web analytics
201905_ivoc_cancer-gestacao3_960x848.jpg

Fernanda Oliveira Carrijo1, Cinthia Stroher1, Camila Botelho Miguel²

1 Graduando(a) em Medicina pelo Centro Universitário de Mineiros, Unifimes, Goiás, Brasil

2 Docente para o Curso de Medicina, Centro Universitário de Mineiros, Unifimes, Goiás, Brasil

Edição Vol. 8, N. 10, 25 de Outubro de 2021

201905_ivoc_cancer-gestacao3_960x848.jpg
Figura: O desafio de ser mãe superando um câncer na gestação. Fonte: PEREIRA, 2019.

O Câncer de Mama (CA) é o mais comum entre as mulheres e a segunda causa de morte por câncer no mundo, ocorre principalmente em mulheres na faixa etária entre 40 a 55 anos, acometendo uma em cada oito mulheres. Fatores ambientais contribuem em cerca de 90 a 95% desses cânceres, revelando a importância de medidas de conscientização voltadas para a prevenção e a mudança nos hábitos de vida (1).

Estudos demonstraram diversos fatores que aumentam o risco do câncer da mama, como o consumo de álcool e a obesidade central, isto é, concentração de gordura na região do abdome, tendo em vista que apresenta maior sensibilidade para doenças e agravos à saúde. Contudo, os que mais se destacam devido ao alto envolvimento hormonal são a precocidade da primeira menstruação na adolescência, a instalação da menopausa de forma tardia e o decorrer da primeira gravidez. Vale reforçar que não ter filhos aumenta o risco em 30 a 40% do que aquelas que tiveram a primeira gravidez após a idade adulta (2).

Quanto à menstruação, de forma geral, observa-se que o uso de anticoncepcionais orais tem pouco impacto na incidência do câncer de mama, diferente das terapias de reposição hormonal pós-menopausa que aumenta consideravelmente o risco para esse câncer, sobretudo aquelas que combinam os hormônios estrogênio e progesterona. Já nas suplementações realizadas apenas com estrogênio em mulheres que retiraram o útero, os índices de câncer de mama são bem menores (2).

Quanto à incidência de câncer de mama na gravidez, ou seja, aquele que ocorre durante o período de gestação até 1 a 2 anos pós-parto, prevalece em mulheres que engravidaram após os 40 anos. Nestas, o subtipo de câncer de mama mais comum é o Carcinoma Ductal Infiltrante – câncer que ocorre nas paredes dos ductos quem conduzem o leite materno e, progressivamente, infiltram a camada gordurosa do seio. Em seguida, está o carcinoma Receptor Hormonal Negativo Her-2 positivo” – câncer em que há produção de muita proteína Her2+ e, consequentemente, rápida proliferação. (2, 3).

Tendo em vista estes fatores associados ao aumento fisiológico da densidade e nodularidade dos seios durante a gravidez, o prognóstico nestas mulheres costuma ser pior e de difícil interpretação nos exames diagnósticos. Assim, caso seja identificado uma característica suspeita é recomendada a mamografia diagnóstica e a biópsia da lesão já no primeiro momento. Os tratamentos para essas mulheres vão de acordo com a idade gestacional em busca de minimizar os efeitos para o feto e a mãe (4).

O diagnóstico de câncer de mama na gravidez pode ser algo assustador e desafiador, ainda mais no que se refere à continuação ou não da gravidez, a saúde do feto e da própria mãe. Assim, com relação ao feto, a interrupção da gravidez não é recomendada e não melhora o prognóstico das mulheres, podendo até mesmo piorá-lo. A escolha cirúrgica para retirada do tumor ou da mama deve obedecer aos mesmos critérios da paciente não grávida, sendo preferível no segundo trimestre de gestação (entre 12 e 24 semanas), por ser mais segura (3).

Contudo, o tratamento quimioterápico deve ser ponderado, pois por atravessar a placenta e atingir o feto em crescimento, pode levar ao desenvolvimento de anomalias congênitas. Por isso, e pelo risco de morte, o tratamento com quimioterapia deve ser adiado no primeiro trimestre. Do segundo trimestre em diante, mesmo com a possibilidade de gerar supressão das células sanguíneas, de restrição do crescimento e infecções generalizadas, o tratamento é possível, tendo as drogas Doxorrubicina e Ciclosfosfamida, como as mais seguras (3, 4).

A radioterapia – aplicação de radiações ionizante – é uma escolha importante no tratamento por ter aplicação local e erradicar as células tumorais. Contudo, sua aplicação durante a gravidez deve ser evitada, pois o risco de perda fetal, malformações, retardo mental e distúrbios do crescimento são bem maiores. Por isso, a quimioterapia é a terapêutica de escolha para realização de cirurgia conservadora da mama e preservar o seguimento com a gravidez, mesmo que aumente o risco potencial de recorrência local para a mãe (3).

Por fim, é válido ressaltar que a triagem é a estratégia mais importante para redução da mortalidade por câncer de mama tanto em mulheres gravidas quanto em não grávidas. Fatores que agem na redução do risco é atividade física regular, o incentivo a lactação, a redução da ingesta de álcool e restrição hormonal especialmente quanto à combinação de estrogênio e progesterona. A mastectomia (retirada da mama) pode ser feita em pacientes selecionadas, especialmente com mutações importante, reduzindo o risco de câncer em 90%. A quimioprevenção com tamoxifeno (modulador do receptor de estrogênio) demonstrou redução da incidência deste câncer em 50%, com relação risco-benefício favorável (2).

REFERÊNCIAS

  1. KOLAK, Agnieszka; KAMIńSKA, Marzena; SYGIT, Katarzyna; BUDNY, Agnieszka; SURDYKA, Dariusz; KUKIEłKA-BUDNY, Bożena; BURDAN, Franciszek. Primaryandsecondarypreventionofbreastcancer. AnnalsOfAgriculturalAnd Environmental Medicine, [S.L.], v. 24, n. 4, p. 549-553, 23 dez. 2017. Instituteof Rural Health. http://dx.doi.org/10.26444/aaem/75943.
  2.  LIBSON, Shai; LIPPMAN, Marc. A reviewofclinicalaspectsofbreastcancer. InternationalReviewOfPsychiatry, [S.L.], v. 26, n. 1, p. 4-15, fev. 2014. Informa UK Limited. http://dx.doi.org/10.3109/09540261.2013.852971.
  3. Poggio F, Tagliamento M, Pirrone C, Soldato D, Conte B, Molinelli C, Cosso M, Fregatti P, Del Mastro L, Lambertini M. Update on the Management of Breast Cancer during Pregnancy. Cancers (Basel). 2020 Dec 3;12(12):3616. doi: 10.3390/cancers12123616.
  4. MACDONALD, Heather R..Pregnancyassociatedbreastcancer. The BreastJournal, [S.L.], v. 26, n. 1, p. 81-85, jan. 2020. Wiley. http://dx.doi.org/10.1111/tbj.13714.

admin_cms

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*

Anuncie
Seja um parceiro do Nanocell News. Saiba como aqui.

Inscrição Newsletter

Deseja receber notícias de divulgação científica em seu e-mail?

Aqui você irá encontrar as últimas novidades da ciência com linguagem para o público leigo. É a divulgação científica para os brasileiros! O cadastro é gratuito!

Alô, Escolas!

Alô, Escolas! é um espaço destinado ao diálogo com as escolas, públicas e privadas, seus professores e alunos de todas as áreas (humanas, exatas ou ciências) do ensino médio e superior. A seção Desperte o cientista em você traz notícias, dicas de atividades e experimentos para uso em sala. Aqui você encontra também informações sobre a coleção de livros publicados pelo NANOCELL NEWS sobre ciências e saúde, e sobre o Programa Instituto Nanocell de Apoio à Educação.

Edições Anteriores

Curta a nossa página

css.php