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COMO O ZIKA VÍRUS PROVOCA DANOS CEREBRAIS NOS FETOS?

COMO O ZIKA VÍRUS PROVOCA DANOS CEREBRAIS NOS FETOS?

Edição Vol. 3, N. 15, 31 de Agosto de 2016

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2016.09.01.001

Como será que o vírus Zika atua no cérebro de fetos impedindo que desenvolvam? Essa é uma das respostas que a ciência básica está em busca para trazer à clínica, ou ciência aplicada _ que algumas pessoas, por desconhecimento ou má assessoria, gostam de invocar de ser a de melhor investimento, porém, nas ciências, na verdade não tem essa distinção. _ É com descobertas básicas como essa que se torna possível identificar fármacos que possam inibir a infecção viral ou mesmo combater o Zika quando este já invadiu as células-tronco do cérebro fetal!

Em um estudo publicado recentemente, pesquisadores da Universidade de Yale relataram que a infecção pelo vírus Zika desvia uma proteína-chave necessária para a divisão celular neural no feto humano em desenvolvimento, causando assim o defeito de nascimento, a microcefalia.

As descobertas sugerem que o vírus Zika pode ser suscetível a drogas antivirais que podem impedir a interrupção do desenvolvimento do sistema nervoso.

Um dos efeitos colaterais assustadores da infecção pelo vírus Zika em mulheres grávidas é o risco de microcefalia fetal, em que os bebês nascem com cérebros anormalmente pequenos. A colaboração multidisciplinar de cientistas da Universidade de Yale, nos EUA, revelou que o vírus Zika mata as células-tronco no cérebro e interrompe o processo de criação de células cerebrais. Uma análise mostra que o vírus desvia uma forma da proteína TBK1 de seu trabalho principal, que é o de organizar a divisão celular para a mitocôndria, a maquinaria central de produção de energia da célula, e onde ajuda a iniciar uma resposta imune (1). Sem a proteína no local de divisão celular as células morrem, em vez de formarem novas células do cérebro, resultando em microcefalia. Os dados sugerem que este mecanismo pode também contribuir para a microcefalia associada com outras infecções virais congênitas comuns (Figura 1).

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Figura 1: Células-tronco neuroepiteliais de humanos se auto-organizam em padrões que lembra a forma de uma rosa e expressam os marcadores típicos de células-tronco neurais, como nestina (em verde) e SOX2 (em vermelho). Eles foram usados para entender como ocorre a infecção de uma célula neural pelo Zika vírus e como ele bloqueia a proliferação da célula. Fonte: (1)

Os pesquisadores observam que uma droga aprovada pela FDA, a Sofosbuvir, mostrou-se promissora na prevenção da infecção de células-tronco neurais pelo vírus Zika em cultura de laboratório e também parece manter a proteína fosfo-TBK1 envolvida em seu papel normal na divisão celular (1). Porém, mais estudos ainda precisam ser realizados para comprovar a eficácia da droga como uma terapia médica contra o vírus Zika.

Estratégias semelhantes, porém mais arrojadas, estão sendo realizadas pelo Instituto Nanocell. Estamos trabalhando no desenvolvimento de fármacos que inibem a infecção de células neurais e células em desenvolvimento pelo Zika vírus. No desenvolvimento de peptídeos que atuam como ligantes únicos do Zika vírus, atuando como biomarcadores únicos para confecção de kits de diagnósticos. E no estudo das vias de sinalização do Zika vírus dentro de células precursoras e neurais que levam à morte celular e à microcefalia para a geração de fármacos que impeçam a doença. Neste exato momento, antes de terminar este artigo, terminamos a produção de camundongos transgênicos que apresentam vias neurais coloridas para estudo do desenvolvimento cerebral e má-formação encefálica, alvos diretos do vírus Zika. Estamos buscando parcerias para o financiamento das pesquisas. Desde o ano de 2014 que há contenções fortes por parte dos governos estadual e federal no investimento em pesquisas científicas, com isso, boa parte dos resultados esperados ainda continuam sendo esperados. Para doações, financiamento e participação nas pesquisas entre no site www.institutonanocell.org.br

Há uma necessidade urgente de identificar abordagens terapêuticas para deter a infecção pelo Zika, especialmente em mulheres grávidas. Nesse ínterim, espera-se que estas descobertas possam levar a terapias que possam minimizar os danos causados por este vírus.

Fonte: Bill Hathaway, Yale Unversity

Referência

1.Onorati M, Li Z, Liu F, Sousa AM, Nakagawa N, Li M, et al. Zika Virus Disrupts Phospho-TBK1 Localization and Mitosis in Human Neuroepithelial Stem Cells and Radial Glia. Cell Rep. 2016.

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