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COMO VERIFICAR SE OS ALIMENTOS ESTÃO BONS PARA CONSUMO? Usando a mini-espectrometria de massas

COMO VERIFICAR SE OS ALIMENTOS ESTÃO BONS PARA CONSUMO? Usando a mini-espectrometria de massas

Vânia Aparecida Mendes Goulart

Vol. 1, N. 6, 28 de janeiro de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.01.28.003

A análise química desempenha um papel cada vez mais importante em nosso complexo mundo natural e pós-industrial, ajudando a determinar a natureza dos materiais de todos os tipos e seus níveis de concentração no ambiente. Entre os métodos de análise, a espectrometria de massas (MS) tem a capacidade distintiva de possuir alta sensibilidade e uma elevada seletividade para a detecção e quantificação de uma ampla variedade de compostos químicos e biológicos (1).

Há alguns anos, o pesquisador Graham Cook’s e sua equipe da Universidade de Purdue, na cidade de West Lafayette, Indiana (EUA), vêm trabalhando na construção de mini-espectrômetros de massas, que ao contrário dos equipamentos convencionais que ficam condicionados aos laboratórios e chegam a pesar mais de 300Kg, são portáteis e pesam cerca de apenas 4Kg. O objetivo da miniaturização dos espectrômetros de massas é aplicar a seletividade e especificidade da análise por espectrometria de massas para experimentos in situ, em locais que vão desde o consultório de um médico até uma linha de produção industrial, depósitos de lixo, companhias de purificação de água, no monitoramento de plantas, identificação de resíduos químicos nos gêneros alimentícios, e de centenas de outras tarefas específicas em que a análise química qualitativa e quantitativa é essencial.

Em 2011, foi realizado o primeiro teste usando um mini-espectrômetro de massas para a análise de compostos químicos em alimentos in situ (Fig.1). Neste primeiro empreendimento da tecnologia fora do laboratório, foram identificados com sucesso resíduos químicos específicos sobre maçãs e laranjas, em poucos minutos, na própria seção onde os produtos encontravam-se dentro do supermercado. As análises foram feitas diretamente sem precisar descascar ou preparar uma amostra da fruta. Maiores detalhes sobre as análises podem ser assistidas através do link: http://www.youtube.com/watch?v=o88FMyVvdMU&noredirect=1. Essas análises foram restritas à pesquisa de dois componentes químicos: a benzimidazola que é um fungicida usado nos cultivos de laranja e a difenilamina que é um produto utilizado para inibir a escaldadura (escurecimento do fruto) em maçã. As taxas de difenilmania encontradas nas maçãs, através do experimento, estavam acima do permitido pela Agência de Proteção Ambiental Americana. Embora o estudo esteja em fase de validação metodológica, os resultados encontrados podem ser um indício de que muitos produtos químicos podem estar sendo utilizados de forma errônea ou abusiva, podendo possivelmente causar danos à saúde.

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O desenvolvimento desses espectrômetros miniaturizados de baixo custo representa um grande impacto nos sistemas analíticos baseados em espectrometria de massas em relação aos seguintes aspectos: o tamanho compacto e o baixo consumo de energia permitirá o uso desses equipamentos em diferentes locais, aumentando sua aplicabilidade; serão equipamentos de operação simples com análises de dados autônomas, com relatórios e resultados diretos e em tempo real; e o baixo custo e a simplicidade relativa destes equipamentos devem permitir sua rápida adaptação a uma ampla variedade de aplicações em que os custos de propriedade e manutenção de outra forma seria onerosa. A expectativa é que em um futuro próximo, os próprios consumidores possam monitorar o que consomem, através do uso destes equipamentos, aumentando sua qualidade e expectativa de vida.

Referências

1. Ouyang Z, Cooks RG. Miniature Mass Spectrometers. Annual Review of Analytical Chemistry. 2009;2(1):187-214. PubMed PMID: 20636059.

2. Comparing apples and oranges: Purdue handheld technology detects chemicals on store produce. 2011. Available in: http://www.purdue.edu/newsroom/research/2011/110608CooksProduce.html

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