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CONSERVAÇÃO E BIODIVERSIDADE DO GIGANTE DA AMAZÔNIA: Pirarucu (Arapaima gigas)

CONSERVAÇÃO E BIODIVERSIDADE DO GIGANTE DA AMAZÔNIA: Pirarucu (Arapaima gigas)

Marília Danyelle Nunes Rodrigues, Natalia Bianca Caires Medeiros, Romero Kadran Rodrigues Vieira, Igor Guerreiro Hamoy

Grupo de Genética Animal – GGA, Universidade Federal Rural da Amazônia, Campus Parauapebas, PA 275, s/n – Caixa Postal 3017, 68515-970, Parauapebas, PA, Brasil.

Edição Vol. 5, N. 01, 01 de Novembro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.11.01.002

O risco de extinção do pirarucu é um risco para a diversidade da Amazônia! Sabe por quê uma única espécie pode reduzir a diversidade de toda uma região? Esse é o estudo feito por um grupo de brasileiros! Invista nas Ciências!

  pirarucu

A cientista Marília Nunes, uma das vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2017

Considerada por muitos pesquisadores como a matéria-prima para a evolução (1) a diversidade genética de uma população sofre mudanças ao longo do tempo (2). Entretanto, mudanças drásticas como uma diminuição do tamanho populacional, comprometem diretamente o êxito evolutivo e tendem a reduzir a diversidade genética devido a elevadas taxas de homozigose e endogamia, isto é a diversidade genética é reduzida devido ao acasalamento entre os peixes ser consanguíneos, ou de indivíduos aparentados (3). O perigo disto é igual ao caso de seres humanos parentes que se casam, têm risco aumentado de doenças consanguíneas, ou herdadas, e a redução da diversidade genética, aumentando o risco de extinção!

 

Neste contexto, a sobrepesca de espécies nativas, como o pirarucu (Arapaima gigas), tem consequências marcantes no tamanho populacional (4). Dentre outros, o pirarucu foi a primeira espécie de peixe amazônico a apresentar sinais de sobreexploração (5). Considerado como o “fóssil vivo” da Terra é o maior peixe de escamas do mundo podendo pesar mais de 200 kg na natureza (Figura 1) (6). 

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Figura 1. Exemplar de Pirarucu (Arapaima gigas).

Em meados de 1970, com uma diminuição significativa de sua captura, passou a ser considerado extinto comercialmente nas principais cidades da região amazônica, chegando a desaparecer completamente em algumas áreas (7). 

A sobre-exploração acelerou a degradação dos estoques naturais, ameaçando a diversidade genética (8). Estudos recentes demonstram (9) que, as populações de pirarucu na bacia do rio Araguaia-Tocantins já apresentam baixa diversidade genética, com genes restritos, possivelmente levando-os a uma depressão endogâmica. 

Espere, o que é essa depressão endogâmica? 

Em uma população pequena, acasalamentos ou endogamia entre parentes são comuns. Esta endogamia pode diminuir a habilidade de sobrevivência e reprodução, um fenômeno chamado de depressão endogâmica, sendo esta uma ameaça para as espécies ameaçadas de extinção.

Embora muitos estudos estejam sendo realizados com peixes, poucos são os que realizam abordagens genéticas em espécies de ocorrência na bacia Amazônica. Além disso, ainda existe uma lacuna muito grande nos estudos genéticos populacionais de pirarucus da Amazônia legal brasileira, que busquem diagnosticar verdadeiramente a situação dos estoques naturais, afim de avaliar os impactos causados pela pesca extrativista na região. 

Neste contexto, o uso de ferramentas moleculares em estudos relacionados à biologia da conservação, vem sendo amplamente utilizada. Dentre os marcadores moleculares mais empregados para avaliação de diversidade genética destacam-se os microssatélites (10). Estes marcadores, estão amplamente distribuídos no genoma e possuem grande poder informativo pelo fato de serem codominantes (é um tipo de interação entre alelos de um gene onde não existe relação de dominância, o filho não possui a mesma característica do pai, e sim um novo fenótipo), multialélicos (Alelos múltiplos ou polialelia é a situação em que um gene (genótipo) apresenta três ou mais alelos, e não apenas dois, para um mesmo endereço do gene (lócus cromossômico), determinando uma característica (fenótipo)) e apresentarem uma alta taxa de mutação; sendo utilizados para estudos populacionais, identificação forense (11) e avaliação de variabilidade genética em populações naturais (9).

Nossos estudos buscam diagnosticar a real situação dos estoques naturais de pirarucu, os quais são essenciais para avaliar os impactos causados pela pesca extrativista. Desta forma, almejamos realizar a primeira caracterização genética dos pirarucus manejados na Mesorregião Sudeste Paraense, servindo como referência para o monitoramento constante dos impactos da pesca sobre essas populações. 

Além disso, buscamos traçar estratégias que possam ser adotadas no manejo da conservação dos pirarucus, para que os estoques naturais se mantenham ecologicamente eficientes para a manutenção de sua diversidade.

E por fim, através da elaboração de uma cartilha destinada à Conservação e Biodiversidade do pirarucu, buscamos conscientizar a população quanto aos riscos de extinção da espécie, bem como da possível perca de diversidade genética que pode estar ocorrendo na Amazônia como um todo. 

Uma ciência brasileira que salva a diversidade! Salve você também a Ciência Brasileira. Invista em Ciências!

Referências

  1. Fisher RA. The genetical theory of natural selection. Oxford, Clarendon Press. 1930;272p. 
  2. Klug W S, Cummings MR, Spencer CA, Palladino MA. Concepts of genetics. 10th ed. San Francisco, Pearson Education, 2012;742p. 
  3. Frankham R, Ballou JD, Briscoe DA. Fundamentos de genética da conservação. Ribeirão Preto, Sociedade Brasileira de Genética. 2008;262p. 
  4. Barletta M, Jaureguizar AJ, Baigun C, Fontoura NF, Agostinho AA, Almeida-Val VMF, et al. Fish and aquatic habitat conservation in South America: a continental overview with emphasis on neotropical systems. Journal of Fish Biology. 2010;76: 2118-2176. 
  5. Viana JP, Castello L, Damasceno JM, Amaral ESR, Estupiñán G, Arantes CC, et al. Manejo comunitário do pirarucu Arapaima gigas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, Amazonas, Brasil. In: Áreas protegidas como instrumento de gestão pesqueira. Brasília: Núcleo da Zona Costeira Marinha. 2007;4: 239-261.
  6. Alfaro MR, Bocanegra FA, Garcia MV. Manual de piscicultura del paiche (Arapaima gigas Cuvier). Caracas: FAO/Instituto de Investigaciones de la Amazônia Peruana – IIAP. 1999;32p. 
  7. Goulding M. The fishes and the forest. Los Angeles: University of California Press, 1980;200p.
  8. Castello L, Stewart DJ, Arantes CC. Modeling population dynamics and conservation of arapaima in the Amazon. Reviews in Fish Biology and Fisheries. 2011;21: 623-640. 
  9. Vitorino CA, Oliveira RCC, Margarido VP, Venere PC. Genetic diversity of Arapaima gigas (Schinz, 1822) (Osteoglossiformes: Arapaimidae) in the Araguaia-Tocantins basin estimated by ISSR marker. Neotropical Ichthyology. 2015;13(3): 557-568.
  10. Lorenzen D, Arctander P, Siegismund HR. High variation and very low differentiation in wide ranging plain zebra (Equus quagga): insights from mtDNA and microsatellites. Molecular Ecology. 2008;17: 2812-2824. 
  11. Oliveira EJ, Pádua JG, Zucchi MI, Vencovsky R, Vieira MLC. Origin, evolution and genome distribution of microsatellites. Genetics and Molecular Biology. 2006;29 (2): 294-307. 
  12. Farias IP, Harbek T, Brinkmann H, Sampaio I, Meyer A. Characterization and isolation of DNA microsatellite primers for Arapaima gigas, an economically important but severely over-exploited fish species of the Amazon basin. Molecular Ecology Notes. 2003;3:128-130, 
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