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CONFIANÇA, HONESTIDADE E RESPEITO

CONFIANÇA, HONESTIDADE E RESPEITO

Ryan von Asch

Edição Vol. 3, N. 7, 26 de Fevereiro 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.02.26.004

Você já se deparou em uma situação ou alguma vez em que você confia um segredo seu a alguém, somente a essa pessoa, e de repente aquilo que era para ser guardado e não revelado é disposto ao gosto e exposto aos outros de maneira jocosa ou desrespeitosa? 

A maneira como se confidencia uma informação a outrem e se especifica que aquilo não é de autoridade de mais ninguém e nem da pessoa a quem o segredo foi-lhe confiado é uma temática que acerca não somente as relações entre os seres humanos, mas envolve também segredos de nações, terrorismos e, até dos animais. Sobre quando os EUA e a Inglaterra decifraram códigos de defesa da Alemanha e do Japão durante a segunda grande guerra e que inspirou o livro e filme “O Jogo da Imitação” onde o matemático britânico Alan Turing, o mesmo quem inventou o computador, decodificava as mensagens de onde e quando seriam organizados ataques contra os aliados. Por sinal, o próprio Turing, além de ter um dos maiores segredos de Estado de todos os tempos em suas mãos, ele tinha seu próprio segredo, o de ser homossexual.

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Ou de quando o norte-americano Edward Snowden soltou a máxima dos segredos de espionagem americana dos tempos atuais, em que cidadãos e empresas que usam a rede mundial de internet são espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA, em conjunto com a CIA. Os EUA invadiram os e-mails e telefonemas pessoais de vários líderes mundiais em busca de informações privilegiadas, seja para ganhar posição estratégica no cenário internacional ou servir de espionagem e negociar barganhas ou ameaças políticas. Nesses casos, os segredos das nações envolvidas só foram expostos devido ao espião americano vazar as informações de que seu país espiona(ra) as outras nações. Colocando em linha com nosso tema, o espião americano traiu a confiança de seu governo quando expôs ao público de que seu país bisbilhotou e de que pode fazê-lo com a vida de quem ele queira. As outras nações nada contaram aos EUA sobre seus segredos, mas mesmo assim eles vieram à tona, por meio de terceiros. Se um terrorista guarda seu segredo com outro comparsa ou com seu superior, aquela mensagem não pode ser de qualquer forma deixada a vagar por qualquer lugar ou boca, sob pena de morte de quem a outrem repassar. É o mesmo que a lei americana diz respeito a americanos que expõe segredos de seu país a outras nações, mesmo que escondida ou reservadamente ou, a quem vem a público, como foi o caso do Snowden.

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Esse símbolo é alvo de muitas teorias. Os illuminatis são constantemente associados com o tal “Olho que tudo vê”. Na verdade, esse símbolo se chama “Olho da Providência”. Ele é um olho cercado por raios de luz ou em glória, muitas vezes dentro ou em cima de um triângulo ou de uma pirâmide.

O famoso símbolo costuma ser interpretado como a representação do olho de Deus observando a humanidade, mas não necessariamente significa que pertença a ele. É bastante usado na simbologia da maçonaria. Está presente do verso do Grande Selo dos Estados Unidos. Fonte: http://www.ultracurioso.com.br/qual-e-o-verdadeiro-significado-do-olho-que-tudo-ve/

Com os animais algo semelhante também acontece. O macho alfa confia em seu rebanho suas estratégias de caça, limites territoriais e suas fraquezas. Como qualquer um de nós, os animais, mesmo sendo equipados evolutivamente para se tornarem máquinas de guerra, ataque e caça invencíveis, todos têm suas fraquezas, seus pontos fracos. Seus inimigos ou presas, não sabem quais são estes pontos fracos a não ser que estejam em contato direto ou em observação constante de seu oponente. É como se um boxeador ou lutador de MMA estivesse treinando com seu oponente, descobrindo seus pontos fracos. Como isso não acontece, ou se vislumbra suas lutas ou se infiltra em sua equipe e se avalia seus métodos, ou alguém de sua equipe conta seus segredos.

Em todas essas situações uma quebra, muito mais do que de um sigilo, uma quebra de confiança foi gerada. Se não existe mais confiança como poderá ser honesto com quem quebrou sua confiança? E ele perde seu respeito, porque não consegue ser mais seu alvo de uma atenção merecida.

Na definição da palavra confiança, que vem do Latim CONFIDENTIA, “confiança”, de CONFIDERE, “acreditar plenamente, com firmeza”, formada por COM, intensificativo, mais FIDERE, “acreditar, crer”, que deriva de FIDES, “fé”. Uma palavra que por si diz que tem como base a fé. Não vou extrapolar para o lado da fé em uma divindade, mas a fé a quem você abriu seu coração, sua mente, expôs sua fragilidade conferindo a seu confidente um caráter de respeito. E aqui temos a definição dessa segunda palavra. Respeito, do Latim respectus, particípio passado de respicere, “olhar outra vez”, de re-, “de novo”, mais specere, “olhar”. A ideia é de que algo que merece um segundo olhar tem qualidades que levam a uma atitude de consideração e reverência. Quando confiamos em alguém algum segredo é de se esperar que ela entenda que a confiança depositada nela pode ser por ela ser uma pessoa especial, que merece seu respeito e, por isso, você está honestamente se expondo a ela. E entramos no aspecto de você ser honesto com alguém em quem confiou seu “calcanhar de Aquiles”, por assim dizer. Esperando e acreditando que ela também o será honesta com você. Bom, então, veremos o significado da palavra “Honestidade”, do Latim HONESTITAS, qualidade do que é HONESTUS, “honrado, decente, virtuoso”, derivado de HONOS, “honra”. Uma honra é receber o segredo de alguém que em você confia e tem seu respeito. Pode ser um dos casos em que pessoas que ninguém imagina ou acredita poder fazer algo que acabam por fazer alguma coisa que ninguém imaginaria.

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No sentido horário: Honestidade, Integridade e Respeito geram Confiança, ao centro.

Em respeito, confiança e honestidade, podemos colocar uma outra situação para se clarear mais as ideias ou demonstrar em outras áreas de atuação. Como em cargos públicos, ou cargos estratégicos, ou cargos de confiança… O cargo ocupado a quem se confidencia é que é digno de respeito, independente se quem o ocupa é meritório de crédito ou não, e ao cargo deve ser creditado sua confiança. Mas, em certas circunstâncias, quando aquele que ocupa cargo de tão nobre reputação não é fidedigno de tal nobreza, pode ser tão torpe a ponto de se esconder atrás de seu cargo para abrir o segredo que lhe foi confidenciado ao público, com meras intenções de se proteger, de uma merecida desmascarada ou de seu grupo político-administrativo não o sê-lo desmantelado. Pode-se pensar no cenário político atual, por exemplo, ou se for tão alienado e não acreditar nisso, pode pensar nos segredos que levaram Getúlio ao suicídio (assim não tem porque aficionados em política corrupta acreditar ou vir a pensar que estou falando deles…). Não que se tenha ou se vá demonstrar o que são, o que pensam, ou como agem às escondidas, ou como suas intenções maquiavélicas são planejadas para se abastarem de seus desejos vis.

Isso, até aqui tenho colocado um aspecto mais amplo. Entretanto, se quero demonstrar isso com um fato ocorrido comigo, apresento então o que um segredo meu deixou-o de ser meu e de meu confidente para chegar a ameaçar vidas em paralelo. Hei, espera aí, não estaria eu “viajando” ou delirando em um mundo de fantasias em acreditar que um segredo meu, que confiei, talvez não na pessoa, mas no cargo que ocupa, poderia de alguma forma, para sua própria proteção ou de seu grupo de permanecer incólume, alvoraçar minha história para me fazer de coitado ou calar-me? Se é um desejo de que pessoas próximas, queridas, não o tomem conhecimento da informação, por isso era um segredo, para resguardar a saúde de terceiros, então por que falar para exatamente essas pessoas, que eram para serem poupadas, o saibam? Se a intenção por trás do segredo é proteger a quem ama é próprio e digno de quem ao segredo conhece não o tornar público? Não sabe ele que isso pode levar ao prejuízo para outrem? Não sabe que isso é mais do que uma invasão de privacidade? Não é como um Big Brother que tudo faz para se exibir. É um silêncio que se deve tomar para si para que outros não saiam feridos.

Imagine em casos de ataques terroristas. Se um terrorista chefe confia a missão a seu subalterno, esse não irá falar a outros sobre seus planos, a não ser que queira salvar sua cabeça, por um lado, ou não perde-la pelo outro… Se um agente infiltrado, aqui já tem ele seu segredo, o de ser infiltrado, não conta seus segredos do lado espionado para seus chefes, então ele vira um contraespião. Porém seu cargo é de contar os segredos dos espionados. Mas esse não é o caso de um cargo público que, a princípio, é o servir a um departamento restrito e que o tal segredo pessoal em nada traz prejuízo a ninguém. A não ser que você tenha tantas informações sobre esse grupo político a ponto de desmantela-lo. Bom, mas para que fazer isso se a ti não importa? Imagine, por exemplo, um caso que ficou clássico, aqui no Brasil, com os inquéritos da Lava jato. Se todos contassem os segredos mais íntimos e delatassem a ponto tal que chegassem no cabeça, no grande “pai” dessa facção criminosa, não poderíamos ter uma derrocada nesse poder sombrio que assola os cofres públicos? Em toda organização há uma outra menor, guiada por líderes locais, que se subdividem em grupos menores, com seus próprios mentores prontos para acionarem a célula seguinte e não deixar lastros para que se chegue ao grande “pai”.

Voltando a história de se perder a sua confiança de que contou seu segredo a alguém por respeitar seu cargo e, agora, você se depara que ele foi desonesto contigo. O que fazer? Deixe claro que ele não é merecido de sua confiança. Seu cargo é que era digno de tal, que agora nada mais é que um cargo ocupado por um desvalido de respeito e desonesto por caráter.

Outras vezes confiamos nossos segredos a profissionais da área de saúde, sejam médicos, sejam psicólogos. São informações de pacientes que devem ser resguardadas aos profissionais que lhes foram confiadas. Mesmo que o tal segredo seja por imenso peso ao exercício do profissional, esse não tem o direito, nem a autoridade de expor o que lhe foi confiado a outras pessoas, ainda mais a quem a você quer guardar do seu segredo.

Certa vez, um amigo disse ao seu psiquiatra que já não tinha mais vontade de viver e que estava em seu ápice do sufoco para engolir seu próprio ar. Ele queria se suicidar. Mesmo assim, confiando no profissional que lhe atendera disse o que queria e temia fazer, mas também deixou bem claro que não autorizava e nem queria que outras pessoas soubessem de seus pensamentos suicidas. O médico especializado acatou e honrou com sua palavra não revelando seus desejos e segredos. Mas, assim meu amigo poderia ter-se suicidado e eu não poderia contar aqui essa história! Sim, se o médico não houvesse dito a seus familiares que não poderia mais continuar tratando dele e que era preciso uma visita deles naquele instante, ou o mais rápido possível naquele mesmo dia, a ele. Foi o que aconteceu. O médico não continuou o tratamento, mas também não revelou seu segredo, e sua família deu o suporte necessário.

Em alguns casos, o próprio paciente junto com seu médico decidem vir a público ou a sua família e contar a notícia que pode vir a abalar, por algum momento, a estrutura, mas não derrubá-la. Muitos se deixam enganar que é essencial que se saiba quais são os segredos das pessoas, mas se esquecem do que realmente importa, seus sentimentos. Interessam-se mais pela sacies de sua curiosidade do que pelo sofrimento de quem precisa de sua ajuda.

Mais importante é a pessoa ou o segredo dela? Neste momento crucial é ela quem precisa de alguém em quem confiar ou você que precisa confiar nela? Se ela já se manifestou a um médico especialista e esse alertou à família que ela precisa de uma atenção especial, o que você espera? Que ela se suicide para que você descubra seu segredo ou que você demonstre ser alguém de confiança para ela? Dessa perspectiva podemos encarar quais são nossos verdadeiros desejos e anseios egoístas. Agora, imagine um médico que não tem a especialidade de psiquiatra e nem de uma doença fisiológica que pode ser mortal.

Seu amigo, mesmo já tendo lhe dito de que não interessa aos outros saberem do que ele tem, nem mesmo ao seu amigo médico, este decide dar um diagnóstico baseado no que vê, mesmo não tendo acesso aos seus exames. E decide dizer a todos a quem seu amigo não quer que saiba que ele está variando ou mentindo. Se não sabe o que tem, de onde tirar que é mentira o que ele nem lhe falou? Um segredo que não lhe foi confiado e, ainda assim, espalha a todos dizendo que é um mentiroso. Esperaria ele saber que é um suicida em potencial ou um morto vivo com data de validade a vencer? Esperaria ele que revelasse seu segredo para saciar sua vontade de curiosidade sobre a vida alheia ou que pudesse ser fonte de confiança de seu amigo? Se quiser ser confiável a seu amigo, antes de espalhar um segredo que não lhe foi contado, o mais respeitável seria sentar-se com seu amigo e se dispor ao que ele precisasse, nem acusa-lo de mentira por algo de que, por fofoca ou revelação indevida, não saber a própria verdade. Perde-se assim sua confiança.

Vemos aqui que muitos de nós não estamos preparados para escutar.  Estamos aptos a ouvir e queremos que o outro cale-se o mais rápido possível para, prontamente impor nossas opiniões ou respostas, sem mesmo nem entender o que se passa.

Opa! Espera aí. Há diferença entre ouvir e escutar? Vejamos esse exemplo. “- Menino você não me ouviu direito? – Ouvi sim, eu só não escutei o que o senhor disse.”

Pode parecer engraçado, mas há uma grande diferença entre os dois verbos. Como pode alguém ouvir e não escutar?

Ouvir refere-se aos sentidos da audição. A pessoa ouve apenas, mas pode ou não interpretar a comunicação.

Escutar requer mais que ouvir, ou seja, a pessoa tem que prestar atenção ao assunto, entender do que se trata, se envolver com a pessoa que fala e ter empatia por ela, perceber o que foi dito, sentir as palavras, memorizar o assunto, opinar, levar em consideração e agir ou não em conformidade. E assim, não estamos prontos ao outro, mas a ânsia de apresentar o que queremos falar, entendendo ou não. É como liderar sem se saber do que se trata, ou pior e que é mais comum em cargos públicos de “confiança”, lidera pelo poder da pressão ou de dar regalias em algo que acredita saber sem o mínimo saber. É aquela situação em que a pessoa pode saber tudo sobre um assunto sem nunca executá-lo. O prático teórico. Somos capazes de saber tudo sobre uma coisa sem jamais praticá-la. É o que chamo de ignorância militante. Ignorância é aquilo que não sabemos. A ignorância militante é o que achamos que sabemos, sem saber de fato… além destes acharem que são os donos da verdade. Bruto, não!?

De outra maneira é quando um segredo é revelado a um terceiro e, a esse também não lhe é permitido revelar a ninguém, muito menos a quem se quer proteger. Interessante que, toda vez que se diz que é segredo e acrescenta-se, enfatiza-se, torna-se redundante que não se pode contar a ninguém, a história é transformada e mais e mais se propaga, até chegar a quem se queria proteger. É como Cristo fazia para que sua palavra chegasse a todos. “Não conte aos outros o que lhe digo, ou o que lhe fiz.” E, assim, a propaganda já era automaticamente anunciada por aquele a quem pediu confidência.

Por sua vez, a pessoa que não podia saber do tal segredo não quer acreditar nele. Claro, não era para saber… Era para sua proteção. E para não se atormentar, aquele segredo agora passa a ser seu segredo, com quem está a sua volta. Todos que, por algum motivo acredita ser um pingo de confiança, um pingo não significa ser confiável, torna-se seu selo de confidente. Com isso mais e mais tomam o pseudoconhecimento da pseudoverdade, nem mais a verdade do segredo já existe nesse lastro de fofoca que se espalhou e os únicos que sabiam da verdade, aquele por quem sofre com seu segredo e aquele a quem ele o confiou, perece cada vez mais e ainda é alvo de olhares retroversos, espantados, desconfiados, enquanto o outro se vangloria dizendo que sei sobre seu segredo, mas eu estou a salvo, a mim não me responsabilizo. É o que diria o ocupante do tal cargo de confiança.

E quem disse que queria que ele fosse responsável por alguma coisa por contar-lhe um segredo seu? Não imaginou que pudesse ter lhe contado pelo cargo que ocupa e não pela confiança que acha que merecia? Prepotência e arrogância andam juntas com a soberba mão de quem se acha acima de todos, ou que não queira perder sua posição ou de seu grupo político de desejos mesquinhos.

Continuaremos uma série de textos sobre o ser humano com relatos da vida cotidiana e real de um mundo atormentado pela lei do poder autoritário sobre os outros, onde, aqui, não há mais esse poder.

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