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ÀS CRIANÇAS, COM CARINHO!

ÀS CRIANÇAS, COM CARINHO!

Márcio Bambirra Santos

Administrador e Economista. Professor no CEFET-MG

Edição Vol. 3, N. 1, 13 de Outubro de 2015

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2015.10.13.005

A história é o principal fator comparativo nas mudanças do ser humano. Algumas coisas evoluíram consideravelmente, outras nem tanto, e é possível detectar ainda as estacionárias ou até as que desapareceram. Tudo depende óbvio, do intervalo de tempo considerado. Nesses quatro grandes grupos citados que compõem a viagem em diferentes épocas, considera-se importante também a distância relativa de foco no objeto pesquisado.

Não se pode limitar a compreensão ao imediatamente percebido. A humildade e a precaução ensinam que a perspectiva que permita uma melhor visão ou compreensão do todo, com isenção e imparcialidade, se adquire a distancia, sobretudo das emoções. Aqui, não cabem erros prosaicos como a paralaxe, pois o objetivo é vital: detectar com clareza e destemor as fragilidades que persistem e assim tentar superá-las. Algumas tão antigas quanto à gênese da própria raça, parecem impregnadas no convívio humano tais como a vilania, a covardia e a alienação, tríade do mal, que insiste em compor uma atmosfera pesada e putrefata que provoca, muitas das vezes, sentimentos nunca imagináveis, nem na ficção de filmes de horror. Para quem acredita, o norte oposto a essa opção, é a fé e o amor que compõem uma estrada única. Outros olham isso com bizarria, fanatismo ou ceticismo típicos do medo do desconhecido, facilitando de um lado, o reforço a dogmas radicais religiosos, e de outro, o surgimento dos arautos da (suposta) verdade com a arrogância agressiva de dominadores, ambos na tentativa de lavarem a verdade com a destruição. Não importa, essa é a zona de sombra que habitam também os doentes mentais e revoltados. É onde o pau quebra.

Quem desejar ir mais longe no tempo, o melhor passaporte é o livro “História das Guerras” de Demétrio Magnoli (org.), onde os autores resgatam fatos de 25 séculos atrás até os dias de hoje, do oriente ao ocidente, lembrando o filósofo grego Heráclito (535-475 a.C): “A guerra é o pai de todas as coisas”. Mas, nesse artigo o objetivo é outro: estabelecer uma relação de causa-efeito comum aos conflitos e beligerância humana e, sobretudo, apresentar uma alternativa de evolução significativa em nossa era. Embora os pesquisadores acima afirmem que “A história das guerras é uma história de alteridades. Cada guerra é um fenômeno único, singular, irredutível. (Pag. 15, cap.I, No espelho da guerra)”, considerando que a guerra é efeito, consequência, e que existem múltiplas causas que se inter-relacionam, a principal delas é a síntese da tríade citada acima. Longe de ser simplista e ordinária essa conclusão é direta no entendimento e transparente na retórica.

Toda manifestação violenta gera no mínimo a dor para os inocentes e uma reação de impotência aos que a assistem. Proveniente das ações da natureza e seus fenômenos como terremotos, vulcões ou enchentes, a solidariedade das pessoas se manifesta para o apoio e recomeço da vida. Mas, se advêm de seus semelhantes, há um misto imediato de desespero, revolta e vingança, e aos expectadores uma indignação de vergonha profunda. Quanto mais o ciclo se repete, mais banal ficam as ações e as reações, como se normalizassem no cotidiano. Vão surgindo estatísticas meias difusas, inicialmente residuais, pontos em vermelho como gotas de sangue, que com as repetições vão destacando cada vez mais, até que nublam as vistas ou colorem as cenas em “flash”. Das fossas repletas de jovens idealistas, moribundos e esquartejados física e moralmente da 1ª grande guerra, ao terror da eugenia e do holocausto nuclear do 2º conflito mundial, somam-se a elas (12M e 60M, respectivamente), outras tantas guerras e conflitos armados no planeta, medidas em milhões(M) e milhares(m) de vítimas, de maior destaque na imprensa mundial: Coréia-1,2M; Vietnã-2,1M; Oriente Médio-1,4M; Síria-220m; África-1,0M; USA, 11 de setembro-3,1m; Brasil, última década do crime organizado-500m. A lista deve ser muito maior se computar o somatório das categorias estatisticamente não significativas ou indeterminadas.

No ajuste de toda mira de arma de fogo, há uma indústria bélica poderosa que é o instrumental que viabiliza as atrocidades legais e ilegais em escala imprevista, de décadas para cá, da maldade humana. São empresas que atuam como sociedades anônimas, com ações nas principais bolsas de valores espalhadas pelo mundo e, por incrível que pareça, investidores que se regozijam pelo sucesso de suas vendas e, óbvio, pelos dividendos de suas ações e lucros. A tabela a seguir traz os nomes das 10 maiores indústrias bélicas no mundo, que venderam no total mais de US$ 400 bilhões em armamentos em 2011, de acordo com dados da SIPRI (Stockholm International Peace Research Institute, www.sipri.org).

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O Brasil não fica longe, com vendas totais em torno de US$ 2,5 bilhões ao ano, onde se destacam empresas como a EMBRAER, CBC, CONDOR, TAURUS e AVIBRAS, de acordo com o SMALL ARMS SURVEY. Pesquisadores constataram que a maioria (78%) das armas utilizadas em homicídios e crimes, é produzida no Brasil (ROSSI e TAURUS) e que desse total, 19% delas são registradas ou legais e 81% ilegais (A Fatal Relationship: Guns and Deaths in Latin America and the Caribbean, www.smallarmssurvey.org). A insegurança pública leva a miragens: o cidadão de bem deve se proteger, e para tal, se armar. Isso é mais uma falácia de uma sociedade eivada pelo imediatismo e sem a blindagem dos poderes públicos! É o mesmo que dizer que a descriminalização da maconha é “de boa”, pois é para curar pessoas que necessitam do canabidiol.

A exemplo da indústria de tabaco, já passou a hora de denunciar e “tirar de moda” a indústria bélica e toda a sua cadeia produtiva. O impedimento na negociação de ações dessas empresas, a exemplo da legislação SOX (Sarbanes-Oxley) das sociedades anônimas de alcance mundial, já seria um marco considerável na evolução da espécie. Ou ainda, o país que vende mais armas, que receba o maior número de refugiados de comunidades destroçadas por elas. Não existe apelo maior do que aquele que as pessoas sentem no bolso.

Não importa onde, mas quem vende e compra armas, vende e compra a morte. A história é sempre a mesma: há uma mobilização/transação de bilhões de dólares para um resultado social que é um fracasso, um fiasco. São poucos os que realmente ganham. Essa conversa de defender fronteiras, reservas minerais, soberania, é cínica, ultrapassada e desnecessária tanto quanto a ONU interfere nas questões dos refugiados das guerras, ou nas sanções aos USA relativas ao “fogo amigo” em hospitais e áreas civis nas zonas de conflito. A vaidade humana comporta a imagem de uma flor de lótus da alienação, limpa e pura, no pântano imundo da hipocrisia mundial.

O oportunismo no lucro exagerado dos mercadores da morte nas transações europeias e norte americanas sobretudo, como um abraço de afogado, arrastam os demais povos nessa ciranda macabra, alastrando com o fogo e o aço rasgando a pele de inocentes, e transformando cidades em infernos. Mas, os investidores querem é mais, incapazes de perceber que a ameaça, sobretudo do terrorismo, já está em seus jardins.

Pontos coloridos vão surgindo no horizonte das trilhas e praias do Mediterrâneo; é a busca desenfreada da fuga do caos bombardeado que se transformou a cidade de Kobani, por exemplo. Nessas cores, uma se destaca: é o vermelho do casaco de um garoto 3 anos de idade, Aylan, que deitado à margem de uma praia turca, parece esperar o seu irmão Galip de 5 anos venha acorda-lo de um sonho não mais possível.

*Administrador e Economista. Professor no CEFET-MG

mb@mbambirra.com.br

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