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Patrícia de Carvalho Ribeiro1, Daniel Mendes Filho2, Rodrigo R Resende3, Ricardo Cambraia Parreira4

1 Laboratório de Imunologia e Transplante Experimental (LITEX), Departamento de Medicina, Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto – FAMERP, São José do Rio Preto, SP, Brasil

2 Laboratório de Neurofisiologia Molecular, Departamento de Fisiologia, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, FMRP – Universidade de São Paulo – USP, Ribeirão Preto, SP, Brasil

3 Laboratório Sinalização Celular e Nanobiotecnologia, Departamento de Bioquímica e Imunologia, Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil

4 Laboratório de Neurofarmacologia e Neuroquímica, Instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Goiás – UFG, Goiânia, GO, Brasil

Edição Vol. 6, N. 6, 21 de Junho de 2019

Figura 1: Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:People_smelling_flowers#/media/File:Does_it_smell?!_(8937541843).jpg

Células tronco são células especiais, caracterizadas por possuírem capacidade tanto de se diferenciar, gerando células específicas e maduras de um tecido, quanto de se dividir e gerar novas células tronco. Elas podem ser classificadas em diversos tipos, de acordo com sua capacidade de diferenciação. Por exemplo, as totipotentes podem gerar células de todo o organismo, as pluripotentes podem se diferenciar em linhagens de praticamente todos os tecidos do corpo (com exceção dos anexos embrionários), as multipotentes geram células de uma determinada linhagem, enquanto que as unipotentes geram apenas um único tipo celular. (para maiores informações acesse: https://www.nanocell.org.br/terapia-celular-para-o-tratamento-das-mais-variadas-doencas/).

É por isso que tais células são muito estudadas e representam um estratégia bastante promissora para diversos tipos de doenças. Mas e em relação a doenças que afetam o olfato? Quais os benefícios que as células tronco podem fornecer?

Foi essa pergunta que pesquisadores dos Estados Unidos buscaram responder, publicando seu estudo em maio deste ano, na Stem Cell Reports (1). Para o trabalho, eles primeiro criaram um modelo de camundongo, o qual apresentava uma disfunção de olfato genética, com redução de sua habilidade de sentir ou detectar odores. As células responsáveis por detectar odores são chamadas de neurônios receptores olfatórios (NROs), os quais estão localizados no nosso epitélio nasal olfatório (encontrado, por sua vez, no interior da cavidade nasal). No modelo animal de disfunção de olfato criado pelos pesquisadores, os animais não apresentavam NROs funcionais, por isso não eram capazes de sentir ou detectar odores.

Para observar se as células tronco eram eficazes em restaurar a disfunção observada nos camundongos, os cientistas isolaram e mantiveram em cultura um tipo de célula tronco presente no epitélio olfatório: as células globosas, que são responsáveis pela geração de NROs (ou seja, são capazes de se diferenciar em neurônios). Tais células foram então injetadas intranasalmente nos camundongos com deficiência olfatório e, após três semanas, foi possível observar que não só as células aderiram ao epitélio, como também geraram NROs funcionais, que por sua vez se conectavam com a região denominada bulbo olfatório, através do qual a informação olfatória é levada ao sistema nervoso central. Dessa forma, os pesquisadores conseguiram comprovar que a injeção de células tronco foi capaz de restaurar o olfato dos camundongos!

Uma vez que até então acreditava-se que a perda da habilidade de sentir ou detectar odores era irreversível, tal trabalho demonstra que a terapia celular poderia representar estratégia promissora para a reversão completa ou parcial de perda olfatória envolvendo NROs. Dessa forma, a ciência mais uma vez contribui para o tratamento de uma condição antes incurável. Invista em ciência!

Se você gostou deste estilo de texto e tem uma curiosidade ainda não satisfeita entre em contato conosco por email (contato@nanocell.org.br) ou por alguma de nossas redes sociais.

REFERÊNCIA

1. Kurtenbach S, Goss GM, Goncalves S, Choi R, Hare JM, Chaudhari N, et al. Cell Based Therapy Restores Olfactory Function in an Inducible Model of Hyposmia. Stem Cell Reports. 2019 May 16. pii: S2213-6711(19)30146-8.

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