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Brenda Moraes Santos1, Mable Pedriel Freitas1, Camila Botelho Miguel2

1 Graduando(a) em Medicina pelo Centro Universitário de Mineiros (UNIFIMES), Goiás, Brasil

2 Docente para o Curso de Medicina, Centro Universitário de Mineiros, Unifimes, Goiás, Brasil

Edição Vol. 8, N. 11, 22 de Novembro de 2021

Figura: https://tusdudasdesalud.com/enfermedades/narcolepsia/. Acesso em 18 de Novembro de 2021.

A narcolepsia é um distúrbio crônico neurológico que causa sonolência excessiva, isso é, o indivíduo possui uma alteração que afeta seu cérebro fazendo com que ele sinta muito sono, inclusive durante ao dia. A doença foi descrita no final dos anos 1800 por um médico francês, que observou o caso em um comerciante local que sofria de sonolência. Posteriormente, o distúrbio foi caracterizando-se melhor à medida que esta doença foi melhor conhecida (1, 2).

Além de apresentar sono em excesso, o indivíduo pode apresentar cataplexia, que é um estado de imobilidade e rigidez muscular que ocorre de forma repentina e é desencadeada por emoções fortes geralmente positivas. As alucinações hipnagógicas (caracterizada por sensações vívidas associadas a fenômenos visuais, táteis e auditivos quando o sono se inicia), ou ainda a paralisia do sono (que ocorre quando o indivíduo está dormindo, porém ouve o que acontece ao seu redor sem conseguir abrir os olhos ou se mover), também são sintomas que podem ocorrer nessa doença. A narcolepsia afeta as funções gerais do indivíduo interferindo na vida social, profissional e emocional. Se não tratada da forma adequada existe grande probabilidade de gerar prejuízos na vida do indivíduo (3, 1).

A narcolepsia ocorre devido à perda seletiva e severa de neurônios que produzem a orexina, um neuropeptídio localizado no cérebro em uma região bem específica conhecida como hipotálamo lateral, que regula a excitação, a vigília e o apetite do organismo (3).

Existem dois tipos de narcolepsia, a do tipo 1 onde ocorre a cataplexia (NT1), e a do tipo 2, em que não ocorre a cataplexia (NT2). A NT1 acontece quando os neurônios que possuem orexina são destruídos, e acredita-se que isso acontece por um processo autoimune, onde o corpo reage contra si mesmo na intenção de combater processos infecciosos. Já na NT2 acredita-se que haja menor destruição de células de orexina ou ainda que a sinalização do receptor de orexina esteja prejudicada. Dessa forma pode-se observar que a quantidade desse neuropeptídeo vai estar diminuída ou ausente (4).

É uma condição pouco diagnosticada, e com confirmação de diagnóstico ainda demorado. Acredita-se que metade dos pacientes desenvolvem sintomas ainda na adolescência. Para o diagnóstico da narcolepsia, o médico precisa avaliar e identificar sintomas que ocorram pelo menos três vezes por semana nos últimos 3 meses, como lapsos diários e ataques de sono, associados a pelo menos um dos três pontos a seguir: baixos níveis de orexina, diversos episódios de cataplexia ao mês ou latência do sono com média de oito minutos. A latência do sono é o intervalo entre o fechar os olhos e a desaceleração do funcionamento do cérebro (2, 4).

Na avaliação investigativa, existem alguns exames que podem auxiliar no diagnóstico, como por exemplo a Polissonografia (PSG), o teste de Latência Múltipla do Sono (MSLT) e também a dosagem da orexina. Este último diagnostica a NT1 quando os valores estiverem menores que o valor de referência (110 pg/mL) (4).

O tratamento inclui tanto medidas farmacológicas como as não farmacológicas. As medidas não farmacológicas envolvem ações de mudança nos hábitos, como programar cochilos de vinte minutos durante o dia para melhorar o estado de alerta, buscar manter horários de sono noturno regular e eficiente. O aconselhamento psicológico e a participação de grupos de apoio também podem ser úteis. Oferecer suporte emocional, aconselhamento de saúde mental e educar sobre os danos do uso do álcool e de drogas ilícitas também fazem parte do tratamento não farmacológico (4).

Já o tratamento farmacológico faz uso de medicamentos que promovem a vigília diurna e controlem a sonolência excessiva, como o modafinil, armodafinil ou até mesmo anfetamina. Para a cataplexia, o uso de oxibato de sódio e antidepressivos tricíclicos apresentam bons resultados (2, 5).

Um estudo apontou que pessoas com narcolepsia têm maior chance de desenvolver outras comorbidades, como obesidade, depressão, ansiedade e outros distúrbios do sono. Além do mais indivíduos com narcolepsia têm taxas mais altas de lesões acidentais quando comparado com indivíduos que não apresentam a doença, como queimaduras, fraturas ósseas e acidentes automobilísticos, e isso se explica pela baixa vigilância diurna e excesso de sono (5).

Dessa forma pode-se observar que apesar da narcolepsia não ser uma condição comum, é uma das principais causas de sonolência diurna excessiva. Por ser uma condição pouco reconhecida, muitas vezes diagnóstico é demorado o que interfere na qualidade de vida dos indivíduos afetados pela doença. Nesse sentido conhecer mais sobre a doença auxilia no diagnóstico e também no tratamento, reduzindo o impacto na vida dos indivíduos permitindo que pacientes com narcolepsia tenham uma melhor qualidade de vida (5).

REFERÊNCIAS

1. SCHIAPPA C, SCARPELLI S, D’ATRI A, GORGONI M, GENNARO L. Narcolepsy and emotional experience: a review of the literature. Behav Brain Funct. 2018;14(1):19. Published 2018 Dec 26. doi:10.1186/s12993-018-0151-x. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6305999/>. Acesso em: 17 Nov. 2021.

2. ERIN, C. Golden; MELISSA, C. Lipford. Narcolepsy: Diagnosis and management. Cleveland Clinic Journal of Medicine, dezembro de 2018, 85 (12) 959-969. Disponível em: < https://www.ccjm.org/content/85/12/959.long>. Acesso em: 17 Nov. 2021.

3. MAHONEY, Carrie E.; COGSWELL, Andrew; KORALNIK, Igor J.; SCAMMELL, Thomas E.. The neurobiological basis of narcolepsy. Nat Rev Neurosci. 2019;20(2):83-93. doi:10.1038/s41583-018-0097-x. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6492289/>. Acesso em: 17 Nov. 2021.

4. SLOWIK, Jennifer M.; COLLEN, Jacob F.; YOW, Allison G.. Narcolepsy. StatPearls Publishing; Jul 26, 2021. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK459236/>. Acesso em: 17 Nov. 2021.

5. BARKER EC; FLYGARE J; PARUTHI S; SHARKEY KM. Living with Narcolepsy: Current Management Strategies, Future Prospects, and Overlooked Real-Life Concerns. Nat Sci Sleep. 2020;12:453-466. Published 2020 Jul 16. doi:10.2147/NSS.S162762. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7371435/>. Acesso em: 17 Nov. 2021.

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