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CHOCOLATE PODE AUMENTAR A CAPACIDADE DE MEMORIZAÇÃO E BENEFICIAR O CÉREBRO COM ALZHEIMER

CHOCOLATE PODE AUMENTAR A CAPACIDADE DE MEMORIZAÇÃO E BENEFICIAR O CÉREBRO COM ALZHEIMER

Natália Dal Ré Nogueira, Alexandre Hiroaki Kihara, Vera Paschon

Laboratório de Neurogenética / Núcleo de Cognição e Sistemas Complexos / Centro de Matemática, Computação e Cognição / Universidade Federal do ABC.

Edição Vol. 2, N. 13, 09 de Junho de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.06.08.001

Chocolate é um dos alimentos mais consumidos no mundo. A textura, o aroma, o sabor e a capacidade de derreter suavemente na boca arrebatam os sentidos, desperta o corpo e provoca emoções fazendo com que as pessoas procurem cada vez mais desfrutar dessas sensações. Mas o consumo de chocolates deve ser feito com cautela por possuir um alto teor de calorias e açúcares, fatores que prejudicam o organismo quando consumidos exageradamente. Entretanto, pesquisas apontam que existem substâncias benéficas à saúde na matéria prima do chocolate, como os flavonoides (Figura 1)(1, 2).

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Figura 1: Estrutura básica do flavonoide obtido do chocolate. A estrutura é formada por dois anéis benzênicos (A e B) e outro anel pirano heterocíclico (C). Fonte: http://openi.nlm.nih.gov/imgs/512/324/3203913/3203913_ITX-4-114-g001.png.

Os flavonoides pertencem a um grupo de compostos naturais presentes nas plantas, fazendo parte de seus sistemas de defesa contra oxidantes, substâncias que provocam dano e envelhecimento nos tecidos. Em humanos, os flavonoides atuam aumentando a resistência do organismo contra inflamações e infecções. Uma pesquisa, publicada no Journal of Alzheimer’s Disease, relatou aumento da memorização de objetos por ratos idosos, porém saudáveis, submetidos a uma dieta rica em flavonoides. Um dos principais fatores responsáveis é o aumento do fluxo sanguíneo e do metabolismo na região do giro denteado. No mesmo estudo, ratos que ingeriram altas doses de flavonoides acompanhadas com exercício aeróbico obtiveram os melhores resultados, concluindo que atividade física associada ao consumo diário de flavonoides é benéfica para a saúde neurológica (3).

Estudos recentes mostraram ainda efeitos neuroprotetores dos flavonoides contra doenças degenerativas do Sistema Nervoso Central (SNC). Essa descoberta aponta para possíveis tratamentos em doenças neurodegenerativas, como principal exemplo, a doença de Alzheimer (DA) (1). A DA é a doença degenerativa que mais atinge idosos no mundo. Ela é conhecida por causar perdas cognitivas e demência nos indivíduos portadores (4-6) (veja mais em http://www.nanocell.org.br/novo-metodo-nao-invasivo-para-deteccao-e-tratamento-da-doenca-de-alzheimer/). Falhas na memória são um dos primeiros sintomas que a pessoa apresenta. Em geral, esta dificuldade de se lembrar ou realizar simples tarefas diárias se manifesta aos 65 anos. Conforme a doença avança os sintomas ficam mais evidentes e a pessoa pode apresentar dificuldades em reconhecer familiares e amigos, aprender e resolver problemas. A DA também faz com que o doente apresente distúrbios de personalidade, alucinações, impulsividade, agressividade, vivendo fora de sua realidade de modo que necessite de cuidados e acompanhamento diário.

Estas manifestações da DA ocorrem devido ao aumento de certas substâncias (veja mais em http://www.nanocell.org.br/possivel-cura-para-o-mal-de-alzheimer-a-caminho-nanotubos-%CE%B2-amiloide-e-seu-receptor-da-proteina-prionica/) (6) no cérebro que são tóxicas para os neurônios (células cuja função é transmitir informações através de impulsos nervosos) levando ao atrofiamento do córtex (Figura 2) (região responsável pelo processamento de informações e pela execução de ações) e do hipocampo (região cerebral responsável pela formação das memórias de longo prazo devido à formação de novos neurônios) (3, 7).

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Figura 2: Vista lateral e um corte coronal (em frente) de um encéfalo normal à esquerda e um encéfalo afetado pela DA à direita. Observa-se uma diminuição da massa encefálica e aumento dos ventrículos devido à degeneração e morte de células neuronais. Fonte: http://meucerebro.com/wp-content/uploads/2014/10/Alzheimer-atrofia.jpg.

Pesquisas apontaram dois fatores patológicos agindo no SNC responsáveis por causar as disfunções da DA no cérebro. Um deles é a produção excessiva de fragmentos de proteína beta-amiloides (Aβ), através da mutação do gene do precursor de proteína amiloide (APP). Normalmente, em indivíduos saudáveis, estes fragmentos seriam eliminados pelo próprio processo de fagocitose do organismo. No indivíduo com Alzheimer esta produção é descontrolada devido à mutação do gene, o que causa a formação de placas rígidas na matriz extracelular dos neurônios atrapalhando o funcionamento adequado da rede de comunicação entre eles, assim, as informações não são transmitidas corretamente, além de serem tóxicas à célula. Outro fator é a produção exagerada de Tau, proteína responsável por formar os microtúbulos que formam o citoesqueleto em condições normais (estrutura responsável pelo transporte de proteínas dentro da célula). Entretanto, na DA, esta proteína é modificada produzindo microtúbulos exageradamente, o que causa o entrelaçamento destas estruturas e lesões no meio interno do neurônio, levando à morte neuronal (Figura 3) (3).

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Figura 3: Comparação do meio celular em indivíduo saudável e com DA. À esquerda, observa-se o meio extracelular limpo, sem as placas rígidas de peptídeos Aβ e o meio intracelular possui todas as estruturas distribuídas de forma adequada. Já à direita, observa-se no meio extracelular as placas de fragmentos da proteína Aβ atrapalhando a comunicação entre as células e o excesso de microtúbulos no meio intracelular. Fonte: http://www.brightfocus.org/assets/images/plaques_and_tangles_border.jpg.

No hipocampo, a região do giro denteado (Figura 4) é responsável pela formação das memórias. Esta área do encéfalo é uma das mais afetadas pela DA e pelo próprio envelhecimento. Tanto quanto acontece com humanos, primatas e roedores tem essa região deteriorada naturalmente conforme o envelhecimento. Pesquisas demonstraram que o consumo oral dos flavonoides melhora a perda de memória em idosos saudáveis e em portadores da DA (7, 8).

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Figura 4: Imagem anatômica identificando o hipocampo no encéfalo e imagem histológica do hipocampo com a região do giro denteado no centro. Adaptado de http://www.vivermentecerebro.com.br/reportagens/img/molaison3.jpg e http://ocw.unican.es/ciencias-de-la-salud/biogerontologia/materiales-. -fundamentos-biologicos-del/figura_14.4.jpg.

Um estudo, publicado pela Nature Neuroscience, utilizando camundongos geneticamente modificados para um modelo específico para a DA, mostrou uma diminuição da oligomerização (aglomerado) e toxicidade dos peptídeos Aβ entres as fendas sinápticas (espaços estre os neurônios), após consumo de três tipos diferentes de extratos de cacau: Lavado, Natural e Holandês. Os extratos do cacau Lavado apresentaram a maior atividade antioxidante e o Holandês a menor atividade, mas todos obtiveram resultados positivos na recuperação do déficit da atividade celular (8).

O chocolate amargo é o que apresenta maiores benefícios para a saúde, pois possui baixo teor de açúcar e maior concentração de cacau contendo flavonoides. A fabricação e o processamento dos alimentos que contêm chocolate ou então, o próprio cacau, podem diminuir a quantidade destas substâncias favoráveis ao organismo, ou seja, ingerir alimentos que contem chocolate não significa prevenir doenças e melhorar a saúde. O ideal é o consumo balanceado de alimentos saudáveis e atividade física regular.

Referências

1. Kumar S, Pandey AK. Chemistry and biological activities of flavonoids: an overview. TheScientificWorldJournal. 2013;2013:162750.

2. Resende RR. CHOCOLATE ESCURO É BOM PARA VOCÊ E PARA SEU ‘CORAÇÃO’. Nanocell News. 2014;1(8).

3. Wang J, Varghese M, Ono K, Yamada M, Levine S, Tzavaras N, et al. Cocoa extracts reduce oligomerization of amyloid-beta: implications for cognitive improvement in Alzheimer’s disease. Journal of Alzheimer’s disease : JAD. 2014;41(2):643-50.

4. Parreira RC, Resende RR. MACACOS DESENVOLVEM ALZHEIMER. Nanocell News. 2014;2(4).

5. Resende RR. MEMÓRIA, MEDO E ALZHEIMER. Nanocell News. 2014;1(17).

6. Tonelli FM, Resende RR. POSSÍVEL CURA PARA O MAL DE ALZHEIMER A CAMINHO: Nanotubos β-amilóide e seu receptor da proteína priônica. Nanocell News. 2014;1(4).

7. Spencer JP. Flavonoids and brain health: multiple effects underpinned by common mechanisms. Genes & nutrition. 2009;4(4):243-50.

8. Brickman AM, Khan UA, Provenzano FA, Yeung LK, Suzuki W, Schroeter H, et al. Enhancing dentate gyrus function with dietary flavanols improves cognition in older adults. Nature neuroscience. 2014;17(12):1798-803.

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