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CÉLULAS-TRONCO PARA O TRATAMENTO DA DOENÇA DE PARKINSON

CÉLULAS-TRONCO PARA O TRATAMENTO DA DOENÇA DE PARKINSON

Patrícia de Carvalho Ribeiro, Daniel Mendes Filho, Rodrigo R Resende, Ricardo Cambraia Parreira

Edição Vol. 4, N. 15, 27 de Setembro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.09.27.002

Células-tronco são células indiferenciadas que apresentam a capacidade de autor-renovação (gerar novas células-tronco) e também de gerar células maduras de vários tecidos quando submetidas a estímulos apropriados. Na atualidade, as células-tronco representam uma promissora estratégia para o tratamento de diversas doenças, incluindo doenças neurodegenerativas, como a Doença de Parkinson. 

A Doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente, depois da Doença de Alzheimer, sendo a prevalência no Brasil de cerca 3,3% na população acima de 65 anos. Na Doença de Parkinson é observada deficiência de dopamina, um neurotransmissor usado por determinadas células do cérebro para se comunicarem. Essa deficiência de dopamina ocorre devido a morte de neurônios dopaminérgicos localizados em estruturas cerebrais chamada substância negra. Essa região cerebral pode ser ainda subdividida em duas estruturas: a substância negra pars reticulata (SNr) e substância negra pars compacta (SNc). Estruturalmente, a pars reticulada pode receber informações de neurônios do estriado levando a diferentes ações na coordenação motora. Por outro lado, a pars compacta é responsável por emitir projeções de neurônios dopaminérgicos para o estriado, onde vai estimular a ação dos neurônios inibitórios responsáveis pela ausência de movimentos involuntários. Espera, como assim? Os neurônios da pars compacta, que são dopaminérgicos (liberam o neurotransmissor dopamina) estimulam neurônios que inibem movimentos involuntários, como aqueles que surgem com a doença de Parkinson, como por exemplo tremores, instabilidade postural e rigidez muscular, contrações musculares rítmicas e outros sintomas não-motores, como insônia e distúrbios intestinais e da bexiga urinária. Então, quando há morte dos neurônios dopaminérgicos da substância negra, ou falta de dopamina neles, surgem os movimentos involuntários, que acontecem sem que a pessoa perceba ou queira, da doença de Parkinson (Figura 1).

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Figura 1: Sintomas motores característicos da Doença de Parkinson. Fonte: http://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/?p=1777

Pensando em corrigir a deficiência do neurotransmissor dopamina, cientistas japoneses realizaram um estudo (publicado em agosto de 2017) no qual, a partir do uso de células-tronco reprogramadas geneticamente, foram produzidas células capazes de fabricar dopamina. Para tanto, eles utilizaram primeiramente células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), que são células obtidas a partir da reprogramação genética de células adultas já diferenciadas. As células adultas, após a reprogramação, passam a apresentar características de células-tronco embrionárias (classificadas como pluripotentes, devido a sua capacidade de diferenciação em praticamente todos os tecidos do corpo), daí o nome iPS – do inglês “induced pluripotent stem cells”. 

Os pesquisadores geraram as células iPS a partir de células da pele e do sangue, tanto de pacientes saudáveis quanto de pacientes com Doença Parkinson. Em seguida, mantiveram essas células vivas em laboratório e as induziram a se transformarem em células progenitoras dopaminérgicas, ou seja, em células neurais com capacidade de produzir dopamina. O próximo passo foi então transplantar tais células em um modelo de Doença de Parkinson em macacos. Como resultado, foi observada melhora nos movimentos espontâneos dos animais após o transplante destas células-tronco, além de não serem encontrados tumores até 2 anos após o procedimento. Uma preocupação constante quando se fala em terapia celular envolvendo células-tronco é a possibilidade de surgir tumores, câncer, nos locais onde foram inoculadas estas células, por isso, o tratamento com células-tronco em seres humanos não é tão disseminado e ainda está em fase de estudos. E para se candidatar a uma vaga para estes experimentos (ATENÇÃO: são experimentos para se estabelecer uma terapia, e não uma terapia já estabelecida e amplamente utilizada na clínica médica) é necessário que todos os outros tratamentos convencionais já amplamente aceitos na clínica médica tenham falhado, que a pessoa não tenha outra alternativa de tratamento para sobreviver, que o risco-benefício compense o grau da lesão e que o paciente aceite, por livre consentimento de que, este tratamento pode trazer-lhe pioras, ou mesmo a morte. Como explicado, são tratamentos experimentais que ainda não foram estabelecidos na clínica médica, por isso, todo e qualquer efeito colateral, incluindo morte do paciente, podem ocorrer, até que se chegue a um procedimento padrão que se tenha a cura. Está aí mais um exemplo de que os primeiros testes devem ser feitos com animais de laboratórios, para que uma pessoa querida sua não venha a morrer.

É interessante destacar que tanto as células obtidas a partir dos pacientes saudáveis quanto as células obtidas a partir dos pacientes acometidos pela doença, foram capazes de ocasionar melhora nos animais estudados. Essas descobertas geram uma grande expectativa para o tratamento de humanos, através do possível uso de células adultas do próprio paciente, reprogramando-as em células iPS, induzindo sua transformação em células progenitoras dopaminérgicas e, então, realizando seu transplante como forma de terapia celular para a Doença Parkinson.

É por isso que o próximo passo dos cientistas japoneses é iniciar um estudo clínico, no qual pacientes reais receberão o tratamento com as células. O início do trabalho está previsto para o final do ano de 2018, no Japão. 

Esperamos que os resultados obtidos sejam tão bons quanto os observados com os macacos, pois assim estaremos cada vez mais próximos de encontrar uma terapia alternativa mais adequada e eficaz para a Doença de Parkinson. 

Referências

Barbosa MT, Caramelli P, Maia DP, Cunningham MC, Guerra HL, Lima-Costa MF, Cardoso F. Parkinsonism and Parkinson’s disease in the elderly: a community-based survey in Brazil (the Bambuí study). Mov Disord. 2006 Jun;21(6):800-8.

Kikuchi T, Morizane A, Doi D, Magotani H, Onoe H, Hayashi T, et al. Human iPS cell-derived dopaminergic neurons function in a primate Parkinson’s disease model. Nature.  2017 August; 548: 592–596.

Nature [homepage na internet]. Reprogrammed cells relieve Parkinson’s symptoms in trials [acesso em 31 de agosto de 2017]. Disponível em: http://www.nature.com/news/reprogrammed-cells-relieve-parkinson-s-symptoms-in-trials-1.22531

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  • 1
  1. Julio disse:

    Prezados,

    Como posso me escrever como paciente, para participar do projeto?

    Julio.

    23/outubro/2017 ás 15:27

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