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CARECA, NUNCA MAIS! Descoberto o gene humano para a calvície

CARECA, NUNCA MAIS! Descoberto o gene humano para a calvície

Rebecca Vasconcellos Botelho de Medeiros, Rodrigo R. Resende

Vol. 1, N. 14, 14 de Julho de 2014
DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2014.07.14.002

Toda mulher tem um cuidado especial com suas madeixas. E porque não dizer que os homens também tem todo um carinho especial pelos poucos fios que lhe restam? Compramos todo produto em lançamento com a esperança de obter um cabelo mais saudável e parecido com a protagonista da novela. Mas já imaginou se de repente esse cabelo começa a cair?

Quem não se recorda do verso “é dos carecas que elas gostam mais”? Apesar de a calvície ser mais frequente em homens, poucos a assumem de vez e levam o assunto numa boa. Devemos nos alertar que nem toda queda de cabelo é igual. Em alguns casos ela pode ser hereditária; em outros pode ser causada pelo estresse, ou por dietas não balanceadas e até mesmo doenças.

Uma nova pesquisa publicada em abril deste ano de 2014, no The FASEB Journal sugere que a função molecular do gene hairless (careca) pode explicar porque algumas mutações contribuem para uma patogênese denominada atriquia com lesões papulares (1). A atriquia com lesões papulares é uma forma rara e hereditária (que é passada dos pais para o filho) de perda irreversível, parcial ou total, de pêlos ou cabelos em uma determinada área da pele durante o período neonatal, associado ao desenvolvimento tardio de lesões papulares (A erupção papular é uma elevação que aparece na pele, podendo ou não ter pus. Essa é a explicação mais simples) por todo o corpo, principalmente nas extremidades (Figura 1).calvice-geneFigura 1: (A) Pápulas dérmicas na superfície extensora do braço na figura à esquerda. Estas pápulas podem ser difíceis de diferenciar clinicamente da queratose pilar, mas, histologicamente, são cistos (bolsas) foliculares preenchidos com material córneo (pele escamosa ou queratina em excesso, tipo uma verruga). (b) Atriquia no couro cabeludo completa com algumas pápulas na figura à direita. Figura retirada do artigo http://www.medicaljournals.se/acta/content/?doi=10.2340/00015555-0466&html=1 A pesquisa foi realizada no Departamento de Dermatologia, na Columbia University, em Nova York, Estados Unidos. Especificamente, o artigo mostra pela primeira vez que o gene humano hairless confere um papel essencial na biologia do cabelo através da regulação de um subconjunto de outros genes. O gene em questão codifica para uma proteína (proteína hairless, HR) cuja função tem sido associada ao crescimento capilar. Esta proteína possui alguns domínios, dentre eles o domínio Jumonji C (JmjC) em seu terminal C, descoberto por este grupo de pesquisa, o que leva a crer que esta proteína tem uma atividade desmetilase (ou seja, acelera a remoção de grupos metil dos resíduos de lisina e arginina encontrados em histonas, Figura 2). Estudos prévios realizados, por este laboratório de pesquisa, já estabeleceram que várias mutações missense ou sem sentido no domínio Jumonji C (JmjC) da proteína hairless (HR) estão relacionados com atriquia papilar.calvice-gene-2Figura 2: Histonas. Diferença entre uma histona desmetilada (esquerda) e uma histona marcada com grupos metil (direita). (Figura modificada de http://pharmacy.wisc.edu/.)Para realizar esta descoberta, os pesquisadores utilizaram cultura de células humanas. O experimento foi feito com células que expressam o tipo selvagem da proteína HR, células que não expressam a proteína HR e células que expressam uma proteína HR mutante, e em todos eles foram adicionados substratos específicos de histonas. Tudo isto com o objetivo de comprovar a função de desmetilase de histonas da proteína codificada pelo gene hairless. Foi observado que quando a proteína HR era “misturada” com os substratos de histonas houve uma perda dramática de H3K9me1 (do inglês, monomethylated histone H3 lysine 9, um tipo de marcação de metilação nas histonas) em células que expressam o tipo selvagem da proteína HR, em comparação com as células que não expressam esta proteína. Em contraste, as células que expressam a proteína mutante manteve o nível de H3K9me1, sugerindo que as mutações desta proteína podem interferir no nível de metilação dos substratos de histona e, consequentemente na atividade desmetilase da proteína HR (Figura 3). Como a metilação de H3K9 está correlacionada com a atividade transcricional (de produção dos RNAs mensageiros), os resultados da pesquisa sugerem que seja este o mecanismo “on / off” ou “liga/desliga” para o crescimento do cabelo.calvice-gene-3Figura 3:Função de desmetilase de histonas da proteína HR codificada pelo gene hairless. (Figura modificada do artigoThe chromatin signature of pluripotent cells).Segundo a pesquisadora Angela M. Christiano, “a identificação de HR como uma histona demetilase pode lançar novos olhares sobre seu mecanismo de ação na regulação de doenças da pele e do cabelo”. Os genes identificados neste estudo abrem novas oportunidades para o desenvolvimento de novas abordagens sobre o mecanismo orientado para a prevenção ou tratamento futuro de doenças de pele, incluindo câncer de pele e formas raras de perda de cabelo.Portanto, carecas talvez nunca mais!Glossário:Histonas: são as principais proteínas que compõem o nucleossomo. Servem de matriz para o DNA se enrolar. Para saber mais veja http://nanocell.org.br/a-homossexualidade-pode-ser-desenvolvida-no-utero-devido-as-mudancas-epigeneticas/Referência

  1. Liang L, Hyunmi K, Alex C, et al Hairless is a histone H3K9 demethylase. The FASEB Journal. 2014, 28:1534-1542

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