web analytics

ANÁLISE MICROBIOLOGIA DE SUPERFÍCIES DE CÉDULAS DE DOIS REAIS: Até Fezes Se Encontra!

Edição Vol. 5, N. 9, 30 de Março de 2018

Priscila Oliveira Souza, Wanderson Cosme da Silva

Centro Universitário Faculdades Metropolitanas Unidas

DOI: http://dx.doi.org/10.15729/nanocellnews.2018.03.30.006

Foi na região do Nordeste do Brasil que surgiram as primeiras moedas, que foram trazidas pelos Holandeses, sendo criadas na Bahia posteriormente as casas da moeda por D. Pedro II. Desde o início, os processos para confecção das moedas eram muito arcaicos, porém, hoje em dia esse processo foi favorecido fortemente pelo avanço da tecnologia. Sabe-se que existe uma vasta quantidade de bactérias na microbiota residente humana, e que ao longo da vida, alguns membros dessa microbiota podem causar infecções oportunistas. Cédulas de dinheiro podem conter inúmeros micro-organismos oriundos do contato humano, inclusive patogênicos, como por exemplo Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Enterococcus spp, entre outros que também podem causar infecções em diversas partes do corpo humano. Este trabalho permitiu a identificação de micro-organismos patogênicos aeróbios que estavam presentes em cédulas de dois reais. 

INTRODUÇÃO

O ser humano possui uma grande quantidade de bactérias que compõem sua microbiota, em um número que pode ser maior que o total de células do corpo. As bactérias não habitam apenas o ser humano, estando presentes nos animais, solo, água, ar e nos alimentos e podem ser facilmente veiculadas por objetos, como por exemplo, as cédulas de dinheiro, representando um importante reservatório que em concentrações elevadas e associadas à falta de higiene pode perturbar a saúde do indivíduo (1).

Há uma grande preocupação com a maneira que os comerciantes realizam suas atividades, desempenhando duas funções simultaneamente, a de operador de caixa e a de preparador de alimentos (1).

É importante avaliar os micro-organismos presentes no dinheiro, podendo mensurar uma possível fonte de infecção e/ou intoxicação (1).

Para que ocorra o desenvolvimento e sobrevivência dessa população de micro-organismos em determinado local, alguns fatores precisam estar alinhados, como por exemplo, a atividade de água, pH, composição química, atmosfera do ambiente, temperatura, umidade, entre outros (7).

O Staphylococcus aureus é o patógeno humano mais importante entre os estafilococos (2). Este micro-organismo é encontrado no ambiente externo e interno como em pregas cutâneas, axilas, garganta, intestino e até mesmo na vagina (2). Esta bactéria é responsável por intoxicações alimentares, que são provocadas pela ingestão de toxinas previamente formadas no alimento contaminado (3).

A Escherichia coli é um marcador microbiológico de contaminação fecal (4). Além desta bactéria, há outras da família Enterobacteriaceae que sinalizam contaminação intestinal (5).

A bactéria Klebsiella pneumoniae provém do solo, água, plantas, e um de seus hospedeiros é o homem (9). Coloniza naturalmente o trato respiratório e excrementos de pessoas saudáveis (6). 

Enterococcus spp são cocos Gram positivos que podem ocasionar lesões cutâneas, infecção do trato urinário, endocardite, entre outras doenças. Algumas cepas são altamente resistentes a antibióticos, afetando severamente pacientes hospitalizados (6).

Esta pesquisa mostra a importância de manter uma higiene pessoal rigorosa para que ocorra a diminuição da contaminação de cédulas de dinheiro. Consequentemente, é possível evitar doenças relacionadas ao manuseio do dinheiro contaminado.

O objetivo geral deste trabalho é identificar as variedades de gêneros e espécies de micro-organismos aeróbios presentes nas superfícies de cédulas de dois reais e o objetivo específico é realizar uma correlação entre os micro-organismos encontrados com as doenças que esses mesmos podem causar aos seres humanos.

 micro-1

Imagem da internet

RESULTADOS

micro-2

*BGP: Bacilo Gram positivo

**BGN/NFG: Bacilo Gram negativo não fermentador de glicose.

 

 

OBS: Foram encontrados mais de um micro-organismo em algumas amostras.

O QUE ISSO REPRESENTA?

Esta pesquisa faz correlação com outras pesquisas relacionadas com contaminações do dinheiro. O contato constante dos indivíduos com as cédulas pode ser fonte de transmissão de doenças ocasionadas por micro-organismos, como por exemplo: Staphylococcus spp, Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Enterococcus spp, que nesta pesquisa foram encontradas nas amostras com significativa frequência. Esses patógenos podem causar diversas doenças como: endocardites, meningites, foliculites, pneumonias, infecções do trato urinário entre outras. 

KRANZ em 2010, relata que em sua pesquisa houve crescimento microbiano em 98% das amostras. A presente pesquisa apresentou crescimento microbiano em 100% das amostras. Entre as enterobactérias encontradas, a que mais se isolou foi a Klebsiella pneumoniae, com percentual 3,53%, seguida da Escherichia coli com percentual de 1,75%, em comparativo com a pesquisa de KRANZ na qual a bactéria mais isolada foi a Escherichia coli. 

COMO SE CUIDAR?

Sabe-se que o dinheiro é um dos objetos mais contaminados que manipulamos diariamente e para que a ocorrência de doenças oriundas desse manuseio diminua é necessário lavar adequadamente as mãos e, se possível, fazer também aplicação de álcool 70% para que ocorra uma higienização mais efetiva contra esses patógenos.

O achado Escherichia coli nas cédulas de dinheiro sugere contaminação fecal, ou seja, mostra que realmente as cédulas de dinheiro podem funcionar como reservatório de várias doenças, pois o conteúdo fecal humano pode apresentar cistos de protozoários, ovos de helmintos, vírus e bactérias patogênicos. O presente resultado fortalece a necessidade de higienização das mãos após o contato com o dinheiro e alerta também à importância dos estabelecimentos que comercializam alimentos separarem profissionais que manipulam os alimentos dos que entram em contato com o dinheiro.

A importância da higienização das mãos após o contato com o dinheiro não se relaciona apenas com as doenças gastrintestinais, mas também as relacionadas com a pele, olhos, entre tantas outras.

  CONCLUSÃO

Neste trabalho foram identificadas as bactérias: Staphylococcus aureus, Staphylococcus coagulase negativa, Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Enterococcus spp, Bacilos Gram positivos (não identificados em gênero e espécie) e bacilos Gram Negativos não fermentadores de glicose (não identificados em gênero e espécie). Todos esses micro-organismos podem causar doenças aos seres humanos. Entre algumas das infecções relacionadas com esses micro-organismos, podem-se citar: foliculites, infecções cutâneas, meningite, infecções do trato urinário, infecção do trato digestório, intoxicação alimentar e pneumonia.

Referências

1 KRANZ, Fernando. ISOLAMENTO DE Staphylococcus aureus, Streptococcussp, Pseudomonassp E DE BACTÉRIAS DA FAMÍLIA EnterobacteriaceaeENCONTRADAS EM CÉDULAS DE DINHEIRO CIRCULANTE NA CIDADE DE CAPECÓ – SC. Universidade Comunitária Da Região De Chapecó – UNOCHAPECÓ – Curso de Graduação em Farmácia.SC. ano 2010.

2 KONEMAN, E.W.; ALLEN, S.D.; JANDA, W.M. Diagnóstico Microbiológico: texto e atlas colorido. 5.ed. Rio de Janeiro: MEDSi, 2001. 1456p.

3 TRABULSI, L.R.; TOLEDO, M.R.F.de. Microbiologia. São Paulo: Atheneu,1998. 386p.

4 AYRES, A. F. S. M. C.; PINHO, D. L.; MACHADO, F. F. Contaminação microbiana de cédulas de real. Jornal Brasileiro de Medicina. Rio de Janeiro, v. 81, n. 3, p. 40-50, 2001.

5 INOCENTE, Fernanda Ribeiro; GOMES, Fernanda de Resende. Incidência de staphylococcus aureus e de bactérias da família enterobacteriaceae em cédulas de R$ 1,00, R$ 5,00, R$ 10,00 e R$ 50,00. Revista Estudos de Biologia, Curitiba, v. 26, n. 56, p. 21- 26, jul./set. 2004.  

6 MURRAY, P.R.; Ken S.R; Michael A. P.; Microbiologia médica 6.ed. Mosby Elsevier capitulo 24, 74. 2009 

7 FRANCO B.D.G de M; Mariza Landgraf: Microbiologia dos alimentos Atheneu. P. 13-23, 2005.

8 BRASIL. ANVISA: Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Detecção e identificação de bactérias de importância médica.  Módulo V. Brasília, 2004.

9 MOREIRA C. VANESSA; FREIRE DANIEL. Klebsiella pneumoniae e sua resistência a antibióticos, disponível em: http://www.cpgls.pucgoias.edu.br/6mostra/artigos/SAUDE/VANESSA%20CARVALHO%20MOREIRA.pdf. Data de acesso: 19/09/2017.

admin_cms

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


*

Anuncie
Seja um parceiro do Nanocell News. Saiba como aqui.

Inscrição Newsletter

Deseja receber notícias de divulgação científica em seu e-mail?

Aqui você irá encontrar as últimas novidades da ciência com linguagem para o público leigo. É a divulgação científica para os brasileiros! O cadastro é gratuito!

Alô, Escolas!

Alô, Escolas! é um espaço destinado ao diálogo com as escolas, públicas e privadas, seus professores e alunos de todas as áreas (humanas, exatas ou ciências) do ensino médio e superior. A seção Desperte o cientista em você traz notícias, dicas de atividades e experimentos para uso em sala. Aqui você encontra também informações sobre a coleção de livros publicados pelo NANOCELL NEWS sobre ciências e saúde, e sobre o Programa Instituto Nanocell de Apoio à Educação.

Edições Anteriores

Curta a nossa página

css.php