uma marca famosa é um dos maiores causadores da fragilidade óssea e desmineralização dos dentes. Cuidado! É aquele preto mesmo… Problemas estes que afetam um amplo número de pessoas: 60-90% da população mundial.

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Figura 1: A formação da placa bacteriana pode conduzir a graves problemas bucais nos dentes e/ou gengivas (Adaptada de 3).

No entanto, a remoção destas placas não é tão simples de ser realizada por completo (2), e ainda existe o desafio de se lidar com a crescente resistência aos antibióticos apresentada por parte das espécies formadoras de biofilme.

Por estas razões vem se buscando substâncias que possam causar, de forma eficaz, a morte das bactérias formadoras da placa, e assim evitar os problemas passíveis de serem desencadeados por estas.

O efeito antimicrobiano do vinho tinto

Os pesquisadores utilizaram 5 diferentes modelos de biofilme simulando a placa supragengival. Para tanto, selecionaram micro-organismos comumente envolvidos na formação destas placas: Actinomyces orisFusobacterium nucleatum, Streptococcus oralisStreptococcus mutans e Veillonella dispar (Figura 2).

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Figura 2: Micrografias eletrônicas das bactérias que mais comumente causam a cárie. a.Actinomyces oris; b.Fusobacterium nucleatum; c.Streptococcus oralis; d. Streptococcus mutans; e.Veillonella dispar.

Dentre as substâncias para as quais se testou o potencial antimicrobiano estavam vinho tinto e vinho tinto sem álcool: tendo sido ambos capazes de causar a morte de F. nucleatum e S. oralis. Testou-se também a eficiência do vinho tinto enriquecido com extrato de semente de uva, que mostrou capacidade ainda maior de causar a morte de F. nucleatum, S. oralis e A. oris.

Logo, a concentrações moderadas de teste, o vinho tinto, enriquecido ou não com extrato de semente de uva, se mostrou capaz de inibir o crescimento e causar a morte de espécies patogênicas formadoras de biofilmes orais.

Semelhantemente a outro estudo publicado no NANOCELL NEWS em que o resveratrol, um componente do vinho tinto, tem uma ação bactericida ampla e que, em conjunto com o peróxido de benzoíla, elimina as bactérias que formam as espinhas (3) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/componente-do-vinho-e-das-uvas-resveratrol-tambem-pode-acabar-com-espinhas-resveratrol-inibe-o-crescimento-de-bacterias-que-causam-a-acne/). Embora neste estudo atual os cientistas não tenham buscado saber qual era o componente ativo, pelo estudo que inibe as espinhas podemos supor que seja o resveratrol, o componente do vinho que tem a ação antimicrobiana.

O resveratrol é a mesma substância que fez com que alguns médicos recomendassem aos adultos que bebessem vinho tinto, devido às suas propriedades que poderiam promover saúde cardíaca. Veja bem, o resveratrol é aquele mesmo composto que é dito ajudar a reduzir os níveis de colesterol no sangue, prevenindo o infarto do miocárdio. Mas, foi dito anteriormente aqui, que o melhor seria tomar um suco de vinho bem gostoso! (4) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/fonte-da-juventude-sinais-de-envelhecimento-em-camundongos-sao-revertidos/). O antioxidante resveratrol interrompe a formação de radicais livres, que provocam danos aos tecidos e às células. Enquanto o peróxido de benzoíla é um oxidante que funciona através da produção de radicais livres que matam as bactérias da acne. Exatamente o contrário do resveratrol.

Perspectivas futuras

Espera-se, como um desdobramento deste estudo publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry que, em um futuro não muito distante o vinho tinto e o extrato de sementes de uva possam vir a ser aplicados em produtos de higiene bucal, como enxaguantes bucais e pastas de dentes, com o objetivo de se inibir de maneira mais eficiente a formação de placas bacterianas.

É ainda interessante sua utilização futura para desenvolvimento de produtos naturais que combatam as doenças dentárias já manifestadas; e que isto seja realizado de maneira a não favorecer a seleção de colônias resistentes.

Referências

1. Munoz-Gonzalez I, Thurnheer T, Bartolome B, Moreno-Arribas MV. Red wine and oenological extracts display antimicrobial effects in an oral bacteria biofilm model. J Agric Food Chem. 2014 May 21;62(20):4731-7. PubMed PMID: 24773294. Epub 2014/04/30. eng.

2. da Silva BR, de Freitas VA, Carneiro VA, Arruda FV, Lorenzon EN, de Aguiar AS, et al. Antimicrobial activity of the synthetic peptide Lys-a1 against oral streptococci. Peptides. 2013 Apr;42:78-83. PubMed PMID: 23340019. Epub 2013/01/24. eng.

3. Resende RR. COMPONENTE DO VINHO E DAS UVAS, RESVERATROL, TAMBÉM PODE ACABAR COM ESPINHAS: Resveratrol inibe o crescimento de bactérias que causam a acne. Nanocell News. 2014 10/06/2014;2(1). Epub 10/06/2014.

4. Resende RR. FONTE DA JUVENTUDE? Sinais de envelhecimento em camundongos são revertidos. Nanocell News. 2014 01/28/2014;1(6). Epub 01/28/2014.

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