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CÉLULAS-TRONCO DERIVADA DO TECIDO ADIPOSO SÃO APLICADAS NA CIRURGIA PLÁSTICA

CÉLULAS-TRONCO DERIVADA DO TECIDO ADIPOSO SÃO APLICADAS NA CIRURGIA PLÁSTICA

Rebecca Vasconcellos Botelho de Medeiros, Rodrigo R Resende

Vol. 1, N. 12, 03 de Junho de 2014

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.06.02.001

 

Seu nariz é feio? Você tem pés-de-galinha no seu rosto? Está com muitas rugas? Ah, seu seio está pequeno? Q uer um maior e sem perigo de usar próteses que podem vazar ou mesmo causar uma úlcera gigantesca e arriscar em perder o que você já tem? Então, novas terapias com células-tronco para cirurgia plástica podem ser a solução para o que você pensa que é um problema!
Em alguns artigos anteriores já descrevemos um pouco sobre o que são as células-tronco e como podem ser isoladas, inclusive a partir de células germinativas ou de tecidos adultos (para saber mais veja, http://nanocell.org.br/celulas-tronco-mesenquimais-o-que-sao-e-de-onde-vem/) . As células-tronco mesenquimais (CTM), aquelas originárias dos indivíduos adultos e que podem ser usadas para sua recuperação podem ser isoladas de vários órgãos e apresentam capacidade de autorrenovação e diferenciação em múltiplos tipos de células órgão-específicas. As células-tronco derivadas de tecido adiposo (do inglês, human-derived adipose stem cells, hASC) são obtidas facilmente por lipoaspiração sob anestesia local, sem deixar grandes cicatrizes.

Em 2003, foi fundada uma Federação Internacional de Terapêutica e Ciência do Tecido Adiposo e esta tem desempenhado um papel importante na propagação deste novo campo da ciência em todo o mundo durante a última década.

Vimos também que as células-tronco mesenquimais derivadas do tecido adiposo se mostraram eficazes como fonte de terapia celular em desordens musculares, na formação de ossos, na terapia cardíaca e na recuperação neurológica de isquemia cerebral. Além desses benefícios na alternativa de tratamento de doenças, uma revisão realizada por Yong-Jin Kimand Jae-Ho Jeong, do Departamento de Patologia da Universidade de Yeungnam, na Coreia do Sul, demonstra algumas aplicações clínicas atuais da hASC, como por exemplo, sua utilização na cirurgia plástica, no tratamento de feridas e remodelação da cicatriz .

A lipotransferência é uma nova técnica de cirurgia plástica que envolve a remoção de gordura do corpo para mais tarde ser injetada em outro local. A gordura é extraída do corpo do próprio paciente e tratada em laboratório (são acrescentados a esta gordura algumas células-tronco) e, por fim, esta mistura é posteriormente injetada no paciente. Um estudo in vivo mostrou que, em um enxerto de gordura, a maioria dos adipócitos no enxerto começa a morrer no primeiro dia, e apenas alguns adipócitos localizados dentro de 300 mm da borda do tecido sobrevive. Dentro desta região de sobrevivência, existe uma pequena zona de regeneração onde apenas as células-tronco do tecido adiposo (hASC) sobrevivem, demostrando a sua importância na sobrevivência do tecido adiposo após o enxerto. As ASC são capazes de promover a neoangiogênese durante a fase aguda do transplante, ou seja, formam redes de capilares necessários para nutrir e manter o ambiente de cicatrização do enxerto. A lipotransferência é eficaz para reposição de volume de tecido mole facial, reconstrução de defeitos faciais e transferência de gordura para aumento de mama, muito utilizado por pacientes que perderam a mama devido a emagrecimento após cirurgias de redução de estômago ou câncer de mama.

Durante muito tempo, aplicações de ácido hialurônico estavam sendo usado para a melhoria dos contornos dos tecidos moles da face e para reduzir rugas finas na testa, em torno dos olhos, entre as sobrancelhas e no “bigode chinês”. Contudo há um aumento nos relatos de complicações associadas com as aplicações inadequadas do ácido hialurônico, ocasionando necrose da pele, com a formação de escaras ou úlceras de pressão. Nesses casos, o tratamento desta condição com hASC colhidas a partir de tecido adiposo do próprio indivíduo demonstrou resultados satisfatórios com a formação de mínimas cicatrizes (Figura 1). Na Coreia do Sul, este tipo de terapia à base de hASC para modular a formação de cicatrizes se tornou mais popular.

celulas_tronco_tecido_adiposo

Figura 1: Terapia celular com base em em células-tronco do tecido adiposo (hASC). O paciente recebeu uma aplicação arterial inadequada de enxerto de ácido hialurônico (HA) causando uma necrose aguda da pele no dorso do nariz. (A) Antes da terapia com células-tronco (sete dias após a aplicação de enxerto HA). (B) Três semanas após a terapia com células-tronco.

Os resultados positivos da aplicação clínica da hASC em cirurgia plástica levaram mais médicos a se envolverem com a terapia baseada em hASC. No entanto, mais pesquisas clínicas científicas são necessárias para definir uma dose terapêutica de células para cada indicação e uma rota segura e eficaz de administração da célula-tronco, evitando possíveis complicações da terapia baseada nessas células. Lembramos também que nem tudo o que você vê em você é um problema em si. Certamente seus melhores olhos são aqueles que trazem a paz para seu viver e não a plástica em si.

 

Referências

1. Parreira RC, Resende RR. Células-Tronco Mesenquimais, o que são e de Onde Vêm? Nanocell News. 2013 30 de outubro de 2013;1(2):5.

2. Kim YJ, Jeong JH. Clinical Application of Adipose Stem Cells in Plastic Surgery. Journal of Korean medical science. 2014 Apr;29(4):462-7. PubMed PMID: 24753692. Pubmed Central PMCID: 3991788. Epub 2014/04/23. Eng.

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