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ANÁLISE MICROBIOLÓGICA AERÓBIA DE SUPERFÍCIES DE MOEDAS DE UM REAL

ANÁLISE MICROBIOLÓGICA AERÓBIA DE SUPERFÍCIES DE MOEDAS DE UM REAL

Adriano Cavalcante de Jesus, Wanderson Cosme da Silva

Edição Vol. 5, N. 07, 12 de Fevereiro de 2018

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2018.02.12.002

As moedas têm uma rotatividade muito grande entre as pessoas, propiciando acumulo de sujeira nas fissuras destes objetos. 

Há uma vasta quantidade de bactérias na microbiota residente humana, inclusive ultrapassa o número de células de uma pessoa. 

Este trabalho permitiu a identificação de micro-organismos aeróbios presentes nas moedas de um real, inclusive, vários desses são patogênicos ao ser humano. 

É necessário dar mais importância à higiene pessoal, para que se contamine menos as moedas e para que diminua a exposição à alguns desses micro-organismos patogênicos.

INTRODUÇÃO

Devido ao fato do dinheiro ser um elemento básico na aquisição de bens e troca de serviços, tornando-se um dos objetos de maior rotatividade entre as pessoas, é importante avaliar os micro-organismos presentes, detectando uma possível fonte de infecção e/ou intoxicação em um determinado indivíduo (1).

   O ser humano possui uma vasta quantidade de bactérias que habitam sua microbiota, em um número que pode ser maior que o total de células do próprio corpo, mas, as bactérias não albergam apenas o ser humano. Elas estão distribuídas nos animais, no solo, na água, no ar e nos alimentos, podendo ser facilmente veiculadas por objetos de contato entre as pessoas, como por exemplo, as moedas. O dinheiro representa um importante reservatório de bactérias, que em concentrações elevadas e associadas à falta de higiene, podem se tornar sérias ameaças ao indivíduo. (1)

dinheiro-sujo 

Dinheiro sujo!!!

A quantidade de sujeira acumulada nas moedas circulantes é algo que ainda não se dá muita importância. Diversos micro-organismos são encontrados no dinheiro, passando de mão em mão, possibilitando a proliferação de agentes indesejáveis. Há comerciantes que realizam suas atividades desempenhando duas funções simultaneamente, a de operador de caixa e a de vendedor dos alimentos que consumimos, e isso é algo preocupante (1).

Para que ocorra o desenvolvimento e sobrevivência dessa população de micro-organismos em determinado local, são necessários alguns fatores, que precisam estar alinhados, e que são dependentes das condições do ambiente em que se encontram (2).

São fatores intrínsecos a água, acidez (pH), composição química e até mesmo a interação com outros micro-organismos. Sabe-se a total necessidade de água para a sobrevivência desses seres, bem como o pH, que em geral está próxima a neutralidade (entre 6,5 e 7,5) (2).

O Staphylococcus aureus é o patógeno humano mais importante entre os estafilococos (3). Este micro-organismo é encontrado no ambiente externo e interno, como em pregas cutâneas, axilas, garganta, intestino e até mesmo na vagina.  Apesar de fazer parte da microbiota humana pode produzir infecções oportunistas em condições apropriadas (3). O Staphylococcus aureus pode causar diversos processos infecciosos, desde infecções cutâneas, como foliculites e furúnculos até casos graves de artrite e osteomielite (4). Este patógeno é também responsável por intoxicações alimentares, que são provocadas pela ingestão de toxinas previamente formadas no alimento contaminado (5).

A Escherichia coli, que já foi encontrada em uma superfície de cédulas é um exemplo de um marcador microbiológico de contaminação fecal (6). Além desta bactéria e outras da família Enterobacteriaceae, que sinalizam que há contaminação intestinal, de modo consequente podem ocasionar contaminações ao homem. Por isso a importância de lavar bem as mãos antes do consumo ou manuseio de qualquer alimento (7).

Pseudomonas aeruginosa é um bacilo Gram negativo não fermentador da glicose, aeróbio facultativo, tolera grandes variações de temperatura, pode ser encontrado no solo, na água, nas plantas, vegetais, pele e gostam de lugares úmidos (8). 

As Pseudomonas são patógenos oportunistas que propicia infecções em pacientes hospitalizados, causando infecções em qualquer parte do corpo. Porém as infecções do trato urinário, pneumonias e em ferimentos predominam (9).

Candida albicans é um fungo leveduriforme que habita a microbiota residente humana em diversos locais do corpo, entre eles a pele, boca e vagina. Esta levedura pode causar infecção em diversos sítios anatômicos, principalmente em indivíduos imunologicamente debilitados (10)

Bacillus spp é uma espécie de bactéria que possui uma vasta família denominada Bacillaceae, contendo micro-organismos que se proliferam de forma aeróbica e anaeróbia. Esse gênero bacteriano possui a capacidade de esporular (11).

Bacillus anthracis já foi utilizado de forma cruel como arma biológica dizimando dezenas de pessoas nos EUA (Estados Unidos da América) no ano de 2001. Essa bactéria pode causar diversas lesões cutâneas, gastrointestinal formando úlceras no local de inoculação. A inalação deste micro-organismo pode ocasionar sepse e, na maioria dos casos, pode ocorrer morte. 

Outra espécie também muito conhecida é o Bacillus cereus, causador de intoxicação alimentar (11).

Klebsiella pneumoniae é um bacilo Gram-negativo, membro da família Enterobacteriaceae, encontrado em locais como água, solo, plantas e esgoto (12). Sua colonização em seres humanos, provavelmente ocorre por contato com as diversas fontes ambientais e pode ser encontrada colonizando a orofaringe e fezes de pessoas sadias. Já no organismo de pessoas imunocomprometidas esta bactéria encontra um ambiente propício para seu crescimento, levando aos quadros de infecção (13).

Esta pesquisa possui importância sanitária, pois alguns micro-organismos patogênicos presentes em grande quantidade podem desencadear doenças nas pessoas que manipulam esse dinheiro.

OBJETIVO 

Identificar os micro-organismos aeróbios presentes nas superfícies de moedas de um Real e fazer uma correlação com algumas doenças que esses mesmos podem causar aos seres humanos.

MÉTODO 

As moedas foram coletadas de forma aleatória e transportadas ao laboratório da faculdade, cada uma delas em um saco plástico estéril. A técnica de coleta utilizada consiste em friccionar em regiões diversas com um swab estéril umedecido com solução fisiológica na superfície a ser estudada. Os swabs foram inoculados em caldo BHI e incubados a 37ºC por 48 horas. Posteriormente, o caldo foi cultivado nos seguintes ágares: BHI, MacConkey, Manitol e Sabouraud.

Os meios semeados foram incubados em estufa bacteriológica a 37º C por 48 horas. O crescimento foi monitorado por características morfotintoriais identificadas através da coloração de Gram.

A identificação bioquímica das bactérias foi feita através do Manual de identificação de bactérias de importância médica da Anvisa (14).

 

RESULTADOS 

Entre as 30 amostras analisadas, 29 foram positivas. Houve cultura positiva para mais de um tipo de micro-organismo. 

As amostras foram positivas para os seguintes micro-organismos: 

Klebisiella pneumoniae = 8,10% (n= 3); 

Staphylococcus coagulase negativa = 21,62% (n=8); 

Staphylococcus aureus = 18,91% (n=7); 

BGP (Bacilos Gram Positivos) = 43,24% (n=16); 

Cocos bacilos Gram Negativos = 2,70% (n=1) e 

BGN/NFG (Bacilos gram negativos não fermentadores de glicose) = 5,40% (n=2).

DISCUSSÃO 

Artigos já publicados com objetivos semelhantes, trazendo avaliações quantitativas relacionadas à presença de micro-organismos em moedas, sejam elas quaisquer que seja o valor, apontaram resultados próximos ao que foi identificado neste trabalho. 

Os artigos publicados antes deste presente estudo realizado no laboratório da FMU não apresentaram Bacilos Gram Positivos, porém esta presente pesquisa apresentou 43% para este tipo de micro-organismo. 

Outros trabalhos já publicados mostram ênfase em análises em cédulas, sendo poucos com enfoque específico em moedas de um real. 

CONCLUSÃO 

Nas moedas analisadas foram identificados Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus coagulase negativa, Staphylococcus aureus, BGP (Bacilos Gram Positivos), Cocos bacilos Gram Negativos e BGN/NFG (Bacilos Gram negativos não fermentadores de glicose). 

Algumas patologias podem ser causadas por esses micro-organismos, como por exemplo: 

Klebisiella pneumoniae = infecção do trato urinário ou respiratório; 

Staphylococcus coagulase negativa = infecções mais comuns que envolvem a pele (celulite, impetigo) e feridas em sítios diversos; 

Staphylococcus aureus = infecções agudas que podem disseminar-se para diferentes tecidos e provocar focos metastáticos. Doenças mais graves, como bacteremia, pneumonia, osteomielite, endocardite, miocardite, pericardite e meningite também podem ocorrer (TRABULSI; ALTERTHUM, 2005).

Referências

1. KRANZ, Fernando. ISOLAMENTO DE Staphylococcus aureus, Streptococcussp, Pseudomonassp E DE BACTÉRIAS DA FAMÍLIA Enterobacteriaceae ENCONTRADAS EM CÉDULAS DE DINHEIRO CIRCULANTE NA CIDADE DE CHAPECÓ – SC. Universidade Comunitária Da Região De Chapecó – UNOCHAPECÓ – Curso de Graduação em Farmácia.SC. ano 2010.

2. Bernadette D.G. de M. Franco.; Mariza Landgraf.; Microbiologia dos alimentos Atheneu. P. 13-23,2005.

3. KONEMAN, E.W.; ALLEN, S.D.; JANDA, W.M. Diagnóstico Microbiológico: texto e atlas colorido. 5.ed. Rio de Janeiro: MEDSi, 2001. 1456p.

4.0FERREIRA, A.W.; ÁVILA, L.M. Diagnóstico laboratorial das principais doenças infecciosas e auto imunes. Rio de Janeiro: GuanabaraKoogan, 1996. 302p

5. TRABULSI, L.R.; TOLEDO, M.R.F.de. Microbiologia. São Paulo: Atheneu,1998. 386p.

6. AYRES, A. F. S. M. C.; PINHO, D. L.; MACHADO, F. F. Contaminação microbiana de cédulas de real. Jornal Brasileiro de Medicina. Rio de Janeiro, v. 81, n. 3, p. 40-50, 2001. 

7. INOCENTE, Fernanda Ribeiro; GOMES, Fernanda de Resende. Incidência de staphylococcus aureus e de bactérias da família enterobacteriaceae em cédulas de R$ 1,00, R$ 5,00, R$ 10,00 e R$ 50,00. Revista Estudos de Biologia, Curitiba, v. 26, n. 56, p. 21- 26, jul./set. 2004. 

8. Gales A C, Jones R N, Turnidge J, Rennie R, Ramphal R. Characterization of Pseudomonas aeruginosa isolates: occurence rates, antimicrobial susceptibility patterns, and molercular typing in the global SENTRY Antimicrobial Surveillance Program, 1977-1999. Clin Infect Dis 2001; (32 Suppl 2): S146-S155.

9. MATA, Patrícia TerronGhezzi da; ABEGG, Maxwel Adriano. Descrição de caso de resistência a antibióticos por Pseudomonasaeruginosa. Revista Latino Americana em Ciências, v. 11, n. 2, p. 20-25, 2007. 

10. TRABULSI, Luiz Rachid; ALTERTHUM, Flavio. Microbiologia. 4. ed. São Paulo: Atheneu, 2005.

11. Murray, P.R.; Ken S.R; Michael A. P.; Microbiologia médica6.ed. MosbyElseviercapitulo 24, 74. 2009 

12. PODSCHUM, R.; ULLMANN, U. Klebsiella spp. as nosocomial phathogens: epidemiology, taxonomy, typing methods, and pathogenicity factors. Clin. Microbiol. Rev., n.11, p.589- 603, 1998.

13. MARTINEZ, J., et al. How are gene sequence analyses modifying bacterial taxonomy? The case of Klebsiella. Int Microbiol. v.7, n.4, p.261-8, 2004.

14. Infecção Hospitalar – Controle. 2. Infecção em Serviços de Saúde. 3. Microbiologia Clínica. 4. Vigilância Sanitária em Serviços de Saúde. 5. Resistência microbiana. I. Brasil. ANVISA Ministério da Saúde.

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