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Kellen Cristiny Gonçalves de Oliveira, Dôuglas Caixeta Nunes

Departamento de Fisiologia, Instituto de Ciências Biológicas e Naturais, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba-MG.

Edição Vol. 6, N. 3, 11 de Março de 2019

Inúmeras funções biológicas dependem intrinsecamente do sistema imunológico. A resposta imune, mediada tanto pela imunidade inata quanto adquirida, possui um conjunto de células, citocinas e quimiocinas que auxiliam na homeostase do organismo frente aos mecanismos intrínsecos e extrínsecos. Em relação aos fatores intrínsecos, algumas falhas nesse sistema ocasionam a formação de linfócitos autorreativos, desencadeando doenças autoimunes. Já no que se refere aos extrínsecos, as respostas imunológicas são desenvolvidas frente aos transplantes e aos microorganismos infecciosos.

Muitos estudos recentes têm investigado alternativas terapêuticas para patologias que envolvam o sistema imunológico. O uso de células tronco mesenquimais (MSCs), derivadas de células de tecido adiposo, medula óssea, ou de outro órgão/tecido, têm-se mostrado uma possível estratégia terapêutica, visto que estas possuem uma grande capacidade de imunossupressão. Nesse sentido, é notório a potencialidade dessas células em reduzir as defesas imunológicas e favorecer o tratamento de diversas doenças e comorbidades (1-2).

Todavia, apesar da predisposição das MSCs em migrar para um local de injúria, sua eficácia terapêutica ainda não está totalmente segura, visto que essas células também podem migrar para diversos tecidos do corpo. Nessa perspectiva, diversos pesquisadores, para evitar a complexidade de uma terapia celular, buscam outras alternativas a fim de potencializá-las, por meio do licenciamento de MSCs com o uso de citocinas inflamatórias e por meio do uso do secretoma celular (terapia livre de células) (1).

Dessa forma, Serejo TRT e colaboradores 2018, realizaram uma análise comparativa para avaliar a eficácia das alternativas terapêuticas. No estudo, as Células Tronco Mesenquimais Adiposas (AMSCs) foram obtidas por meio de uma lipoaspiração e divididas em um grupo controle de AMSCs não tratadas e um grupo de AMSCs licenciadas. No licenciamento foi realizado a incubação destas células por meio de três estratégias distintas, foram divididas em três grupos, sendo que um grupo foi tratado com 50 ng/ml de IFN-γ, outro com 1 ml de Poli (i:c), um agonista do receptor toll-like (TLR), e o último com 50 ng/ml de IFN-γ e 1 ml de Poli (i:c). Ademais, foi-se realizado o meio condicionado das AMSCs, no qual coletaram o sobrenadante tanto das AMSCs controle quanto das licenciadas (1).

Posteriormente, para confirmarem a capacidade de supressão imunológica das AMSCs, os pesquisadores coletaram células tronco do sangue periférico (PBMCs) e as co-cultivaram com as AMSCs controle, com as células licenciadas e com o meio condicionado a fim de avaliar o controle da proliferação das células T entre os grupos. Os resultados, obtidos por meio da citometria de fluxo, comprovam que as AMSCs licenciadas por IFN-γ possuem uma maior capacidade de suprimir a proliferação de células T ativadas em comparação com o grupo controle. Além disso, observou-se que na co-cultura das PBMCs com o secretoma das AMSCs licenciadas e não licenciadas, o meio condicionado coletado de AMSCs licenciadas por IFN-γ possui também uma maior capacidade de supressão da resposta imune do que o secretoma coletado das AMSCs licenciadas com Poli (I:C) e do meio condicionado das AMSCs não licenciadas (1).

Por fim, para avaliar o efeito imunossupressor das vesículas extracelulares (EVs), os pesquisadores realizaram o isolamento dessas vesículas do meio condicionado obtido de AMSCs licenciadas por IFN-γ e de AMSCs não licenciadas e as co-cultivaram com PBMCs em diferentes concentrações (0,25, 0,75 e 3,0 μg de EVs). Assim, eles observaram que ocorrem a supressão de células T ativadas tanto no grupo controle quanto no licenciado(1).

Nessa perspectiva, o estudo demonstrou que as AMSCs possuem capacidade de suprimir a resposta imune por meio do controle da proliferação de células T ativadas e da secreção de vários fatores envolvidos em diversas reações imunes presentes no organismo. Ademais, observou-se que o licenciamento de AMSCs por IFN-γ têm se mostrado uma alternativa terapêutica mais eficaz no controle imune, tendo em vista o aumento do potencial imunomodulatório dessa população de células. No que se refere às vesículas extracelulares, o estudo também demonstrou que não houve diferença entre os grupos em relação à capacidade de controle proliferativo das células T, sugerindo uma importante estratégia terapêutica livre de células. Contudo, percebe-se a necessidade de estudos referentes ao uso dessas novas estratégias a fim de, futuramente, ser uma alternativa promissora no tratamento de inúmeras patologias que envolvem o sistema imunológico (1).

Figura 1: Um diagrama esquemático mostrando o potencial terapêutico do uso do secretoma de MSCs na imunomodulação e em patologias que envolvem doenças cardiovasculares. CPCs: células progenitoras cardíacas; CSCs: células-tronco cardíacas; ECs: células endoteliais; ECM: matriz extracelular (3).

REFERÊNCIAS:

1.Serejo, TRT, Silva-Carvalho AE, Braga LDCF, Neves FAR, Pereira RW, Carvalho JL, et al. Assessment of the Immunosuppressive Potential of INF-γ Licensed Adipose Mesenchymal Stem Cells, Their Secretome and Extracellular Vesicles. Cells. 2018; 8(1).

2.Raghavan Chinnadurai R, Copland IB, Patel SR e Galipeau J. IDO-independent suppression of T cell effector function by IFN-γ-licensed human mesenchymal stromal cells. The Journal of Immunology. 2014; 192(4): 1491-1501.

3 Gallina, C, Turinetto V e Giachino C. A New Paradigm in Cardiac Regeneration: The Mesenchymal Stem Cell Secretome. Stem Cells International, 2015.

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