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CONHEÇA O VITILIGO: Definição, Causas E Tratamentos

CONHEÇA O VITILIGO: Definição, Causas E Tratamentos

Patrícia de Carvalho Ribeiro, Daniel Mendes Filho, Rodrigo R Resende, Ricardo Cambraia Parreira

Edição Vol. 4, N. 15, 27 de Setembro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.09.27.006

O Vitiligo é uma doença cuja característica é a perda da coloração da pele, sendo possível observar o aparecimento de manchas brancas bem delimitadas espalhadas pelo corpo. Mas por que essas manchas aparecem?

A resposta desta pergunta chave está na existência de células específicas no nosso organismo – chamadas de melanócitos – as quais produzem o pigmento responsável pela cor da pele (a melanina). As manchas observadas no vitiligo são causadas pela ausência ou diminuição na quantidade de melanócitos.

As causas para a doença são bastante complexas, envolvendo fatores genéticos e ambientais, além de alterações metabólicas e imunológicas. Tais alterações são responsáveis por ativação do sistema imune e também por mudanças na atividade celular dos melanócitos, levando ao processo de morte celular.

O vitiligo pode ser classificado em dois tipos: segmentar ou unilateral e não-segmentar ou bilateral. No primeiro, ocorre o acometimento de apenas uma parte do corpo, podendo atingir inclusive os pelos e cabelos e, em geral, afeta pacientes jovens. No segundo tipo, mais comum, ocorre acometimento nos dois lados do corpo, como nas duas mãos ou nos dois pés, por exemplo. Os pacientes apresentam então ciclos de desenvolvimento e estagnação das lesões. A duração dos ciclos, assim como o tamanho das áreas despigmentadas, geralmente se tornam maiores com a progressão da doença (Figura 1).

vitiligo 

Figura 1: Formas de vitiligo: A doença acomete a cabeça, cabelos ou somente um lado do corpo (unilateral). Na forma bilateral, o vitiligo acomete ambos os lados do corpo, como as duas mãos. Fonte: Imagens da internet (vide referências)

Considerando que o vitiligo não tem cura, os tratamentos visam estabilizar sua progressão e/ou devolver a cor (repigmentar) as áreas afetadas e incluem, principalmente: terapia com luz ultravioleta e utilização de medicamentos aplicados nos locais das lesões (remédios chamados de agentes tópicos). Entre tais medicamentos estão os corticosteroides, inibidores da calcineurina e calcipotriol. Nos pacientes em que a terapia com luz UV não se mostra eficaz, o tratamento combinado com os agentes tópicos é indicado e, em geral, é observada repigmentação de algumas áreas afetadas pela doença.

Cirurgias também podem ser consideradas como forma de terapia para o vitiligo, quando as demais opções falham, e envolvem o transplante de áreas da pele do paciente, livres da doença, para as áreas afetadas. O transplante celular de melanócitos para as regiões despigmentadas também representa uma possível forma de tratamento. A camuflagem (com cosméticos ou tatuagem) ou a despigmentação completa e definitiva (através de agentes químicos ou laser) são outras opções – a escolha do tratamento também depende da resposta do paciente frente às metodologias clínicas mais comumente utilizadas.

Como terapias mais recentes têm sido estudadas e testadas formas de bloqueio da ativação da resposta imunológica contra os melanócitos. A inflamação é considerada uma das possíveis causas para o desenvolvimento do vitiligo. Dessa forma, medicamentos capazes de bloquear vias metabólicas (que são processos de quebra e formação de moléculas, envolvendo reações bioquímicas) relacionadas à progressão da resposta imune observada na doença representam uma alternativa promissora de tratamento. Como exemplo, podemos citar uma pesquisa em andamento que investiga o uso da droga ruxolitinib. Tal droga interfere na sinalização de uma das vias metabólicas mais estudadas no vitiligo (a via CXCR3/ CXCL9-10/IFN?).

Vale ressaltar que essa NÃO é uma doença transmissível e NÃO afeta a saúde física. As formas de prevenção para o aparecimento de novas lesões ou agravamento das já existentes incluem evitar o uso de roupas apertadas (para reduzir o atrito ou pressão sobre a pele) e diminuir a exposição solar.

Referências

Boniface K, Seneschal J, Picardo M, Taïeb A. Vitiligo: Focus on Clinical Aspects, Immunopathogenesis, and Therapy. Clin Rev Allergy Immunol. 2017 Jul 6.

Rothstein B, Joshipura D, Saraiya A, Abdat R, Ashkar H, Turkowski Y et al. Treatment of vitiligo with the topical Janus kinase inhibitor ruxolitinib. J Am Acad Dermatol. 2017 Jun;76(6):1054-1060.e1.

Sociedade Brasileira de Dermatologia [homepage na internet]. Vitiligo [acesso em 19 de agosto de 2017]. Disponível em: http://www.sbd.org.br/doenca/vitiligo/

Imagens: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Photographic_atlas_of_the_diseases_of_the_skin_a_series_of_ninety-six_plates,_comprising_nearly_two_hundred_illustrations,_with_descriptive_text,_and_a_treatise_on_cutaneous_therapeutics_(1905)_(14597780737).jpg

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