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INVESTIGAÇÃO DOS EFEITOS DE DIFERENTES ESTRATÉGIAS NEUROPROTETORAS EM UM MODELO DE DEPRIVAÇÃO MATERNAL

INVESTIGAÇÃO DOS EFEITOS DE DIFERENTES ESTRATÉGIAS NEUROPROTETORAS EM UM MODELO DE DEPRIVAÇÃO MATERNAL

Pâmela B. Mello-Carpes

Grupo de Pesquisa em Fisiologia, Universidade Federal do Pampa, campus Uruguaiana

Edição Vol. 5, N. 01, 01 de Novembro de 2017

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2017.11.01.003

A família é a menor unidade de uma sociedade, sem ela, perdemos a sociedade e a soberania de uma nação! Um adulto bem educado, de bem com a vida é uma criança cuidada na presença dos pais!

 pamela-carpes

 

A cientista Pâmela Carpes, uma das vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência 2017

Nos dias de hoje, principalmente devido à organização social do trabalho, cada vez as crianças ficam afastadas da presença dos pais por longos períodos logo nos primeiros meses de vida. No entanto, é preciso entender como isto pode afetar o desenvolvimento das crianças. Pesquisas recentes demonstram o quão benéfica é a presença da figura materna (biológica ou afetiva) no período inicial da vida, e mostram que quanto mais estreita essa relação for, melhor será o desenvolvimento dos indivíduos. 

Em seres humanos, traumas fortes, abuso sexual e agressões físicas durante a infância são as principais causas de aumento do estresse e consequente surgimento de processos de desordem mental na vida adulta, um dos grandes problemas de saúde pública da atualidade (1). Estudos têm demostrado que a deprivação maternal (DM), um modelo animal de privação de cuidados parentais no início da vida, é um dos mais potentes estressores naturais durante o período de desenvolvimento neonatal (2,3), isto porque, em roedores e outros mamíferos a relação mãe-filhote é de suma importância para o adequado desenvolvimento dos filhotes. 

Quando privados da presença da mãe, figura responsável pelos cuidados no início da vida dos roedores, estes animais apresentam déficits de memória que são acompanhados de modificações neuroquímicas e anatômicas, tais como a expressão reduzida do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), importante proteína relacionada à neuroplasticidade (por exemplo, capacidade do cérebro de responder a estímulos externos, modificando-se), e do receptor N-Metil-D-Aspartato (NMDA), que tem importante participação nos processos de neuroplasticidade relacionados à aprendizagem e memória (4). Além disso, diversos estudos demonstram uma correlação entre a Deprivação Maternal e o aumento dos níveis de corticosterona, além de alterações no equilíbrio oxidativo, situações que influenciam as condições do tecido nervoso, afetando, também, suas funções (5). 

Estes eventos podem ocorrer em diferentes regiões do cérebro, entre elas o hipocampo, principal região responsável pela formação e consolidação das memórias (5). 

Desta forma, é importante entender melhor os mecanismos envolvidos nos déficits cognitivos relacionados à Deprivação Maternal para que possam ser propostas estratégias neuroprotetoras a fim de evitar ou diminuir estes déficits. 

No projeto premiado no “Para Mulheres na Ciência” proponho investigar os efeitos de diferentes estratégias neuroprotetoras de fácil acesso e baixo custo (tais como o exercício físico, a suplementação com chá verde e o enriquecimento ambiental e social) nos déficits de memória advindos da deprivação maternal. Para tal, utilizarei um modelo de DM em ratos Wistar, que posteriormente serão submetidos a testes comportamentais para avaliação da memória e de outros parâmetros cognitivos. Após, seus encéfalos serão analisados considerando a investigação de parâmetros relacionados ao estresse oxidativo e à neuroplasticidade (BDNF e morfologia neural).

O protocolo de DM utilizado já é realizado em meu laboratório (6, 7) e, basicamente, envolve a retirada da mãe da caixa moradia por 3h/dia nos 10 dias primeiros dias de vida da ninhada. Tal protocolo não promove nenhuma alteração nutricional, não envolve manipulação da ninhada e, tampouco gera alterações na regulação térmica, já que todos os cuidados são tomados para que a temperatura da sala se mantenha aquecida durante a retirada da mãe, evitando perda de calor. Assim, aspectos adicionais à privação de cuidados são bem controlados, garantindo que os déficits observados são relacionados a este fator, e não a outros.

Resultados prévios do nosso grupo já demonstraram o potencial do exercício físico como agente neuroprotetor em diferentes modelos, inclusive na Deprivação Maternal (6), mas só recentemente identificamos que estes efeitos podem estar relacionados aos efeitos antioxidantes do exercício físico (7). 

Ao observarmos que o cérebro dos animais deprivados apresenta aumento do estresse oxidativo quando comparado ao cérebro dos animais não submetidos à DM, também buscamos investigar os efeitos neuroprotetores da suplementação com um agente antioxidante. Escolhemos o chá verde, proveniente da Camellia Sinensis, porque este chá apresentou ótimos efeitos em outros modelos de déficit cognitivo estudados pelo nosso grupo, como o AVE e o Alzheimer (8, 9). Acabamos de publicar os nossos resultados no modelo de DM, no qual o chá também teve ótimos efeitos (10). 

A partir de agora pretendemos ampliar o estudo sobre os efeitos do exercício, investigando diferentes modalidades e tempo de duração do exercício físico. Além disso, outra potencial estratégia de neuroproteção que buscamos investigar é o enriquecimento ambiental e social, já que seus efeitos positivos sobre os níveis de BDNF estão bem descritos na literatura. 

Sob este ponto de vista, os resultados poderão nos dar insights acerca do que ocorre no cérebro de indivíduos que sofreram traumas no início da vida, indicando possibilidades de intervenção que guiarão estudos futuros com seres humanos, visando a prevenção de doenças neurodegenerativas e psiquiátricas relacionadas ao trauma envolvido na deprivação maternal.  

Está aí a comprovação científica de que a família é o alicerce de uma sociedade, qualquer ideologia contrária causa a destruição de uma futura nação…

Uma ciência brasileira que salva vidas, salva uma nação! Salve você também a Ciência Brasileira. Invista em Ciências!

Referências

1. Voorhees V; Scarpes A. The effects of child maltreatment on the hypothalamic-pituitary-adrenal axys. Trauma Violence Abuse. 2004;5(4):333-52.

2. Benetti F et al. Early postnatal maternal deprivation in rats induces memory deficits in adult life that can be reversed by donepezil and galantamine. Int J Dev Neurosci. 2009;27:59-64.

3. Genest SE et al. Neonatal maternal separation and sex-specific plasticity of the hypoxic ventilatory response in awake rat. J Physiol. 2004;15(554):543-57.

4. Roceri M et al. Early maternal deprivation reduces the expression of BDNF and NMDA receptor subunits in rat hippocampus. Molecular Psychiatry. 2002;7:609–606.

5. Diehl L. et al. Long lasting sex-specific effects upon behavior and s100b levels after maternal separation and exposure to a model of post-traumatic stress disorder in rats. Brain Res. 2007;4(1144):107-116.

6. Mello, P.B. et al. Physical exercisecan reverse the deficit in fear memory induced by maternal deprivation. Neurobiology of Learning and Memory. 2009;92(3):364-369.

7. Neves B. et al. Physical exercise prevents short and long-term deficits on aversive and recognition memory and attenuates brain oxidative damage induced by maternal deprivation. Physiology & Behavior. 2015:152:99-105.

8.Altermann C. et al. Short-term green tea supplementation prevents recognition memory deficits and ameliorates hippocampal oxidative stress induced by different stroke models in rats. Brain Research Bulletin. 2017;131:78-84.

9. Schimidt H. et al. Green tea supplementation produces better neuroprotective effects than red and black tea in Alzheimer-like rat model. Food Research International. 2017:100:442-448.

10. Menezes J. et al. Green tea protects against memory deficits related to maternal deprivation. Physiology & Behavior. 2017;182:121-127.

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