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Maria‌ ‌Eduarda‌ ‌Borges‌ ‌Vitor‌ ‌‌1‌‌, Ana‌ ‌Paula‌ ‌Freitas‌ ‌de‌ ‌Oliveira‌ ‌‌1‌‌, Giovana‌ ‌Figueiredo‌ ‌Maciel‌ ‌‌1‌‌, Larrucy‌ ‌Cordeiro‌ ‌Oldra‌ ‌1‌, ‌Carla‌ ‌Danielle‌ ‌Dias‌ ‌Costa‌2‌

1‌‌ ‌Acadêmica‌ ‌do‌ ‌curso‌ ‌de‌ ‌medicina‌ ‌do‌ ‌Centro‌ ‌Universitário‌ ‌de‌ ‌Mineiros‌ ‌(UNIFIMES)‌ ‌–‌ ‌Campus‌ ‌Trindade‌ ‌

2‌ ‌Biomédica,‌ ‌mestre‌ ‌em‌ ‌Assistência‌ ‌e‌ ‌Avaliação‌ ‌em‌ ‌Saúde‌ ‌pela‌ ‌UFG,‌ ‌docente‌ ‌do‌ ‌Centro‌ ‌Universitário‌ ‌de‌ Mineiros‌ ‌(UNIFIMES)‌ ‌–‌ ‌Campus‌ ‌Trindade‌

Edição Vol. 8, N. 8, 16 de Agosto de 2021

Figura 1: Benefícios da auriculoterapia no controle da ansiedade durante a gestação. Fonte: adaptado de Freepick.es

A gravidez é um período de intensas transformações, sejam elas hormonais, fisiológicas, físicas, psíquicas e/ou sociais, e é vista por cada gestante de uma maneira diferente, podendo ser um período de alegria e comemoração para algumas, ou período de sofrimento e tristeza para outras. Com todas essas transformações ocorrendo, e essas flutuações hormonais, fragilidade emocional e mudanças sociais, pode haver alterações na saúde mental da gestante, desenvolvendo transtornos, como a ansiedade. (1, 2)

É muito comum ouvirmos falar sobre a ansiedade e por isso é importante saber que ela pode ser explicada como um estado de humor desagradável ou uma sensação negativa frente às decisões e situações do futuro. Esta emoção está presente em todas as pessoas, é através dela que o indivíduo faz avaliações dos riscos de situações em que o perigo é incerto. No entanto, o excesso de ansiedade pode se tornar patológico, causando prejuízos à saúde. Ela pode se manifestar por meio de sinais e sintomas como dor de cabeça, falta de ar, coração acelerado, diarreia, podendo estar acompanhada de insônia, irritabilidade, insegurança, dificuldade de concentração (3, 4, 5)

Durante a gravidez algumas mulheres desenvolvem quadros graves de ansiedade, principalmente no terceiro trimestre da gestação. Pesquisadores relacionam esta situação à fatores como não ter um emprego; se a mulher já teve algum aborto ou parto prematuro; se a mesma já teve complicações durante outros partos. Outros pontos importantes estão relacionados ao grande desejo de ser mãe e ao uso de drogas lícitas (cigarro, bebidas alcóolicas) e ilícitas (cocaína, maconha) (6). Esta ansiedade gera prejuízos à grávida, levando a episódios de fadiga, náuseas e vômitos, dificuldade na produção do leite materno, assim como o risco de pré-eclâmpsia e diminuição da afetividade na relação mãe-filho (6, 7, 8).

A fim de minimizar estes quadros, existem tratamentos que empregam estratégias medicamentosas, não medicamentosas (sem medicamentos), assim como a combinação de ambas. Entre as classes de medicamentos que podem ser utilizados estão os benzodiazepínicos e os antidepressivos (4). No entanto, algumas gestantes podem apresentar resistência ao uso destes produtos, por receio dos efeitos no seu organismo, assim como sobre o feto. Para estes casos é possível também o uso de tratamentos que não empregam medicações como a psicoterapia, a massagem terapêutica, a auriculoterapia ou o uso de plantas medicinais (9, 10)

A auriculoterapia trata – se de uma terapia natural que consiste na estimulação de pontos específicos da orelha com agulhas apropriadas ou grãos de mostarda, com o objetivo de restabelecer o equilíbrio energético do paciente. Uma condição muito interessante, é que a estrutura da orelha faz associação com as estruturas do corpo humano, permitindo que estas regiões ao serem pressionadas, promovam a diminuição da ansiedade e do estresse durante a gravidez (11, 12, 13). Além disso, esse método tem boa aplicabilidade, baixo custo terapêutico e está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) (14)

A ansiedade é uma emoção comum em todas as pessoas, no entanto durante a gestação a mesma deve ser melhor acompanhada pelo médico e toda equipe de saúde durante as consultas do pré natal, visando identificar sinais e sintomas da ansiedade patológica, a fim de minimizar os possíveis riscos para a gestante e o bebê. Embora existam diversos medicamentos que podem ser utilizados neste período para o controle da mesma, também é possível empregar terapias não medicamentosas, como a auriculoterapia, que é um procedimento simples e de baixo custo, que traz benefícios significativos para a saúde de ambos.

REFERÊNCIAS

  1. DIN, Zia. AMBREEN, Sadaf. IQBAL, Zafar. et all. Determinants of antenatal psychological distress in Pakistani women. Noro Psikiyatr Ars. v. 53. P.152-157. Jun. 2016. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5353020/. Acesso em 1 jun. 2021
  2. YUKSEL, Fatma. AKIN, Semiha. DURNA, Zehra. Prenatal distress in Turkish pregnant women and factors associated with maternal prenatal distress. J Clin Nurs. v. 23. P. 54-64. 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23305376/. Acesso em 1 jun. 2021
  3. DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2a ed. Porto Alegre: Artmed; 2008. Acesso em 1 jun. 2021
  4. GRAEFF, Frederico. Ansiedade, pânico e o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal. Brazilian Journal of Psychiatry. v. 29, suppl 1, p. s3-s6, 2007. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1516-44462007000500002>. Acesso em: 1 jun. 2021.
  5. SADOCK, Benjamim. Compêndio de psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 9a ed. Porto Alegre: Artmed; 2010. Acesso em 1 jun. 2021
  6. MANASSIS, K. BRADLEY, S. GOLDBERG, S. et all. Attachment to mothers with anxiety disorders and their children. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. V. 33(8) p.1106-1113. 1994. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7982861/. Acesso em 1 jun. 2021
  7. BROCKINGTON, Ian. Postpartum psychiatric disorders. Lancet. V. 363(9405). P. 303-310. 2004. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140673603153901/fulltext. Acesso em 1 jun. 2021
  8.  ZANARDO, V. NICOLUSSI, S. GIACOMIN, C. et all. Labor pain effects on colostral milk beta-endorphin concentration of lactating mothers. Biol Neonate. V. 79 n.2 p. 87-90. 2001. Disponível em: https://www.karger.com/Article/Abstract/47072. Acesso em 1 jun. 2021
  9. LEMON, Elizabeth, VANDERKRUIK, Rachel, ARCH, Joana, et all. Tratamento da ansiedade durante a gravidez: preocupações do paciente sobre o tratamento farmacêutico. Revista de Saúde Materno-Infantil, v. 24, p. 439–446, jan. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s10995-019-02873-7. Acesso em: 1 jul. 2021.
  10. HALL, Hellen. MCKENNA, Lisa. GRIFFITHS, Debra. Midwives’ support for Complementary and Alternative Medicine: a literature review. Women Birth. V. 25(1) p. 4–12. 2012. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21236745/. Acesso em 1 jun. 2021
  11. HOGA, Luiza Akiko. REBERTE, Luciana Magnoni. Técnicas corporais em Grupo de Gestantes: a experiência dos participantes. Rev Bras Enferm. V. 59(3) p. 308–313. 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/jwHnmrGTPjDHTwd8f4HS7FF/?lang=pt. Acesso em 1 jun. 2021
  12. KUREBAYASHI, Leonica Fumiko. OGUISSO, Taka. FREITAS, Genival Fernandes. Acupuntura na enfermagem brasileira: dimensão ético-legal. Acta Paul Enferm. V. 22(2) p. 210–222. 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/sBd3n6cVSNSn5xyF4rgZ4ry/?lang=pt. Acesso em 1 jun. 2021
  13. MACIOCIA, Giovanni. Os fundamentos da medicina chinesa: um texto abrangente para acupunturistas e fitoterapeutas. 2a ed. São Paulo: Roca; 2007. Acesso em 1 jun. 2021
  14. ARAÚJO, Daniele Marano. PEREIRA, Natália Lima, KAC, Gilberto. Ansiedade na gestação, prematuridade e baixo peso ao nascer: uma revisão sistemática da literatura. Cad Saúde Pública. V. 23(3) p.747-56. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/cdfD3PF9QGvTpjSf5pJ9zns/?lang=pt. Acesso em 1 jun. 2021

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