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ANTICONCEPCIONAL MASCULINO, EM BREVE!

Daniel Mendes Filho, Patrícia de Carvalho Ribeiro, Rodrigo R Resende, Ricardo Cambraia Parreira

Edição Vol. 5, N. 11, 13 de Agosto de 2018

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2018.08.13.002

Os métodos contraceptivos (para se evitar gravidez não programada) variam tanto em sua natureza quanto nos mecanismos de ação. Métodos físicos geralmente consistem em cirurgias ou barreiras que impedem a fusão entre espermatozoide e óvulo, como os preservativos e o diafragma. Por outro lado, os métodos químicos podem atuar causando a morte dos espermatozoides (géis espermicidas), dificultando sua viagem até o óvulo (minipílulas com baixa concentração hormonal) ou mesmo impedindo a ovulação – as pílulas anticoncepcionais.

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Figura 1: Métodos contraceptivos oferecidos pelo Sistema único de Saúde (SUS) no Brasil. Quem sabe um dia ainda veremos o anticoncepcional masculino entre eles? (Fonte: TVBRASIL, https://vimeo.com/191045930)

Essas pílulas contêm doses elevadas de hormônios femininos (os chamados estrogênios) que agem impedindo os ovários de liberar um óvulo. Fazendo uma analogia, é como se a pílula anticoncepcional simulasse uma gravidez e informasse aos ovários para não liberar mais óvulos. Apesar de ser um método contraceptivo seguro, historicamente o uso dos anticoncepcionais gerou preocupações na área médica. Várias pesquisas ao longo dos anos destacaram efeitos colaterais envolvendo câncer, hipertensão, doenças cardiovasculares, náuseas e etc. Se você faz uso não se assuste, a maioria desses efeitos foi contornada com a evolução da farmacologia e o desenvolvimento de novos anticoncepcionais. Mas, é extremamente importante só usar esses medicamentos sob orientação de um médico ginecologista, pois alguns riscos como o de doença tromboembólica (quando há uma coagulação espontânea do sangue dentro dos vasos sanguíneos e o coágulo se desloca através deles), podem ser significativos para determinadas mulheres. E se você é uma dessas vai gostar de saber que já entrará em fase de testes clínicos um anticoncepcional masculino! Agora as mulheres poderão se aliviar do compromisso de tomar a pílula diariamente e na hora certa bem como de tantos possíveis efeitos adversos.

O anticoncepcional masculino em desenvolvimento por cientistas do Instituto Nacional de Saúde da Criança e do Desenvolvimento Humano (NICHD, em inglês) é um gel hormonal que quando aplicado na pele de homens suprimi por 3 dias a produção de espermatozoides. O gel é constituído de testosterona e pelo hormônio sintético nestorona. A nestorona age no organismo suprimindo a produção de testosterona nos testículos e, portanto, inibindo a produção de espermatozoides. Paralelamente, a testosterona sintética do gel garante que os níveis fisiológicos de hormônios masculino permaneçam adequados sem estimular a formação de espermatozoides. Sendo assim, os homens que usarem o gel terão os efeitos fisiológicos da testosterona preservados e, com isso, não haverá risco de, por exemplo, perda de massa muscular ou afinar a voz (o que com certeza desanimaria de usar o gel!). 

Para fazer efeito, o gel anticoncepcional deve ser diariamente aplicado nos antebraços e ombros e esfregado até ser absorvido pela pele. Os testes clínicos começarão em abril e serão feitos com 400 casais de vários países. Para esses testes, os homens devem usar o gel por 4 meses durante os quais será feita regularmente a contagem de espermatozoides e suas parceiras continuarão a usar seus métodos contraceptivos próprios (pílula ou diafragma, por exemplo). Depois desse tempo, os casais serão instruídos a usarem apenas o gel anticoncepcional masculino como forma de contracepção durante 1 ano. A expectativa da drª Stephanie Page, uma das cientistas líderes do projeto, é de que o método se demonstre tão eficiente quanto a pílula. Essa seria mais uma contribuição valiosa da ciência para a saúde humana, pois preservaria a saúde de muitas mulheres com maior propensão a desenvolver os efeitos colaterais nocivos da pílula.

REFERÊNCIAS

Hormonal Male Contraceptive to Enter Clinical Trial. Disponível em:< https://www.the-scientist.com/?articles.view/articleNo/51222/title/Hormonal-Male-Contraceptive-to-Enter-Clinical-Trial/>. Acesso em: 03/01/2018.

LOOSE-MITCHELL, David S.; STANCEL, George M. Estrogênios e Progestogênios. In:, GOODMAN, Alfred Gilman. GOODMAN & GILMAN As Bases Farmacológicas da Terapêutica. Rio de Janeiro: Mac Grahill, 2005. Cap.58. p. 1201-1229.

ANSELMO-FRANCI, Janete Aparecida; SPRITZER, Poli Mara; FRANCI, Celso Rodrigues. Fisiologia da Reprodução. In: AIRES, Margarida de Mello. Fisiologia. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, Cap.77. p. 1225-1236, 2012.

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