Ciência é INVESTIMENTO! Vamos transformar o Brasil em uma Nação rica e forte!

BACTÉRIAS GENETICAMENTE PROGRAMADAS PODEM DENUNCIAR A PRESENÇA DE UM CÂNCER

BACTÉRIAS GENETICAMENTE PROGRAMADAS PODEM DENUNCIAR A PRESENÇA DE UM CÂNCER

Marcos Alexandre Bezerraa, Nathália Alves dos Santosb

a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo/USP

b Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo/USP

Edição Vol. 2, N. 14, 06 de Julho de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.07.06.002

O câncer de fígado ou carcinoma hepatocelular (CHC) é o quinto tipo de câncer mais comum e o terceiro que mais causa mortalidade relacionada ao câncer em todo mundo, de modo que em 2012 foi o segundo tipo de câncer mais letal, resultando em 745 000 mortes de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) (1). Apesar de décadas de esforços de alguns pesquisadores, a quimioterapia sistêmica ou terapia hormonal tem apresentado falhas notórias não conseguindo assim, demonstrar uma melhora sobre a sobrevida de pacientes que sofrem com este tipo de câncer. Com uma sobrevida média de 8 meses, e taxas de sobrevivência de 1 e 3 anos de 20% e 5%, respectivamente, o tratamento eficaz contra o câncer de fígado está longe de ser satisfatório (2).

O câncer de fígado é difícil de ser detectado, e geralmente requer o uso de novas tecnologias como marcadores sorológicos, modalidades de imagem e confirmação histológica. Idealmente, os tumores deveriam ser detectados com pequenas dimensões, em pacientes que pudessem suportar o tratamento. Contudo, o CHC é frequentemente diagnosticado numa fase tardia do seu curso, devido à ausência de sintomas patognomônicos – a ausência de sintomas próprios dessa moléstia e cuja identificação permite um diagnóstico exato – e à grande reserva funcional hepática. Tumores de grande dimensão, invasão vascular, pequena reserva funcional, e metástases ganglionares estão associados a um pior prognóstico (3, 4).

Em meio a este contexto, o bioengenheiro americano Tal Danino do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), tem descrito os resultados surpreendentes obtidos a partir de suas pesquisas com bactérias geneticamente programadas capazes de acusar não só a presença de um câncer de fígado em seu estágio inicial de desenvolvimento, como também o emprego deste sistema na identificação de outros tipos de cânceres. Os resultados obtidos dessa investigação em ratos serão publicados na revista Science Translational Medicine.

Com intuito de diagnosticar o câncer, bactérias E. coli geneticamente modificadas pertencentes a cepa nissle 1917 (EcN) foram ministradas oralmente aos animais com a finalidade de encontrar metástase de câncer em até 24 horas, penetrar e colonizar esses tumores e por fim, produzir enzimas que induzam a mudança de cor na urina desses animais (Figura 1).

bacterias-cancer

Figura 1. Bactérias E. coli nissle 1917 geneticamente programadas para acusar a presença de um câncer no fígado. 1) Dieta. Ratos são alimentados com probióticos reprogramados, ou seja, bactérias geneticamente modificadas. 2) Produção de enzimas.As bactérias produzem enzimas apenas quando encontram um tumor, e se escondem dentro deles para fugir da ação de células do sistema imunológico. 3) Coloração da urina. As enzimas deixam a urina cor-de-rosa, possibilitando assim, em até 24 horas a detecção do câncer de fígado, um dos mais difíceis de diagnosticar. (Modificado de (5)).

Os resultados obtidos por Danino revelaram que a bactéria consegue crescer dentro do tumor localizado no fígado, talvez por haver um grande suprimento de sangue proveniente do intestino. Como o sistema imunológico não tem acesso ao tumor, significa que a bactéria pode se esconder lá e crescer rapidamente, produzindo enzimas que ao entrarem em contato com moléculas que constituem a urina alteram a coloração da mesma no paciente (6).

A tecnologia baseada na utilização de bactérias geneticamente modificadas no combate ao câncer vem crescendo significativamente a cada dia, e assim como verificado em outros estudos recentes (veja mais em http://www.nanocell.org.br/bacterias-geneticamente-modificadas-podem-ajudar-a-combater-tumores/), a principal vantagem com relação ao emprego dessa tecnologia é que a bactéria atua especificamente sobre o tumor, ao contrário do tratamento por quimioterapia, por exemplo, que compromete outras regiões do corpo, ataca todas as células que crescem rapidamente, como as do intestino e do seu cabelo (6). Por outro lado, embora o emprego dessa nova tecnologia tenha revelado resultados bastante satisfatórios na redução e identificação indireta de um tumor, muitos estudos ainda devem ser realizados para que esse processo possa ser empregado com ética e responsabilidade no tratamento de pacientes humanos no futuro.

Referências

1. http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs297/en/

2. Terry K, Copur MS. Molecular Targeted Therapy of Hepatocellular Carcinoma. Journal of Cancer Therapy. 2013; 4: 426-439.

3. Bruix J, Sherman M. Management of hepatocellular carcinoma. Hepatology. 2005; 42 (5):1208-1236.

4. Llovet JM, Bustamante J, Castells A, et al. Natural history of untreated nonsurgical hepatocellular carcinoma. Rationale for the design and evaluation of therapeutic trials. Hepatology. 1999; 29 (1): 62-68.

5. Ezabella F. Bactérias modificadas conseguem denunciar câncer no xixi e viram arte. Colaboração para folha de São Paulo. 29/03/2015.

6. Danino T By Wakefield J. Bacteria programmed to find tumours. Ted 2015; BBC News, Technology.

Print Friendly

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>